Bom dia, Dropper!

Pensei no chuveiro: que o mercado financeiro já oferecia o produto “quase perfeito” para reserva de emergência, o Tesouro Selic. Agora, o bom ficou excelente com o lançamento do Tesouro Reserva, um título que é… Tesouro Selic, líquido, seguro e acessível desde R$ 1, mas com liquidez 24/7 e sem marcação a mercado.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• BTG: recorde no trimestre mais desafiador
• Petrobras: produção recorde, EBITDA frustrante
• Inter: lucro recorde, ROE acelerando
• Renner: vendas meh, margem wow

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a semana começou com o pé trocado, com o Ibovespa em queda, mesmo com Vale e Petrobras segurando as pontas. O setor financeiro foi o vilão da segunda-feira: Itaú caiu 2,25%, BTG recuou 2,88%, Santander -2,52% e Bradesco -2,69%… quando os bancões caem juntos, o Ibovespa é pressionado. O Focus também não ajudou: a projeção de IPCA para 2026 subiu pela 9a semana seguida, chegando a 4,91%.

Lá fora, Wall Street ignorou todos os ruídos e foi embora para as máximas. S&P 500 e Nasdaq renovaram recordes de fechamento, sustentados pela força das empresas de tecnologia e semicondutores, que estão fazendo o trabalho pesado enquanto o impasse no Oriente Médio continua sem solução. Amanhã temos o CPI de abril nos EUA, que é o primeiro dado de inflação que vai mostrar, de verdade, quanto a guerra com o Irã já contaminou os preços americanos.

BTG: recorde no trimestre mais desafiador

+42% de lucro enquanto o ano mal começou

Uma regra não escrita do mercado financeiro diz: o primeiro tri é o mais fraco pra quase todo setor. Se o ano só começa depois do carnaval, os primeiros meses são os que os analistas usam pra calibrar expectativas. Mas se toda regra tem uma exceção, o BTG fez questão de ser o do contra.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Lucro líquido ajustado: R$ 4,8 bilhões, crescimento de 42% na base anual

  • 🟢 Receita total: R$ 9,97 bilhões, recorde histórico, alta de 34% a/a.

  • 🟢 ROAE ajustado: 26,6%, contra 23,2% no mesmo trimestre do ano passado.

Os motores do resultado vieram de todos os lados, com os destaques:

  • Corporate Lending bateu mais um recorde, com R$ 2,32 bilhões em receitas (+21% a/a). Com os mercados de capitais mais fechados por conta da volatilidade global, as empresas migram para crédito bancário e o BTG absorveu esse fluxo com spreads saudáveis.

  • Wealth Management: R$ 1,51 bilhão em receitas, alta de 44,6% na base anual.

No lado das despesas, o índice de eficiência ficou em 38,1%, ou seja, de cada R$ 100 que o banco recebe, gasta R$ 38,10 para operar. Manter esse número estável enquanto cresce 34% de receita é o que separa crescimento sustentável de crescimento que vai dar dor de cabeça lá na frente.

O que o mercado vai olhar:

  1. Consignado e inadimplência no Pan: a carteira cresceu R$ 6,7 bilhões em um trimestre. Crédito consignado tem risco menor que outros produtos, mas o volume exige monitoramento.

  2. Amortização de ágio: R$ 432 mi no trimestre (+40% a.a.), elevada em função das aquisições recentes (Pan, Órama, Julius Baer Brasil, JGP, Justa…). Impacto contábil relevante, por isso o diferencial entre lucro contábil (R$ 4,57 bi) e ajustado (R$ 4,81 bi).

  3. Pipeline de Investment Banking: as receitas de IB foram de R$ 628 milhões, 9% abaixo do 4T’25. A reabertura da janela de IPOs e M&A vai determinar se essa linha vai voltar a acelerar nos próximos trimestres.

Resumo: um banco que bate recorde no pior trimestre do ano, mantém eficiência enquanto cresce e ainda tem combustível novo com o Banco Pan. Se o BTG performa assim no pior cenário, o futuro com uma janela de capitais mais aberta pode dar ainda mais alegria.

Recomendação dos analistas:

Compra: 10 | Neutro: 3 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 66,05 | Preço atual: R$ 56,96

MACRO/AÇÕES

  • Investimentos: chineses no Brasil somam US$ 6,1 bi em 2025, maior valor em sete anos.

  • Saneamento: o próximo grande negócio pode estar no lixo.

  • ICMS: São Paulo aplica multa recorde de R$ 1 bilhão à Fast Shop.

  • Fed: Goldman e BofA adiam projeção de queda dos juros nos EUA.

  • SmartFit: receita cresce +25%, com EBITDA subindo +29%.

  • Magazine Luiza: preserva margem, cresce vendas nas lojas físicas, mas tem prejuízo.

  • Allos: projeta R$ 540 mi em receitas com 72 torres de ‘minicidades’ em shoppings.

  • Vibra: amplia margem e importações em tri “atípico” com guerra no Irã.

  • Intelbras: bate a expectativa de mercado pelo segundo tri consecutivo.

  • McDonald's: CEO afirma que o consumo pode "piorar um pouco".

  • Elo: retoma plano de IPO e pode fazer oferta de ações ainda este ano.

Petrobras: produção recorde, EBITDA frustrante

defasagem fez o fluxo de caixa livre cair 22,9%

No tema Petrobras, a produção forte era bem esperada: pré-sal fluindo, Brent subindo 6,5%, real valorizado. Mas quando os números saíram ontem à noite, o mercado viu que a conta não fechou como esperado.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Produção total: 3,225 milhões de barris equivalentes/dia, crescendo 16,1% a/a e novo recorde histórico.

  • 🔴 EBITDA ajustado: R$ 59,6 bilhões, x R$ 64,5 bilhões esperados.

  • 🔴 Fluxo de caixa livre: R$ 20,1 bilhões, caindo 22,9% na base anual.

O problema: o EBITDA, -7,5% abaixo do que o mercado esperava. Parece que a empresa perdeu uma janela para capturar o rally do petróleo porque segurou os preços domésticos de gasolina enquanto o Brent subia lá fora.

A atenção: petróleo é exportação com defasagem. Você embarca hoje, mas só reconhece a receita quando a carga chega no destino - e a Petrobras terminou o trimestre com 81 mil barris por dia em trânsito. O efeito no capital de giro foi negativo em R$ 6,9 bilhões, com fluxo de caixa operacional caindo 10,9% e fluxo de caixa livre despencando 22,9%.

O lado bom: enquanto o caixa apertava, a operação brilhava. A Petrobras produziu 3,225 milhões de barris equivalentes por dia no trimestre, 16,1% a mais que um ano atrás.

O que o mercado vai olhar

  1. Materialização da receita defasada no 2T’26: os 81 mil barris/dia em trânsito + o efeito dos preços do petróleo em US$ 100-120/bbl (conflito Irã-EUA) devem virar receita agora.

  2. Dividendos: a empresa aprovou R$ 9 bilhões em proventos e a pergunta é se vai ter distribuição de dividendos extraordinários. O Citi e o Morgan Stanley acham que sim, se o fluxo de caixa livre confirmar as vendas.

  3. Política de preços de combustíveis: a empresa segurou os preços domésticos enquanto o Brent subia. Isso comprimiu a margem de refino e deixou dinheiro na mesa. Até quando a empresa segura?

A Petrobras entregou um 1T’26 tecnicamente bom: lucro em linha, produção recorde, dívida sob controle (1,43x dívida líquida/EBITDA). Mas a diferença entre o bom e o excelente está nos US$ 5 bilhões de EBITDA que não apareceram.

Recomendação dos analistas:

Compra: 10 | Neutro: 4 | Venda: 1

Preço-alvo médio: R$ 51,70| Preço atual: R$ 46,43

STATS DO DIA

200 mil

Foi a multa que o ex-jogador Piqué recebeu por insider trading na compra de ações da empresa– Aspy Global Services em janeiro de 2021. #wakawaka

Via ValorEconômico

Inter: lucro recorde, ROE acelerando

banco sente o preço do crescimento

Quando o Inter foi para a Nasdaq, muita gente na Faria Lima torceu o nariz: "fintech bonitinha, mas não dá lucro." Dois anos depois, o banco está com R$ 395 milhões de lucro em um único trimestre.. mais do que lucrou no ano inteiro de 2023.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Lucro Líquido: R$ 395 milhões, crescendo 37,8% a/a. Recorde histórico da companhia.

  • 🔴 ROE: 15,5%, crescendo, mas abaixo dos bancões.

  • 🔴 NPL > 90 dias: 5,1%, subindo 0,4 p.p. no trimestre.

O destaque do tri foi a carteira de crédito, que bateu R$ 50 bilhões, crescendo 33% na base anual. Para contextualizar, o mercado de crédito brasileiro cresceu cerca de 10% no mesmo período, ou seja, o Inter rodou 3x acima do mercado.

A Selic alta, que seria o vilão de qualquer história de crédito, aqui é coadjuvante favorável: o banco capta a 64% do CDI e empresta a taxas de mercado.

Do lado dos clientes, os números também impressionam: 44 milhões, taxa de ativação recorde de 58,6% - quase 6 em cada 10 clientes usando o banco de verdade, não só tendo a conta aberta. O Pix do Inter já tem cerca de 9% de market share nacional em volume.

O que o mercado olhou

  • NPL: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,1% (+0,4 p.p. no trimestre). O Inter explica com o consignado privado, que tem custo de risco maior no início.

  • Basileia comprimindo: o índice caiu de 14,7% (1T’25) para 14,0% agora. O banco está crescendo mais rápido do que gera capital. A emissão de R$ 300 milhões em letras financeiras vai ajudar, mas o ritmo de expansão vai exigir atenção.

  • ROE abaixo do esperado: o banco subiu 15,5%, mas permanece ainda bem distante dos bancões, que rodam acima dos 20%.

  • Guidance: o mercado se pergunta se o plano 60-30-30 vai ser revisado, mantido ou acelerado.

O momento do Inter mostra que os céticos mudaram o argumento. A dúvida agora está na velocidade e na sustentabilidade do crescimento: conseguem chegar nos 20% de ROE sem comprometer a qualidade da carteira?

Para o BTG, os investidores estão jogando a toalha - por não ser o digital mais barato e nem o mais premium - e as ações caem +15% na semana.

Recomendação dos analistas:

Compra: 5 | Neutro: 2 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 57,59 | Preço atual: R$ 29,36

DECIFRANDO O CONDADO

Índice de Basileia

É uma espécie de “teste de resistência” dos bancos, que mede o quanto de capital próprio eles têm em relação aos riscos que estão assumindo ao emprestar dinheiro e operar no mercado.

Quanto maior o índice, mais capitalizada e segura tende a ser a instituição; quanto menor, maior o risco.

Reguladores usam esse indicador para garantir a solidez do sistema financeiro. O limite oficial atual é de um piso de 10,5%.

Renner: vendas meh, margem wow

avanço nas receitas com margem bruta recorde

A Lojas Renner entregou um trimestre que pode ser resumido assim: vendas decepcionantes, margem surpreendente e um centro de distribuição que ganhou papel de protagonista no comunicado - a empresa culpou a transição digital do CD, que teria tirado 1 p.p das vendas e só foi concluída no fim de fevereiro.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Margem bruta: de vestuário bateu 58%, crescendo 1,9 p.p. com o maior ganho entre os pares.

  • 🟢 EBITDA consolidado: superou expectativas em 4%, com ajuda da Realize.

  • 🔴 Vendas nas mesmas lojas (SSS): +3% em vestuário, abaixo de C&A (+5%) e Riachuelo (+10%).

Apesar das vendas mornas, a Renner entregou margem bruta de vestuário em 58%. Esse desempenho de margem, somado a um SG&A controlado e melhores resultados na Realize (a financeira da empresa), levou o EBITDA consolidado a superar as expectativas em 4%.

Pontos interessantes merecem destaque:

  • Guidance mantido: apesar das vendas mais fracas, a empresa reiterou as projeções para o ano inteiro.

  • Eficiência: a administração mencionou que iniciativas de redução de custos devem ser implementadas a partir do segundo semestre, ajudando a diluir SG&A.

  • Ticket médio: subiu 4%, com os clientes levando menos itens, mas gastando mais por compra.

A tese da Renner continua viva com o novo modelo de negócios (mais aposta nas lojas físicas) prometendo destravar ganhos - e as iniciativas de eficiência devem melhorar a rentabilidade no segundo semestre. Mas para os investidores ficarem realmente confortáveis, a empresa precisa provar que consegue crescer de novo.

Recomendação dos analistas:

Compra: 11 | Neutro: 4 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 19,31 | Preço atual: R$ 13,78

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