Bom dia, {{name | droppers}}!

Pensei no chuveiro: que na teoria, os juros (Selic) servem para controlar a inflação ao desistimular o consumo e forçar as pessoas a gastarem menos. Na prática, se as pessoas não conseguem pagar o que já devem e pegam crédito caro para quitar dívidas, a inadimplência explode. O Brasil, nesse momento, está mais prático que teórico: a inadimplência média de crédito bancário chegou em 4,2% e atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. A diferença do remédio e do veneno geralmente é a dose.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Berkshire Hathaway: entra na era pós-Buffett
• Bradesco: juntando as peças do quebra cabeça
• Nubank: virou o maior banco privado do BR
• Irã: vestindo o bote cripto salva-vidas.

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Pedro Clivati
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, os bombardeios do oriente médio geraram tremores no Ibovespa, que chegou a cair -1,14% mas fechou o dia no positivo +0,28%. O mérito da alta vai para a Petrobras: a segunda maior do Ibov subiu +4,6% devido a alta do petróleo. Assim nos despedimos de fevereiro, deixando a ressaca do carnaval para trás e fechando o 7° mês consecutivo, dessa vez com +4,09%.

Lá fora, os índices acordaram despencando na abertura do mercado, mas não o suficiente para espantar os investidores que seguiram comprando e fizeram o S&P e Nasdaq fecharem no positivo. No meio disso tudo, Trump avisou que o final de semana foi só o começo de uma operação que pode durar até cinco semanas - o que fez o dólar americano chegar no seu maior patamar dos últimos 9 meses, o ouro subir para US$ 5.400 por onça - enquanto o índice do medo, VIX, disparou ~10%.

VISUAL

Berkshire Hathaway entra na era pós-Buffett

Com o singelo desafio de substituir quem é considerado por muitos como o maior investidor de todos os tempos, Greg Abel anunciou os resultados do seu primeiro trimestre como novo CEO da Berkshire Hathaway. Apesar da mudança, Abel continou tocando a música no mesmo ritmo do seu antecessor: vendeu mais ações do que comprou.

Warren Buffett escreveu 56 cartas anuais aos acionistas da Berkshire Hathaway durante seu mandato como CEO, de 1970 a 2025. Em 2025, Greg Abel pega a caneta pela primeira vez.

Nós não só traduzimos para o português brasileiro para você poder ler, como também transformamos em áudio para você poder ouvir: Leia ou Escute aqui!

Dessa vez, o facão passou cortando alguns nomes de peso do setor de tech e banking, mas olhou com mais carinho para energia, seguros e até mídia:

Apple: encolheu em -75% desde 2023 mas ainda é a maior posição valendo $60bi

Bank of America: vendeu -75% da posição nos últimos 6 trimestres e hoje vale US$ 28bi, representando ~10% do portfólio

Amazon: a participação foi reduzida para -77% e ficou com ~US$ 500 milhões, representando 0,19% do portfólio.

Poor Corp: reduziram em -11,28%, levanto a posição para apenas US$ 702 milhões.

Chevron: aumentou a posição em 6,6% e agora é a 5ª maior posição do grupo, com ~US$ 20 bilhões.

Chubb: aumentou a posição em 9,3%, indo para US$10,7 bilhões.

New York Times: hoje avaliada em cerca de US$ 395 milhões. Pequena para os padrões Berkshire (0,1% da carteira), mas suficiente para levantar sobrancelhas.

Domino's: aumentou a posição em 12,34%, batendo ~US$1,4 bilhão.

Sobre as decisões de alocação, nada novo no pedaço:

  • Recompra de ações, a resposta foi praticamente um ctrl+C, ctrl+V de Buffett: a Berkshire recompra papéis quando estão abaixo do valor intrínseco. Aliás, a empresa não recompra ações desde maio de 2024.

  • Dividendos, também não. A política segue a mesma: só faria sentido distribuir caixa se cada dólar retido não tivesse potencial de gerar mais de um dólar de valor no futuro. Enquanto esse potencial existir, nada de cheque para acionista.

Falando em caixa, a montanha continua. A Berkshire terminou o ano com cerca de US$ 373 bilhões em caixa e equivalentes. Mesmo com a maior reserva de caixa da sua história, os números operacionais deram uma escorregada: o lucro operacional caiu quase 30% no quarto trimestre, com fraqueza em seguros e investimentos. As ações acompanharam em um movimento de -4% de queda.

Analistas já começaram a fazer as primeiras revisões, com o mercado achando que Abel não vai ter toda a paciência necessária como Buffett tinha e será mais agressivo na alocação de caixa.

A Berkshire pós-Buffett começa sem revolução, mas com um recado claro: a direção continua a mesma, só mudou o capitão.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 9 | Compra: 31 | Neutro: 1 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 118,21 | Preço atual: US$ 104,08

MACRO/AÇÕES
  • Fluxo: o fluxo gringo para Brasil ainda pode ser 2x maior este ano.

  • Inadimplência: bate pico na série histórica.

  • IPCA-15: prévia da inflação, acelera mais do que o esperado em fevereiro.

  • Energia Elétrica: Aneel mantém bandeira verde e não terá cobrança extra.

  • PPI americano: inflação ao produtor nos EUA fica acima do esperado em jan.

  • B3: lucro cai 23% no 4T’25, para R$ 908 milhões, por efeito contábil.

  • Dell: vendas no 4T’25 crescem 39%, pela demanda no IA.

  • M. Dias Branco: receita no ano passado sobe 8%, batendo R$ 10,4 bilhões.

  • Itaú: pagará R$ 3,8 bilhões em proventos, com data ex em 19 de março.

  • Mercado Livre: reforça estratégia no esporte com equipe na Stock Car.

  • Aura Minerals: fechou 2025 com receita recorde.

  • Axia: tem lucro líquido de R$ 13,7 bi no 4T’25, salto de mais de 12x.

  • Vale: aprovou aumento de capital de R$ 500mi e incorporação de controladas.

  • Hyundai: a aposta de US$ 6,3 bi da empresa na Coreia do Sul.

IPO REVERSO

Bradesco juntando as peças do quebra cabeça

Depois de anos montando as peças do quebra cabeça, o Bradesco finalmente emoldurou o quadro e deu origem a uma das maiores empresas do setor de saúde: nasce o Bradsaúde: uma holding com R$ 52 bilhões de receita e R$ 3,6 bilhões de lucro.

Ao invés do IPO Tradicional, o Bradesco optou pelo IPO reverso:

Aproveitou que a Odontoprev já estava listada na bolsa, adicionou os ativos de saúde sob o mesmo guarda-chuva e rebatizou a operação para Bradsaúde.

O novo império de 3,6k leitos e 35k clínicas tem o Bradesco com 91,35% e os minoritários com 8,65%. Em breve, um follow-on follow-on para ajustar o free float às regras do Novo Mercado. A expectativa é estar listada em ~60 dias.

Entre as “pecinhas” do novo conglomerado, que vão do plano odontológico ao leito hospitalar, do laboratório à inteligência de dados, estão os principais ativos que começaram a ser adquiridos desde a década de 1980 estão:

  • Bradesco Saúde

  • Odontoprev

  • Atlântica Hospitais

  • Mediservice

  • Orizon healthtech

  • Grupo Freury (25% de participação)

O Bradesco segue a moda de consolidação/verticalização do setor: a Hapvida já havia fundido com a NotreDame Intermédica e a Rede D’Or já havia comprado a SulAmérica sob a mesma lógica: controlar mais etapas da cadeia significa capturar mais margem, mais eficiência e, claro, mais dados.

O desafio não é novo, é diferente. Afinal, o Bradesco está no setor de saúde há 4 décadas. Mas enfrentar a governança do Novo Mercado e a visibilidade e precificação da bolsa, coloca o Bradsaúde na série A do campeonato.

DECIFRANDO O CONDADO

IPO Reverso

é um atalho para chegar à Bolsa sem passar pelo ritual tradicional de abrir capital.

Em vez de enfrentar todo o roadshow, prospecto quilométrico e tocar a campainha na estreia, a empresa privada compra ou se funde com uma companhia que já está listada e pronto: acorda negociada no pregão.

Mas, como todo atalho esperto, pede cautela: menos ritual também pode significar menos análise profunda e menos luz acesa sobre os detalhes do negócio.

EARNINGS

Nubank: virou o maior banco privado do BR

Enquanto espera com paciência regulatória a aprovaçao do visto da permissão para se tornar um banco nos Estados Unidos, o Nubank continua fazendo o que faz de melhor: crescer.

Durante o ano passado, o roxinho aumentou sua receita em 45% e gerou US$ 16,4 bilhões. Acompanhando a receita veio o lucro líquido, que também cresceu 51% e chegou a US$ 2,9 bilhões - ou seja, um ROE de 30%.

O mercado esperava muito, mas mesmo assim se surpreendeu com o Nu entregando resultados trimestrais acima do consenso:

  • 🟢 Lucro Líquido: US$895, subindo 62% na base anual.

  • 🟢 Lucro por ação: US$0,18 x US$0,17 estimativas.

  • 🔴 Despesas Operacionais: US$865 milhões, subindo 45% no ano.

A licença americana pode até demorar. Mas, pelo visto, o crescimento não está esperando ninguém:

→ Número de clientes: os 17 milhões de novos clientes em 2025 foram suficientes para que a fintech fechasse o ano com 131 milhões de clientes, dos quais ~86% são do Brasil.

→ Receita: a receita média mensal por cliente ativo no Brasil cresceu em 35%. Em outras palavras, o banco gera US$ 13,30 por cliente brasileiro por ano.

→ Cartão de crédito: comemorou o maior ganho de market share nos últimos 10 trimestres, seguindo como o principal motor da operação.

→ PDD: a temida Provisão para Devedores Duvidosos também aumentou, seguindo o aumento dos créditos. Apesar disso, a inadimplencia mostrou melhora e os atrasos acima de 90 dias caíram.

Depois do show, os roxinho consolidou sua posição como maior instituição financeira privada do País em número de clientes - atrás apenas da Caixa Econômica Federal (que é pública). As ações da Nu Holdings em NY acumulam alta de 47,7% em 12 meses, com a empresa já valendo US$ 80 bilhões e sendo negociado a 20x P/L.

Recomendação dos analistas:

Compra: 16 | Neutro: 2 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 20.02 | Preço atual: US$ 15.16

GEOPOLÍTICA

Irã: vestindo o bote cripto salva-vidas.

Enquanto mísseis cruzam o céu do Oriente Médio, outra batalha menos visível a olho nú acontece nos cabos de energia e nos blocos da blockchain. Com o país sufocado por sanções, o Irã encontrou a “liberdade financeira” construindo uma economia paralela movida a bitcoins e stablecoins.

Com a moeda iraniana (RIAL), acumulando uma queda superior a 96% frente ao dólar, muitos iranianos recorreram ao bitcoin e ao USDT como colete salva-vidas financeiro. Em momentos de protestos e até apagões de internet, os saques de exchanges locais para carteiras privadas dispararam. 

A engrenagem cripto funciona mais ou menos assim:

  1. Começou com o país legalizando a mineração cripto em 2019.

  2. Os mineradores licenciados usam eletricidade subsidiada para minerar

  3. Os BTCs minerados são vendidos ao banco central

  4. O Estado usa esses ativos para fugir do dólar e pagar importações

  5. As negociações atravessam fronteiras sem visto nem autorizações.

As estimativas apontam que o país já responde por algo entre 2-5% do poder global de mineração de bitcoin, movimentando algo em torno de US$ 7,78 bilhões em 2025.

Com a moeda iraniana (RIAL), acumulando uma queda superior a 96% frente ao dólar, muitos iranianos recorreram ao bitcoin e ao USDT como colete salva-vidas financeiro. Em momentos de protestos e até apagões de internet, os saques de exchanges locais para carteiras privadas dispararam. 

O Irã transformou mineração em política externa e stablecoin em ferramenta geopolítica:
Para o regime, é uma válvula de escape às sanções.
Para a população, um bote salva-vidas no mar de inflação e perda do poder de compra.
Para o resto do mundo, um lembrete de que, na era cripto, energia, guerra e finanças estão mais conectadas do que nunca.

STATS DO DIA

26%

das empresas listadas na China estão no vermelho, ou seja, 1 a cada 4. O número recorde de 1.443 empresas de um total de 5,5 mil, registrou prejuízo líquido no ano passado.

via Nikkei

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