Bom dia, Droppers! Pensei no chuveiro: que os gringos estão comprando “risco emergente” sem sair do sofá e o Brasil está nos canais favoritos. Os ETFs de mercados emergentes servem para (1) diversificar investimentos globalmente, (2) concentrar uma cesta de ativos e (3) alocar capital onde há mais potencial de valorização. Com a Selic a 14,25% e a inflação controlada, o EWZ (ETF que aloca no MSCI Brazil) vem liderando as captações em dinheiro nos EUA.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• JPMorgan: uma máquina de fazer dinheiro
• Brasil: de volta ao mercado europeu
• Johnson&Johnson: o show tem que continuar
• Bilionários: perde daqui, ganha dali

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o grito dos 200 mil pontos ficou preso na garganta do Ibovespa depois de o índice ter a primeira queda em seis dias — mesmo com a onda de otimismo rodando o mundo. Quem ajudou a puxar pra baixo foi o Banco do Brasil, depois de o BTG soltar um relatório projetando lucros mais baixos que o esperado para ele. O dólar ficou praticamente estável, caindo apenas -0,03% e fechando abaixo dos R$ 5.
Lá fora, o iô-iô do otimismo-pessimismo com o fim da guerra estava do lado otimista e impulsionou muitas ações a novos recordes de fechamento. Os resultados dos bancos dos EUA também ajudaram e o S&P 500 fechou acima dos 7.000 pontos pela primeira vez, dando continuidade à sua sequência de quatro pregões de alta. O Nasdaq subiu pelo 11° pregão consecutivo e também fez novo recorde de fechamento, o primeiro desde outubro.
JPMorgan: uma máquina de fazer dinheiro
A maior receita para o primeiro trimestre da sua história

O maior banco da maior economia com a maior receita para o Q1 da história. O JPMorganChase publicou seus resultados sem decepcionar ninguém, com o CEO Jamie Dimon rindo à toa.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 49,83 bilhões x US$ 49,17 bilhões
🟢 Lucro por ação: US$ 5,94 x US$ 5,45 esperados
🟢 PDD: US$ 2,5 bilhões, caindo 46% do último trimestre
O bom: a área de investimentos fez sua parte, com taxas avançando 28%, impulsionadas por mais fusões, aquisições e emissões de ações.
O ótimo: o lucro total ficou em US$ 16,49 bilhões, subindo 13% (e a receita subindo 10%). Boa parte desse desempenho veio do FICC (renda fixa, moedas e commodities), que subiu 21% — surfando atividade forte em crédito, câmbio e mercados emergentes.
A cereja do bolo: o banco separou menos dinheiro do que o esperado para perdas com crédito. Um sinal de que, pelo menos por enquanto, os clientes seguem saudáveis.
Olhando pra frente: Dimon fez questão de lembrar que o cenário lá fora está bagunçado. Há um “conjunto cada vez mais complexo de riscos” no radar: tensões geopolíticas, guerra, volatilidade no preço de energia, incerteza comercial, déficits globais… Como ler: o banco foi bem, mas pode começar a dirigir com o pé no freio.
Outros bancos que também reportaram:
Morgan Stanley: também bateu as estimativas, com a receita da área de trading chegando a ficar quase US$ 1 bilhão acima do esperado. O lucro por ação também surpreendeu, vindo em US$ 3,43 enquanto o mercado esperava US$ 3. As ações subiram 4,52%
Bank of America: entregou o seu maior lucro por ação em quase duas décadas, com o CEO dizendo que os clientes estão “saudáveis”. Os destaques ficaram com a mesa de renda variável e trading.
Citigroup: viu seu lucro por ação (EPS) crescer 56% em relação ao ano anterior. Também reportou a melhor receita trimestral em uma década. A negociação de renda fixa subiu 13%, enquanto as ações dispararam 39%. Os papéis subiram 2,61%.
Wells Fargo: superou as expectativas de lucro, mas ficou abaixo das expectativas de receita. Mesmo depois de liberar os limites de ativos com o Fed, o banco não conseguiu rentabilizar sua base, o que desanimou o mercado. As ações caíram 5,7% com a notícia.
Os resultados do setor vêm passando uma mensagem bem clara: eles ainda sabem ganhar dinheiro… mas isso não quer dizer que o jogo não está ficando mais complicado.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 8 | Neutro: 12 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 337,14 | Preço atual: US$ 305,93
MACRO/AÇÕES
Petróleo: uma visão do que dessa vez é diferente na crise da commodity.
Software: setor teve o seu melhor dia nos últimos tempos.
Crédito Privado: o alerta do JPMorgan sobre o aumento das fragilidades.
PPI: alta de 0,5% foi bem mais tranquila que o esperado.
Kraken: a corretora de criptomoedas protocolou confidencialmente um pedido de IPO
Oncoclínicas: sem Porto e Fleury, empresa avança em recuperação extrajudicial e vai buscar capital.
Magazine Luiza: braço financeiro, o MagaluPay, celebrou a emissão do primeiro CDB.
Kalshi: expande mercado de previsões de commodities em meio à volatilidade da guerra.
A nova era do comex chegou
Dropped by Logcomex.ai
Câmbio instável, tarifas imprevisíveis, fornecedor atrasado… Enquanto o time de comex apaga incêndio — o financeiro paga a conta.
Pra fechar esse gap, a Logcomex lançou a Inteligência Artificial do Comércio Exterior, que une mais de 10 anos de expertise com tecnologia.
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Perde daqui, ganha dali

Se 2025 foi o ano em que o rico ficou mais rico, 2026 começou lembrando que a gravidade ainda existe. A correção no primeiro trimestre no mercado americano e na Europa gerou algumas danças das cadeiras entre os bilionários: até o fim de março, 346 dos 500 nomes do Bloomberg Billionaires Index viram suas fortunas encolherem.
Nada muda no topo: se tem incêndio, tem gente vendendo extintor e Elon Musk entra nesse grupo, “desafiando a física financeira”. O homem mais rico do mundo colocou mais US$ 12 bi na fortuna — turbinado pela fusão SpaceX-xAI.
O novo hype: com o dinheiro migrando do setor de software para quem vende “pá e picareta” (ou memória e hardware), David Sun e John Tu, da Kingston Technology, embolsaram mais de US$ 12 bilhões cada no trimestre.
Do outro lado: Larry Ellison lidera a lista de perdas, com mais de US$ 60 bilhões evaporando. Logo atrás vem Bernard Arnault, que viu o império da LVMH sentir o baque da desaceleração no consumo de luxo.
Os principais impactados no trimestre:

Enquanto alguns bilionários continuam surfando a onda da infraestrutura e do “backstage” da IA, outros estão descobrindo que hype, sozinho, não paga a conta. E, como sempre, o dinheiro não sumiu… só trocou de bolso.
STATS DO DIA
US$ 6 trilhões
foi o ganho em valor de mercado do S&P 500 nos últimos 12 dias. O índice atingiu novo recorde histórico, com alta de 11% desde a mínima de 30 de março.
Johnson&Johnson: o show tem que continuar
Trimestre forte, com trocas de protagonismo

A Johnson&Johnson (farmacêutica, não a do xampu) soltou resultados positivos, bateu expectativas e até elevou (pouco, mas elevou) o guidance para 2026. Tudo isso enquanto vai provando que sabe se reinventar — um blockbuster perde força, outros já estão prontos para assumir o protagonismo.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 21,1 bilhões x US$ 20,7 bilhões
🟢 Lucro por ação: US$ 2,70 x US$ 2,60 esperados
🟡 Guidance: US$ 100,8 bilhões em receita no ano, em linha com o esperado.
O mercado vinha com uma expectativa boa, com a empresa já subindo 15% esse ano. Analistas até questionaram se o resultado foi suficiente para justificar a alta recente, mas concordaram que, pelo menos, o ano começou bem.
Por trás dos números, o enredo tem um velho conhecido em declínio e novos personagens roubando a cena:
Stelara: chegou a fazer US$ 10 bilhões anuais, mas perdeu a exclusividade e viu suas vendas despencarem ~60%. Mas muitos trocaram de “time”, indo para outros tratamentos em vez de mudar a fornecedora.
Icotyde: e aí entra o estreante com cara de veterano. Recém-aprovado, o medicamento já acumula cerca de 1.500 prescrições em poucas semanas, um começo que, nas palavras da própria empresa, é “rápido demais para ignorar”.
Darzalex: enquanto isso ele segue fazendo o papel de estrela consolidada, com US$ 4 bilhões em vendas no trimestre, bem acima do esperado.
A combinação de um portfólio robusto com novos motores de crescimento tem feito analistas enxergarem a empresa como uma das mais “limpas” do setor neste momento de transição, capaz de crescer de forma consistente mesmo após perder exclusividades importantes.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 9 | Neutro: 10 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 249,75 | Preço atual: US$ 238,67
Brasil de volta ao mercado europeu
Os primeiros € 5 bi após 12 anos

Depois de mais de uma década longe das prateleiras europeias, o Brasil resolveu voltar às compras vendas. O Tesouro levantou € 5 bilhões na sua primeira emissão em euros desde 2014, entrando de vez na onda dos emergentes que decidiram não depender só do dólar pra se financiar.
A operação veio em três sabores, com vencimentos em 2030, 2033 e 2036. E o detalhe que o mercado gosta: a demanda foi boa o suficiente para apertar os spreads ao longo da oferta, sinal de que tinha gente fazendo fila pra emprestar dinheiro ao Brasil em euros.
Mais do que uma simples captação, o movimento faz parte de um plano maior de diversificar as fontes de financiamento. O governo quer voltar a frequentar o mercado internacional com mais regularidade em 2026, emitindo não só em euros, mas também em dólares e até em renminbi (China).
O timing não é aleatório. Existe uma tendência global rolando, com os países emergentes voltando a ser a bola da vez, o apetite por títulos soberanos aumenta, e esses países estão buscando financiamento em outras moedas além do dólar.
Para o Brasil, isso ajuda a construir uma curva de juros mais completa lá fora e dar mais visibilidade internacional à dívida pública, diversificando também seu passivo em outras moedas.
Claro que nem tudo é perfeito: o país ainda está abaixo do grau de investimento pelas principais agências de rating, o que sempre adiciona uma camada extra de cautela para investidores. Mas isso não foi suficiente para afastar o interesse do gringo europeu.
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