Bom dia, Dropper!

Pensei no chuveiro: que na teoria mercados de predição existem para agregar informação dispersa, a "sabedoria das multidões", precificando probabilidades melhor do que qualquer especialista sozinho. Já na prática, 0,1% das contas no Polymarket ficam com 67% dos lucros, e firmas quantitativas executam dezenas de ordens por segundo, mexendo nos preços.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Nvidia: a máquina de dinheiro
• SpaceX: o maior IPO de todos os tempos
• SEC: Make IPO Great Again
• Estrela: RJ e o fim da infância

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, quarta-feira foi um dia com o humor mais ameno no mercado, com o Ibovespa se recuperando depois de três dias no vermelho - com 1,77% de alta, puxada pelo desempenho de bancos, varejo e small caps. Já a gigante Petrobras ficou fora da festa porque o petróleo caiu mais de 5% no mercado internacional com as chances de um acordo final entre EUA e Irã.

Lá fora, uma reabertura parcial do Estreito de Hormuz deu sinais de alívio pra geral. Superpetroleiros chineses e sul-coreanos deixaram a região pela primeira vez em meses e, para alegria do mercado global, isso derrubou o petróleo WTI abaixo dos US$ 100. Já a ata do FOMC veio com tom mais duro que o esperado: quase todos os membros do Fed enxergam risco de a inflação ficar acima da meta por mais tempo.

Nvidia: a máquina de dinheiro

US$ 81,6 bi em receita e mais um report trimestral que parece ficção

Quando a empresa mais valiosa do mundo (US$ 5,4 tri) divulga seu report trimestral, o mundo inteiro faz uma pausa pra ler - e o MoneyDrop faz esse trabalho pra você. Só para começar: a Nvidia gerou em três meses mais caixa livre que o PIB de + 50% dos países da Terra - US$ 48,6 bilhões.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 81,6 bilhões x US$ 78,86 bilhões esperados. Recorde histórico.

  • 🟢 Lucro Operacional: US$ 53,8 bilhões, crescimento de 147%, com margem operacional perto de 66%.

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 1,87 x US$ 1,76 esperados.

O motor principal continua sendo a divisão de data centers, que entregou US$ 75,2 bilhões (92% da receita total, com crescimento de 92% no ano).

O astro: Blackwell 300 foi adotado por todos os hyperscalers, todos os cloud providers e todos os grandes model builders. Não é exagero: a Nvidia usa o termo "every" três vezes na mesma frase da apresentação.

A boa nova: é que a demanda também está migrando do núcleo de Big Tech para empresas menores, governos e indústrias. Assim, o mercado endereçável vai ficando maior, e a dependência de poucos clientes, aos poucos, vai diminuindo.

A nem tão boa nova: a China segue como um elefante na sala e a Nvidia decidiu ignorar. Apesar da liberação para exportar de novo, no primeiro tri a receita de compute nesse mercado foi zerada - e no guidance do segundo segue igual. Pelo menos, por enquanto não está fazendo falta.

A bomba: no relatório trimestral que as empresas americanas entregam à SEC, a Nvidia avisou que alguns de seus clientes estão desenvolvendo seus próprios chips. A empresa não citou nomes. Mas todo mundo sabe que são as grandes compradoras Google, Amazon, Meta e Microsoft.

O paradoxo da Nvidia hoje é o seguinte: ela é indispensável AGORA. O mercado sabe disso e paga com um valuation estratosférico. O problema é que "indispensável agora" não é a mesma coisa que "indispensável para sempre"… e os hyperscalers estão gastando bilhões para mudar essa equação.

O mercado agora quer ver se a Nvidia consegue manter relevância enquanto seus clientes amadurecem chips próprios. A resposta de Huang tem sido lançar arquiteturas cada vez mais avançadas (Blackwell hoje, Rubin amanhã), na tentativa de manter a distância técnica grande o suficiente para que desenvolver alternativas nunca valha o custo. Por enquanto, está funcionando...

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 10 | Compra: 48 | Neutro: 2 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 275,83 | Preço atual: US$ 223,47

MACRO/AÇÕES

  • Buybacks: o vento de cauda que virou brisa.

  • Dívidas: empresas renegociam R$ 670 bi em dívidas.

  • Agro: exportação avança 11,7% em abril, para recorde de US$ 16,65 bilhões.

  • Previdência: deve custar R$ 11 bi a mais e elevar pressão sobre Orçamento.

  • Brasil: ARX tem visão ‘arrojada’ na bolsa com aposta em troca de governo.

  • MBRF: dona da Sadia, e seu plano de R$ 500 milhões para ter a maior fábrica de colágeno do mundo.

  • GPA: Casino decide desembarcar do GPA.

  • Strategy: comprou 24.869 BTC e agora detém 843.738 BTC.

  • Casas Bahia: ações caem mais de 10% e atingem menor valor histórico.

  • Alliança: capta R$ 76 mi em empréstimo emergencial diante de ‘esvaziamento’ do caixa.

  • Embraer: Santander corta o preço-alvo das ADRs da Embraer, apesar do otimismo.

  • Microsoft: é compra ou venda?

O DNA é francês mas o CPF é brasileiro

Dropped by Renault

Kardian e o Boreal da Renault desbancaram todos os outros SUVs, e foram eleitos Carro do Ano respectivamente em 2025 e 2026 pela Autoesporte, o prêmio mais tradicional e de maior prestígio da indústria automotiva brasileira.

Dois anos, dois ícones. Agora a Renault te convida para conhecer os novos modelos que conquistaram o bicampeonato**. Só até domingo (24/05),** seu usado pode valer 100% da FIPE na troca. Traduzindo: talvez nunca tenha sido tão fácil subir de categoria. Conheça as condições aqui por tempo limitado →

SpaceX: o maior IPO de todos os tempos

Gigante oficialmente pediu listagem na Nasdaq

Agora é oficial: a SpaceX protocolou o S-1 e vai para o IPO. Pela 1a vez, os números reais de uma das empresas mais valiosas do mundo estão disponíveis para qualquer investidor ler. E o que eles mostram é uma empresa de 3 negócios completamente diferentes: um altamente lucrativo, um em construção e um queimando dinheiro em escala industrial.

Os números do ano passado:

  • Receita: US$ 18,7 bilhões, crescendo 33% no ano

  • Prejuízo líquido: US$ 4,94 bilhões, com US$ 20,7 bilhões sendo investidos em Capex e P&D

  • Starlink: US$ 11,4 bilhões em receita no ano, com 10,3 milhões de assinantes em 164 países

  • xAI (inclui o twitter X): US$ 3,2 bilhões no ano.

O segmento conectividade: a Starlink é o ativo que sustenta a tese, com margem EBITDA ajustada de 63%… o tipo de número que faz investidor institucional sonhar. É um negócio de infraestrutura com receita recorrente, escala global e sem concorrência real no curto prazo.

O segmento espacial: gerou US$ 4 bilhões em receita em 2025, mas operou no prejuízo - com investimento de US$ 3 bilhões só em P&D da Starship. É uma aposta de longo prazo: quando o foguete entrar em operação, o custo de lançamento despenca e a capacidade de colocar satélites em órbita multiplica. O mercado vai pagar por isso hoje na esperança de receber depois.

O segmento de AI: que inclui xAI, Grok e X, é onde o dinheiro está saindo mais rápido. Capex de US$ 12,7 bilhões só em 2025, com EBITDA ajustado negativo em US$ 1,2 bilhão.

O que o prospecto deixa absolutamente claro: Elon Musk manda, com +50% do capital total e 85% das ações com direito a voto. Abrir o capital da SpaceX é vender uma fatia minoritária de uma empresa que continuará sendo governada por um só dono. Quem comprar ação da SpaceX está apostando em Musk, não fiscalizando Musk.

A SpaceX faz cinco de cada seis lançamentos espaciais dos EUA, fundiu seus negócios com a xAI em fevereiro e está se posicionando como empresa de espaço, conectividade e IA simultaneamente. O IPO não é só uma captação… é a maior aposta coletiva já feita em uma visão de mundo de uma única pessoa.

→ Com valuation atual de US$ 1,25 trilhão, a participação de Musk vale cerca de US$ 635 bilhões. Dependendo do IPO, sua fortuna pessoal, que hoje beira os US$ 800 bilhões, pode cruzar a barreira de US$ 1 trilhão. Histórico.

→ Musk e principais acionistas têm lock-up de 366 dias - um segundo grupo tem 180 dias de bloqueio. O mercado vai ter que esperar pelo menos um ano para ver se alguém no topo vai vender.

SEC: Make IPO Great Again

o novo plano da SEC pra turbinar os mercados

A SEC soltou a maior reforma das regras de abertura de capital em 20 anos e propõe menos burocracia, menos disclosure e uma janela de cinco anos para grandes empresas se adaptarem.

O diagnóstico da SEC é que o capital privado ficou abundante demais. Venture capital, private equity e outros investidores hoje conseguem financiar rodadas de centenas de milhões de dólares sem que a empresa precise abrir dados ao público, enfrentar fiscalização trimestral ou lidar com acionistas ativistas.

A problemática: no ano passado foram “apenas” 374 IPOs - números baixos em relação a décadas passadas. Algo mudou, e a SEC de Paul Atkins acredita que regulação demais afastando empresas do mercado público.

A solucionática: a maior reforma das regras de IPO em duas décadas. Em linhas gerais, as mudanças…

  • reduzem custos e complexidade do processo de abertura;

  • facilitam as chamadas "shelf offerings" (captações registradas que empresas podem acessar com mais agilidade);

  • relaxam exigências de disclosure para companhias menores e concedem às maiores um período de adaptação de pelo menos cinco anos.

Por outro lado: nomes como Dan Primack (Axios) defendem que a SEC deveria apertar as regras para quem fica privado e não só facilitar para quem quer abrir. Em 2012 o limite de 500 acionistas (que obrigava o registro na SEC) subiu para 2.000 - e o mercado privado explodiu.

Em 2021, mais de 1.000 empresas foram a público num único ano, em um ambiente de juros zero, euforia de mercado e dinheiro fácil. O que trouxe as empresas à bolsa não foi em si uma regulação mais leve, e sim um contexto macroeconômico irresistível.

Mudar as regras ajuda na margem. Mas, enquanto o capital privado continuar fluindo abundante e sem exigências, os benefícios de um IPO podem continuar na sombra.

→ Detalhe que não é detalhe: essa janela de cinco anos pode beneficiar diretamente a SpaceX, de Elon Musk, que deve começar a ser negociada em bolsa já no próximo mês. Anthropic e OpenAI, dois dos IPOs mais aguardados do setor de IA, também entram nessa lista.

STATS DO DIA

3%

É a taxa de juros de 1 ano da China, que já está parada há cerca de um ano. Ontem, o país manteve sua taxa básica no mesmo lugar pelo 12º mês seguido.

Estrela: RJ e o fim da infância

fabricante de brinquedos tem dívida de mais de R$ 100 milhões

Tem marcas que não são só marcas… o Banco Imobiliário ensinou matemática pra metade do Brasil. O Genius virou sinônimo de memória e concentração. O Autorama era o presente mais cobiçado de Natal. A Estrela vendia infância e essa infância pode estar acabando.

A Estrela entrou com pedido de RJ com dívidas de R$ 109,1 milhões. Essa crise não veio de uma vez:

  • Anos 1990: a abertura do mercado expôs a Estrela à concorrência asiática de baixo custo… brinquedos importados que custavam a metade do preço e uma escala industrial impossível de igualar.

  • Anos 2000 e 2010: a criança brasileira descobriu o videogame, o YouTube e o celular. O tempo de brincar com brinquedos físicos caiu, e com isso as finanças da empresa foram caindo junto, e as margens também.

  • Hoje: contrabando crescente, marketplaces internacionais corroendo a indústria formal e Selic em 14,5% encarecendo o capital de giro de uma empresa que precisa produzir meses antes de faturar.

A Estrela até tentou se reinventar. Apostou pesado em nostalgia, relançando velhos clássicos para o público adulto, abriu frentes de beleza e literatura, criando parcerias com Reserva, Kopenhagen e Giraffas. E vendia pela Shopee.

Mas o caixa não aguentou e o descasamento entre produção (que acontece o ano todo) e faturamento (que acontece em datas pontuais) se tornou insustentável com juros altos.

O pedido abrange 8 empresas do grupo e busca proteger 500 empregos diretos. A Estrela pede à Justiça que proíba concessionárias de cortar água, luz e internet e impeça bancos de declarar vencimento antecipado das dívidas.. o kit padrão da recuperação judicial brasileiro.

A assembleia para votar as contas de 2025 e ratificar o pedido está marcada para 9 de junho. Até lá, Carlos Tilkian - que detém 94,7% das ações ordinárias - vai precisar convencer credores de que ainda há empresa viável por trás da dívida.

→ As ações preferenciais despencaram 33,48% ontem, cotadas a R$ 3,00.

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