
Bom dia, {{name | droppers}}! Pensei no chuveiro: que na teoria o objetivo de muita startup é abrir capital, fazer um IPO bilionário e dar liquidez pra quem apostou desde o início. Mas na prática, nem sempre: o Stripe alcançou um valuation de US$ 159 bilhões (+70% em um ano) e o IPO sai cada vez mais da lista de prioridades. Às vezes, crescer absurdamente é exatamente o que você precisa para nunca abrir capital!
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Nvidia: a máquina de imprimir bilhões
• Bolsa: boring is the new sexy
• Mercado Libre: crescimento turbo, margem Mounjaro
• Jane Street: a nova vilã da novela das 8 cripto

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o Ibovespa segue mostrando que não vai descansar na quaresma e renovou as máximas no intradiário (191.500 pontos), mas acabou perdendo o fôlego e fechou com uma queda leve — que não foi pior porque a Vale subiu 2,55% e praticamente remou o bote sozinha. Enquanto isso, o Dólar segue em baixa e chega no menor valor em 21 meses.
Lá fora, o setor de tecnologia arrastou pra cima (mas no bom sentido) os índices, com um grande empurrão das Mag-7 e das expectativas do balanço da Nvidia (spoiler: superou as expectativas de novo). O bitcoin caminhava para ter o seu pior mês desde junho de 2022, mas entregou alta de quase 10% e voltou pra perto dos US$ 70 mil.
VISUAL
Nvidia: a máquina de imprimir bilhões

Quem apostou na bolha e na queda da Nvidia segue perdendo. A fabricante soltou o report do trimestre com tudo acima do esperado, incluindo um crescimento de 75% em data centers. Basicamente: enquanto as startups de IA e big techs ao redor do mundo vão pra luta, a Nvidia vende luva, ingresso, pipoca e tudo mais pra todas.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 68,1 bilhões x US$ 66 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação: US$ 1,62 x US$ 1,54 esperados
🟢 Guidance: US$ 78 bilhões de faturamento x US$ 72 bilhões esperados.
Mais de 91% da receita da Nvidia vem de data centers, o coração da febre global por chips de IA (US$ 62,3 bilhões no trimestre). Quem está bancando essa festa? Os hyperscalers: Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft continuam sendo os maiores clientes, representando mais de metade da receita do setor.
O guidance também foi animador: as projeções são de US$ 78 bilhões de receita no próximo trimestre, bem acima dos US$ 72,6 bilhões esperados. E detalhe importante: esse número nem conta a receita da venda de chips para a China.
Geopoliticamente, a Nvidia também está mexendo peças:
→ Vai expandir a produção das Blackwell nas plantas da TSMC nos EUA.
→ Vai montar linhas também no México com a Foxconn.
Isso para ganhar resiliência, ainda mais com as tensões aumentando na relação Taiwan-China. A ideia é não depender de uma só fonte e manter a produção de chips em ritmo suficiente para honrar as centenas de bilhões de dólares no backlog.
Ao mesmo tempo em que comemora, o mercado agora espera a chegada da Vera Rubin, a nova plataforma de IA que vai ser o carro-chefe da Nvidia na corrida do mercado — prometendo 10x mais eficiência por watt.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 11 | Compra: 49 | Neutro: 2 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 254.54 | Preço atual: US$ 195.56
MACRO/AÇÕES
Arrecadação federal: bate recorde e chega a R$ 325,8 bilhões em janeiro.
Conta Corrente: Brasil tem déficit em conta corrente de US$ 8,36 bi, R$ 2 bi acima do esperado.
Energia Renovável: Brasil desperdiça 20% de sua energia renovável e gera prejuízos bilionários a empresas do setor elétrico.
C&A: tem lucro de R$ 313 milhões no 4º trimestre, alta de 23%
Iguatemi: apresenta resultado recorde, apesar da Selic alta.
Meta: fecha megacontrato com a AMD e recebe direito a ações.
HSBC: tem lucro acima do esperado e mira ROE de 17%.
Paypal: ações sobem quase 7% após notícia de que a fintech Stripe está considerando uma aquisição.
GoDaddy: caiu 14,25% devido à previsão de receita mais fraca para 2026.
Salesforce: solta seus resultados com um programa de recompra de US$ 50 bilhões.
Vivo: planeja acelerar venda de cobre da rede antiga e levantar cerca de R$ 3 bilhões.
NuBank: receita sobe 45% em 2025, batendo US$16,3 bilhões.
GPA: reduz prejuízo no 4T’25, mas fecha 2025 no vermelho.
Coinbase: subiram 13,52% após a notícia de que ela implementará negociação com taxa de corretagem zero para ações e ETFs dos EUA.
IBOVESPA
Bolsa: boring is the new sexy

O Ibovespa está no modo de foguete sem ré e tem gestor dizendo que o propulsor pode ganhar um novo combustível aditivado: o tal do HALO trade — acrônimo para Heavy Assets, Low Obsolescence, algo como “ativos pesados, baixa obsolescência”. Em bom português: menos hype digital, mais concreto, fio, cano e barragem.
Caneta dropadora: enquanto o mundo discute IA, alguns investidores estão comprando empresas que dificilmente serão substituídas por algorítmos: utilities, energia, saneamento, concessões… ou seja, negócios de ativos físicos, regulados e com pouca chance de serem “disruptados” por um chatbot.
Para mapear quem pode surfar essa rotação no Brasil, Aline Cardoso, head de pesquisa do Santander, montou um ranking com quatro filtros:
Ativos físicos escassos;
Vulnerabilidade à AI;
Risco de desintermediação tecnológica;
Proteção regulatória.
Com tudo isso na soma, a lista de ativos aparece com:
→ O prime: Axia, Copasa e Orizon
→ Os segundo-colocados: Brava Energia e PRIO
→ Os já classificados: Cyrela, Direcional, Vivo, Aura Minerals e Vale
Antes da pandemia essas empresas “boring” negociavam com desconto de cerca de 20% frente às techs de alto crescimento. No pós-pandemia, o desconto chegou perto de 50%. Agora está na casa de 35%. Ou seja: o mercado já começou a fechar a boca do jacaré.
No fundo, a ironia é que a inteligência artificial, símbolo máximo do mundo digital, está aumentando a importância do mundo físico. Data centers consomem energia. Chips precisam de metais. Eletrificação exige rede.
EARNINGS
Mercado Libre: crescimento turbo, margem Mounjaro

O Mercado Livre entregou crescimento no modo turbo, mas ao custo de uma margem que tomou Mounjaro. A bolsa não perdoa: mesmo sendo a ÚNICA das 6.000 empresas de capital aberto no mundo a entregar 28 trimestres consecutivos de +30% de crescimento de receita, a ação despencou -10% no dia e atingiu -30% da sua máxima histórica, renovando as mínimas do ano.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 8,76 bilhões x US$ 8,47 esperados
🔴 Lucro por ação: US$ 11,03 x US$ 11,50 esperados.
🟢 Total de volume processado: US$ 83,69 bilhões x US$ 82,19 bilhões
A receita avançou 45% na base anual (acima dos 40% esperados), com a fintech crescendo 51% e o e-commerce subindo 40%, puxado principalmente pelo Brasil. O problema é que crescer custa - e custou mais do que o mercado estava preparado para engolir.
A pressão veio de investimentos estratégicos: frete grátis, operação 1P, cross-border e expansão do cartão de crédito. Ou seja, o Mercado Livre decidiu pisar no acelerador, mesmo sabendo que o consumo de combustível subiria.
Parte dos investidores viu a reação do mercado como exagerada. A empresa já vinha avisando que priorizaria crescimento em vez de margem, e que faria sentido se os indicadores operacionais acompanhassem. E estão acompanhando. O GMV teve alta de 32%, bem acima do crescimento estimado (~ 20%).
Para quem olha o copo meio cheio: a leitura é que o Mercado Livre está repetindo um roteiro já conhecido da sua própria história: sacrifica rentabilidade agora para ampliar vantagem competitiva depois.
Para quem olha o copo meio vazio: o crescimento foi sustentado pelo sacrifício da margem e isso não vai se sustentar no longo prazo.
Em resumo, a empresa entregou expansão com aumento de mercado, mas no curto prazo isso machucou os indicadores. No longo prazo, a aposta é que quem cresce mais rápido costuma escolher quando, e como, recuperar a margem.
PS: com as quedas de MELI, a Petrobras volta a se tornar a empresa mais valiosa da América Latina
Recomendação dos analistas:
Compra: 24 | Neutro: 2 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 2741.04| Preço atual: US$ 1767.03
CRIPTO
Jane Street: o novo vilão do colapso cripto

(img via Unchained)
Se o episódio final da novela TerraForm não houve drama suficiente, se prepare. Um novo capitulo extra acabou de chegar nas telinhas nos tribunais com direito a estreia de um novo vilão: o administrador judicial do caso achou evidências de que a Jane Street usou info privilegiada para acelerar o colapso da Luna — e aproveitou para lucrar no processo.
Para relembrar: Terraform Labs e Luna colapsaram em 2022. O stablecoin UST perdeu a paridade com o dólar e causou um espiral de hiperinflação do LUNA e consequente perda de US$ 45 bilhões em valor de mercado.
A empresa abriu falência com US$ 100-500 milhões em passivos e o seu co-fundador Do Kwon acabou preso com documentos falsos em Montenegro no ano seguinte.
A Jane Street, que já havia sido proibida de operar na Índia — seguindo uma acusação de manipulação de mercado — é uma das principais empresas de quantitative trading do mundo com +US$ 2 trilhões em volume de negociação trimestral e +US$ 10 bi em receita.
→ A acusação: traders da Jane Street teriam recebido informações internas da Terraform e usado isso para se antecipar ao mercado. O processo afirma que a JS teria transformado relações de mercado em um “atalho informacional” para lucar.
→ A defesa: rebate dizendo que a ação é uma tentativa desesperada de arrancar dinheiro da Jane Street e que as perdas dos investidores foram resultado de uma fraude bilionária conduzida pela própria gestão da Terraform.
Se as acusações forem comprovadas, o caso adiciona mais uma camada à saga que já parecia ter de tudo: stablecoin algorítmica, efeito dominó sistêmico, prisões, bilhões evaporados, e agora, suposto insider trading...
PS: a Jane Street foi o “berço profissional” de Sam Bankman-Fried e Caroline Ellison antes de eles criarem a Alameda Research e a FTX. O universo cripto adora um crossover.
STATS DO DIA
R$ 200 bilhões
é o novo marco do mercado de Fiis no Brasil, que também atingiu 3 milhões de investidores.

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