
Bom dia, Droppers. Bora pro pregão!
Pensei no chuveiro: que a Tesla pode até ter perdido a coroa de maior vendedora de carros elétricos do mundo, mas segue sendo a mais valiosa e com foco em se tornar uma empresa de robótica multiplanetária – que, por acaso, também faz carros.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Ibovespa: o sonho dos 200 mil pontos
• Impostos: bilionários na mira da Califórnia
• BYD: a nova rainha dos elétricos
• Varejo: ano novo, humor novo

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, no primeiro pregão do ano o Ibovespa fechou em baixa, mas ontem teve um dia de reação com a ajuda dos bancos e da Vale, deixando boas expectativas para a primeira semana cheia do ano. Quem derrapou no óleo da pista foram as petroleiras, que caíram, mesmo com as rivais internacionais subindo após a prisão de Nicolas Maduro na Venezuela.
Lá fora, o S&P fechou 2025 renovando as máximas por 39 vezes e pra 2026 e as expectativas são de mais renovações. Se isso se concretizar, vai ser o 4º ano seguido de crescimento no índice – a maior série desde 2007. Apenas cinco vezes na história houve uma sequência positiva de 4+ anos.
BOLSA
Ibovespa: o sonho dos 200 mil pontos

Mesmo com eleições presidenciais mexendo com o humor do mercado, 2026 pode marcar novos recordes no Ibovespa. É o que aponta a maioria de gestores e bancos de investimento. Menos cara de euforia pontual, mais aquecimento para algo maior: um novo ciclo de alta que pode levar o índice aos 200 mil pontos.
Mesmo após a alta recente, a Bolsa ainda se encontra barata. O múltiplo de preço sobre lucro segue abaixo da média histórica, sinal de que o crescimento dos lucros ainda não foi totalmente colocado no preço. Se a Selic realmente cair, temos o combo que faz as casas preverem o ano fechando entre 185-200 mil pontos.
As projeções do mercado para o Ibovespa:
Morgan Stanley: 200 mil pontos.
Genial Investimentos: 200 mil pontos.
Banco Safra: 198 mil pontos.
JP Morgan: 190 mil pontos.
BTG Pactual: 186 mil pontos.
XP: 185 mil pontos.
Mesmo sem uma safra de IPOs, o investidor estrangeiro tem trazido grandes remessas pra cá e sustentado a tese de que os ativos locais ainda oferecem potencial de reprecificação maior que o de outros países emergentes.
Mas o verdadeiro plot twist pode vir do investidor brasileiro. Com a Selic vendo a queda no horizonte, a renda fixa começa a perder o brilho e o capital tende a procurar novos destinos. Historicamente avesso a risco, o investidor local pode ser o combustível extra desse ciclo e 2026 pode ser o ano da adesão doméstica.
Na escolha dos setores, as preferências são claras e quem ganha com juros mais baixos sai na frente:
Bancos, que voltam a acelerar o crédito;
Varejo e construção, altamente sensíveis ao custo do dinheiro e também ao endividamento das famílias;
Setor elétrico, que ainda negocia a múltiplos baixos e paga dividendos como um relógio suíço.
No pano de fundo, o mercado espera que o cenário global sopre bons ventos, com dólar mais fraco e um apetite maior por diversificação. Commodities seguem no radar, mesmo com cautela, pela capacidade de gerar caixa e dividendos.
Claro que riscos políticos e fiscais continuam no jogo, afinal, estamos em ano de eleição. Mas a leitura dominante é que, no mercado, fundamentos, lucros e juros começam a apontar na mesma direção. E quando isso acontece, a Bolsa costuma ouvir.
IMPOSTOS
Bilionários na mira da Califórnia

A Califórnia é basicamente o Alphaville-Platinum-Plus dos bilionários dos EUA, com 45 dos 500 mais ricos do país vivendo por lá. Tudo construído em cima do dinheiro das big techs e dos unicórnios do Vale do Silício. Mas uma proposta ameaça tapar o Sol por lá: um possível novo imposto para bilionários.
Os bilionários da Califórnia já ameaçaram fazer as malas outras vezes e quase sempre quando o assunto é imposto. A diferença agora é que a ameaça ganhou nome, sobrenome e data: 2026 Billionaire Tax Act. A proposta reacendeu um velho debate no Vale do Silício: até onde dá para esticar a conta sem espantar quem tem o maior cheque?
Quem morar na Califórnia e tiver patrimônio acima de US$ 1 bilhão pagaria um imposto estadual único de cerca de 5% do valor total da fortuna, a partir de 2027 – US$ 50 milhões pra cada bilhãozinho.
Nada de só renda ou ganho de capital, entra tudo na conta: ações, empresas, investimentos. Menos as dívidas. Dá para parcelar, mas não dá para escapar.
Alguns pesos-pesados já levantaram a sobrancelha. É difícil que haja uma fuga em massa dos +200 bilionários da Califórnia, mas alguma movimentação já começou... A Thiel Capital fechou seu escritório em Los Angeles e abriu operação em Miami, por exemplo.
A proposta não veio do governo, mas de um sindicato e de uma iniciativa popular. Para chegar à cédula de votação em novembro deste ano, os apoiadores precisam de 875 mil assinaturas e, mesmo se aprovado, o projeto ainda deve passar pela Suprema Corte da Califórnia.
Se passar, os maiores cheques viriam de nomes que dominam o ranking de riqueza local:
Larry Ellison: o fundador da Oracle, com US$ 245 bilhões de patrimônio
Mark Zuckerberg: da Meta, com patrimônio de US$ 216 bilhões.
Larry Page e Sergey Brin: da Google, com US$ 136 bilhões e US$ 130 bilhões
Jensen Huang : da Nvidia, com US$ 104 bilhões de patrimônio.
MACRO/AÇÕES
Venezuela: teve um dos seus melhores dias no mercado financeiro, com a bolsa de Caracas subindo +17%.
Beta: assim como o colesterol, pode ter o bom e o ruim.
Ibovespa: nova carteira entra em vigor, com entrada de Copasa e saída de CVC.
Warren Buffett: dá a sua primeira entrevista após a saída da Berkshire Hathaway.
Bridgewater: depois da saída do fundador, Ray Dalio, fundo bate recorde em performance anual.
Reino Unido: índice FTSE 100 bate recorde e ultrapassa os 10.000 pontos pela 1ª vez.
Azul: em recuperação judicial nos EUA, empresa divulgou à corte americana que possuía R$ 1,34 bilhão em caixa ao final de novembro.
Avenue: obtém licença do BC para virar banco de investimento.
Oi: Justiça decide que administrador judicial da RJ vai receber 5% do que a empresa pagar aos credores. Com as estimativas de R$15 bilhões, advogado receberia R$ 750 milhões.
Tok&Stok: proposta de pagar credores com ações gera diluição dos minoritários.
Duolingo: BofA muda recomendação para compra, com preço-alvo em US$ 250.
União Pet: AUAU3, empresa formada pela fusão de Petz com Cobasi, estreia com alta.
PicPay: protocolou ontem o registro para o IPO na Nasdaq.
BTG Pactual: passa a operar como banco nos EUA, após concluir compra do M.Y. Safra.
VEÍCULOS
BYD: a nova rainha dos elétricos

Depois de anos reinando sozinha no imaginário dos carros elétricos, em 2025 a Tesla perdeu a coroa, e agora a rainha fala mandarim. A chinesa BYD vendeu 2,26 milhões de carros elétricos no ano e ultrapassou a Tesla, que ficou em 1,63 milhão.
Esse foi o segundo ano consecutivo de quedas nas vendas da Tesla. Em dois anos, saiu de 1,79 milhão para 1,63 milhão de veículos, enquanto a BYD fazia o movimento inverso: em 2024 já tinha encostado, com 1,76 milhão, e em 2025 acelerou para 2,26 milhões.
Além da concorrência feroz das montadoras chinesas, a Tesla enfrentou ruídos políticos, desgaste de imagem ligado às posições públicas do CEO e o fim de subsídios federais para carros elétricos nos EUA. O resultado foi uma combinação perigosa de demanda mais fraca e pressão sobre margens.
Junto com tudo isso, Elon Musk já disse que a Tesla, no futuro, deve deixar de ser uma montadora para se tornar uma empresa de robótica que também faz carros.
A BYD, por sua vez, também não teve vida fácil. No mercado chinês, encarou uma guerra de preços que apertou lucros e desacelerou o crescimento. Fora da China, enfrentou barreiras comerciais e ameaças de restrições. Ainda assim, vendeu um pouco acima de 1 milhão de carros no exterior, ajudando a compensar o ambiente mais hostil chinês.
O mercado, por ora, gostou dessa ultrapassagem: as ações da BYD subiram 3,6% em Hong Kong, levando seu valor de mercado a cerca de US$ 120 bilhões. A Tesla segue valendo muito mais, com US$ 1,5 trilhão, e a promessa de produzir robôs humanoides que vão colonizar Marte, consertar data centers no espaço e muito mais.
PS: Na Noruega, 96% dos novos carros vendidos já são EVs, e a Tesla, por enquanto, continua a ter o maior número de vendas por lá.
PS2: enquanto isso, Elon Musk pode ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em patrimônio ainda em 2026.
DECIFRANDO O CONDADO

Same-store Sales
É um indicador usado principalmente nas empresas de varejo, pois mede o quanto uma empresa vendeu nas mesmas lojas, comparando a variação das vendas apenas das lojas que já existiam em um período anterior, excluindo o efeito de abertura ou fechamento de lojas.
A ideia é simples: avaliar se o que já existe está vendendo mais, menos ou a mesma coisa, como se você tirasse uma foto da mesma vitrine em dois momentos diferentes.
Um SSS positivo costuma indicar maior fluxo de clientes, aumento de ticket médio ou melhor execução comercial. Já um SSS fraco acende alertas sobre demanda, preços, concorrência ou até erro de estratégia.
BRASIL
Varejo: ano novo, humor novo

O varejo sentiu o primeiro calor do ano ontem, com a C&A despencando 15,7% depois de sinalizar ao sell side que o 4º trimestre foi bem mais fraco do que o mercado esperava. O foco do problema foi a same-store sales (SSS) perto de zero, enquanto se esperava um crescimento na casa dos 5%.
A sequência jogou contra. Outubro foi ok, novembro piorou (o clima pesou) e dezembro, que deveria salvar o trimestre, frustrou. Para girar estoque, a varejista antecipou a liquidação de janeiro para o fim de dezembro – prática que virou padrão no setor. O consumidor até apareceu, mas focado em tickets baixos, justamente onde a C&A admite não ter o mix ideal.
Segundo o UBS BB, o fluxo mais fraco nos shoppings e um ambiente “mais duro e competitivo” pesaram. A Black Friday virou um festival de descontos além do normal, com agressividade no online e reflexos também no varejo físico.
Mesmo sem competir diretamente com Mercado Livre, Amazon e Shopee, a C&A reconheceu que essas plataformas disputam o mesmo bolso.
A empresa tentou acalmar os ânimos dizendo que o problema não é estrutural e que os planos de expansão de lojas e logística para 2026 seguem de pé. Ainda assim, o mercado torceu o nariz. O Santander avaliou que o cenário mais desafiador em novembro e dezembro pode significar desalavancagem operacional.
O alerta não ficou isolado. O varejo de vestuário todo escorregou: Renner caiu 3%, Guararapes 1,7% e Azzas 2154 recuou 1,3%. Apesar da queda, CEAB3 ainda sobe +34% nos últimos 12 meses e foi um dos destaques de 2025, subindo +53,54%. Agora, na virada do calendário, a empresa já caiu 18% no acumulado dos dois pregões do ano. Ano novo, humor novo.
STATS DO DIA
US$ 38,5 trilhões
É o novo recorde da dívida americana, que adicionou US$ 2,3 trilhões em 2025 (equivalente a ~6,3 bilhões por dia)

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