Bom dia Droppers.

Pensei no chuveiro: que o valor de mercado total de TODAS as empresas listadas na B3 é de ~US$ 867 bilhões. Isso significa que os +US$ 400 bilhões de receita anual do Google representam quase metade do valor de mercado de todas as empresas brasileiras listadas juntas.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Alphabet: lucros e receios no Google
• Emergentes: do banco de reservas ao jogo
• Itaú: o maior lucro da história de um banco brazuca
SaaSpocalipse: o banho de sangue no mercado de software

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, foi dia de tomar calmante porque os dias de alta tiveram uma parada brusca depois que começou a temporada de balanços. Santander foi o abre-alas e divulgou níveis de inadimplência que colocaram uma pulga atrás da orelha dos investidores — e pesou o clima em todo o setor bancário, que pesa bastante no Ibovespa. Com tudo isso, o índice teve a maior queda desde o FlavioDay no início de dezembro.

Lá fora, as quedas no setor de software continuaram a pressionar os índices para baixo. Nos dados econômicos, o relatório de empregos privados da ADP ficou bem abaixo das expectativas, o que ajudou a não melhorar os ânimos do mercado. O índice do Medo & Ganância entrou pela primeira vez no campo do Medo no ano.

VISUAL

Alphabet: lucros e receios no Google

Google, um tiozão de 28 anos de idade, com um portfólio de produtos que permeia tudo quanto é indústria, basicamente imune à concorrência, resistente até mesmo contra órgãos reguladores e... crescendo em um ritmo e escala sem precedentes. A Alphabet entregou Lucro, Receita e Crescimento acima do esperado — e mesmo assim caiu ~2% no after market.

O gabarito resultado do trimestre da gigante tech:

  • 🟢 Receita: US$ 113,8 bilhões x US$ 111,4 bilhões esperados

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 2,82 x US$ 2,64 esperados

  • 🟢 Google Cloud: US$ 17,7 bi, bem acima dos US$ 16,2 bi esperados

  • 🔴 Ads no YouTube: US$ 11,38 bi, abaixo dos US$ 11,84 bi esperados

Mesmo deste tamanho, no agregado, a Alphabet conseguiu crescer a receita em quase 18% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido saltou 30%, chegando a US$ 34,5 bilhões.

The bad: o calcanhar de Aquiles veio do YouTube - que cresceu a receita de anúncio em “apenas” 9% e decepcionou as expectativas dos analistas.

The good: o Google Cloud brilhou - a divisão cresceu quase 48% em um ano e viu seu backlog explodir 55%, chegando a US$ 240 bilhões.

The susto: o susto ficou com o cheque de IA - a empresa espera gastar entre US$ 175-185 bilhões em capex em 2026, o dobro do gasto de 2025.

Tanto investimento em IA não veio a toa: o app Gemini já soma mais de 750 milhões de usuários mensais (no trimestre anterior eram 650). E junto com crescimento de usuários veio o crescimento de eficiência - os custos para rodar o Gemini caíram 78% em 2025.

No fim, um dos balanços mais esperados pelo mercado entregou números fortes, mostrou que o Cloud e a IA seguem acelerando, mas deixou claro que o futuro vai exigir investimentos gigantescos. O mercado gosta do crescimento, só não gostou do tamanho do cheque.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 12 | Compra: 47 | Neutro: 8 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 346,32 | Preço atual: US$ 333,01

MACRO/AÇÕES
  • BC: ata da última reunião do Copom indica corte de juros para março.

  • IPOs: semana agitada com 8 debutantes lá fora.

  • Bitcoin: chegou a cair para as mínimas dos últimos 16 meses.

  • FIIs: a volta do home-office.

  • AMD: preocupações sobre as projeções fazem papel cair 17%.

  • Santander: tem lucro em linha com projeção e rentabilidade de 17,6%.

  • Eli Lilly: supera as expectativas e empolga com guidance, com vendas do Zepbound e Mounjaro em alta.

  • PayPal: demite CEO depois de resultado fraco.

  • PepsiCo: bate a expectativa e tem estratégia de corte de preços para crescer em 2026.

  • Hypera: anuncia aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão.

  • C6 Bank: cresce carteira de crédito e lucra R$ 2,46 bilhões.

  • Copasa: governo de Minas divulga documentos com a modelagem da privatização.

  • Ecorodovias: família CR Almeida vende 7,5% em bloco de R$ 500 milhões.

  • Uber: entrega aumento de 20% na receita, mas divulga uma previsão de lucro moderada.

ETFs

Emergentes: do banco de reservas ao jogo

Depois de anos no banco de reservas, os mercados emergentes voltaram para o jogo. O fluxo de dinheiro para ETFs focados neles já chegaram a 15 semanas seguidas de aportes positivos, somando respeitáveis US$ 42,8 bilhões. Em janeiro, o MSCI Emerging Markets subiu 8,8%, o melhor começo de ano desde 2012!

O grande motivo para todo esse fluxo foi um combo nada trivial: mais incertezas nos EUA + dólar mais fraco. Mas, como os emergentes ficaram por tanto tempo no escanteio, esse movimento parece mais uma recomposição do que uma empolgação extrema com a região.

Entre os ETFs EM, os destaques ficaram com:

  • IEMG (iShares Core MSCI Emerging Markets ETF): um gigante de US$ 139 bilhões, que captou US$ 8,9 bilhões só em janeiro — o maior fluxo mensal desde sua criação em 2012.

  • EEM (iShares MSCI Emerging Markets ETF): captou US$ 4,3 bilhões em entradas.

Para a UBS, o rali ainda não acabou. O banco vê espaço para que os ativos de mercados emergentes sigam performando ao longo do ano, puxados por novos fluxos.

A palavra-chave para 2026 é uma só: diversificação — e ela tende a jogar a favor de emergentes da Ásia à América Latina, especialmente porque muitos investidores ainda estão subalocados nessas regiões.

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EARNINGS

Itaú: o maior lucro da história de um banco BR

“Ganhar muito e sempre”, esse deveria ser o lema do laranjinha. Mesmo em meio a um ambiente incerto, o Itaú não apenas bateu o próprio recorde como também registrou o maior lucro da HISTÓRIA de um banco brasileiro. Foram basicamente R$ 5,3 milhões de lucro por hora (em média) durante todos os dias do último trimestre.

Nos últimos 12 meses as ações do banco subiram 50%, chegando em um valor de mercado de R$ 472,35 bilhões e mantendo o título de maior banco brasileiro com, valendo mais que o dobro do segundo colocado (Bradesco) e quase o triplo do terceiro colocado (Santander).

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: R$ 47,5 bilhões, crescendo 7,9% no ano.

  • 🟢 Lucro Líquido: R$ 12,3 bilhões x R$ 12,16 bilhões esperados.

  • 🟢 ROE: 24,4%, acima dos 23,3% do trimestre anterior.

Pra 2026, o guidance segue deixando investidores felizes, mesmo sem expectativas de crescimento tão fortes — não dá pra ignorar que ano de eleição sempre dá um frio na barriga.

Aceleração no crédito: a carteira chegou a R$ 1,49 trilhão em dezembro, alta de 6,3% no trimestre. Já o custo de crédito deve ficar entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
Inadimplência controlada: estável em 1,9% — abaixo do patamar de um ano atrás. Mesmo com leve alta trimestral, o custo de crédito caiu quase 9% na comparação anual, sinalizando um ciclo ainda bastante saudável.

Para parte dos analistas, o guidance mais cauteloso não surpreende. Mas o Itaú segue entregando rentabilidade consistente e acionando várias alavancas ao mesmo tempo.

PS: às 10h vai rolar o call de apresentação de resultados.
PS2: o Itaú distribuiu R$ 33,7 bilhões entre JCP e dividendos em 2025, com payout de 72%.

Recomendação dos analistas:

Compra: 11 | Neutro: 2 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 44,48 | Preço atual: R$ 44,62

TECH

SaaSpocalipse: o banho de sangue no mercado de software

Em 2011, Marc Andreessen cravou: “Software is eating the world” — empresas de software engoliriam praticamente todos os setores da economia, substituindo modelos tradicionais por soluções digitais mais baratas, escaláveis e eficientes. Mas a IA trouxe o medo: e se a ela comer o software?

O resultado foi um verdadeiro ataque de pânico que varreu ~US$ 300 bilhões em valor de mercado de empresas de software

O que antes era caro de copiar e muito escalável começa a virar commodity. Novos modelos de IA derrubam barreiras, encurtam ciclos e apertam margens. Se a IA avançar no ritmo prometido por OpenAI e Anthropic, todo “software que faz tarefa repetitiva” entra direto na zona de risco.

O estrago foi suficiente para puxar o Nasdaq e o S&P 500 para baixo, enquanto o Dow Jones, menos exposto a tecnologia, saiu ileso. Curiosamente, a venda não foi generalizada: mais da metade dos setores do S&P fechou em alta. O medo tinha alvo bem definido: as empresas de software, que é o pior setor em performance no ano.

As empresas do setor se defendem dizendo que escrever código é só a parte fácil. e que o valor estaria na confiança, nos dados proprietários e na integração com sistemas críticos. O mercado, porém, não parece disposto a esperar a tese amadurecer.

PS: o múltiplo P/L 12 meses do setor saiu de 33,1x para 23,2x.

PS2: aqui no Brasil, a TOTVs, principal empresa de software listada, não saiu ilesa e caiu -12,89%.

STATS DO DIA

3,77 milhões

foi o número de barris de petróleo que o Brasil produziu por dia em 2025. O valor é um recorde histórico e representa crescimento de 12,3% no ano. Recorde também para o gás natural, que subiu 17% e chegou a 179 milhões de metros cúbicos por dia.

Via UOL

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