Bom dia Droppers… Pensei no chuveiro: que se o número de pessoas faltando no trabalho ontem foi maior que o normal, foi por causa de uma doença incrivelmente contagiosa chamada “gripe do Super Bowl”. Só nos EUA, ~26 milhões de funcionários amanheceram “doentes” e não foram trabalhar. De todas as movimentações financeiras que o evento tem, essa quase não é reportada, mas custa ~US$ 5,2 bilhões em produtividade.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• BTG: o velho de guerra prosperando em ambiente hostil
• Bithumb: um erro de 3 letras e US$ 40 bi
• Bradesco: de volta ao jogo
Raízen: do AAA ao CCC

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, ontem foi mais uma noite sem garçom triste na Faria Lima porque o Ibovespa renovou as máximas pela nona vez no ano — com aquele empurrão da dupla Vale (1,96%) e Petro (+1,83%). O setor bancário também reagiu bem e agora fica de olho nos resultados do Banco do Brasil, que vão ser divulgados amanhã.

Lá fora, o setor tech vem recuperando parte das perdas dolorosas da semana passada e liderou os índices dos EUA. Na Ásia o otimismo também chegou chegando e a bolsa de Tóquio subiu 3,9% depois da eleição da primeira-ministra Sanae Takaichi do Partido Liberal Democrata. Quem bateu novas máximas também foi o Dow Jones! Nos EUA, amanhã é dia de relatórios sobre o mercado de trabalho.

VISUAL

BTG: o velho de guerra em ambiente hostil

BTG Pactual, um velho de guerra acostumado com mercado hostil — com juros altos e o risco no modo hard — decidiu ignorar as sirenes e bateu recorde em praticamente todas as frentes. Em resumo: cresceu como poucos e ainda fechou o ano com mais lucro do que o Santander.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: R$9,08 bilhões, crescendo 35% com o mesmo tri do ano passado.

  • 🟢 Lucro Líquido: R$4,6 bilhões, avançando 40,3% na comparação anual

  • 🟢 ROAE: 27,6% no trimestre, entregando 26,9% no ano fechado.

Nada de mágica… só um motor que já virou marca registrada: diversificação de negócios, crescimento acelerado das franquias de clientes e uma disciplina quase obsessiva na alocação de capital.

Não teve área que ficou para trás em 2025:

  • Corporate Lending & Business Banking: receitas de R$ 8,4 bilhões em 2025 (+29,5%) e R$ 2,23 bilhões no tri (recorde).

  • Sales & Trading: mais um ano de recordes, com R$ 7,2 bilhões em receitas e R$ 2 bilhões no trimestre.

  • Investment Banking: R$ 2,5 bilhões em receitas no ano (+19%), com destaque para renda fixa e M&As.

  • Asset Management: R$ 3 bilhões em receitas, R$ 1,2 trilhão sob gestão e captação líquida de R$ 140 bilhões no ano — R$ 61,8 bilhões só no Q4.

  • Wealth Management & Personal Banking: R$ 5 bilhões em receitas, R$ 1,2 trilhão sob gestão e captação líquida de R$ 214 bilhões em 2025.

O banco de Esteves também acelerou fora do Brasil. Com aquisições estratégicas, agora ele tem licença de banco completo nos EUA e a expectativa é ampliar ainda mais a geografia, com Uruguai e Peru.

As ações acumulam valorização de ~90% em 12 meses e o valor de mercado rondando R$ 345 bilhões.

Recomendação dos analistas:

Compra: 11 | Neutro: 2 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 60,69 | Preço atual: R$ 60,20

MACRO/AÇÕES
  • BCE: Banco Central Europeu manteve as taxas de juro inalteradas em 2%.

  • BoE: Banco da Inglaterra manteve as taxas de juros estáveis ​​em 3,75%.

  • Boletim Focus: expectativa para inflação em 2026 cai pela quinta semana seguida.

  • Tesouro: capta US$ 4,5 bi com bond de 10 anos.

  • FGC: Após caso Master, BC deve revisar regras.

  • Vibra: vira consenso. 100% do sellside agora tem ‘buy’.

  • Guararapes: a dona da Riachuelo estuda fazer oferta de ações para aumentar liquidez.

  • Oracle: ações disparam após analistas passarem recomendação para compra.

  • Stellantis: registra baixa contábil de US$ 26 bilhões.

  • Shell: entrega resultado abaixo das expectativas e pior lucro trimestral em quase 5 anos.

  • JBS: investe US$ 150 mi na produção de carnes em Omã e amplia atuação no Oriente Médio.

  • BYD: perde US$ 60 bi em valor de mercado e aponta desafios crescentes do setor na China.

  • Pandora: ações sobem depois do anúncio que reduzirá sua dependência da prata, diminuindo a exposição à volatilidade dos custos de produção.

  • Under Armour: chegou a subir +20% após superar expectativas de lucro e mais que dobrar sua previsão de ganhos para o ano.

CRIPTO

Bithumb: um erro de 3 letras e US$ 40 bi

Errar é humano, mas um erro de US$ 40 bi já é demais. Se não bastasse todas a montanha-russa que o mundo cripto tem protagonizado nos últimos dias, a corretora sul-coreana Bithumb, fez um dos maiores “oops” corporativos da história e distribuiu mais de US$ 40 bilhões em bitcoin POR ENGANO!

→ O plano: repassar aos clientes um total de 620 mil won (cerca de R$ 424).
A execução: o estagiário responsável fez um leve engano de trocar won por três letrinhas muuuuito mais caras: BTC.
A consequência: 620 mil BTC pingaram na conta de quase 700 clientes da corretora.

O erro foi detectado em cerca de 20 minutos, tempo suficiente para virar um mini-caos. Com usuários vendendo o saldo inesperado no susto, o preço do Bitcoin dentro da plataforma chegou a despencar 17% e o volume negociado explodiu.

A Bithumb correu para apagar o incêndio: começou a suspender negociações e travou tudo nas contas que receberam os créditos. No fim, recuperou 99,7% das moedas — mas 0,3% ainda valem algumas dezenas de milhões.

Sobrou prejuízo para quem vendeu no reflexo, mas o CEO, Lee Jae-won disse que esses clientes serão reembolsados pelas perdas (com bônus de 10% pelo trauma).

Tudo isso rolou num mercado já de nervos à flor da pele. Desde as grandes liquidações de outubro, as criptos vivem em montanha-russa e a semana foi de desmonte de posições alavancadas.

EARNINGS

Bradesco: enfim de volta ao jogo

Depois de alguns anos sem entrar em campo com pique pra crescer do jeito que o povo mercado gosta, o Bradesco finalmente mostrou que ainda tem disposição pra jogar. Não tem gol de placa, fogos de artifício e nem recorde, mas o crescimento já é constante o bastante pra animar quem acompanha a reestruturação.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Lucro Líquido: R$6,51 bilhões x R$6,41 bilhões esperados.

  • 🟢 ROE: 15,2%, acima dos 14,7% do trimestre anterior

  • 🔴 Guidance: crescimento mais contido nas receitas e acima da inflação nas despesas operacionais.

O dado mais simbólico veio do ROE, que enfim superou o custo de capital. A margem financeira chegou a R$ 19,2 bilhões, crescendo no tri e no ano.

→ A alegria: a carteira de crédito entregou acima do guidance e fechou 2025 com R$ 1,089 trilhão. Pra PF o destaque foi o cartão de crédito (alta de 7,6%), pra PJ o motor foi o capital de giro.
→ O horizonte: as receitas de serviços passaram dos R$ 11 bilhões — prova de que o banco segue ganhando dinheiro não só emprestando, mas também passando o cartão.
A decepção: o guidance. As projeções mais conservadoras para 2026 fizeram analistas revisarem as expectativas de lucro dos R$ 29 bi para R$ 27,5 bilhões, com ROE perto de 15,5%.
A atenção: a inadimplência. Os atrasos acima de 90 dias subiram levemente para 4,1%.

“O mercado cobra mais que o conselho”, reconheceu o CEO Marcelo Noronha na apresentação dos resultados. O mercado, impaciente como sempre, torceu o nariz para as projeções e a ação chegou a cair -5,5%, mas se recuperou e ontem fechou com -0,90% da divulgação.

PS: o banco está renovando uma parte do seu Conselho

Recomendação dos analistas:

Compra: 7 | Neutro: 5 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$20,82 | Preço atual: R$20,91

DECIFRANDO O CONDADO

Haircut da dívida

Não é quando o board vai cortar o cabelo, mas lembra um pouco: haircut da dívida é quando o credor aceita “cortar um pedaço” do valor que tem a receber para aumentar as chances de ver algum dinheiro de volta.

Em vez de insistir no pagamento integral, que pode nunca acontecer, ele concorda em receber menos, seja reduzindo o principal, os juros ou ambos.

É uma solução amarga, mas pragmática: melhor um desconto hoje do que um calote amanhã. No mercado, esse corte costuma sinalizar estresse financeiro, mas também pode ser o primeiro passo para colocar a dívida novamente de pé.

RISCO

Raízen: do AAA ao CCC

O céu está fechando para a Raízen! Com um buraco financeiro beirando os US$ 4 bilhões e sem conseguir um cheque com as controladoras (Shell e Cosan), a empresa viu Fitch e S&P rebaixarem sua nota de crédito: de “grau de investimento” para o nada confortável “território especulativo”.

Fitch derrubou a nota em cinco degraus (para B), citando a ausência de uma injeção relevante de capital pelos acionistas, desempenho operacional aquém do esperado e uma posição de caixa “mais desafiadora”.
A S&P foi ainda mais dura com sete níveis de corte (até CCC+), alertando para “riscos crescentes de uma reestruturação da dívida que poderia ser interpretada como default”.
Detalhe: ambas mantiveram a empresa em observação negativa, o que significa que pode ter ainda mais rebaixamento da nota.

Além do céu fechando, as controladoras não oferecem abrigo. A Cosan precisa reforçar o caixa e ainda sofre com prejuízos da compra de ações da Vale. Já a Shell tem um freio contábil porque qualquer injeção elevaria a participação dela na Raízen e a dívida teria que entrar no balanço.

O pano de fundo também não ajuda. Juros altos, colheitas fracas e uma coleção de apostas ambiciosas que ainda não entregaram retorno e colocam uma pressão extra no balanço. Segundo o UBS BB, a conta para reforçar o capital gira entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.

Para o mercado, a Raízen diz apenas que está avaliando alternativas com assessores financeiros e jurídicos para reforçar a liquidez e otimizar a estrutura de capital. Mas nos bastidores já se fala em cenários mais duros — incluindo a possibilidade de um ‘haircut’ da dívida numa eventual reestruturação.

O papel da Raízen se encontra nas suas mínimas, caindo ~90% das suas máximas.

PS: A Cosan também anunciou o resgate de títulos com cláusulas de inadimplência cruzada com a Raízen — mostrando que o apoio pode ser mais limitado do que se imaginava.

STATS DO DIA

100 anos

é a duração dos títulos de dívida que a Alphabet está emitindo. O raro “century bond” vai ser emitido em libras esterlinas e não vem sozinho, porque a mãe do Google anunciou junto uma oferta em dólar que soma US$ 15 bilhões. O objetivo: bancar a corrida por infraestrutura de IA.

A emissão foi oversubscribed em mais de US$ 100 bilhões, mesmo com o Google já sentado sobre cerca de US$ 120 bilhões em caixa.

Via Bloomberg

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