Bom dia Droppers. Pensei no chuveiro: que na teoria fechar agências bancárias deveria significar menos custos. Os três maiores bancos privados do Brasil fecharam mais de um terço delas em uma década, com a promessa de digitalização reduzindo o "custo de servir". Já na prática, o Bradesco aumentou suas despesas operacionais em 8,5% e o Itaú cresceu 7,5%, ou seja, os bancos simplesmente trocaram o custo do tijolo pelo custo em tecnologia. A agência sumiu da esquina, mas a conta não sumiu do extrato!

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Banco do Brasil: um trimestre para respirar
• Super Bowl e a bolsa: a superstição de WS
• Inter: recordes e impaciência do mercado
• Carros: o crash dos elétricos

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a grana estrangeira sentiu o cheiro do Carnaval e continua chegando no Brasil pra comprar as ações mais líquidas da bolsa. E aí o Ibovespa subiu junto com a demanda e o índice terminou o dia com alta de 2%. Vale, que ultimamente não quer saber de descansar, subiu outros 3% e Petrobras +3,01%, com ambas perto de suas máximas históricas. Hoje vai ser um dia movimentado nos RIs, com 16 empresas reportando seus balanços.

Lá fora, não tem Carnaval e nem festa gigantesca, mas os reports trimestrais têm sido positivos — 59% das empresas do S&P 500 que já divulgaram seus resultados e 76% delas superaram as estimativas de lucro por ação (EPS). Na economia, o desemprego americano caiu para 4,3% depois de 130 mil vagas serem criadas no mês de janeiro.

VISUAL

Banco do Brasil: um trimestre para respirar

O Banco (mais antigo) do Brasil vinha sentindo o peso da idade com trimestres difíceis, mas divulgou os resultados do último ontem e fez todo mundo sair correndo pra revisar planilhas. O motivo? O lucro líquido recorrente veio em R$ 5,74 bilhões, bem acima dos R$ 4,11 bilhões que o consenso da Bloomberg esperava.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Lucro líquido: R$ 5,74 bilhões, bem acima dos R$ 4,11 bilhões esperados

  • 🟢 ROAE: 12,4% x 8,4% do trimestre anterior.

  • 🔴 Inadimplência (>90 dias): 5,17%

Na comparação anual o tom ainda é de ressaca, com queda de 40%, reflexo da crise no agro que machucou o banco ao longo do ano. Mas o cenário parece de melhora, com o lucro saltando 51,7% no tri.

O que anima: margem financeira chegou a R$ 27,8 bilhões, subindo tanto no ano quanto no trimestre.
O que precisa melhorar: a carteira de crédito somou R$ 1,297 trilhão, crescendo apenas 2,5% em 12 meses.
O ponto sensível: a inadimplência. O índice acima de 90 dias subiu para 5,17%, avanço relevante no ano e também no trimestre. O agro segue cobrando seu preço.

Para 2026, a projeção para a carteira total é de crescimento entre 0,5% e 4,5% e o lucro projetado ficou entre R$ 22-26 bilhões, com leve viés de melhora. Já o custo de crédito deve ficar pesado: entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.

Recomendação dos analistas:

Compra: 3 | Neutro: 9 | Venda: 1

Preço-alvo médio: R$ 26,02| Preço atual: R$ 24,91

MACRO/AÇÕES
  • IPCA: sobe para 4,44%, mas o motivo foi efeito-base.

  • Fundo Verde: reduz posição na bolsa brasileira e faz alerta sobre ciclo de alta das ações.

  • Mercado de trabalho: americano registra o maior número de demissões desde 2009.

  • Açúcar: preço segue pressionado pelo excesso de oferta da produção brasileira.

  • B3: lança índice para medir desempenho médio das Letras Financeiras.

  • Ford: registrou seu pior resultado em quatro anos.

  • TSMC: reportou um aumento de 37% na receita em janeiro.

  • Heineken: vai cortar 6.000 empregos diante da queda do consumo.

  • Suzano: reverte prejuízo de R$ 6,73 bi e lucra R$ 116 milhões.

  • Assaí: fecha acordo com o Mercado Livre para expandir vendas online.

  • Petrobras: produção cresce 18% e exportação dobra no 4T’25.

  • Cloudflare: subiu 5,24% após superar as estimativas de resultado e divulgar um guidance otimista.

  • Warner: investidor ativista pede ao conselho da Warner que rejeite a oferta da Netflix.

  • TIM: lucro cresce 28% no 4T’25 e alcança R$ 1,3 bilhão.

  • Agibank: estreia caindo -10%, após primeiro IPO de empresa brasileira na NYSE desde o Nubank.

BOLSA

Super Bowl e a bolsa: a superstição de WS

Domingo passado rolou o Super Bowl, o grande show evento esportivo que movimenta o mercado de asinhas de frango, guacamole e cerveja light. O que talvez você não saiba é que a data também representa uma super superstição de Wall Street: o Super Bowl Indicator.

Tudo começou nos anos 70, quando um jornalista esportivo percebeu essa coincidência cósmica e aí nascia o lendário (e absolutamente questionável) indicador:

→ Se um time da NFC ganhar o Super Bowl, a bolsa sobe no ano.
→ Se a vitória for da AFC, o mercado azeda e a bolsa cai.

No ano passado deu NFC e o S&P 500 subiu 9,5% no restante de 2025. Coincidência? Total. Desde 1978, o índice sobe 74% das vezes quando a NFC ganha e 86% quando a AFC leva. Ou seja: tanto faz.

Mas como Wall Street não desiste fácil de uma superstição, surgiu uma outra teoria ainda mais criativa: não importa quem ganha… mas de quanto ganha:

  • Vitória por um dígito → S&P sobe menos de 7% em média, e fecha o ano positivo 62,5% das vezes.

  • Vitória por dois dígitos → a coisa melhora com alta média de 11% e 80% de chance de subir.

Se você gosta de acreditar, nesse ano o placar final foi 29×13 (dois dígitos) para o Seattle Seahawks (NFC).

PS: falando em Super Bowl, confere aqui como cada empresa usou os US$ 8-10 milhões que gastou com ads de intervalo.

EARNINGS

Inter: recordes e impaciência do mercado

O Inter nasceu como app, virou banco de verdade e agora quer se tornar uma máquina de lucro. No último trimestre o banco reportou lucro e ROE recordes, mas isso não foi suficiente pra animar o mercado — que queria ainda mais e viu os dados ficando abaixo das expectativas.

Os números do trimestre:

  • 🔴 Lucro líquido: R$ 374 milhões x R$ 395 milhões esperados

  • 🔴 ROE: 15,1%, abaixo dos 15,7% esperados

  • 🟢 Carteira de crédito: R$ 48,3 bilhões (+36% em 12 meses)

O destaque: foi a carteira de crédito, que cresceu 36% em 12 meses, praticamente o dobro do ritmo de 2024 (quando cresceu 20%). Segundo o CFO, Santiago Stel, o Inter expandiu 3x mais que o mercado brasileiro.

A atenção: o índice de eficiência deu uma leve piorada, saindo de 45,5% para 45,2%. Inadimplência acima de 90 dias piorou também, foi de 4,5% para 4,7%.

O queridinho: é o consignado privado, que saiu de R$ 1,3 bilhão para quase R$ 2 bilhões. Ele cresce R$ 600 mi por trimestre, é 100% digital, tem ROE alto e ainda puxa o crédito por cliente — que já bateu R$ 1,9 mil por ativo.

Em grandes bancos, o indicador de crédito/cliente roda perto dos R$ 10 mil. Mas com 43 milhões de clientes, sendo 25 milhões ativos, o banco tem muito campo para explorar e continuar crescendo.

O Inter vale US$ 4,1 bilhões na Nasdaq, com as ações subindo quase 70% em 12 meses. O desafio é provar que dá pra continuar crescendo, sem tropeçar nos seus indicadores.

Recomendação dos analistas:

Compra: 7 | Neutro: 2 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 9.78 | Preço atual: US$ 8.98

CARROS

O crash dos elétricos

Até ontem parecia inevitável que os elétricos iriam dominar as estradas e os postos de gasolina iriam virar museu. Mas o setor derrapou no meio do caminho e alguns balanços estão pagando o conserto da batida. A mais nova vítima foi a Stellantis (que tem no portfólio marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroen).

O valor de mercado da Stellantis caiu quase 25% nos últimos dias, depois que a montadora anunciou um write-down de US$ 25,9 bilhões, sendo US$ 20 bilhões só ligados aos elétricos e mais US$ 4,1 bilhões em garantias.

Segundo o CEO, Antonio Filosa, o erro foi “superestimar o ritmo da transição energética”. O americano médio não se mostrou pronto para trocar o V8 pelo elétrico, e nem parece estar com pressa pra isso. E não foi só a Stellantis que acelerou demais nessa curva:

  • Ford já tinha reconhecido US$ 19,5 bilhões em perdas com EVs.

  • GM, mais US$ 7,1 bilhões.

  • Tesla também está ajustando o retrovisor: cortou preços, cancelou modelos e transformou parte de uma fábrica nos EUA em linha de produção de robôs.

Depois que o presidente Trump reverteu políticas da era Biden voltadas a impulsionar veículos zero-emissão, o mercado perdeu parte do incentivo. As vendas de elétricos chegaram a 10,3% de market share, pouco antes do fim do crédito fiscal de US$ 7.500, mas no quarto trimestre caíram para 5,2%.

Enquanto isso, a China não ficou parada. As montadoras chinesas conquistaram quase 70% do mercado global nos últimos cinco anos — destaque pra BYD, que ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de carros elétricos e vem avançando na Europa e América do Sul.

STATS DO DIA

2344

foi o número de agências e postos de atendimento que os três maiores bancos privados do país (Itaú, Bradesco e Santander), fecharam em 2025.

Via Valor Econômico

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