Bom dia, Droppers! Na teoria, a prática é outra: o mercado financeiro deveria ser o ápice da eficiência e da meritocracia, onde o preço reflete todas as informações disponíveis e a regulação garante que ninguém largue na frente. Mas parece que a "mão invisível" do mercado tem nome, sobrenome e acesso ao rascunho do Truth Social. US$ 580 milhões foram apostados 15 minutos antes de um anúncio que faz o petróleo despencar.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Alibaba: trocando margem por IA
• Ouro: do brilho às bad vibes
• Panvel: execução também cura resultado fraco
• Incentivadas: esperando os incentivos

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a semana passada acabou tensa e sem happy hour na Faria Lima, com o Ibovespa caindo 2,25% na sexta. Mas ontem o índice seguiu o resto do mundo e subiu 3,24% (a segunda maior valorização do ano), com destaque pras ações cíclicas domésticas. Só uma ação do Ibovespa caiu ontem: a Prio, impactada pela drástica queda do petróleo.

Lá fora, o otimismo tomou conta após Donald Trump falar que estava tendo boas e produtivas conversas com o Irã — que não foram confirmadas pelo outro lado. Seria mais um caso de TACO Trader? Independente, foi o suficiente para o petróleo derreter, caindo mais de -10% e jogar uma onda de good vibes no mercado, levando os índices a fechar em forte alta.

Alibaba troca margem por IA

Trimestre fecha abaixo das expectativas, com lucro caindo 66%

O maior e-commerce da China fechou 2025 tentando convencer o mercado de que transformação e IA são a chave para o futuro… mas o presente deixou a desejar e acendeu um alerta na cabeça de todo mundo.

Os números do trimestre:

  • 🔴 Receita: 284,8 bilhões de yuans x 290,7 bilhões esperados

  • 🔴 Lucro Líquido: 15 bilhões de yuans, caindo 66% no ano

  • 🔴 Lucro por ação: US$ 0,74 abaixo do US$ 1 estimado.

A explicação é direta (e igual a quase todas): mais investimento agora para garantir relevância depois. A Alibaba aumentou os gastos em quick commerce, UX e, principalmente, IA. Na prática, está trocando margem por posicionamento estratégico e isso costuma testar a paciência dos investidores.

→ O único ponto positivo: a divisão de cloud cresceu 36%, atingindo 43,3 bilhões de yuans, impulsionada justamente pela demanda por produtos ligados à IA.

Também há bastante investimento para avançar em iniciativas como o “agentic commerce”, que pretende transformar chatbots em vendedores completos, capazes de conversar, recomendar produtos e fechar transações.

O mercado costuma ser menos paciente com histórias de longo prazo quando o curto prazo começa a escorregar. E foi exatamente essa sensação que ficou: a Alibaba pode até estar construindo seu próximo grande ciclo de crescimento, mas, por enquanto, quem está pagando essa conta é o lucro.

Recomendação dos analistas:

Compra: 38 | Neutro: 3 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 191,11 | Preço atual: US$ 126,06

Macro / Ações

  • Tesouro: faz maior intervenção em 13 anos.

  • Paraguai: como o país entrou no radar de Wall St e virou ímã para investidores.

  • ITCMD: novas regras colocam custo da herança em xeque.

  • Dívidas: queda mais lenta da Selic traz desafio extra para empresas endividadas.

  • FGC: inicia pagamento aos credores do Banco Pleno.

  • Westwing: propõe redução de capital, após entrada de novos investidores.

  • B3: Gilson Finkelsztain deixa o cargo de CEO para assumir no Santander.

  • PicPay: a queda depois do balanço.

  • Claro: compra a Desktop por R$ 4 bilhões.

  • Danone: adquire fabricante de shakes, por cerca de US$ 1,2 bilhão.

  • Petrobras: é a petroleira que mais se valoriza entre as grandes desde o início da guerra.

  • PetroReconcavo: divulga resultados do 4T’25 e decepciona.

  • BTG Pactual: suspende operações com Pix após identificar desvio de cerca de R$ 100 mi.

  • Mastercard: tem impacto bilionário no Brasil com colapso do Master.

Ouro: do brilho às bad vibes

O metal precioso caiu 20% em meio às instabilidades globais

Guerra no Irã, medo de estagflação, inflação voltando a ser assunto com o petróleo nas alturas… o combo perfeito pra qualquer investidor sair correndo pro “porto-seguro dourado”. Só que tem um detalhe curioso: o ouro não está tão seguro mais.

Depois de anos brilhando, o metal precioso entrou numa fase meio “bad vibes”. Caiu cerca de 20% desde o topo em janeiro e chegou a flertar com o bear market, incluindo uma queda de 10% em uma única semana — a pior em 14 anos.

O que aconteceu? O narrativa foi mudando:

  • Taxas de juros: dispararam ao redor do mundo e, como ouro não paga nada, ele acabou ficando menos atraente.

  • Dólar: ganhou força, como geralmente ganha em momentos de tensão, e ouro e dólar costumam jogar em lados opostos.

  • Banco centrais: que vinham comprando ouro como se não houvesse amanhã, podem estar vendendo parte das reservas pra bancar o custo mais alto do petróleo.

E claro, também o fator humano: depois de subir 60% em 2025, muita gente resolveu embolsar o lucro e sair de fininho. Além disso, entrou em cena o famoso “TACO Trade”, e se o mercado acredita que a tensão vai diminuir, a pressa por proteção cai junto.

Enquanto uns choram, outros vendem lenço: e quem está aproveitando são as ações. A relação entre o S&P 500 e o ouro subiu forte desde o início do conflito, indicando que, mesmo com todo o barulho geopolítico, o mercado ainda está mais otimista.

No fim, a mensagem é meio contraintuitiva: talvez o problema não seja o ouro… mas sim o fato de que os investidores não estão tão assustados quanto deveriam. Ou estão apostando que o susto passa.

PS: o ouro perdeu US$ 6,8 trilhões em valor de mercado em apenas 4 dias de negociação.

DECIFRANDO O CONDADO

TACO trader

Trump Always Chickens Out

É o modus operandi que investidores adotam, apostando que decisões mais duras de Trump vão acabar sendo suavizadas na última hora (como aconteceu ontem com o Irã e com o ciclo “coloca-tarifa-tira-tarifa).

Na prática, é o investidor que compra risco quando o pânico bate, confiando que Donald Trump sempre vai recuar no último minuto.

Funciona… até não funcionar.

Panvel: execução também cura resultado fraco

Lucro recorde e plano de dobrar de novo a receita

A Panvel mostrou que execução bem feita também é um baita remédio pra curar resultado fraco. Com 659 lojas no sul, a empresa dobrou o faturamento entre 2020-2025 e agora quer dobrar de novo — isso enquanto chega perto das mil lojas e expande para o Brasil todo.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: R$ 1,68 bilhão, subindo 16,3% na base anual.

  • 🟢 Lucro Líquido: R$ 42,7 milhões, subindo 35%.

  • 🟢 Vendas por loja: média de R$ 849 mil por mês, novo recorde.

Pra chegar no cenário verdinho do report, a Panvel contou com vários motores de crescimento juntos:

Volume: cresceu mais em vendas totais do que no preço em si — um contraste com parte da concorrência, que tem crescido mais no “reajuste silencioso” do ticket médio.
Online: subiu 54,6% no trimestre e já representa 28,6% do total.
Marcas próprias: tem 1.200 produtos no portfólio, que já somam 8,4% da receita (com mais margem).

Combinando isso com uma boa dose de disciplina nos custos, a Panvel chegou a um novo patamar de rentabilidade. O EBITDA ajustado subiu 27,9%, no melhor nível dos últimos cinco anos.

Agora, com a casa arrumada e o modelo mais enxuto, o plano parece ser claro: crescer mais, só que dessa vez, com margem junto. A ação já sobe +20% no ano e incríveis 68,68% nos últimos 12 meses.

PS: a ideia é abrir cerca de 45 lojas por ano.

Recomendação dos analistas:

Compra: 4 | Neutro: 1 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 18,80 | Preço atual: R$ 14,49

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Incentivadas esperando os incentivos

O mercado segue esperando uma definição mais clara de preços antes de emitir

As debêntures incentivadas — as queridinhas do investidor que adora um ativo isento de IR — começaram 2026 meio fora de ritmo. E não foi por falta de compasso: o calendário de leilões de infraestrutura está mais cheio que agenda de ministro, mas as emissões estão ficando para depois.

Em 2025, o mercado bateu recorde com R$ 177,9 bilhões emitidos, segundo a ANBIMA. Já 2026 começou com o pé no freio: só R$ 14,8 bi em janeiro e fevereiro (abaixo dos R$ 25 bi do ano passado). E a tendência é continuar assim, mesmo com bilhões em projetos na fila.

Os motivos: um combo clássico de incertezas desde a eleição presidencial até dúvidas sobre o patamar dos juros, que criaram um ambiente onde ninguém sabe muito bem qual preço cobrar (ou pagar).

Resultado: empresas preferem esperar e os investidores ficam mais seletivos. Pra piorar, os bancos ainda estão de ressaca do fim de 2025, quando houve uma corrida para emitir debêntures antes de um possível fim da isenção (que não aconteceu).

A consequência: o setor vai se virando como dá. Fundos como Kinea e Opportunity estão entrando como sócios nos projetos, e empresas recorrem a estruturas alternativas, tipo capital híbrido, para não estourar o limite de endividamento.

Em mercado de dívida, quando ninguém sabe direito qual é o preço… o melhor negócio costuma ser esperar. Com uma visibilidade melhor nos juros, esse mercado tende a destravar… mas até lá as debêntures incentivadas seguem esperando os próximos incentivos.

17,5%

é o retorno mínimo garantido que a OpenAI está prometendo para levantar capital privado, além de acesso antecipado a novos modelos.

Via Reuters

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