Bom dia, Droppers!

Pensei no chuveiro: sobre o quão rico se tornou Elon Musk. O primeiro trilionário do mundo viu seu patrimônio crescer +US$ 1 milhão por minuto no último ano e acumulou uma fortuna maior que o PIB de 198 países. Se quisesse, Musk poderia comprar todas as empresas da bolsa brasileira com troco suficiente para incluir o México e o Chile junto.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Adobe: entregou tudo, mas não o suficiente
• SpaceX: o maior IPO da história
• Copa 2026: 104 jogos e WS escalou o time
• CVC: nas mínimas históricas

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o Ibovespa abriu em clima de festa (+1,81%) surfando o acordo de paz entre EUA e Irã, mas fechou em clima de tristeza (-0,42%) por causa do petróleo. Com o Brent desabando, a Petrobras foi junto e liderou as quedas do dia. Pra fechar o combo, o Focus voltou a piorar: projeção de IPCA para 2026 subiu de 5,11% para 5,30% (cada vez mais longe do teto de 4,5%) e a da Selic foi de 13,50% para 13,75%.

Por lá, depois da festa de aniversário de Trump com direito a lutas do UFC no quintal da Casa Branca, Trump anunciou que o tão esperado acordo de paz com o Irã está completo e será assinado na Suíça essa sexta-feira. O Estreito de Ormuz reabrindo espantou o medo da inflação e fez as apostas de alta de juros pelo Fed recuarem. Assim o Dow bateu novo recorde e os índices dispararam no melhor dia em meses.

Amanhã é dia de Superbowl Super-Quarta, dia em que o Copom e o Fed decidem os juros.

Adobe: entregou tudo, mas não o suficiente

Com CEO saindo (e CFO também), a gigante sofre para convencer o mercado de que está no caminho certo

A empresa que já foi sinônimo de design ainda não convenceu o mundo de que vai continuar com esse título. E mesmo entregando a melhor receita da história, bater todas as estimativas e elevar o guidance, a Adobe viu suas ações caindo dois dígitos no dia seguinte.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita Total: US$ 6,62 bilhões x US$ 6,45 bilhões esperados.

  • 🟢 ARR (contando a Semrush): US$ 27,1 bilhões

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 5,96 x US$ 5,82 esperados

Os problemas começam com duas saídas: primeiro o CEO Shantanu Narayen anunciou a partida em março e ainda não sabe quem assume. Depois o CFO Dan Durn avisou que vai embora na noite em que divulgou os resultados - e pra assumir o mesmo cargo na Marvell Technology.

Pra quem fala “números”, tudo parece bem: a Adobe cresceu em suas duas frentes. Creative & Marketing Professionals faturou US$ 4,54 bi e Business Professionals & Consumers atingiu US$1,85 bi. A margem operacional ficou em 44,5%, ou seja, ela gera quase metade do que fatura em resultado operacional.

Um detalhe que inflou um pouco o resultado: a aquisição da Semrush, fechada em abril, já entrou nos números. São US$ 480 milhões de ARR e US$ 40 milhões de receita trimestral que não existiam nas estimativas originais.

O que o mercado vai olhar

  1. Conversão do freemium: empresa vem priorizando crescimento de usuários sobre receita imediata - adiou aumentos de preço do Creative Cloud e mantém versões gratuitas do Firefly e do Express.

  2. Sucessão dupla: CEO e CFO em aberto ao mesmo tempo é risco de governança. O mercado vai precificar incerteza até ver nomes.

  3. ARR orgânico sem Semrush: é preciso provar que o núcleo criativo também cresce acima de dois dígitos sem ajuda externa de aquisições. O crescimento orgânico do Firefly é o número mais importante para o resto do ano.

O trimestre da Adobe foi sólido e o problema não é a Adobe de hoje… é a Adobe de daqui a um ano, sendo pilotada por uma dupla CEO-CFO ainda desconhecida.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 2 | Compra: 10 | Neutro: 24 | Venda: 3

Preço-alvo médio: US$ 288,48 | Preço atual: US$ 206,36

MACRO/AÇÕES

  • IPCA: desacelera alta para 0,58%, mas taxa é a maior para maio desde 2021.

  • BCE: eleva juros pela 1ª vez desde 2023 e projeta avanço da inflação e queda da atividade na Europa.

  • IPOs: a corrida trilionária.

  • COEs: efeito Ambipar, novas regras e juros altos redesenham o mercado de COEs.

  • Engie: faz follow-on de R$ 8,3 bilhões para comprar fatia em Jirau e desalavancar.

  • BTG Pactual: recebe aprovação do BC do Uruguai para compra do HSBC no país.

  • Revolut: recruta Paulo Guedes para ajudar na expansão no Brasil.

  • Grupo Toky: Justiça aprova pedido de RJ da TOKY3.

  • Previ: pede convocação de assembleia da Vale para troca de presidente do conselho.

  • JBS: fechará unidade de processamento de carne na Pensilvânia em meio à escassez de gado nos EUA.

  • Fox: compra Roku em acordo de US$ 22 bilhões para ampliar alcance no streaming.

  • B3: diz ter até 100 empresas prontas para abrir capital.

  • GPA: acionistas aprovam retirada de ‘poison pill’ do estatuto.

SpaceX: o maior IPO da história

Abertura de capital colocou a empresa entre as maiores do mundo, com valor de mercado de US$ 2,1 trilhões

Quando Elon Musk fundou a SpaceX, 24 anos atrás, ele deu à empresa uma probabilidade de 10% de chance de sobreviver. Moving forward… ela estreia na Nasdaq como o maior IPO da história, levantando US$ 75 bilhões e, com a alta de ontem, valendo US$ 2,1 trilhões.

Depois de ser precificado a US$ 135, o $SPCX ( ▲ 9.39% ) abriu a US$ 150, chegou a bater US$ 176 e fechou em US$ 161.

Mais de 500 milhões de ações trocaram de mãos no primeiro dia, quase chegando ao recorde do Facebook (580 milhões na estreia).

Mas os números que chamam a atenção, além dos do IPO, foram os que estavam “escondidos” no prospecto enviado à SEC:

  • Fechou 2025 com US$ 18,7 bilhões em receita, mas…

  • com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.

  • Desde a fundação, o buraco acumulado passa de US$ 41 bilhões.

Fazendo as contas rápidas: o IPO foi precificado a 95x a receita do ano anterior e fechou o primeiro dia a 112x - no momento do fechamento desta edição, a ação está em US$ 192, o valor em US$ 2,52 tri e esse múltiplo em 134x.

O que justifica esses valores não é o que a SpaceX já fez, mas o que ela pode fazer se rolar o alinhamento perfeito dos planetas, satélites e foguetes:

→ Starlink: já tem lucro (US$ 4,4 bi), com 10,3 milhões de assinantes e subindo!
→ Lançamentos: ainda queima dinheiro, mas é responsável por 90% do mercado comercial global e pode reverter o resultado com a redução de custos.
→ IA: o setor que move o mundo em 2026 é promissor e a SpaceX saiu na frente com a construção de data centers - e até já os aluga para Google e Anthropic.
→ Negócios futuros: Elon Musk segue com a proposta de colocar satélites de IA no espaço, aproximar a SpaceX da Tesla (com robôs humanoides) e liderar a corrida pela conquista de Marte.

O IPO da SpaceX parece ser mais um teste de fé do que de fundamentos. O mercado, nesses primeiros dias, está dizendo que acredita no plano - seja colonizar outros planetas, conectar o mundo via satélite ou processar dados no espaço.

→ A Virgin Galactic tinha visto as ações subirem ~35% desde o anúncio do IPO da SpaceX, parte pela confusão do ticker SPCE. Na sexta chegou a cair os mesmos 35% com a correção.

DECIFRANDO O CONDADO

Valuation

é o processo de estimar quanto vale uma empresa, calculando o valor intrínseco do negócio com base nos seus fundamentos.

Existem vários métodos: fluxo de caixa descontado, múltiplos de mercado, comparação com transações similares… cada um com suas premissas e limitações.

Na prática, valuation é um pouco de ciência com arte: pequenas mudanças nas premissas podem mover drasticamente o valor final.

Copa 2026: 104 jogos e WS escalou o time

O impacto macro é pequeno nos EUA, mas o impacto setorial de US$ 17 bi é relevante!

Se você acha que Copa do Mundo é só sobre futebol… Wall Street discorda. A Copa de 2026 chega gigante: 48 seleções, 104 jogos e mais de um mês de bola rolando. Traduzindo para o idioma dos investidores: mais turistas, mais consumo, mais anúncios e mais gente grudada nas telas.

A conclusão geral: o impacto macroeconômico é relativamente pequeno, com os US$ 17,2 bilhões equivalendo a apenas 0,05% do PIB americano. Mas o impacto setorial pode ser relevante para quem está no lugar certo.

Os setores favoritos do mercado, em ordem:

  1. Hotelaria e mobilidade. Os principais nomes no radar: Marriott (MAR), Hilton (HLT) e Hyatt (H) para hospedagem tradicional. Para transporte e acomodação alternativa: Uber (UBER), Lyft (LYFT) e Airbnb (ABNB).

  2. Restaurantes e delivery. Jogos em horário americano conveniente e torcedores nas ruas = restaurantes cheios e delivery disparando. Domino's (DPZ) é destaque, junto com Wingstop (WING), Chipotle (CMG) e Shake Shack (SHAK).

  3. Mídia e publicidade. A receita publicitária associada à Copa nos EUA pode chegar a US$ 850 milhões nessa edição, mais que o dobro das estimativas históricas de US$ 200-400 milhões. Fox (FOX) detém os direitos em inglês. Telemundo, da Comcast (CMCSA), em espanhol. E o YouTube, da Alphabet (GOOGL), entra como parceiro digital de distribuição.

  4. Apostas. O Deutsche Bank projeta US$ 3,3 bilhões em volume apostado durante o torneio, com chance de chegar a US$ 4,1 bilhões. FanDuel (Flutter, FLUT) deve capturar US$ 1,3 bilhão. DraftKings (DKNG) US$ 1,1 bilhão.

Na América Latina, os favoritos são empresas com presença nas cidades-sede e exposição às seleções que chegarem longe. Ambev (ABEV3) aparece pelo Brasil. Arcos Dorados (ARCO), operadora do McDonald's na região, e Coca-Cola Femsa pela presença em Monterrey, Guadalajara, Dallas e Houston simultaneamente.

A ressalva dos analistas: o impacto é real, mas temporário. Na Copa do Mundo, enquanto o mundo acompanha gols e tabelas, WS está observando quem que ganha em outro campo: nos das receitas, da audiência e do consumo.

STATS DO DIA

R$ 8,38 bilhões

Foi o quanto o governo de MG colocou nos bolsos com a venda de 45% da sua participação na privatização da Copasa.

Via Copasa

CVC: nas mínimas históricas

Tentativa de unir lojas físicas e e-commerce acabou criando o pior dos dois mundos

Sexta passada a CVC renovou seu fundo do poço: R$ 1,32 por ação. Esse é o menor preço desde o IPO de 2013 - com quedas de 35,6% só neste ano. O CEO até tenta colocar a culpa no fator Guerra, mas o Oriente Médio não passa de 1% na receita - e Decolar e Booking crescem no mesmo período.

O combo que levou a ação à sua mínima é completo: dívida crescendo, Ebitda caindo, prejuízo aumentando, queima de caixa e perda de market share. No ritmo atual, a estimativa do mercado é que a empresa precisará se capitalizar em 4 meses.

O problema real é mais antigo… e mais estrutural:

  1. Instabilidade no comando: Mader é o quarto CEO em sete anos. Cada troca veio acompanhada de um novo discurso, uma nova estratégia, uma nova promessa de virada.

  2. O “figital” que não decolou: a aposta de mesclar digital com físico acabou criando o pior dos dois mundos… a empresa remunera franqueados mesmo em vendas feitas à distância, aumentando custos sem ganhar eficiência.

  3. Expansão na contramão: enquanto o mundo migrava para plataformas 100% digitais, a CVC abriu 480 lojas nos últimos três anos.

No fundo, a CVC enfrenta a mesma batalha que o varejo físico travou contra o e-commerce… e sabemos como costuma terminar. Decolar e Booking nasceram como empresas de tecnologia que vendem viagem. A CVC ainda se comporta como uma agência de viagens que tenta virar tech.

→ No 1T’26: a empresa teve prejuízo de R$ 72,3 milhões (quase 10x mais que o ano anterior); queima de caixa de R$ 121,6 mi e dívida líquida subindo R$ 140 mi em apenas um trimestre.

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