Bom dia Droppers.

Pensei no chuveiro: que na teoria uma auditoria serve para (a) dar credibilidade de que os balanços refletem a realidade, (b) detectar erros e fraudes contábeis para evitar escândalos e (c) avaliar controles internos para apontar riscos e adequar processos. Já na prática, elas talvez não sirvam para nada, já que o Banco Master passou nas 4 auditorias distintas da PwC, KPMG, Ernst and Young e Crowe - que deram o OK para dezenas de bilhões em ativos que nunca existiram!

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Ryanair: o trimestre da low-cost
• Metais: medalha de ouro para a Prata
• Êxodo milionário: a grana partindo para fora
• Vivo: maior que a matriz

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, depois de quatro dias de festa ininterrupta com recordes históricos sendo batidos, alta de 8,53% em uma semana e a sensação de que nada seria capaz de parar a bolsa, o Ibovespa teve um dia de descanso e recuou 0,08%. Quem mais atacou o índice foi a Vale, que caiu 2,29% depois de confirmar um vazamento de água com sedimentos. Agora o mercado fica de olho na Super-Quarta, que vai trazer decisões de FOMC e COPOM — que deve manter a Selic em 15%.

Lá fora, a semana também começa agitada, porque além da decisão do FOMC, começa a divulgação em massa dos resultados corporativos com quase um terço do S&P 500 divulgando nos próximos dias — incluindo as Big Techs. As commodities seguem roubando a cena, com o ouro passando a marca dos US$ 5.000 e a prata acima dos US$ 100 pela primeira vez na história.

VISUAL

Ryanair: o trimestre da low-cost

A Ryanair tem uma missão maior do que viralizar em social e brigar com Elon Musk: manter as passagens baratas. Foi assim que ela ficou conhecida no mercado e é assim que ela cresceu nos últimos anos.

Agora, o desafio é continuar crescendo mesmo com as passagens um pouco mais caras. A tarifa média já subiu 4% e batendo €44 no trimestre. Nada mal para quem construiu fama vendendo passagem pelo preço de uma pizza.

A Ryanair prevê transportar quase 208 milhões de passageiros neste ano fiscal. Só no último trimestre foram 47,5 milhões de pessoas a bordo, alta de 6% na comparação anual. Aviões cheios, férias escolares, Natal, Ano Novo… quando todo mundo quer voar ao mesmo tempo, o preço naturalmente sobe.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita Bruta: €3,12 bilhões, subindo +9%

  • 🔴 Lucro Operacional: €18,2 milhões, caindo -44%

  • 🔴 Lucro por ação: €0,02 x €0,13 na comparação anual

Apesar da receita crescer 9%, o lucro antes de impostos despencou 83%, para € 24 milhões. O motivo foi uma multa do órgão antitruste italiano, que acusa a Ryanair de dificultar a atuação de agências para forçar vendas diretas. A empresa nega, chama a punição de “sem fundamento” e diz que vender direto ajuda a manter preços baixos.

Olhando para a frente, o CEO Michael O’Leary, comentou que o lucro pode chegar a
€ 2,23 bilhões — desde que o mundo colabore sem novas guerras, crises geopolíticas ou surpresas desagradáveis. No longo prazo, o plano é ainda mais ousado: 300 milhões de passageiros por ano até 2034, com uma frota turbinada e aviões mais eficientes.

Recomendação dos Analistas

Compra: 3 | Neutro: 2 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 77,98 | Preço atual: US$ 69,01

MACRO/AÇÕES
  • BC: define regras para bancos oferecerem cripto.

  • Argentina: Milei diz que não tem escolha a não ser negociar com a China.

  • ‘Sell America’: Ray Dalio vê diversificação contínua e generalizada de ativos dos EUA.

  • Ibovespa: cerca de 33% do índice se encontra em máxima históricas.

  • Tarifas: Trump ameaça colocar 100% de tarifas no Canadá se eles negociarem com a China.

  • Carry Trade: Morgan Stanley, BofA e Citi veem espaço para ganhos em carry trade, com foco no Real.

  • Energia: primeiro leilão para projetos de armazenamento de energia atrai gigantes globais do setor.

  • Ouro: supera US$ 5.000 pela primeira vez com temores sobre o cenário global

  • Fiis: TRX busca R$ 375 milhões para aumentar a carteira.

  • Cemig: compra os outros 51% da hidrelétrica Pipoca.

  • BRB: BC determina que banco faça o provisionamento de R$ 2,6 bi em seu balanço.

  • Americanas: CVM acusa formalmente ex-presidente Miguel Gutierrez como principal mentor do esquema de fraude.

METAIS

Medalha de ouro para a Prata

Se o Patrão ainda estivesse por aqui, talvez ele dissesse que as barras de prata também valem mais do que dinheiro. Não que o ouro esteja em queda, inclusive ele acabou de passar a marca dos US$ 5.000, mas a prata passou dos US$ 100 e num crescimento ainda mais acelerado.

Só nesse mês o ouro disparou 18% enquanto a prata fez um show pirotécnico de +56% — depois de já ter subido +152% no ano passado. O combustível para toda essa alta é conhecido:

  1. Compras pesadas por Bancos Centrais, principalmente da China e da India, que estão diminuindo a dependência do Tesouro Americano e indo para os metais.

  2. Dólar mais fraco no mundo, com o DXY (a cesta do dólar contra as 6 moedas mais líquidas) caindo -12% nos últimos meses.

  3. Um mundo geopoliticamente mais conturbado.

Esse combo é perfeito para os ativos seguros colocarem gasolina no foguete. O Goldman Sachs elevou o preço-alvo do ouro para US$ 5.400 e defende que o investidor privado também chegou forte, principalmente via ETFs.

A tese também se baseia na ideia de que a compra foi feita para se proteger de riscos globais, e assim, não deve ser desmontada tão cedo, o que eleva o preço para esse ano.

Já no caso da prata, Wall Street está correndo atrás do prejuízo, já que muitos preços-alvos ficaram para trás depois que o metal resolveu subir sem olhar para trás. Os analistas do JPMorgan dizem que os preços já passaram da média projetada, mas tentar cravar o topo num mercado com movimento parabólico é missão impossível.

PS: as oscilações recentes na prata entraram para a história, literalmente. Com altas, e baixas, acima dos 10%, os movimentos foram de 5 desvios-padrão da média. Na estatística, isso representa uma frequência esperada a cada ~14 mil pregões.

PS2: outros metais, como níquel, cobre e estanho também estão em alta.

TELEFONIA

Vivo: maior que a matriz

A criatura acaba de ficar maior que o criador… Pelo menos é essa a situação entre Vivo e Telefónica. Enquanto a matriz viu suas ações escorregarem -5% nos últimos 12 meses, os papéis da operação brasileira subiram cerca de 55%.

Telefónica caiu até a marca de € 18,8 bilhões em valor de mercado na bolsa
Vivo bateu a marca de € 19 bilhões (algo perto de R$ 118 bilhões).

A vida da Telefónica não anda fácil. Em novembro a empresa anunciou um corte nos dividendos e revisou para baixo suas projeções de geração de caixa. Isso em meio a uma instabilidade de troca de comando.

Desde janeiro de 2025, o comando está nas mãos de Marc Murtra, que chegou com discurso de crescimento, consolidação e novos acordos, mas até agora não conseguiu vender essa história ao mercado.

Enquanto isso, do lado de cá do Atlântico, a Vivo segue entregando resultado e as projeções são de uma receita na casa dos R$15,5 bilhões, com margem em 42,9%, e queda no capex e arrendamentos, levando a uma geração de caixa operacional de R$ 3 bilhões. A empresa divulga seus resultados dia 23 de fevereiro, enquanto a matriz divulga no dia 25 de fevereiro.

PS: a Telefónica ainda é dona de 77% da Vivo.

PS2: o governo espanhol é dono de 10% da Telefónica.

DECIFRANDO O CONDADO

Desconto de Holding

É a diferença negativa entre o valor de mercado de uma holding e a soma do valor de mercado de suas participações, refletindo o fato de que o mercado costuma precificar essas estruturas com um “deságio”.

Esse desconto pode existir por uma série de motivos como: custos administrativos, impostos na distribuição de dividendos ou na venda de ativos, menor transparência, riscos de governança e menor liquidez, risco de decisões de alocação de capital da controladora não maximizarem valor….

Em essência, o mercado cobra um preço por intermediar a propriedade dos ativos via holding, e esse preço aparece na forma do desconto.

AMÉRICA LATINA

Êxodo milionário: a grana partindo para fora

Enquanto a classe média faz planilha, o andar de cima faz as malas. Em 2025, o Brasil perdeu cerca de 1.200 milionários, em um movimento que segue firme e forte na América Latina. A combinação de incerteza política, ruído fiscal e desejo de dormir tranquilo continua empurrando grandes fortunas pra fora.

O Brasil lidera o êxodo regional, seguido por México e Colômbia (~150 milionários a menos cada) e Argentina (~100).

Nem todo dinheiro latino sai voando direto para Wall Street. Muitas fortunas fazem escala estratégica: Flórida, Espanha e Portugal seguem no topo da lista. Sol, estabilidade jurídica, planejamento sucessório previsível e um fisco menos pesado ajudam a explicar a escolha.

Já no topo da pirâmide, o clube cresceu. A região fechou 2024 com 109 bilionários — 14 a mais que no ano anterior. Juntos, eles concentram US$ 622,9 bilhões, quase o PIB de Chile e Peru somados. Desde 2000, a fortuna desse grupo cresce, em média, US$ 54 milhões… por ano? Por dia.

A lição que fica é que o dinheiro latino continua inquieto, com passaporte carimbado e olhar atento ao noticiário político. Uns vão, outros chegam, alguns ficam… mas todos estão pensando cada vez mais globalmente.

PS: se você tá com planos de ser o próximo mi-bi-lionário do Brasil, indica o MoneyDrop para os seus amigos do clube!

STATS DO DIA

R$ 2,89 trilhões

foi a arrecadação federal em 2025, com um aumento real, ou seja, descontado a inflação, de 3,7%. Foi o maior montante já arrecadado pelo governo!

Via Agência Brasil

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