
Bom dia, {{name | droppers}}!
Pensei no chuveiro: que a evolução natural do dinheiro é migrar de papel e moedas para pix e cartões. Mas na Suíça - o berço dos bancos e da inovação financeira - +73% da população decidiu através de um referendo que o país deve continuar disponibilizando dinheiro em espécie, mesmo que o uso de cash tenha saído de 70% para 30% das transações na última década.
PS: o suíço médio também mantém +US$10.000 em dinheiro no colchão de casa.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• PETR: nada nem ninguém pode nos parar
• China freou: o menor crescimento desde 1991
• Renner: vestiu um cropped e reagiu
• América Latina: a bola da vez dos investidores globais

GIRO PELO MERCADO


Por todos os cantos: o dia de ontem marcou uma das maiores volatilidades no mercado de petróleo dos últimos anos, no mundo todo. Na montanha-russa montanha-americana-iraniana: os investidores acordaram com o petróleo em ~$91, subiu para ~$120 (+10%) durante o dia e fechou em ~$88 (-1%) com a declaração de Trump de que a guerra está “praticamente concluída”.
Por aqui: o Ibovespa seguiu o ritmo do petróleo e deu um giro de 180°, saindo de -1% para +1%. Já o dólar, que estava nas alturas, despencou 13 centavos da sua máxima e fechou em R$ 5,16.
Por lá: a Nasdaq também refletiu a volatilidade do resto do mundo, saindo de -1.5% no dia para +1.4%. Já os postos de combustível não se recuperaram tão rápido e a gasolina bateu recorde histórico de US$5,016 por galão.
EARNINGS
PETR: nada nem ninguém pode nos parar

A Petrobras atravessou 2025 como quem dirige uma estrada esburacada, mas sem perder velocidade. Os buracos - a queda do preço do petróleo ao longo do ano - impactaram os números da estatal, que mesmo entre trancos e barrancos conseguiu entregar um resultado sólido - mérito de duas alavancas bem conhecidas: produzir mais e operar melhor. Os números do trimestre:
🟢 Receita: R$127 bilhões, crescendo 5%.
🟢 Lucro Líquido: R$ 15,6 bilhões, crescendo 191% do mesmo período de ‘24.
🟢 EBITDA: R$ 59,9 bilhões, crescendo 46% na base anual anterior
🔴 Dívida Líquida: US$ 60,6 bilhões, crescimento de 16%.
Mesmo com o petróleo caindo -15% ao longo do ano passado e fechando em baixa, a Petrobras conseguiu atingir um lucro líquido acumulado no ano de ~R$110 bilhões, o que representa duas coisas diferentes, dependendo de como se olha:
Sem eventos exclusivos: esse valor representa uma queda discreta de 2% em relação ao ano anterior.
Com eventos exclusivos: principalmente ganhos com variação cambial, o valor representa um aumento de +200% ante os ~R$37 bilhões de 2024.
As casas de análise (BTG, Itaú, Eleven, Suno) gostaram do que viram. Apesar do vento contrário, a maior empresa do Brasil mostrou resiliência com eficiência e apresentou resultados sólidos nas demais frentes:
→ EBITDA: o indicador queridinho de quem acompanha o setor petroleiro, somou R$230 bilhões (+12,6%), com destaque para o último trimestre, quando o EBITDA ajustado bateu R$59,9 bilhões (+46%).
→ Dividendos: o assunto preferido dos cotistas, também surpreendeu. O conselho autorizou o envio de uma proposta para distribuir R$ 8,1 bilhões, cerca de 15% acima do que o mercado esperava.
→ Investimentos: foi outra linha que ganhou velocidade. A empresa aplicou R$20,3 bilhões, um salto de 22% do ano anterior e 10% acima do previsto. Com isso, a alavancagem subiu para - um nível considerado confortável para uma petroleira.
O petróleo pode até oscilar, mas a Petrobras continua mostrando que sabe extrair valor e dividendos, mesmo quando o barril resolve não ajudar muito. Os analistas bateram palma e dois pontos apareceram como consenso: aumento da produção e bom desempenho do refino.
Recomendação dos analistas:
Compra: 9 | Neutro: 5 | Venda: 01
Preço-alvo médio: R$ 42,58 | Preço atual: R$ 43,16
MACRO/AÇÕES
PIB BR: 5° ano seguido com expansão acima do potencial, crescendo 2,3%
Café: preços caem no mundo, com superávit de produção liderado pelo BR.
Selic: efeitos da guerra travam o consenso de corte para a próxima reunião.
Ethereum: mais de 58% da cadeia de fornecimento não é lucrativa.
Simpar: prepara aumento de capital de até R$ 3,35 bi, liderado pelo BNDES.
EMS: compra a Medley e consolida liderança em genéricos.
Embraer: demanda por jatos comerciais cresce e receita chega a R$ 14,3 bi.
BRK: avalia adiar o 1° IPO no Brasil em 5 anos por causa da tensão global.
Centauro: cresce nas vendas, mas margens ficam espremidas.
Safra: antecipa novo imposto e paga dividendos de R$11 bilhões.
Ultrapar: Chevron negocia a compra de 30% da Ipiranga.
Grendene: negocia venda de subsidiária dos EUA à canadense Pajar Dist.
Track&Field: cruza pela primeira vez a linha de R$1bi em receita..
CHINA
China freou: o menor crescimento desde 1991

A segunda maior economia do mundo anda pisando no freio: a China reduziu sua meta de crescimento deste ano para algo entre 4,5% e 5% — o ritmo mais lento dos últimos 35 anos, se desconsiderarmos o fatídico ano de pandemia.
Porque? O motivo é que os chineses ainda não voltaram a consumir com força total. Enquanto a média global de consumo como porcentagem do PIB gira em torno de 55-60%, na China o consumo representa só ~40% do PIB.
Um exemplo disso é a BYD, que havia ultrapassado a Tesla para se tornar a maior vendedora de carros elétricos do mundo, mas levou um tombo de -65% nas entregas dentro da própria China - o que fez com que as vendas de veículos da empresa caíssem -41% em fevereiro em relação ao ano anterior.
Diante disso, na reunião anual do parlamento chinês, Pequim apresentou o novo plano econômico do país para os próximos cinco anos. O novo roteiro incluía as letrinhas mágicas (IA) mencionadas 50x e investimentos pesados em áreas estratégicas como:
Computação Quântica
Biofabricação
Hidrogênio
Energia de Fusão
Interfaces cérebro-computador
Redes móveis 6G
Se o modelo antigo foi baseado em construção e exportação, Xi Jinping quer que o novo motor de crescimento seja a autossuficiência e superioridade tecnológica.
Para jogar mais lenha na fogueira grana na economia, o Partido Chinês anunciou:
→ ¥800 bilhões (US$116 bilhões) em investimentos domésticos.
→ ¥100 bilhões (US$650 milhões) em créditos para consumidores e empresas.
A mensagem é clara: a China pode até estar tirando um pouco o pé do acelerador do crescimento, mas está pisando fundo na corrida tecnológica.
PS: o orçamento militar chinês vai subir 7% neste ano, chegando a cerca de US$ 277 bilhões - aproximadamente um terço do gasto militar planejado pelos EUA.
DECIFRANDO O CONDADO

Involution
É um termo que descreve uma situação onde pessoas ou empresas trabalham cada vez mais, competem mais e investem mais esforço, mas sem que isso gere progresso real ou ganhos proporcionais.
A expressão ficou popular para explicar ambientes altamente competitivos, em que todos correm mais rápido apenas para continuar no mesmo lugar.
Em vez de crescimento ou inovação, o resultado acaba sendo um ciclo de pressão, excesso de trabalho e retornos cada vez menores.
O jogo fica mais intenso, mas o placar praticamente não muda.
EARNINGS
Renner: vestiu um cropped e reagiu

Depois de alguns anos arrumando o guarda-roupa da operação, a Lojas Renner resolveu desfilar na passarela dos resultados e o look escolhido foi um clássico, que nunca sai de moda: lucro recorde.
A varejista de moda fechou 2025 com números históricos, tanto no último trimestre quanto no acumulado do ano e agora diz estar pronta para acelerar um novo ciclo de crescimento. Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$4,8 bilhões, crescendo 4,8%
🟢 Lucro Líquido: R$ 552 milhões, subindo 13,4%
🟢 EBITDA ajustado: R$ 1 bilhão, alta de 9,3%
O destaque não ficou apenas com o crescimento, mas também a eficiência: o EBITDA ajustado somou R$1 bilhão no trimestre e R$3,2 bilhões no acumulado do ano - alta de 9,3% com margem de 25,6% ganhando 1,1 p.p em relação ao ano anterior.
O CEO Fabio Faccio entregou um combo que não é Fácil: aumento de margem, crescimento nas vendas, redução no estoque, controle nas despesas, investimentos e ainda gerou caixa - tudo isso enquanto comanda um império do varejo que inclui as marcas Renner, Camicado, Youcom, Ashua, Repassa e Realize.
Olhando para trás: os grandes e custosos investimentos estruturais foram praticamente concluídos e a base para uma expansão agressiva foi construída.
Olhando para frente: o plano para os próximos quatro anos incluem um crescimento anual de receita líquida de 9-13% enquanto miram um ROIC de ~20%.
Para chegar lá, a estratégia consiste em ampliar a presença física: no ano passado foram abertas 34 lojas (sendo 23 no último trimestre) e no ano que vem serão abertas mais 50-60 unidades através de um investimento de ~R$1 bilhão.
PS: $LREN3 sobe +8,33% neste ano e +28,17% nos últimos 12 meses. Hoje a empresa vale R$14,5 bilhões, sendo negociada a 9x P/L.
PS2: a Renner conseguiu aumentar as vendas por m² mais do que os concorrentes, e terminou o período com a melhor margem bruta do setor.
Recomendação dos analistas:
Compra: 11 | Neutro: 4 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 18,97 | Preço atual: R$ 14,57
LATAM
América Latina: a bola da vez dos investidores

Depois de anos encostada no canto da festa, a América Latina finalmente voltou para o centro da pista e está dando um show. São 9 semanas seguidas de ganhos consecutivos que geraram:
→ a maior sequência desde 2017 !
→ o melhor começo de ano desde 1991!
→ o ritmo mais acelerado de exposição de investidores globais da década!
→ a máxima dos últimos 11 anos do MSCI Em América Latina (+20%)
O baile é puxado pelo Brasil, México e Colômbia, que lideraram o fluxo estrangeiro de capital chegando em terras latinas. Prova disso é a performance dos ETFs:
ETF iShares Latin America 40 (ILF) captou +US$ 1 bilhão em janeiro
ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) maior entrada mensal em +10 anos.
A trilha sonora embalando a festa é: recalibração global.
Com o dólar perdendo força, os ativos latino-americanos ganham força.
Some isso ao fato dos mercados emergentes estarem subalocados há anos.
Mas enquanto os gringos compram com a empolgação de quem está vivendo o Carnaval pela primeira vez, os investidores locais seguram o passinho. Enquanto os estrangeiros olham a matemática de fora (commodities firmes, perspectivas de cortes de juros e alto potencial de retorno, os nativos olham a matemática de dentro (tensões políticas, instabilidades sociais, eleições).
Entre política, commodities e possível flexibilização monetária, a América Latina deixou de ser nota de rodapé e voltou a ser tese. Depois de tanto tempo esquecida, a região reaparece no mapa dos grandes fluxos globais. Resta descobrir se é um voo final ou apenas uma conexão.
PS: A Argentina não foi convidada para a festa e ficou de fora do rally da América Latina.
STATS DO DIA
220 mil m²
é o espaço do maior contrato de locação de galpões logísticos do Brasil, assinado pela chinesa Shopee para armazenar e distribuir suas bruzinhas no Brasil - o equivalente a 27 campos de futebol.

O que você achou da edição de hoje?
DROPS
Elevando o QI da internet no Brasil, uma newsletter por vez. Nós filtramos tudo de mais importante e relevante que aconteceu no mercado para te entregar uma dieta de informação saudável, rápida e inteligente, diretamente no seu inbox. Dê tchau às assinaturas pagas, banners indesejados, pop-ups intrometidos. É free e forever will be.
