
Bom dia, Dropper!
Pensei no chuveiro: que medicamentos emagrecedores como Ozempic e Mounjaro deveriam beneficiar principalmente a indústria farmacêutica e clínicas de saúde. Mas um efeito colateral na economia é a renovação do guarda-roupas e a Renner teve mais visitas às lojas físicas, registrando lucro recorde de R$ 1,5 bilhão em 2025.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Goldman Sachs: o abre-alas do 1T’26
• Ibovespa: 198 mil pontos e o recorde REAL
• SanDisk: de memória a dinheiro
• Temporada 1T’26: fundamentos x manchetes

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o pagode de domingo seguiu tocando na segunda-feira e o Ibovespa comemorou com o quarto recorde consecutivo — já na marca dos 198 mil pontos e vendo os 200 mil logo ali na frente. A onda de otimismo também contagiou o câmbio, com o dólar caindo abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em muito tempo, fechando o dia em R$ 4,99.
Lá fora, o final de semana foi ruidoso e cheio de incertezas, com o acordo de paz no Oriente Médio ainda sem uma assinatura mútua. Mesmo assim, a segunda-feira terminou em terreno positivo e o S&P 500 recuperou todas as perdas sofridas desde o início da guerra. A Nasdaq bateu uma sequência de 9 altas seguidas, a mais longa em quase cinco anos.
Goldman Sachs: o abre-alas do 1T’26
Resultado trimestral mostra que o banco ainda sabe surfar na volatilidade

A temporada de balanços chegou e o Goldman Sachs ergueu a mão pra ser a primeira da turma a mostrar o PPT. E mostrou que mesmo em mercado instável, tem empresa que consegue vender ingresso VIP. O banco surfou a volatilidade do 1° trimestre e entregou um salto de 19% no lucro.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 17,22 bilhões x US$ 16,49 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 17,55 x US$ 16,49 das expectativas.
🔴 PDD: US$ 315 milhões, 10% acima de um ano atrás.
O destaque: ficou com o investment banking (+48%), puxado tanto por assessoria em grandes negócios (fusões, aquisições e afins) quanto pela emissão de ações e dívida. Enquanto o mercado tremia, teve cliente correndo para fechar negócio, e o Goldman estava lá cobrando o seu pedágio.
A surpresa: os traders de ações. A divisão de equities teve um trimestre histórico, com direito a recorde de receita e um salto de 59% só na parte de financiamento.
A decepção: a área de renda fixa, moedas e commodities, que não acompanhou o ritmo. A divisão como um todo caiu 10% na comparação anual, pressionada por fraqueza em juros, crédito e produtos ligados a hipotecas.
O medo do futuro: provisões para perdas com crédito — aquele dinheiro separado para calotes futuros — subiram quase 10% na comparação anual, mais que o dobro do esperado. Isso ajudou a ofuscar os resultados recordes e fez o papel cair -1,9% após o resultado.
Em um trimestre marcado por guerra, incerteza e volatilidade, o Goldman fez o que sabe fazer de melhor… só não conseguiu convencer totalmente um mercado que, ultimamente, anda bem mais difícil de impressionar.
PS: essa semana temos o resto da trupe (JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo…) e a reação do mercado já avisou que a régua está alta, especialmente para um setor que não vem brilhando em 2026.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 7 | Neutro: 17 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 933,75 | Preço atual: US$ 890,79
MACRO/AÇÕES
IPCA: inflação fica em 0,88% em março, acima das expectativas e puxada por combustíveis.
PCE: inflação preferida do Fed sobe para 2.8% no ano.
FGC: se recusa a conceder empréstimo ao BRB antes de saber perdas totais.
PIB Brasileiro: muda, e agro ganha relevância.
Ata do Fed: aponta cenários opostos para juros diante da guerra no Irã.
TSMC: ação sobe após empresa reportar um aumento de 35% no 1T’26.
CVC: o mistério de R$ 362 milhões.
Oi: vende divisão de telefonia fixa por R$ 60 milhões.
MBRF: vai vender mais frango (e agora bovinos) para a Arábia Saudita.
Wise: tem receita acima do esperado e avança com migração de listagem para a Nasdaq
Oracle: subiu 12,69% após o evento Customer Edge Summit, que destacou a expansão de suas capacidades de IA.
Intel: ganha US$ 100 bi em valor de mercado em oito sessões e tem o melhor ano desde 1987.
Rumo: quer acabar com limite de 20% de direito a voto.
Ibovespa: recorde REAL
Levou 18 anos para o índice finalmente superar 2008.

O Ibovespa fez história ontem… e dessa vez não é só efeito de inflação ou ilusão de ótica. Depois de 18 anos, o índice finalmente bateu seu recorde real, aquele corrigido pelo IPCA, então ela subiu de verdade. No nominal, foram 198 mil pontos (+5,6% no mês e ~23% no ano).
Recap: aqueles 73 mil pontos de 2008 parecem pouco hoje, mas, corrigidos pela inflação, equivalem a cerca de 198 mil pontos atuais. Ou seja, só agora o Ibovespa realmente superou aquele topo histórico. É a mesma lógica do supermercado… com R$ 50 você comprava muito mais coisa lá atrás.
E mesmo com o índice nas máximas, o valuation ainda parece… comportado. O P/L gira em torno de 8x, abaixo da média histórica de 10-11x, e bem longe dos picos de euforia que já encostaram em 20x. Então a bolsa subiu, mas, na visão de muitos analistas, ainda não está cara.
Parte disso vem de um detalhe importante: os lucros das empresas cresceram acima da inflação nos últimos anos, enquanto os preços das ações ficaram para trás.
O combustível que faltava, parece não faltar mais: fluxo. O investidor estrangeiro voltou com força e o capital local começa a dar as caras de novo. Em um mundo cheio de tensão, o Brasil acabou virando uma alternativa relativamente “ok” dentro do caos.
Agora os 200 mil pontos parecem, finalmente, alcançáveis. Demorou um pouquinho, mas finalmente o Ibovespa está flertando com a marca. Os 400 mil estão logo ali… ou não.
SanDisk: de memória a dinheiro
Atualizações no índice Nasdaq-100 ajudam a ler o momento

A lista da Nasdaq vai ser atualizada: sai Atlassian, entra SanDisk. A troca é simbólica e mostra o momento do mercado, com hardware tomando as rédeas da era da IA. O mercado se animou com essa nova escalação.
→ As ações da SanDisk dispararam quase 12% no dia…o que é apenas um pedacinho dos +301% que ela subiu somente neste ano e impressionantes +2.879% em 12 meses.
No papel é só uma troca simples, mas pra muito analista é uma prova de que o “trade de IA” está mudando de fase. Se antes o hype estava nas empresas de software, agora o dinheiro está migrando para quem vende as ferramentas da corrida — as famosas “picaretas e pás”.
E é exatamente aí que entram as fabricantes de memória, como a SanDisk, que produzem chips usados em praticamente tudo: de laptops a servidores, mas principalmente nos data centers que sustentam a explosão da inteligência artificial.
A receita da SanDisk cresceu 61% na comparação anual no último trimestre, e a empresa já projeta mais um salto robusto pela frente. O combo demanda explodindo + oferta apertada faz com que a empresa tenha o poder do preço. Quem fabrica memória está, de fato, imprimindo dinheiro.
PS: ela foi a maior alta do S&P500 em 2025, com +577% de alta e por enquanto é a maior alta de 2026, com +296%.
DECIFRANDO O CONDADO

“Picks and shovels”
É a estratégia de investir não em quem está correndo atrás do ouro, mas em quem vende as picaretas e pás para essa corrida.
Em vez de apostar diretamente na empresa ou tendência “da moda”, o foco vai para os fornecedores essenciais: aqueles que ganham dinheiro independentemente de quem vença a disputa.
É uma forma mais indireta (e muitas vezes mais estável) de surfar grandes tendências, capturando o crescimento do ecossistema sem precisar acertar exatamente quem será o grande vencedor.
Temporada 1T’26: fundamentos x manchetes
O mercado segue com Tech e Energia no olho do furacão

A temporada de resultados do primeiro trimestre vai começar… e o mercado entra nela com uma sensação estranha de déjà vu, quase como rever um filme e perceber que só trocaram o vilão — saem as tarifas, entra a guerra. Mas o roteiro parece perigosamente parecido.
O copo meio cheio: os lucros sólidos ajudariam os preços das ações a correr atrás do prejuízo, enquanto o risco geopolítico dá uma trégua.
O copo meio vazio: a guerra no Oriente Médio pode roubar a cena, aumentar o risco de recessão e transformar balanços corporativos em figurantes.
No ano passado, as tarifas de Trump quase empurraram o S&P 500 para um bear market — até o recuo presidencial mudar o jogo. Quando os balanços chegaram, as empresas mostraram mais preparo do que o mercado esperava e isso virou combustível para a recuperação.
Se o replay vier em 2026, o roteiro seria parecido: preços das ações (que caíram) voltando a se alinhar com estimativas de lucro (que subiram). Mas tem um detalhezinho no enredo: guerra não é tarifa.
Do lado dos lucros, o cenário é até melhor do que no ano passado. A quantidade de empresas do S&P 500 revisando projeções para cima está no maior nível desde 2021, e setores como energia e tecnologia lideram a alta nas estimativas. O problema é que energia sobe porque o petróleo assusta — e tech continua com certa imprevisibilidade à frente.
No fim, a temporada de earnings virou um reality show onde só dois personagens importam, um surfando a onda da IA queimando bilhões em capex, e outro surfando o petróleo a caminho de US$ 150 o barril.
STATS DO DIA
80%
Dos fundos de Crédito Privado tiveram perdas em janeiro. É hora de pular fora?
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