Bom dia Droppers.

Na teoria, a prática é outra: a Vale voltou a ser a maior produtora de minério de ferro do mundo, com 336mi de toneladas no ano, superando a australiana Rio Tinto (325 mi ton). Mas, produzir mais não significa valer mais. Enquanto a brasileira Vale vale (não é typo) ~US$ 70bi, a Rio Tinto vale mais que o dobro (~US$ 157 bi). Não à toa, as firmas brazucas preferem ser listadas lá fora a múltiplos bem maiores.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Meta: Marquinho não decepciona
• IPO: PICS estreia na Nasdaq
• MSFT: um trimestre de “IA vs. Margem”
• R$ 4,40: o preço justo do dólar para Stuhl

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, ontem foi dia de reunião do Copom e para a surpresa de absolutamente ninguém a decisão foi o clássico “manteu”: a Selic fica nos 15%. A diferença é que dessa vez o comitê disse que em março pode cortar juros se o cenário esperado realmente acontecer. Isso é música para os investidores de ações, que têm agora mais motivos para sorrir além do 8º recorde no ano do Ibovespa, que fechou em sua máxima histórica (184.691 pontos).

Lá fora, o Fed dos EUA também não quis sacudir o vespeiro e manteve as mesmas taxas de juros, que estão nos 3,75%. No meio do anúncio e de boas notícias da Nvidia (que finalmente apertou as mãos de compradores chineses), os mercados americanos renovaram suas máximas e o S&P tocou nos 7000 pontos pela primeira vez. Destaque para o ouro, que subiu praticamente em linha reta e agora já está acima dos US$5.500 a onça. Foram US$ 3,5 TRILHÕES de valorização em apenas 72 horas.

VISUAL

Meta: Marquinho não decepciona

Melhor que o tripé que os influencers usam pra gravar Reels, só o tripé perfeito que a Meta apresentou no trimestre: lucro, crescimento e confiança. E o mercado concordou: as ações da empresa saltaram +10% no after-market.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 59,9 bilhões, acima dos US$ 58,59 esperados

  • 🟢 Lucro Líquido: US$22,8 bilhões x US$ 21,3 bilhões

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 8,88 x US$ 8,23 esperados

Para completar, a Meta jogou gasolina no rali ao projetar vendas entre US$ 53,5-56,5 bilhões no primeiro trimestre, bem acima do que os analistas imaginavam. Segundo a CFO Susan Li, o otimismo vem de uma demanda que fechou 2025 forte e entrou em 2026 com o pé no acelerador.

→ Anúncios seguem a todo vapor, com 24% de crescimento na comparação anual — e 97% do faturamento total.
→ O número de usuários diários chegou a 3,58 bilhões – quase metade da população mundial.

Como nem tudo são likes, os gastos com IA continuam acelerando e deixam aquela nota de rodapé no otimismo dos acionistas: a Meta planeja gastar US$ 162-169 bilhões em 2026 (US$ 115-135 bilhões só em Capex). Isso é quase 2x o gasto de 2025, mas Zuck diz que isso é essencial pra manter a empresa na corrida.

A aposta de 2020 segue sangrando grana. O Reality Labs perdeu US$ 6 bilhões no trimestre e segue com vendas modestas, tanto que a Meta já disse que vai cortar até 15% da força de trabalho no setor.

No rodapé, o aviso padrão: riscos regulatórios e processos nos EUA e na Europa seguem no radar e podem custar caro. Mas pelo menos por ontem o report foi suficiente pra dar um gás nas ações da Meta.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 10 | Compra: 51 | Neutro: 6 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 832,78 | Preço atual: US$ 668,73

MACRO/AÇÕES
  • Confiança do Consumidor: americana cai para o nível mais baixo desde 2014.

  • IPCA-15: prévia da inflação subiu 0,20% em janeiro, desacelerando dos 0,25% registrado em dezembro.

  • Gasolina: Petrobras reduz preço em 5,2% para distribuidoras.

  • Corretoras: Abradecont propôs ao Ministério Público uma ação civil contra a XP, BTG e Nubank por causa das vendas dos CDBs do banco Master.

  • Ibovespa: mesmo com as altas, UBS vê espaço para novos recordes.

  • ASML: registrou recorde de encomendas e divulga um guidance forte para 2026.

  • Nike: está demitindo 775 funcionários, cerca de 1%, por causa da automação.

  • Intel: subiu 11,04% depois que Nvidia e Apple divulgarem que planejam transferir parte da produção com a TSMC para a Intel.

  • LVMH: superou as estimativas de vendas devido à melhora na demanda da China.

  • CVC: Apex Partners compra 14% e deve ganhar vaga no Conselho.

  • Puma: empresa chinesa de artigos esportivos Anta se torna a maior acionista, investindo US$ 1,8 bilhão.

  • Salesforce: anuncia um contrato de 10 anos com o Exército dos EUA, avaliado em cerca de US$ 5,6 bilhões.

IPO

PICS: PicPay estreia na Nasdaq

O PicPay aproveitou o bom humor do mercado e levantou US$ 434 milhões no seu IPO na Nasdaq — o 1º de uma empresa brasileira desde que o Nubank se aventurou em 2021. A ação saiu a US$ 19, cravada no topo da faixa indicativa (que começava em US$ 16) e foi precificada a 12x o lucro estimado para 2026.

→ O PicPay estreia avaliado em US$ 2,5 bilhões post-money, negociando sob o ticker PICS.

A demanda superou a oferta em 12x, com cerca de 200 fundos no book — de fintechs a emergentes — e só 15% ficando com brasileiros. Mesmo com 22,9 milhões de ações no mercado, os irmãos Batista seguem no controle via J&F e suas ações classe B, com direito a dez votos cada.

O interesse dos investidores veio do modelo de negócios, bem focado em crédito com garantia (consignado, antecipação do saque-aniversário do FGTS e outros). Nos últimos trimestres, cerca de 70% da originação da fintech foi do tipo de crédito colateralizado, o que é considerado um modelo mais seguro.

Uma inovação que pode ter ajudado a brilhar os olhos dos investidores foi o PIX Crédito em cartões de terceiros, onde o cliente usa parte do limite do cartão de outro banco para pagar via PicPay. O risco fica com o banco emissor do cartão; o juro com o PicPay. Entre os grandes players, só o PicPay oferece esse truque.

Hoje, cerca de um terço dos clientes da fintech tem principalidade, ou seja, usa o PicPay como banco principal. Esse público costuma movimentar mais de 50% da renda mensal pagando contas e fazendo compras pela plataforma, o que dá à empresa um raio-x detalhado do comportamento financeiro do cliente.

Com o sucesso do IPO, agora é ver como PICS vai se comportar nos pregões.

EARNINGS

MSFT: um trimestre de “IA vs. Margem”

O que passou tá ótimo: resultado sólido e acima das expectativas no trimestre da Microsoft.
O que vem pela frente… nem tanto: o guidance veio mais magro do que Wall Street queria e as ações chegaram a tombar 7% no after.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 81,27 bilhões, acima dos US$80,31 bi esperados

  • 🟢 Lucro por ação ajustado: US$4,14 x US$3,97 esperados

  • 🟡 Guidance: entre US$ 80,6 - 81,8 bilhões, em linha com o esperado

A Azure vem sendo o coração da tese de crescimento da MSFT e aumentou a receita em 39%. Parece bom, mas foi abaixo dos 40% do trimestre anterior — e menos do que os analistas sonhavam. E para o próximo, a projeção é de ficar entre 37-38%.

A margem segue abaixo do consenso porque os gastos tem subido. Assim como na Meta, a Microsoft investe pesado em Capex e bateu US$ 37,5 bilhões no período. É uma alta de 66%, mas Satya Nadella comemorou a adição de 1 GW em apenas três meses.

No balanço, dois números chamaram atenção: US$ 10 bi em “outras receitas” por ganho contábil com a diluição da fatia na OpenAI, e um backlog de US$ 625 bi, turbinado justamente pela OpenAI — que agora responde por 45% do total. Um empurrão gigante, mas também um grau de dependência que acende alerta.

Em resumo, a Microsoft continua crescendo, continua dominando a nuvem e continua na corrida da IA. Mas crescer custa caro, e o mercado não está muito paciente com as margens cada vez mais apertadas.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 12 | Compra: 45 | Neutro: 1 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$616,13 | Preço atual: US$ 481,63

CÂMBIO

R$ 4,40: o preço justo do dólar para Stuhl

O dólar tá caindo e pode cair ainda mais. É o que defende Luis Stuhlberger, o decano dos gestores brasileiros. Na conta dele, o “preço justo” da moeda americana hoje estaria em R$ 4,40, quase 20% abaixo dos R$ 5,20 atuais. O empurrão vem de Washington, com Trump defendendo que o dólar deve seguir desvalorizando.

Isso não significa que o câmbio vá cravar R$ 4,40 hoje. O próprio Stuhlberger faz questão de frear o entusiasmo: valor justo não é previsão. Mas a história mostra que, quando o Brasil entra em um ciclo de otimismo, o câmbio costuma convergir rápido e, às vezes, até passar do ponto.

Falando em otimismo, a alta da bolsa (que já sobe 14,63% no ano) foi puxada por um forte fluxo estrangeiro que busca uma diversificação fora dos EUA. Stuhl acha que esse movimento é tão grande que passa por cima do barulho eleitoral.

Apesar de todo esse pano de fundo, ele não recomenda mudanças bruscas de alocação. O fundo Verde aumentou opções de compra no real, mantém posição comprada em ouro e em uma cesta de moedas contra o dólar, mas segue cauteloso com ações.

STATS DO DIA

US$ 18 bilhões

Foi o volume recorde de remessas de lucros ao exterior que empresas operando no Brasil enviaram em dezembro de 2025. O motivo? A partir de 2026 entra em vigor a alíquota de 10% para todas as distribuições de lucros para acionistas não residentes.

Via Valor

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