
Bom dia Droppers.
Pensei no chuveiro: que projeções de fim de ano geralmente dizem menos sobre o futuro e muito mais sobre o trauma recente de quem fez a conta.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• 2026: otimismo em Wall Street
• IPOs: esperando o sino tocar
• EUA: o sonho americano entrando em campanha
• Índices: o “resto do mundo” acordando

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o pregão sofreu com marteladas internacionais e acompanhou as correções do exterior, caindo 1,03% no dia. Só não foi pior porque a Petrobras conseguiu dar uma acelerada no fim do dia e fechou na máxima de R$ 29,83 – com a Vale também subindo 0,59% e fechando um crescimento de 6,06% nos 4 primeiros pregões do ano.
Lá fora, dados do mercado de trabalho mostraram que o setor privado dos EUA está criando menos vagas do que se esperava e isso afetou bastante os índices – o S&P chegou a bater a máxima durante o dia, mas depois das notícias viu o investidor perder o brilho do olhar e fechou em queda. Amanhã teremos o principal dado do setor, o payroll,, e as expectativas não são animadoras.
PROJEÇÕES
2026: otimismo em Wall Street

Se o investidor brasileiro sonha alto em 2026, o americano fica com inveja e quer fazer o mesmo. E Wall Street está quase num consenso otimista, esperando que a bolsa americana suba pelo 4º ano seguido.
As projeções para o S&P – que fechou 2025 com 6.854 pontos – são:
Deutsche Bank: é o mais otimista, que mira no índice em 8.000 pontos com um aumento do crescimento dos lucros para cerca de 14%. O banco acredita que os valuations vão continuar sendo suportados também por um aumento dos dividendos.
Morgan Stanley: tem o preço-alvo em 7.800. O banco acredita que o fluxo de caixa das empresas vai ser beneficiado pela redução dos juros americanos e que a One Big Beautiful Act vai reduzir US$129 bilhões em impostos, ajudando nas margens corporativas.
UBS: mira nos 7.700, com os crescimentos dos lucros corporativos sendo o principal motivo para o crescimento continuo do índice.
JP Morgan: acredita que o ano vai ser parecido com 2025, com o índice batendo os 7.500, e que a concentração de mercado vai ficar ainda maior, com uma dinâmica de “winners take it all”.
HSBC: também mira nos 7.500, mas com um crescimento menor das Mag-7, que devem ter a expansão de crescimento menor que outras empresas.
Bank of America: é um dos mais conservadores, vendo o índice com espaço para subir apenas 3,5% no ano. O banco acredita que pode ser um ano de realizações para a tese do IA.
Do lado pessimista
Há quem diga que a festa da IA pode azedar, que o Fed pode não cortar juros como esperado e o segundo ano de Trump deve seguir o roteiro de imprevisibilidades. Mas já são três anos seguidos de pessimistas errando feio suas projeções.
A lição que Wall Street parece ter aprendido nos últimos anos é que subestimar a Bolsa americana tem sido um erro caro. Com crescimento econômico firme, inflação mais comportada e lucros corporativos ainda fortes, o pano de fundo (parece) seguir favorável.
Outra certeza em Wall Street é que o roteiro raramente sai exatamente como o planejado. Entre juros, IA, política e surpresas aleatórias que ninguém colocou no modelo, o mercado segue sendo um exercício diário de humildade. Ter convicções ajuda, mas manter flexibilidade costuma ser ainda mais valioso.
MACRO/AÇÕES
Inflação: a calculadora que corrige valores pelo IPCA.
Zona do Euro: inflação desacelera a 2% e deve cair para 2026.
CVM: Lula indica Otto Lobo para a presidência da autarquia.
Cobre: tem o maior rally desde 2017, subindo ~20% nos últimos 3 meses.
INSS: prazo para contestar descontos indevidos termina dia 14 de fevereiro.
Petróleo: Trump diz que Venezuela vai entregar até 50 milhões de barris para os EUA.
Petrobras: tem vazamento de fluído na Bacia da Foz do Amazonas.
Bilionários: entre os mais ricos, os que mais perderam dinheiro em 2025.
AB InBev: fez a recompra de 49,9% de sete fábricas de embalagens nos EUA.
Embraer: entregou 91 aeronaves no 4º trimestre de 2025.
JP Morgan: o CEO Jamie Dimon teria faturado US$ 770 milhões ano passado.
Stone: troca CEO, com o CFO Mateus Scherer assumindo o cargo e Pedro Zinner se tornando o chairman.
Warner: Conselho rejeita oferta da Paramount e volta a olhar para a fusão com a Netflix.
Azul: aprovou o aumento de capital, que praticamente dobrou para R$14,5 bilhões.
Oncoclínicas: elegeu o novo Conselho, com 5 nomes propostos pelos acionistas da Latache e Nova Almeida.
BOLSA
IPOs: esperando o sino tocar

Depois de anos com muita empresa evitando abrir capital, a revolução da IA fez os unicórnios sonharem com o sino da bolsa. O motivo é simples: fazer IA é caro (muito caro), e o caixa privado começa a parecer pequeno perto das ambições dessas empresas.
Nomes como xAI, Anthropic, OpenAI, Databricks e até SpaceX surgem como candidatos naturais a um IPO em 2026. Todas enfrentam o mesmo problema: capital intensivo, competição brutal e rivais como Nvidia, Microsoft e Alphabet com balanços praticamente infinitos.
O apetite já aparece nos cantos menos óbvios do mercado. Na última semana, in vestidores despejaram mais de US$ 600 milhões em um ETF obscuro ($XOVR) que tem uma participação minúscula na SpaceX, em um sinal clássico de ansiedade pré-IPO.
Depois de um 2024 morno, em 2025 foram 202 empresas estreando – alta de 35%, com US$ 44 bilhões captados. A expectativa é que o ritmo acelere em 2026 e entre 200-230 empresas ganhem seus tickers na bolsa para levantar ~US$ 60 bilhões.
Quem já está na fila?
PicPay: a fintech brasileira quer expandir seus negócios e protocolou um pedido de abertura lá na Nasdaq
Discord: ontem foi divulgado que a empresa fez um pedido confidencial e pode abrir o capital.
Se mega-unicórnios como SpaceX ou Anthropic realmente entrarem na fila, o mercado muda de marcha. E ao que tudo indica, o mercado brasileiro deve acompanhar o ritmo e voltar a ter novas listagens depois de anos de seca.
PS: 32 empresas apoiadas por VCs levantaram US$ 15,9 bilhões nas bolsas americanas em 2025. Em 2024, foram 39 companhias e US$ 11,2 bilhões.
PS2: 9 empresas de cibersegurança para deixar no radar e que podem abrir IPO.
EUA
O sonho americano entrando em campanha

O mercado imobiliário americano teve um baque de onde menos esperava: Donald Trump anunciou que pretende proibir investidores institucionais de comprar residências nos EUA.
“Comprar uma casa sempre foi o auge do sonho americano”, escreveu Trump. “Mas, por causa da inflação recorde deixada por Joe Biden e os democratas, esse sonho ficou fora do alcance de muita gente.”.
Para a Blackstone, foi um golpe direto no modelo de negócios. Nos últimos anos, o aluguel residencial virou um dos pilares do império de Stephen Schwarzman. Hoje, a gestora é a maior dona de apartamentos dos EUA, com mais de 230 mil unidades.
O tamanho do negócio nos EUA:
Os preços médios de casas nos EUA subiram 55% desde 2020;
Taxas de financiamento estão acima de 6%;
Em 2025, ~30% das compras foram feitas por empresas
Em cidades como Atlanta, Miami e Las Vegas, investidores institucionais já respondem por mais de 15% das compras.
Trump prometeu detalhar o plano em Davos, daqui a duas semanas. O timing não é coincidência: com as eleições no radar e o risco de perder a maioria na Câmara, a pauta rende manchetes e votos. Só que analistas alertam que mexer nesse mercado pode até reduzir ainda mais a oferta, piorando o problema que se quer resolver.
No mesmo embalo, o presidente também disse que quer proibir empresas de defesa de pagar dividendos e recomprar ações, chamando os salários do setor de “exorbitantes e injustificáveis”. O mercado entendeu o recado e o setor virou no vermelho em minutos. Wall Street já sabe operar esse jogo: quando Trump faz um tweet, o stop precisa estar armado.
MUNDO
O “resto do mundo” acordando

Todo mundo adora olhar pra Wall Street, mas 2025 mostrou que o mercado tem muito mais a oferecer. O índice MSCI, que reúne ações fora dos EUA, subiu cerca de 33% em dólares no ano, contra ~18% do S&P 500. O dólar em baixa contribuiu, mas não explica sozinho.
O Goldman Sachs destrinchou os mercados (lucros, múltiplos, dividendos e câmbio) e cravou: fora a França, quase todos os grandes índices teriam superado o S&P 500 mesmo sem o empurrão cambial. O Japão entregou cerca de 25% em dólares com o iene parado. A Coreia do Sul praticamente dobrou. A Espanha passou dos 60%.
Isso ajuda a explicar por que algumas casas começaram a rever um dogma antigo: o da alocação excessiva em ações americanas. O racional é que as ações fora dos EUA ainda são mais baratas e os lucros globais mostraram uma resiliência que muita gente subestimou.
Nem mesmo o argumento de que “fora dos EUA não tem tech nem growth” se sustenta tanto. Apesar de o setor financeiro pesar bastante nos índices globais, os maiores nomes continuam sendo techs como TSMC, ASML, Alibaba, Tencent e Samsung. A diferença é que, em 2025, as ações de tecnologia passaram a andar menos juntas.
A diversificação global segue funcionando: não porque aposta em um único cenário, mas porque se beneficia de vários caminhos possíveis.
STATS DO DIA
US$ 24 bilhões
foi o quanto a fortuna de Elon Musk subiu apenas nesse início de 2026.

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