Bom dia, Droppers!

Pensei no chuveiro: que os mercados de previsão - geralmente - se comportam como mecanismos eficientes de agregação de informação. E que quando 92% dos apostadores concordam que a Espanha venceria uma partida, essa probabilidade deveria refletir todo o conhecimento disponível sobre futebol, elencos e histórico. Só que do outro lado do campo tinha Cabo Verde e um goleiro de 40 anos chamado Vozinha, que com 7 defesas destruiu uma aposta única de US$ 1 milhão na vitória espanhola.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• MANGOS: o novo Mag-7
• CDBs: o fim dos 120%
• COEs: da febre aos ajustes
• Pizza Hut: vendida em duas fatias

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a Super Quarta começou doce e terminou amarga. O Ibovespa, em dia de vencimento do contrato futuro, chegou a subir 1%, mas virou e fechou em queda de 0,70%, aos 168.453 pontos, renovando a mínima desde janeiro. O chato da vez foi o Fed: o tom mais duro do que se esperava espantou o apetite por risco e fortaleceu o dólar (que rompeu os R$ 5,10). Com o mercado fechado, veio o nosso Copom e cortou a Selic em 0,25 p.p., para 14,25%.

Lá fora, o novo chefe do Fed mostrou seu cartão de visitas e não foi com a dança que o mercado esperava. Kevin Warsh, indicado por Trump e apontado como dovish, estreou hawkish: manteve os juros em 3,50%-3,75% (a quarta vez seguida) - e agora nove diretores já enxergam pelo menos uma alta à frente. Resultado: depois de bater novo recorde intradiário, os índices viraram forte para queda, com Dow -0,98%, S&P 500 -1,21% e Nasdaq -1,34%.

MANGOS: o novo Mag-7

O acrônimo que Wall Street inventou para colocar a SpaceX e IA no pacotão tech

Wall Street tem uma tradição marketeira de sucesso: pegar um grupo de ações, colocar um apelido no pacote e vender o conceito antes mesmo do produto estar na prateleira. Foi assim com as FAANG, com as Mag-7... e agora o novo kit de WS é o MANGOS.

O acrônimo reúne Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI e SpaceX. As seis empresas com exposição pesada à IA. A ideia é apostar no grupo para substituir as Mag 7 como o cluster de referência para quem investe em growth.

Das seis, uma (SpaceX) acabou de estrear na bolsa e duas (OAI e Anthropic) ainda são privadas. Mas isso não impediu o mercado de correr pra SEC e lançar ETFs baseados no conceito. Mas como precificar o que não tem cotação? A solução provável é que, na prática, o fundo invista apenas nas ações públicas, e use os outros nomes mais como marketing do que como posição real.

O surgimento express do acrônimo também revela o poder do IPO da SpaceX como catalisador narrativo. Em menos de uma semana, a empresa saiu de companhia privada para ser a âncora de um novo índice mental que WS está tentando empacotar.

a SpaceX já é 6a empresa de maior valorização dos EUA (chegou a passar a Amazon na terça, mas ontem fechou com ~US$ 25 bi a menos).

MACRO/AÇÕES

  • BC: aproveita queda no cupom cambial e acelera rolagem de swaps.

  • CVM: suspende oferta de fundo de crédito privado do Bradesco por irregularidades no registro.

  • Inflação: faz marmita substituir restaurante até para executivos da Faria Lima.

  • Fed: muda comunicação na estreia de Warsh, que adota tom duro.

  • BNDES: aprova crédito de R$ 500 milhões para a FS, de etanol de milho.

  • Nubank: BofA e Citi rebaixam empresa por risco na carteira de crédito.

  • JHSF: prepara compra de fatia de R$ 454 milhões do Shopping Cidade Jardim.

  • Copel: vende participação na hidrelétrica Dona Francisca para a Gerdau.

  • Raízen: IG4 oferece compra de dívida da Raízen em busca de participação majoritária.

  • Axia: testa soluções contra cortes de renováveis.

  • SpaceX: teve sua primeira queda (de -4,95%) desde o IPO recorde.

  • SpaceX(2): divulgará seus resultados trimestrais no twitter X.

  • Figma: sobe após a recomendação de compra do Citi e aumento do preço-alvo para US$ 36.

CDBs: o fim dos 120%

risco e retorno voltando a andar juntos - como sempre deveriam

Há pouco tempo e aqui mesmo nessa galáxia, você podia abrir um app da corretora e ver diversos bancos de médio porte pagando 120% do CDI. Parecia bom demais para ser verdade - e era. Com a quebra do Banco Master, o jogo virou e essas taxas entraram em extinção.

Hoje, o cenário é outro: dados recentes mostram que os CDBs desses mesmos bancos agora orbitam ali entre 90% e 106% do CDI, com raras exceções encostando um pouco acima disso. Ainda é competitivo, mas bem longe da farra dos 120%.

O próprio BC entrou no jogo e decidiu apertar as regras do FGC, criando mecanismos para garantir que os bancos não captem dinheiro de forma desenfreada sem ter ativos sólidos para sustentar essa estrutura. Ou seja, acabou a festa do “captar às custas do FGC”… se o banco quiser continuar oferecendo produtos cobertos pelo fundo, vai precisar mostrar que tem lastro.

Essas quedas nas taxas foram uma recalibragem do mercado. O mercado de CDBs parece deixar de ser aquele parquinho de ofertas chamativas e está se aproximando mais de um ambiente onde risco e retorno voltam a andar juntos (como sempre deveriam estar).

A nostalgia das altas taxas deixa um lembrete: quando algo parece bom demais para ser verdade, talvez não seja uma oportunidade… talvez seja só o começo de uma história que nem sempre termina bem.

COEs: da febre aos ajustes

o produto que cresceu na sombra da Selic baixa agora enfrenta a Selic alta

Os COEs já foram aquele produto “diferentão” da prateleira: meio sofisticado, meio misterioso, e que de repente virou febre no mercado. Entre 2021 e 2025, ele virou um dos preferidos das assessorias de investimentos e ainda segue relevante, mas claramente chegou em outra fase. 

Essa outra fase é de esfriada: depois de anos crescendo a passos largos, as emissões caíram 21,4% entre janeiro e maio desse ano, comparado com o mesmo período do ano anterior. 

O que aconteceu? Basicamente, três gatilhos ao mesmo tempo.

  •  Ambipar. Parte dos COEs emitidos no Brasil apostava no risco de crédito de dívidas da Ambipar no exterior, com prêmio maior e uma estrutura sofisticada. Quando a empresa entrou com pedido de RJ, muitos investidores descobriram, na dor, que a tal "proteção de capital" não se aplicava a esse tipo de evento.

  • As regras endureceram. Em maio de 2025, a Anbima publicou regras mais rígidas de suitability para COEs de crédito. As plataformas passaram a travar alocações por perfil de risco, idade e percentual máximo na carteira. Antes, um cliente podia ter 50% da carteira em COEs…  hoje, isso é mais improvável.

  • A renda fixa voltou a brilhar. COEs ganharam tração quando a Selic estava nas mínimas históricas e o investidor estava mais disposto a correr algum risco para ter retorno.

Outro ponto que mexeu bastante foi a mudança no modelo de remuneração das assessorias. Com o avanço do fee fixo, o incentivo para empurrar produtos com comissão mais alta perdeu força. Agora, o COE precisa fazer sentido por si só… e não só para quem vende.

No meio desse novo cenário, os dados mostram uma mudança interessante: o volume total caiu, mas o número de operações aumentou. Ou seja, o mercado não sumiu, mas está mais criterioso e com ticket médio bem menor (caiu de R$ 225 mil para R$ 164 mil em apenas um ano).

STATS DO DIA

57%

dos brasileiros acham que as bets são um vício.

Via Folha de São Paulo

Pizza Hut: vendida em duas fatias

US$ 2,7 bilhões para se livrar da marca que cresceu com os americanos

Sabe aquelas marcas que estão aí faz tanto tempo que parece que ninguém jamais iria querer se livrar delas? A Pizza Hut é um bom exemplo, mas a dona Yum Brands discorda e acabou de vender duas fatias da empresa por US$ 2,7 bilhões.

Não é de hoje que a Pizza Hut vinha puxando o resultado da Yum para baixo enquanto outras marcas da empresa, como KFC e Taco Bell, cresciam. Nos EUA, as vendas da rede caem há quase dois anos consecutivos.

  • Entre 2019 e 2025, a receita da Pizza Hut ficou praticamente parada na casa de US$ 1 bilhão.

  • No mesmo período, a Yum! como um todo cresceu 47%, chegando a US$ 8,2 bilhões.

  • A fatia da pizza no negócio, que já foi 18% da receita total, encolheu para 12%.

A solução: dividir a operação por geografia. A private equity LongRange Capital leva o mercado global fora da China por US$ 1,5 bilhão, com possibilidade de pagar mais US$ 75 milhões até 2030 dependendo da performance. Já a Yum China Holding (que é uma empresa separada desde 2016) fica com as operações chinesas por US$ 1,2 bilhão.

Na China, a Pizza Hut é a maior rede de restaurantes casuais do país, com 4.375 unidades e US$ 2,3 bilhões em vendas.

Globalmente, a marca tem cerca de 20 mil restaurantes e, nos EUA, é a segunda maior pizzaria, atrás da Domino's. Mas "segunda maior" não significa ser saudável: 250 unidades de baixo desempenho nos EUA vão ser fechadas ainda este ano.

→ Por aqui, a mudança de dono não deve mexer na operação. As 230 lojas da Pizza Hut no país são franqueadas pela IMC (a mesma que opera o KFC), e a rede está no Brasil desde 1989.

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