
Bom dia Droppers. Pensei no chuveiro: que nem todo mundo concorda que o ano só começa depois do Carnaval, mas na China o Ano Novo realmente aconteceu nessa semana. E se a astrologia chinesa fosse um indicador macro, o Ano do Cavalo já viria com guidance de +6,3% pela média. Já na prática, o último Cavalo (1966) entregou -6,8%. E o Ano da Cobra, que historicamente sugeria tímidos 2,8%, acabou de fechar com 17,9%.
Em vez de olhar o alinhamento dos astros chineses, melhor ler o MoneyDrop.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Vale: operação boa, contabilidade pesada
• Banco Pleno: mais uma liquidação do BC
• Carteira do bilionário: agora comprando Brasil
• IA: a nova rotação

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, ontem o mercado operou em marchinha marcha lenta, com os foliões ainda de ressaca e com liquidez bem baixa. Mas depois de dias totalmente parados, algumas movimentações da Bolsa até chamaram a atenção e deixaram geral de olhos abertos — como a queda da Vale, que ainda repercute a divulgação dos resultados trimestrais.
Lá fora, a divulgação da última ata do Fed mostrou que nem todo mundo tá comprado com Trump pra manter a onda de corte de juros — e tem até quem veja espaço para voltar a subir a taxa —, mas as bolsas subiram mesmo assim. Com o Ano Novo Chinês, o feriado por lá também reduz o ritmo em todos os mercados globais. Já no mundo que nunca para, o bitcoin vai lutando para ficar acima dos US$ 70 mil, e, por enquanto, caminha para o seu pior primeiro trimestre desde 2018
VISUAL
Vale: operação boa, contabilidade pesada

Carnaval passou, o glitter saiu e agora o ano começou, voltamos à temporada de balanços e quando a Vale solta o dela, é preciso parar pra ver. Só que dessa vez ela trouxe dois números que confundiram muita gente: prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões… mas lucro líquido proforma de US$ 1,5 bilhão. Vamos entender?
↓ Prejuízo líquido: foi o resultado contábil negativo (puxado por uma baixa nos ativos da Vale no Canadá). Não tem, necessariamente, efeito no caixa.
↑ Lucro líquido proforma: analisa o resultado excluindo itens que são considerados não recorrentes ou extraordinários.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: retirando não recorrentes, subiu 68%.
🟢 Dívida Líquida: caiu 5%, para US$ 15,6 bilhões, bem no meio da meta da companhia (entre US$ 10 e 20 bilhões).
🔴 Provisões: subiram para US$ 449 milhões relacionada à Samarco, ligada ao processo no Reino Unido pelo rompimento da barragem de Mariana em 2015.
O CEO Gustavo Pimenta destacou que a companhia atingiu ou superou todos os guidances e avançou em prioridades estratégicas.
→ As vendas cresceram nas principais frentes: minério de ferro (+5%), cobre (+8%) e níquel (+5%).
→ O preço médio do minério de ferro também subiu.
→ Uma bela combinação para empurrar a receita líquida, que bateu US$ 11,1 bilhões no trimestre, subindo 9%.
E o lado que o mercado adora ver: gastos sob controle. Com receita crescendo mais do que custos e despesas, o Ebitda proforma avançou 17%, chegando a US$ 4,8 bilhões.
No resultado, o problema parece que foi mais contábil do que operacional. Mas, no mercado, número pesa… mesmo quando a escavadeira está funcionando a pleno vapor.
PS: apesar do susto pós-report e queda nos últimos dias, a ação da Vale já sobe +16% no ano.
Recomendação dos analistas:
Compra: 7 | Neutro: 6 | Venda: 1
Preço-alvo médio: R$ 86,29 | Preço atual: R$ 83,92
MACRO/AÇÕES
Japão: PIB cresce 0,1% na base trimestral e anual, evitando uma recessão técnica.
BCE: Christine Lagarde deve deixar o BCE antes do fim do mandato de 8 anos.
Fed: mostra que membros veem cenário de alta de juros, apesar de pressão de Trump.
BC: Galípolo compara BC a um transatlântico e indica queda de juros mais lenta.
BNDES: aprova R$ 7,5 bi para renegociações de dívidas de produtores rurais.
BRICS: lança novo sistema de pagamentos para contornar o dólar americano.
Saneamento: deve movimentar ao menos R$ 20 bilhões na bolsa.
BB Seguridade: tem recomendação rebaixada pelo Goldman Sachs.
Azul: recebe aval do Cade para o aporte da United que pode chegar a 8% da companhia.
Anthropic: mirando IPO, contrata executivo veterano e ex-funcionário do governo Trump ao seu conselho.
C6 Bank: capta R$ 700 milhões em emissão de letras financeiras e tem forte demanda.
Coca-Cola: apresenta um guidance moderado, em meio a preocupações com a demanda.
Raízen: faz impairment de R$ 11 bi e diz que acionistas vão injetar capital.
BRASIL
Banco Pleno: mais uma liquidação do BC

Liquidação pode ser música pro ouvido de quem faz compras, mas é o pesadelo de qualquer empresa. E em plena quarta-feira de cinzas, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, que acumulou mais reestruturações em anos do que muitos bancos passam em décadas.
O Pleno é o antigo Banco Voiter, que foi comprado pelo Banco Master em 2023 e, no ano passado, acabou vendido para o banqueiro Augusto Lima — ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.
Segundo o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira”, com deterioração da liquidez, além de descumprimento de normas e determinações da própria autarquia. Em bom português: faltou fôlego no caixa e sobraram problemas regulatórios.
No papel, o balanço não assustava: R$ 7,6 bilhões em ativos, R$ 787 milhões de patrimônio e lucro de R$ 29,7 milhões no 3T25, ainda sob o guarda-chuva do Master. Solvência aparente havia. O que faltou foi confiança!
Em termos de tamanho sistêmico, o impacto é limitado: o Pleno representava apenas 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Mas são mais alguns bi na conta do FGC, que tem trabalhado ultimamente e vai desembolsar mais de R$ 50 bi ao todo:
Banco Master: R$ 40,6 bilhões
Banco Will: R$ 6,3 bilhões
Banco Pleno: R$ 5 bilhões (estimativas)
PS: apesar de já ter sido Banco Master, ele atualmente se encontra fora do conglomerado, então os valores do FGC permanecem elegíveis.
CARTEIRA DO BILIONÁRIO
Druckenmiller: a lenda que quebrou o BoE agora compra Brasil

O mercado financeiro possui algumas lendas carimbadas. Uma delas é o Sr. Stanley Druckenmiller, famoso por ter apostado contra a libra esterlina e praticamente quebrar o Banco da Inglaterra em 1992 . Essa semana, através do formulário 13F, ficamos sabendo que o Brasil entrou no seu radar.
→ Ele comprou 3,6 milhões de cotas do EWZ, o principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York.
→ No fim de dezembro, a posição valia ~US$ 113 milhões, algo como 2,5% da carteira do fundo — que já subiu para US$ 135 milhões.
O movimento no EWZ foi a terceira maior mudança do portfólio no último trimestre. As mudanças mais parrudas foram nos EUA, com a compra de US$ 300 milhões em cotas de um ETF do setor financeiro do S&P 500 e também com a compra de US$ 225 milhões no ETF Invesco S&P 500 Equal Weight.
Teve também apostas mais específicas:
Alcoa com US$ 73 milhões.
Delta, United Airlines e American Airlines somando quase US$ 100 milhões.
Triplicou a posição em Alphabet para US$ 120 milhões
Reforçou Amazon, que chegou a US$ 170 milhões.
Por outro lado, zerou Meta, Citi, Bank of America e Nubank.
A interpretação das movimentações da carteira é que Druckenmiller está reduzindo concentração em big tech tradicional, reforçando o setor financeiro, abrindo apostas em setores cíclicos e colocando uma ficha no Brasil. Quando um macro investidor desse porte compra EWZ e ainda leva calls, fica mais com cheiro de tese do que de turismo.
DECIFRANDO O CONDADO

13F
O Formulário 13F é um relatório que gestores de investimentos com mais de US$ 100 milhões sob gestão precisam enviar trimestralmente à Securities and Exchange Commission (SEC), a “CVM americana”.
Lá são detalhadas as posições em ações negociadas nos Estados Unidos. Na prática, é como abrir uma fresta da carteira dos grandes fundos e revelar onde eles estão apostando, mas com um pequeno atraso, já que os dados refletem o fim do trimestre anterior.
TECH
IA: a nova rotação global

Todo dia surge um novo capítulo e modelo da novela da IA e os gestores estão se posicionando conforme a música toca. Na última pesquisa global do Bank of America, o clima foi meio agridoce: de um lado, o otimismo com lucros é o mais forte em quase quatro anos, mas do outro começam a aparecer rachaduras no discurso.
35% dizem que as empresas estão gastando demais em Capex — maior % em mais de 20 anos.
25% veem uma possível bolha de ativos movida por IA como principal risco de cauda.
30% acreditam que o apetite bilionário das big techs pode gerar um estresse de crédito lá na frente.
Com esse pano de fundo, os gestores estão fazendo o que sempre fazem quando a festa começa a parecer cara demais: reduzindo posição em tecnologia, diminuindo exposição ao dólar e aumentando apostas em energia, materiais básicos e consumo defensivo. Essa rotação também vem acompanhada de uma troca de CEP.
Pra quem aposta na Europa a tese é simples: valuation. Boa parte do S&P 500, fora do clube das mega techs, não tem vantagem clara de crescimento sobre empresas europeias.
Nos emergentes, a tese é que muitas empresas nesses países atuam praticamente como monopólios ou oligopólios, e assim elas têm poder de preço e menos concorrência. Ou seja, não precisam torrar bilhões em IA só para continuar relevantes.
Na Ásia, o apetite também está forte, com os fundos fazendo a maior compra líquida de ações em quase uma década. Lá o foco é em empresas ligadas à infraestrutura de IA.
Por enquanto, a corrida continua. Data centers sobem, chips voam das prateleiras e CEOs falam em “infraestrutura do futuro”. Mas à medida que a conta engorda, os investidores começam a fazer a pergunta clássica de qualquer jantar: quem vai pagar a conta?
STATS DO DIA
R$ 85,2 milhões
Foi o quanto o Carnaval recebeu de verba federal em 2026. Dessa grana, ~R$ 53 milhões partiram de emendas parlamentares. Outros R$ 14,8 milhões saíram das cotas de patrocínio da Caixa e R$ 12 milhões da Embratur. Do outro lado, a expectativa é de que o Carnaval desse ano termine movimentando até R$ 20 bilhões na economia do Brasil.

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