
Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que aquele amigo que mora de aluguel no apartamento de um tio ou conhecido que dispensa contrato formal não é exceção, mas a regra do mercado. Apenas 2 de cada 10 imóveis residenciais são declarados à Receita Federal, fazendo o Estado perder R$ 65 bilhões por ano (cerca de 0,5% do PIB). Em 14 das 27 capitais, o índice de evasão fiscal supera 90%… o senhor barriga governo vai atrás desse aluguel!
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Domino’s: entregou pizza fria no trimestre
• Mercados de previsões: 27 sites bloqueados no Brasil
• Intel: de novo nas máximas
• Orçamento familiar: sobrando cada vez menos

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, depois de todo mundo ficar pronto pra colocar o boné dos 200 mil pontos, ele teve que voltar pra gaveta — já são 4 pregões seguidos em queda, totalmente na contramão dos mercados globais. O boletim Focus voltou a prever alta na inflação e jogou mais gasolina na decisão do Copom, que pode trazer um novo corte de 0,25% na Selic.
Lá fora, o disco segue riscado e quase todo dia tem máximas históricas. O S&P500 ganhou US$ 7,8 trilhões em market cap nos últimos 20 pregões (quase 8x o ibovespa apenas em valorização). Essa semana vai ser a mais movimentada dessa temporada de balanço, com 180 empresas divulgando resultados, incluindo 5 das Mag-7 — volatilidade à vista! Amanhã também teremos reunião do FOMC, sendo a última presidida por Jerome Powell.
Domino’s: entregou pizza fria
Ação chegou a cair -8,87% após resultados fracos

A maior rede de pizzarias do mundo entregou pizza fria resultado frio para o mercado. A ação da Domino's caiu mais de 8% depois que a rede divulgou um crescimento nos EUA bem abaixo do esperado e um guidance de vendas com baixas expectativas. Nem o próprio CEO Russell Weiner tentou requentar, dizendo que o time não estava feliz com o resultado.
Os números do trimestre:
🔴 Receita: US$ 1,15 bilhões x US$ 1,16 bilhões esperados
🔴 Lucro por ação: US$ 4,13 x US$ 4,27 esperados
A receita subiu 3,5%, mas o mercado queria mais — e também pediu lucro com a borda recheada que não veio. Nas mesmas lojas, o crescimento foi quase “modo econômico”: +0,9% nos EUA e queda de 0,4% no mercado internacional.
Ainda assim, as vendas globais totais subiram com a aposta de abrir lojas como se não houvesse amanhã. Foram quase 800 novas unidades em 2025, e o plano é chegar perto de 1.000 em 2026.
Aqui no Brasil, os planos continuam de expansão, mas em um novo formato para sair das atuais 220 lojas para 370 até 2029, mirando um território ainda pouco explorado, que são as cidades de até 150 mil habitantes:
Unidades compactas (algumas com menos de 5m²).
Investimento inicial cai de cerca de R$ 1 milhão para algo a partir de R$ 300 mil, o que muda completamente o jogo para franqueados.
Em vez de importar fornos dos EUA, comprar localmente — reduzindo o custo em até quatro vezes e levando o payback entre 12 e 36 meses.
Olhando pra frente, o cenário macro também entra na receita… e pode azedar. Custos de energia mais altos e consumo mais fraco, especialmente em mercados-chave como China e Índia, podem complicar essa expansão acelerada.
PS: a empresa aprovou um programa de US$1 bilhão em recompra de ações.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 2 | Compra: 17 | Neutro: 12 | Venda: 1 | Venda Forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 458,29 | Preço atual: US$ 335,30
MACRO/AÇÕES
Déficit corrente: Brasil gasta mais do que recebe no exterior em março.
Receita Federal: vai cobrar IR sobre lucro apurado nos EUA.
Imposto de Renda: 79% dos aluguéis não são declarados.
Usiminas: lucro sobe 156% no 1º trimestre, para R$ 771,4 milhões.
Netflix: anuncia programa de US$ 25 bilhões para recompra de ações.
MBRF: investe US$ 70 milhões para quadruplicar produção de hambúrguer no Uruguai.
JHSF: compra operadora de aviação executiva em Miami.
Gerdau: lucro sobe 33,6% no 1T’26.
Pague Menos: XP retoma cobertura com indicação de compra vendo uma nova dose de crescimento.
Vale: analistas projetam crescimento de lucro líquido e EBITDA.
SAP: entrega lucro acima do esperado, com crescimento de receita.
Spotify: receita cresce 8%, mas projeção para 2T desanima.
Mercados de previsão: 27 sites bloqueados
Polymarket e Kalshi proibidos de operar no Brasil

As previsões são de 100% para o “Pause para o mercado de previsões”: o governo brasileiro proibiu nomes conhecidos como Polymarket e Kalshi no país. Ao todo, 27 sites foram bloqueados sob a justificativa de oferecer “apostas ilegais”, segundo a resolução da CMN nº 5298.
A decisão veio acompanhada de uma nova regra que basicamente fecha a porta para contratos atrelados a eventos como eleições, esportes ou até temas culturais e de entretenimento. Assim, apostar no resultado do Oscar, da Copa ou de uma eleição virou território proibido.
A leitura do governo é que esses mercados funcionam, na prática, como casas de aposta disfarçadas, sem a regulação adequada. A medida faz parte de um esforço maior para conter o avanço das bets e o impacto disso no bolso das famílias, especialmente em um momento em que o endividamento já está elevado.
Curiosamente, a porta não foi fechada para tudo… a nova regra ainda permite contratos ligados a indicadores econômico-financeiros. Ou seja, dá pra apostar prever o rumo do Ibovespa — e tirar o boné dos 200 mil pontos da gaveta.
PS: a medida passa a valer dia 04 de maio
PS2: o Brasil não está sozinho nessa decisão. Países como França, Hungria e Portugal já colocaram restrições semelhantes
Você já apostou/previu nesse mercado?
Intel: de novo nas máximas
demorou 25 anos, mas chegou com resultados melhores que o esperado

A Intel finalmente saiu da sombra da sua máxima histórica de 2001. Depois de 25 anos, o combo “queridinha do governo americano” + “resultados positivos e acima do esperado” funcionou. A empresa voltou ao patamar do ATH, subindo +315% nos últimos 12 meses.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 13,58 bilhões x US$ 12,42 bilhões
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 0,29 x US$ 0,01 esperado
🟢 Guidance: subiu de US$ 13,8 para US$ 14,8 bilhões em faturamento
A receita voltou a crescer (+7,2%) depois de uma sequência de quedas. O resultado do trimestre até teve um prejuízo contábil, mas por conta de efeitos extraordinários. Ajustando isso, o lucro foi acima do esperado.
O motor dessa virada foram os data centers. A divisão cresceu 22%, puxada pela alta na demanda por CPUs no mundo da IA — depois de quase 4 anos das GPUs (leia Nvidia) dominando tudo. Agora, com workloads mais complexos e “agênticos”, o pêndulo começa a voltar um pouco e a Intel está posicionada para essa onda.
A grande aposta: projetar e fabricar seus próprios chips, ao contrário de boa parte da indústria que terceiriza para a TSMC. A divisão de fabricação cresceu 16%, mas convencer clientes a sair de Taiwan ainda é como pedir para alguém trocar de piloto no meio da corrida.
Pra completar, a Intel está se aproximando do ecossistema de Elon Musk, com planos de participar do projeto Terafab no Texas. A ideia é usar a tecnologia 14A, que ainda está em desenvolvimento, mas promete ser o próximo grande salto competitivo no setor de silício.
PS: a ação subiu +23,6% na sexta, sendo o melhor dia de negociação desde 1987 e o 5° melhor dia da história do papel.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 11 | Neutro: 30 | Venda: 2 | Venda Forte: 3
Preço-alvo médio: US$ 74,89 | Preço atual: US$ 84,99
DECIFRANDO O CONDADO

Efeito riqueza
É aquele fenômeno em que as pessoas passam a gastar mais quando se sentem mais ricas, mesmo que essa riqueza esteja “no papel”.
Quando a bolsa sobe, imóveis valorizam ou o patrimônio cresce, a confiança aumenta e o consumo acompanha, como se o bolso tivesse ficado mais fundo.
O contrário também vale: quando os ativos caem, o humor piora e o gasto encolhe.
São as oscilações do mercado influenciando decisões bem reais na economia.
Orçamento familiar: tá sobrando menos
O orçamento do brasileiro está cada vez mais apertado

Fim do mês chegando e a conta do brasileiro vai fazendo dieta: zero saldo. Segundo a Tendências Consultoria, a grana que sobra pro brasileiro depois de pagar o básico, impostos e dívidas caiu para o menor nível desde 2011. Em fevereiro, essa “sobra” representava só 21% da renda… bem longe dos mais de 27% já vistos no passado.
Os grandes vilões do orçamento não são exatamente uma surpresa:
Aluguel, energia, transporte, comida — tudo subindo.
E os juros não estão baixando. Quem recorreu ao cartão rotativo ou cheque especial vê uma fatia crescente da renda engolida.
Não à toa o endividamento já atinge 49,9% das famílias brasileiras.
A economia pode mostrar sinais positivos no papel, mas a percepção das pessoas é bem mais azeda. Quando sobra menos dinheiro pra escolher (viajar, sair, consumir) o desconforto aparece… bem rápido.
O governo até prepara soluções de curto prazo, como um possível “Desenrola 2.0”, para aliviar dívidas. Pode ajudar, mas é tipo analgésico: resolve a dor, não a causa.
No fundo, o problema é estrutural. Enquanto o Brasil continuar convivendo com juros elevados e educação financeira limitada, a conta nunca vai fechar. E o risco é a gente entrar no looping clássico: puxadinho aqui, apertinho ali… e cada vez menos renda sobrando.
STATS DO DIA
300
Novos conselheiros irão ser eleitos nas empresas listadas no Ibovespa esse ano. Ao todo, 45 empresas do índice vão renovar o seu board durante esse ano
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