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Bom dia Droppers.
Pensei no chuveiro: que o torcedor brasileiro quer o hexa. Mas o varejo só quer mesmo que o Brasil jogue no fim de semana pra não impactar tanto na receita.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• JP Morgan: abrindo alas da temporada de balanços
• Varejo: as expectativas para a Copa do Mundo
• Vale: o minério que não da ré
• Delta Airlines: na carona da turma do champanhe

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a quarta-feira terminou com o Ibovespa atingindo a máxima histórica mais uma vez, subindo 1,95% e rompendo a barreira dos 165 mil pontos – e outra vez a Vale puxou o carro com +4% no dia. Enquanto o resto do mundo torcia o nariz com tensões globais, ameaças militares e dúvidas sobre como as torcidas vão conseguir assistir à Copa do Mundo in loco se os vistos para +70 países foram suspensos pelo presida Trump, no Brasil o mercado se animou depois de uma pesquisa Genial/Quaest mostrar queda na aprovação do Governo.
Lá fora, o clima foi bem menos festivo. Além do caos geopolítico global, nos EUA os balanços dos grandes bancos decepcionaram e puxaram os índices pra baixo. Até a Nvidia sofreu na Bolsa depois das novas notícias sobre restrições das vendas de chips para a China. Já no universo cripto, o Bitcoin resolveu roubar a cena e voltou a flertar com os US$ 97 mil, embalado pela apresentação de um novo projeto de lei para criar uma estrutura regulatória para o setor.
VISUAL
JP Morgan: o abre-alas dos balanços

Começou a temporada de balanços e o JP Morgan abriu alas com receita acima do esperado – mas o juiz mercado não respondeu com um sonoro “Deeeez”. O lucro não acompanhou o desempenho de arrecadação e as ações do maior banco do mundo caíram 4,16% no dia.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 46,8 bilhões x US$ 46,2 bilhões esperados.
🔴 Lucro Líquido: US$ 13 bilhões, caindo -7% na comparação anual.
🔴 Lucro por ação ajustado: US$ 4,63, abaixo dos US$ 5 esperados
Assim como em boa parte das famílias, o grande vilão nessa história foi o cartão de crédito. Nesse caso, o Apple Card, que passa a ser emitido pelo JP Morgan e exigiu a provisão de US$ 2,2 bilhões para perdas futuras – um golpe de 60 cents por ação.
No geral, a máquina do banco segue rodando bem, com a receita crescendo 7%. Mas quem roubou a cena foi o trading: a receita com ações disparou 40%.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, manteve o tom confiante, mas com o alerta ligado. Segundo ele, a economia americana continua resiliente: consumidores gastando, empresas saudáveis e um mercado de trabalho que esfriou, mas não azedou. Só que riscos geopolíticos, inflação teimosa e preços de ativos elevados seguem no radar… e não se pode fechar os olhos para isso.
Olhando para 2026, o JPMorgan manteve projeções otimistas, mas já começa a lidar com novos fantasmas – possível teto de 10% nos juros do cartão de crédito e a concorrência crescente de stablecoins e empresas cripto”. Diante disso, o banco prevê US$ 105 bilhões em despesas e deixa claro que está disposto a fazer o que for preciso para continuar no topo.
PS: outros bancos reportaram e também não animaram Wall Street. Bank of America corrigiu 3,78%, o Wells Fargo recuou 4,55% e o Citigroup caiu 3,34%
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 9 | Neutro: 10 | Venda: 2
Preço-alvo médio: US$ 342,13 | Preço atual: US$ 307,87
MACRO/AÇÕES
Inflação: CPI americano fica estável em 2,7% no ano, em linha com o esperado.
Fed: líderes de bancos centrais ao redor do mundo enviaram uma carta de apoio ao presidente do FED Jerome Powell.
CVM: passa a ter mais 2 superintendências, 4 gerências e 35 novos cargos em comissão.
Venezuela: bolsa sobe +130% desde a captura de Maduro.
Argentina: encerra 2025 com a menor inflação desde 2017 (31,5%).
Frigoríficas: podem cortar a produção após China impor cotas.
Strategy: voltou a comprar bitcoins e agora tem 687.410 BTC na carteira.
Intel: bate a máxima das últimas 52-semanas, com um recomendação da KeyBanc.
Lojas Renner: Citi elevou ação para compra, citando boa relação de risco-retorno.
Agibank: entra com pedido de IPO na NYSE.
Movida: soltou FR ontem a noite sobre o atingimento do guidance de 2025.
BRASIL-SIL-SIL
Varejo: as expectativas para a Copa do Mundo

Esse ano tem Copa do Mundo e enquanto os brasileiros se dividem entre pessimistas/ timistas e participam da briga mais polarizada do século (leva Neymar ou não?), para o varejo o jogo já começou. Um relatório do Santander mapeou quem tende a sair ganhando e quem deve perder espaço com a Copa.
De um lado: Grupo SBF (dono da Centauro), Mercado Livre, Casas Bahia e Magazine Luiza já preparam as vuvuzelas.
De outro: varejistas de moda, especialmente o fast fashion, como C&A, Renner e Guararapes (Riachuelo) se preparam para dias difíceis.
O maior afetado é o varejo físico, que perde fluxo justamente nos horários de jogo. Moda sente mais o golpe, enquanto bens essenciais passam quase ilesos. No supermercado, o jogo é a favor: aquele churrasquinho, com aperitivos e bebidas já entram em campo desde o início.
Entre os destaques positivos:
Centauro deve fazer gol: a expectativa é de um aumento de R$ 390 milhões na receita em 2026 só com a venda de camisas da seleção. A empresa pretende encomendar 850 mil unidades, bem mais preparada do que em 2022.
Mercado Livre pode ganhar participação em bens duráveis, especialmente TVs e eletrodomésticos, impulsionado pela parceria com Casas Bahia. O Santander projeta um aumento de 2% ao GMV da plataforma em 2026 por causa da Copa.
Casas Bahia e Magazine Luiza, o evento pode funcionar como uma Black Friday extra, com algo próximo a um mês adicional de vendas concentradas em telões e sofás novos.
Nos ganhos por tabela, a Vulcabras ganha visibilidade indireta com as chuteiras Mizuno nos pés de jogadores profissionais, a Arcos Dourados (McDonald’s no Brasil) aposta em produtos temáticos para manter tráfego nas lojas, e a CVC deve surfar na venda de pacotes para Estados Unidos, Canadá e México – pelo menos pra quem conseguir visto.
O desempenho da seleção influencia diretamente o impacto no varejo: o Brasil pode disputar de três a oito jogos. Se liderar o grupo, metade cai no fim de semana, cenário mais favorável às vendas. Se não, aumentam os jogos em dias úteis.
Para a seleção, o sonho é o hexa. Para o varejo, o objetivo é mais modesto: vender bem durante a Copa e sobreviver aos dias em que o país inteiro para pra assistir.
CRIPTO 360º
Um giro pelo mercado cripto
Dropped by Binance
2025 foi o ano que as criptos sentaram na mesa dos adultos e os fatos podem provar:
Stablecoins legalizadas nos EUA;
Blockchains ganharam carimbos globais;
Regulamentação do BC para ativos virtuais;
Bitcoin entrou no caixa de grandes empresas;
Dezenas de trilhões de dólares circularam pelo mundo.
Só na Binance, a maior corretora do mundo, foram US$ 34 tri negociados dessa grana toda, além de ter colocado mais de 300 milhões de usuários pra jogo.
Se a palavra do ano foi liquidez, a proteção foi o que ganhou as telas - e as carteiras - dos investidores, e o relatório State of the Blockchain 2025, da Binance, tem todos os dados sobre isso.
Se você quer começar 2026 entendendo o jogo, o report completo é leitura obrigatória. Acesse aqui.
MINERAÇÃO
Vale: o minério que não da ré

Depois de sete meses seguidos de alta, a Vale começou 2026… no mesmo ritmo. As ações da mineradora já sobem 9,67% no mês e chegaram à máxima histórica com cada papel sendo cotado a R$ 78,92.
Esse recorde vale mesmo com a ação já ter sido negociada a R$ 115 no ano passado, porque o valor nominal não considera dividendos. A gente explica: se a empresa paga proventos, o preço da ação sofre um ajuste – o dinheiro sai do caixa e vai para o acionista, e assim o preço “volta” para refletir isso.
O rali atual tem seus fundamentos:
No micro: a empresa vem fazendo o dever de casa. Reduziu riscos operacionais praticamente zerando as barragens em nível crítico e ajustou o portfólio para vender o minério mais demandando hoje (teor 62% – principalmente para a China)
No macro: o vento também sopra a favor, com o minério de ferro se mantendo acima dos US$ 100, sustentado por uma produção de aço chinesa que, surpreendente, continua robusta mesmo com as crises no setor imobiliário.
E não é só de minério de ferro que a empresa vive. O níquel, por exemplo, chegou a subir 25% e pode gerar muito valor para empresa. Por muito tempo, essa vertical só deu dor de cabeça, mas com a pressão na commodity, ela passa a ajudar em muito nos resultados da empresa, fazendo o Ebtida subir em até 8%.
Para 2026, o BTG vê espaço para uma reprecificação clara do papel. Hoje, ela negocia a cerca de 4x EV/Ebitda, bem abaixo dos pares globais (7x a 10x). Parte do desconto vem da leitura de “minério puro”, mas se o níquel seguir brilhando, essa narrativa pode virar – e destravar valor extra.
AVIAÇÃO
Delta: first class please

A Delta Airlines soltou os resultados e mostrou que, pela primeira vez, decolou com um motor inesperado: a turma do champanhe (aka 1ª classe) e a da Comfort+ geraram mais grana do que a galera da econômica. Isso graças a um cartão de crédito co-branded com a American Express, que rendeu US$ 8,4 bi no ano passado.
No quarto trimestre, a receita com passagens premium subiu 9%, chegando a US$ 5,7 bilhões, enquanto as vendas da cabine principal encolheram 7%, para US$ 5,62 bilhões. O mercado premium pisou fundo no acelerador, e o CEO, Ed Bastian, disse que o consumidor de alta renda está bastante confiante.
Os números do trimestre:
🔴 Receita: US$ 14,61 bilhões x US$ 14,69 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 1,55 x US$1,53e receita ajustada de
🟢 Lucro Líquido: US$ 1,22 bilhão, alta de quase 45% em relação ao ano anterior
Para 2026, as projeções são otimistas, com um lucro por ação entre US$ 6,50 e US$ 7,50. O CEO acredita que que o lucro pode saltar até 20% em relação ao ano passado, embalado por uma demanda mais forte do mercado.
No ritmo do otimismo, a Delta encomendou 30 Boeing 787-10 Dreamliners, com entregas a partir de 2031. A companhia ainda tem opção para mais 30 aeronaves e deixa claro o foco: expansão de longo prazo, com aposta forte na primeira classe.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 20 | Neutro: 0 | Venda:1
Preço-alvo médio: US$ 80,61 | Preço atual: US$ 68,49
STATS DO DIA
US$ 68,6 bilhões
foi o superávit comercial do Brasil em 2025. Apesar do número positivo, esse foi o pior resultado nos últimos 3 anos.

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