Bom dia Droppers.

Pensei no chuveiro: que inclusão financeira é uma coisa linda, mas só até virar uma lição prática e forçada sobre liquidação extrajudicial.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Netflix: trimestre de recordes
• Fintechs: onde está o Wally Will?
• Trump 2.0: do blockbuster cripto ao drama de mercado
• Japão a 4%: o despertar que assustou Wall Street

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, com certeza não sobrou um garçom triste perto da Faria Lima. O Ibovespa subiu nada menos que 5.500 pontos de uma só vez e atingiu pela primeira vez na história as marcas de 168 mil, 169 mil, 170 mil, 171 mil e 172 mil, tudo no mesmo dia. O volume também chamou a atenção, com R$ 43,3 bilhões nas negociações, o que significa mais que o dobro do volume habitual e sinaliza que muita grana estrangeira chegou no Brasil ontem.

Lá fora, a semana foi americana mas o resultado foi de montanha-russa. O medo geral chegou a derrubar toda a alta do ano no S&P 500, mas ontem uma alta significativa apagou a perda toda e deixou o índice de volta no positivo – graças a falas de Trump, que disse que não vai escalar as tarifas com a Europa (conhecidas como TACO) e de que chegou em um acordo sobre a Groenlândia com o secretário-geral da OTAN. Com toda essa volatilidade, o VIX, índice do medo, chegou nos 20 pela primeira vez desde novembro do ano passado.

VISUAL

Netflix: trimestre de recordes

Os novos clientes e os 15 bilhões de minutos assistidos do final de Stranger Things ajudaram a Netflix a chegar à marca recorde de 325 milhões de assinantes pagantes – e entregar resultado positivo no trimestre. Foi por pouco, mas ficou no verde.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 12,05 bilhões x US$ 11,97 bilhões esperados

  • 🟢 Lucro Líquido: US$ 2,42 bilhões, crescendo 29,4% no ano

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 0,56 x US$ 0,55 esperados

  • 🟡 Guidance: receita para 2026 entre US$ 50,7-51,7 bilhões.

Quem puxou o crescimento de 18% na comparação anual foram três motores já bem conhecidos: mais assinantes, mensalidades mais salgadas e publicidade em alta – em 2025 a receita de ads mais que dobrou, passou de US$ 1,5 bilhão e deve repetir a dose em 2026.

Reação da bolsa: com os números na mesa e com as incertezas globais, a ação chegou a cair 8% depois da divulgação. Parte disso tem relação com as expectativas infladas: relatórios anteriores falavam em metas mais ousadas, e o crescimento apresentado agora soou mais modesto.

Na teleconferência, os executivos reconheceram que a disputa por audiência e rentabilidade está cada vez mais feroz. O co-CEO Ted Sarandos resumiu o roteiro da empresa daqui pra frente: foco em melhorar o “produto principal”, com mais variedade e qualidade de séries e filmes.

E tem mais pimenta chegando na história, com a Netflix avisando que vai pausar a recompra de ações pra tentar comprar a Warner Bros 100% em dinheiro. Sarandos jura que o negócio é pró-consumidor, pró-inovação e pró-emprego, e que a ideia é expandir a criação de conteúdo, não enxugá-la.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 8 | Compra: 22 | Neutro: 14 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 118,77 | Preço atual: US$ 85,36

MACRO/AÇÕES
  • Automóveis: fatia da China na venda de veículos no Brasil pode dobrar até 2030.

  • Bets: número de apostadores dobra no Brasil em um ano, e parte já corta gastos essenciais pra financiar o tigrinho as apostas.

  • Nubank: desbanca Itaú BBA e XP e leva naming rights do Ironman no Brasil.

  • Sabesb: recebe aprovação do CADE para a aquisição da Emae.

  • PicPay: prospecto do IPO define um price range entre US$ 16 e US$ 19 por ação.

  • Petrobras: assina contratos de R$ 2,8 bilhões com 3 estaleiros.

  • Vale: unidade de metais básicos quer produzir 1 milhão de toneladas.

  • Intel: subiu +11,72%, chegando nas máximas dos últimos anos.

  • 3M: divulga o impacto das tarifas de Trump e suas ações despencam.

  • Xerox: caiu 10,36% depois que anunciaram planos para uma oferta de títulos no valor de US$ 250 milhões.

  • Oi: justiça prorroga suspensão de obrigações por 90 dias

BRASIL

Onde está o Wally Will?

Na planilha do FGC!

Deu ruim pro Will Bank, que ontem teve o ponto final anunciado por uma liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. O negócio já não estava passando muita confiança por estar no guarda-chuva do Banco Master, mas piorou porque parou de pagar a Mastercard e acabou bloqueada pela bandeira.

O BC resumiu assim: a liquidação tornou-se “inevitável” diante do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo direto com o Banco Master, que exercia o controle da operação.

Ou seja: não dava mais pra ficar empurrando o problema.

No caso do Will, o impacto é ainda mais sensível porque a fintech tinha foco nas classes C, D e E. Para alguns clientes, ali podia estar a poupança de uma vida inteira, o que torna o congelamento ou qualquer atraso no ressarcimento um problema real.

A liquidação fecha um capítulo melancólico de uma startup que, por um bom tempo, parecia uma história de sucesso. Ela cresceu forte no Nordeste, focado em clientes de baixa renda e não bancarizados, levantou R$ 250 milhões com XP e Atmos e virou figurinha fácil em campanhas estreladas por Pabllo Vittar, Whindersson e Vini malvadeza Jr. Só que…

→ Em 2023 as mudanças nas regras de capital mínimo do BC desenquadraram o Will
→ No mesmo ano a Atmos foi embora
→ Em 2024 o braço de Private Equity da XP também foi
→ Depois o Banco Master e assumiu a parada.
→ 2025 acabou daquele jeito
→ 2026 começou pior…

E assim como rolou com o Master, o desfecho aqui também pesa no bolso do FGC. No sábado, o fundo informou que os pagamentos aos credores do Banco Master devem chegar a R$ 40,6 bilhões – só os depósitos a prazo do Will Bank somavam ~R$ 6,5 bilhões.

Você tinha Will Bank na sua carteira?

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CRIPTO

Trump 2.0: do blockbuster cripto ao drama de mercado

Um ano atrás, a posse de Trump 2.0 foi tratada pelo mercado cripto como a estreia de um blockbuster: trilha épica, promessa de final feliz e bitcoin “to the moon”. Corta para doze meses depois, e o filme passou a ser classificado como Drama, com menos foguetinhos e mais volatilidade.

O começo de um sonho: no dia da posse de Trump o BTC cravou a máxima de US$ 109 mil e chegou aos US$ 125 mil em outubro.
Deu tudo errado: depois de tudo isso a moeda amargou uma queda de 18% e hoje está rondando os US$ 90 mil.

Entre tarifas, ruídos e sustos – como US$ 780 milhões em liquidações em um único episódio – o entusiasmo virou preocupação. O mercado também encolheu de US$ 3,36 trilhões pra ~US$ 3,14 trilhões. Quem certamente não perdeu foi a família Trump, que engordou o patrimônio em cerca de US$ 1,4 bilhão com ativos digitais.

Para 2026, as apostas continuam, mas com menos euforia. Alguns bancos ainda veem espaço para novos recordes, outros pregam cautela. O mercado está mais “limpo”, com menos alavancagem, o que historicamente costuma preceder grandes fundos, mas isso não quer dizer que o final é feliz.

A lição desse último ano é simples e pouco glamourosa: apoio político rende manchete, mas não sustenta o mercado. No fim das contas, até no mundo cripto vale aquele aviso clássico de que rentabilidade passada não significa retorno automático no futuro.

PS: mês passado, o HASH11, o primeiro ETF de cripto listado na B3, ficou entre os top 10 mais negociados aqui no Brasil, com volume médio diário de R$ 27,4 milhões.

MUNDO

Japão a 4%: o despertar que assustou Wall Street

O pacífico e calmo mercado de títulos do Japão resolveu despertar agitado de uma vez só. Começou com uma venda forte empurrando o rendimento do título de 40 anos subindo pra +4% (o maior desde a criação em 2007) e marcando a primeira vez em mais de 30 anos que um título soberano japonês cruza essa marca.

Para um mercado conhecido por não fazer absolutamente nada, isso foi muita coisa e a mensagem é clara: um dos maiores “amortecedores” de liquidez do mundo pode estar saindo de cena… e isso não é um problema só de Tóquio. Principalmente porque reacende um velho conhecido dos mercados: o estresse no carry trade financiado em iene.

Carry trade funciona assim: o investidor pega dinheiro emprestado no Japão, onde os juros são historicamente baixíssimos, e aplica esse capital em mercados que pagam mais – EUA, emergentes, bolsa, cripto, o que estiver rendendo.

E aí que o problema extrapola Tóquio. Com os juros domésticos mais atraentes, parte do ~US$ 1 trilhão que investidores japoneses mandam pra fora pode decidir “ficar em casa”, o que tende a pressionar os rendimentos dos títulos internacionais para cima. As opções do Banco do Japão não são exatamente confortáveis:

  1. Retomar um controle rígido pode jogar a pressão direto para o câmbio;

  2. Apertar demais a política pode distorcer o mercado e abalar a confiança.

Qualquer que seja o caminho escolhido, o destino parece o mesmo: menos liquidez global, e um mundo um pouco menos anestesiado por dinheiro barato.

STATS DO DIA

R$ 7,7 bilhões

foi o quanto os brasileiros gastaram com as 3 principais canetas emagrecedoras em 2025.

Já com a caneta dropadora foram R$ 0,00, porque é de graça (e sempre será!). Indica pros amigos!

Via Globo

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