Bom dia, Droppers!

Pensei no chuveiro: que dos US$ 122 bilhões que a OpenAI acaba de colocar no caixa, US$ 50 bilhões saem da Amazon... mas não saem de verdade porque voltam na compra de serviços da AWS — e os US$ 30 bi da Nvidia também voltam em hardware. É tipo um vale-presente gigante: impressionante no papel, mas você não pode usar para pagar o aluguel!

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Nike: Just Don’t Do It
• Estatais federais: pior bimestre desde 2002
• JHSF: luxo que dá lucro
• Allbirds: do IPO ao troco de bala

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, as águas de março fecharam o verão e levaram junto a sequência positiva que o Ibovespa vinha acumulando desde julho do ano passado. O lado positivo é que com a reação da semana passada, o índice agora está só 2% abaixo da máxima histórica. Abril começou bem, mas volátil: ontem chegou a subir 1%, mas a dança do petróleo pressionou a PETR e o Ibov fechou com alta de 0,26%.

Lá fora, passou só um dia até agora, mas abril começou com quase tudo subindo (exceto energia), mesmo com a apreensão com o discurso de Trump e a incerteza sobre os conflitos no Oriente Médio — com o preço do barril de petróleo abaixo dos US$ 100 pela primeira vez nos últimos sete dias.

Nike: Just Don’t Do It

Resultado até anima, mas fala do CEO faz o mercado ficar ainda mais apreensivo

O resultado até veio, mas a projeção do futuro da Nike fez o mercado amarrar os tênis e sair correndo. O CEO basicamente disse que está cansado e que os próximos meses não serão nada fáceis — podendo perder até 20% do faturamento na China. A consequência? Ações caindo!

Bancos como JPMorgan, Citi e Barclays reduziram recomendações e preços-alvo. A ação caiu -15,51% após o resultado, e já cai -29,48% no ano.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$11,27 bilhões x US$11,24 bilhões esperados

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 0,35 x US$ 0,28 esperados

  • 🔴 Guidance: vendas podem cair 2 dígitos.

Um trimestre “ok”: a empresa bateu as estimativas tanto em receita quanto em lucro. Mas o guidance para frente assustou o mercado, que não esperava notícias tão boas, mas também não estava preparado para os números projetados.

O problema tem endereço certo: o mercado chinês representa ~15% da receita e continua sendo uma pedra no tênis. As vendas por lá caíram 7% no trimestre, o 7° recuo seguido, e, embora tenha vindo “menos pior” do que o esperado, a mensagem é de que tem mais turbulência pela frente.

A Nike já vinha de um processo de recuperação quando entrou em cena o combo nada amigável para as vendas: guerra comercial, inflação e tensão geopolítica no Oriente Médio, que pode encarecer ainda mais energia e frete.

O consumidor começa a pensar 2x antes de comprar aquele Air Jordan novo e talvez menos gente chegue na Copa do Mundo com a camisa do ano.

PS: hoje, mas em 1985, a Nike lançava seus primeiros tênis Air Jordan, vendendo US$ 126 milhões em um ano.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 4 | Compra: 17 | Neutro: 16 | Venda: 1 | Venda Forte: 1

Preço-alvo médio: US$ 67,09 | Preço atual: US$ 44,63

MACRO/AÇÕES

  • Treasuries: segundo a Barclays, esse mercado de US$ 31 trilhões pode precisar de intervenção.

  • Argentina: pobreza cai ao menor nível desde 2018.

  • Cade: abre investigação contra 99Food por supostas práticas abusivas de concorrência.

  • JBS: capta US$ 2 bilhões com bonds.

  • Unilever: e McCormick criam nova gigante global de alimentos em fusão de US$ 45 bilhões.

  • Vale: negócio de metais básicos deve representar um terço da geração de caixa em 2035.

  • B3: entra no mercado preditivo, anunciando contratos de eventos de Ibovespa, dólar e Bitcoin.

  • Boeing: subiu 4,17% com uma parceria com o Departamento de Defesa para expandir a produção de sistemas de defesa antimíssil.

  • SpaceX: mega IPO reúne 21 bancos, e BTG aparece na lista.

  • Raízen: propõe converter dívida em ações, e credores assumiriam fatia, dizem fontes.

  • Time For Fun: controlador quer fechar capital na mínima histórica do papel. disparam após anúncio de oferta do controlador para fechar capital | Empresas | Valor Econômico

Estatais federais: pior bimestre desde 2002

R$ 4,16 bi de rombo antes do Carnaval

As estatais federais começaram 2026 daquele jeito e antes mesmo do Carnaval acabar já estavam no vermelho. Segundo o Banco Central, o rombo chegou a R$ 4,16 bilhões só nos dois primeiros meses do ano.. o pior resultado desde o início da série histórica em 2002 — encostando no déficit de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025.

Detalhe importante: nesse número não inclui pesos pesados como Petrobras e Eletrobras, além dos bancos públicos. Na conta entram nomes como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e outros.

O protagonista desse rombo tem nome: os Correios. A estatal vem atravessando uma crise pesada: acumulou prejuízo bilionário em 2025, precisando recorrer a um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro, pra manter o caixa respirando. A estimativa é que ela ainda precise de mais R$ 8 bilhões esse ano.

No fim das contas, “estatal no vermelho” é um jeito educado de dizer que alguém vai ter que pagar a conta. O número do bimestre já mostra um pouco do que pode vir pela frente e, se nada mudar, o risco é 2026 virar mais um capítulo pesado na história recente… com dívida subindo e a constante necessidade de ajuda do governo.

JHSF: luxo que dá lucro

Recordes por todo lado na imobiliária bilionária

A JHSF entregou um trimestre no modo luxo e com números para estampar na capa da revista: foi o maior resultado da sua história, com recordes em praticamente todas as suas frentes de negócios. Nada mal para a imobiliária dos negócios bilionários.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita Bruta: R$ 2,16 bilhões, subindo +267,3%

  • 🟢 Lucro Líquido: R$ 978,3 milhões, subindo +138,1%

  • 🟢 EBITDA: R$ 1,14 bilhão, subindo +126,3%.

A vertical dos negócios recorrentes (com joias como Hotel Fasano, Shopping Cidade Jardim e Aeroporto Catarina) também entregou seu melhor resultado. Os ativos geraram R$ 1,4 bilhão de receita e R$ 658 milhões de EBITDA, reforçando a tese de que a empresa está cada vez menos dependente de ciclos imobiliários.

O grande movimento estratégico foi nos bastidores: vendeu todo o seu portfólio de incorporação para um fundo imobiliário (gerido por ela mesma) colocando R$ 5,2 bilhões no caixa. Assim, sai de uma dívida líquida relevante para uma posição confortável de caixa líquido, com R$ 2,3 bilhões.

Mesmo com juros altos no Brasil, a companhia seguiu investindo forte, mais de R$ 500 milhões, e expandindo seu portfólio com novos clubes, hotéis e melhorias em ativos existentes. E o pipeline continua cheio, com projetos relevantes previstos até 2027, incluindo novos shoppings e expansões importantes.

O trimestre mostrou que o ecossistema segue girando redondo… os shoppings já engataram 9 tri seguidos de crescimento de vendas em dois dígitos. O jogo da JHSF é diferente: menos volume, mais exclusividade… e, pelos números, o mercado de alta renda segue com apetite.

PS: os dividendos tendem a dar um belo salto, com a expectativa de distribuir mais que o dobro do ano passado.

Allbirds: o pássaro que não voou

Do hype ao IPO — e do IPO para a queda

Era uma vez a Allbirds, uma queridinha do Vale do Silício, símbolo de status entre os empreendedores no LinkedIn e dona de um IPO que fez a empresa bater US$ 4 bilhões de valor de mercado. Mas isso foi em 2021, muita água rolou e a empresa acaba de concordar em vender tudo por apenas US$ 39 milhões.

Em 2016 a Allbirds lançou o Wool Runner, um tênis de lã que rapidamente ganhou fama de “o mais confortável do mundo”. Em dois anos, as vendas passavam de 1 milhão de pares e pavimentaram caminho para um IPO estrelado. Era o tipo de produto que todo mundo queria…

Financeiramente, a história linda do IPO foi escorregando. A Allbirds nunca conseguiu fechar um ano no azul como empresa listada e as vendas foram minguando cada vez mais. Parte do problema foi tentar ser tudo ao mesmo tempo: saiu do básico confortável e sustentável pra se aventurar em categorias mais técnicas (tênis de corrida e roupas esportivas) sem sucesso.

→ Some isso a uma aposta mais pesada em lojas físicas (justo quando o modelo direto ao consumidor era um dos seus diferenciais) e o resultado foi um combo nada favorável.

Agora, o próximo passo é aprovar o negócio com os acionistas, com expectativa de fechamento no segundo trimestre. Fica a lição (nada nova, mas sempre ignorada): hype ajuda a subir, mas não sustenta o voo sozinho.

STATS DO DIA

US$ 122 bilhões

Foi o valor da última rodada da OpenAI — e a maior da rodada de financiamento da história do Vale do Silício. O novo cofrinho leva o market cap da maior startup de IA do mundo para US$ 852 bilhões.

Via Sherwood

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