Bom dia Droppers.

Hoje pensei no chuveiro: que o crédito caro é um grande problema, mas o crédito artificialmente barato costuma ser um problema ainda maior.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Big techs: as Mag-7 em 7 velocidades diferentes
• EUA: Trump contra os juros do cartão
• FIIs: o desempenho do IFIX
• Brasil: o ano dos dividendos

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a gangorra do Ibovespa não sabia pra que lado pender com o aumento (de novo) das tensões entre Donald Trump e o Fed. O destaque da bolsa ficou com a GOL, que teve as ações subindo 55% depois que um relatório de valuation indicou o valor de R$ 10,15 por lote de 1.000 ações – depois da divulgação do valor indicativo da oferta pública de ações (OPA), que servirá de base para a empresa fechar o capital e deixar a B3.

Lá fora, Donald Trump e Jerome Powell continuam pra ver quem manda mais no cabo de guerra dos juros básicos dos EUA. Mas a disputa entre Casa Branca e Fed não assustou os índices, com S&P e Dow Jones fechando a segunda com a renovação de suas máximas pelo segundo dia seguido – as techs puxaram o bonde. Hoje vamos ter a divulgação do CPI, dados da inflação do consumidor americano, e também o começo da temporada de balanços, com os bancos puxando a fila.

BIG TECH

Mag-7 em 7 velocidades diferentes

Magnificent Seven pode parecer nome de banda de rock ou filme do Tarantino, mas é o grupo das sete maiores empresas de tecnologia do mundo. Juntas, elas responderam por boa parte da alta do S&P 500 no ano passado, mas uma análise mais de perto mostra que cada uma vai correndo em seu próprio ritmo.

  • Alphabet: a dona do Google puxou o grupo com destaque para as ações subindo 65% após o lançamento do Gemini 3 Pro, que mostrou que a empresa pode liderar a corrida pela IA generativa. Ontem a empresa bateu a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado.

  • Nvidia: avançou 39,7%, surfando na demanda quase insaciável por chips e infraestrutura de dados. Ela segue sendo a principal fornecedora desse petróleo digital e chegou a bater US$ 5 trilhões no ano passado.

  • Microsoft: teve alta de 15,7%, sustentada pelo crescimento do Azure e por um plano agressivo de investimentos em IA na casa dos US$ 80 bilhões no ano.

  • Meta: subiu 13,8%, apoiada em receitas sólidas de publicidade, mas teve um retorno abaixo do S&P.

  • Tesla: apesar de ficar boa parte do ano no negativo, fechou com alta de 12,5%. O ano foi bastante volátil para a empresa que viu suas margens serem pressionadas, incentivos fiscais serem cortados e a BYD ultrapassando.

  • Apple, subiu 9%, focada no lançamento do iPhone 17. Embora tenha sido mais cautelosa na adoção de IA, há quem veja nisso menos pressa e mais disciplina.

  • Amazon, ficou na lanterna com alta de 6%. A AWS continua sendo o principal motor de lucro, mas o alto nível de investimentos e as pressões regulatórias limitaram o desempenho das ações.

Apesar do rótulo coletivo, as Mag-7, neste momento, não são um bloco homogêneo. O investidor que tratar o grupo como um pacote fechado corre o risco de pagar caro por conveniência. Cada empresa está em um estágio diferente da tese de IA, com modelos de negócio, margens e riscos próprios.

MACRO/AÇÕES
  • Fed: Jerome Powell é investigado pelo departamento de Justiça americano.

  • Criptomoedas: as previsões do Mercado Bitcoin para o ano.

  • FGC: deve começar os pagamentos dos credores do Banco Master entre essa semana e semana que vem.

  • IPCA: encerra 2025 dentro da banda superior da meta do BC.

  • Venezuela: gestora protocola na SEC pedido de ETF de ativos da Venezuela.

  • Tarifas: Trump anuncia que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25%.

  • Ouro: renova suas máximas, batendo a marca dos US$ 4.600.

  • Dólar: Goldman Sachs vê dólar mais resiliente para esse ano.

  • Master: Fundo da Reag, ligada ao banco, multiplicou patrimônio em 30.000x em 20 dias.

  • Vasta: empresa de educação controlada pela Cogna aprovou a deslistagem das ações na Nasdaq.

  • Alphabet: Wells Fargo eleva preço-alvo de US$ 268 para US$ 350.

  • GM: carros elétricos e China dão prejuízo de US$ 7,1 bilhões para a montadora.

  • Atlas Critical Minerals: faz IPO na Nasdaq para explorar terras raras no Brasil.

  • Walmart: subiu +3% depois de entrar no Nasdaq-100.

  • Brava Energia: elege seu novo CEO, o atual presidente do Conselho Richard Kovacs.

  • Bradesco: vai ao mercado externo para captar US$ 500 milhões

EUA

Trump contra os juros

Via Sherwood

Os EUA são uma potência em inovação, entretenimento… e dívida. Só o governo deve ~US$ 38 trilhões e as famílias mais US$ 18 trilhões. A maior parte disso em hipotecas, mas o saldo dos cartões de crédito já passa de US$ 1,2 trilhão. Para conter essa epidemia de dívidas, Trump quer proibir empresas de cobrarem os 21% de juros e limitar a 10% ao ano.

O presidente usou as redes sociais para dizer que bancos e operadoras de cartão estão "passando a perna" nos consumidores. Como o mercado não gostou nem do tom e da ideia de baixar o teto, ontem as ações de Visa (-2,7%), Mastercard (-2,7%) e Capital One (-8.7%) deram uma bela tropeçada.

A proposta pode ser um terremoto no mercado financeiro:

→ Na teoria: menos juros representam mais dinheiro sobrando no bolso dos consumidores e aquecimento de mercado.
Na prática: o efeito colateral pode ser grande, com bancos fechando a torneira dos créditos para clientes mais arriscados – empurrando quem mais precisa de crédito para o colo de agiotas e financiadores não regulados.

Por enquanto, o consenso é que a ideia dificilmente sai do papel. Analistas comentam que Trump não tem autoridade executiva para impor esse tipo de teto sem passar pelo Congresso. Mas, onde tem fumaça pode ter fogo e Wall Street correu para vender as ações das emissoras de cartões e também dos bancos.

PS: emissores de cartão tiveram um dia para ser esquecido: American Express caiu 4,27%, Capital One derrapou 6,40% e Synchrony Financial despencou 8,36%.

DECIFRANDO O CONDADO

IFIX

É o índice que acompanha o desempenho dos principais fundos imobiliários negociados na B3, funcionando como um termômetro para esse mercado no Brasil.

Ele reúne uma carteira diversificada de fundos e classes, de shoppings a galpões logísticos, de lajes corporativas a papéis.

Em resumo, é um IBOV do mundo imobiliário.

FUNDOS

IFIX: desempenho e expectativas

Os fundos imobiliários (FIIs) voltaram a brilhar no radar dos investidores. O IFIX, índice referência do mercado. subiu mais de 21% em 12 meses, embalado por (i) expectativa de juros mais baixos; (ii) sensação de que o pior já passou e; (iii) atividade econômica reaquecendo.

Segundo o Focus, a taxa básica de juros Selic pode encerrar o ano em 12,25% (abaixo dos atuais 15%) e para um setor sensível a juros, isso muda muita coisa.

Mesmo com a alta de 2025, no fundamento o setor ainda parece barato. O IFIX negocia, em média, com desconto superior a 10% em relação ao valor patrimonial. Ou seja: ainda tem muito fundo sendo vendido abaixo do “preço de etiqueta”.

Mas o investidor não pode comprar qualquer coisa com os olhos vendados, principalmente no mercado de Fiis. Alguns ainda carregam endividamento muito alto, vacância estrutural ou balanços esquisitos… riscos que não combinam com um ano que tende a ser ainda mais volátil por causa das eleições.

Nos últimos 12 meses, os destaques do IFIX entregaram retornos de 41% a impressionantes 104%, somando valorização das cotas e dividendos. As cinco maiores valorizações ficaram com:

  • RECT11 (Lajes Comerciais): 104,48%

  • RECR11 (Papéis): 80,07%

  • PATL11 (Logística): 56,52%

  • BROF11 (Lajes Comerciais): 51,41%

  • VILG11 (Logística): 50,14%

Entre os setores, o destaque ficou com os Galpões Logísticos, que possuem 5 entre as 10 maiores valorizações do índice. Em seguida temos os de lajes corporativas de recebíveis com 2 cada e finalizando os de Shopping com 1 ativo entre os top 10 (HSML11).

Em uma carteira equilibrada, os FIIs entram como peças-chave para quem busca renda mensal. O cenário ajuda, é verdade, mas não dá para sair comprando qualquer CEP imobiliário.

PS: mesmo com a expansão do setor logístico, as expectativas é que ainda irão faltar 500 mil m2 para 2026.
PS2: a vacância na Avenida Paulista caiu pela metade no ano passado.

BRASIL

Ibovespa: os dividendos em alta

Em 2025 teve muita notificação do Pix caindo na conta do investidor brasileiro. As companhias listadas na B3 distribuíram cerca de R$ 170 bilhões em dividendos:

→ Empresas do Ibov: R$ 149,1 bilhões
Small Caps: R$ 21,1 bilhões

No topo do ranking, quem mandou o dinheiro falar mais alto foram commodities, bancos e consumo, setores com caixa robusto e vocação histórica para agradar os sócios. No ranking:

  • Vale (VALE3): ficou com a medalha de ouro distribuindo R$ 17,7 bilhões;

  • Itaú Unibanco (ITUB4): em 2°, distribuiu R$ 15,8 bilhões;

  • Ambev (ABEV3), fecha o pódio com R$ 13,2 bilhões.

Entre as small caps, construtoras e empresas de consumo fizeram bonito durante o ano.

  • Vulcabras (VULC3) liderou o grupo com R$ 1,51 bilhão

  • Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3): seguiram a líder de perto, todas na casa de R$ 1,3 bilhão.

Com a tributação dos dividendos batendo na porta, as empresas que conseguiram transformar lucro em dinheiro na conta do acionista ganharam um brilho extra. Empresas com geração de caixa previsível e políticas claras de remuneração passaram a ser vistas quase como “ativos defensivos” da bolsa.

Olhando para frente, a pergunta deixa de ser “quem pagou mais?” e passa a ser “quem consegue continuar pagando?”.

PS: Justiça prorroga prazo para aprovação de dividendos isentos, que agora vai até 31 de Janeiro.

STATS DO DIA

-US$ 33,316 bilhões

foi a quantidade de dólares saindo do Brasil em 2025 (o fluxo cambial), marcando a segunda maior saída de dinheiro do país desde que esses dados começaram a ser medidos – perdendo apenas para 2019, quando a saída foi de ~45 bilhões de dólares.

Via Agência Brasil

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