Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que o sucesso dos investidores está sendo realmente apostar no TACO (Trump always chicken out). O WSJ apontou que 9 dos 10 melhores ganhos diários do S&P durante o segundo mandato de Trump foram de alívios com a guerra ou com a suspensão de tarifas.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Small caps: mais baratas que o Ibovespa
• Bancos: inadimplência recorde
• Universal Music: Ackman quer subir no palco
• Google Finanças: o assistente com IA

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a quarta-feira deixou muita gente feliz com o recorde duplo de máxima de fechamento (+2,09%) e máxima de intradiário (+2,92%) — acima dos valores de fevereiro. O otimismo global pegou no Brasil também com o cessar-fogo entre Irã e EUA, e o Ibovespa viu R$ 41,8 bilhões sendo movimentados. Tudo isso e o dólar ainda caiu para o menor preço dos últimos 2 anos: R$ 5,10.

Lá fora, o cessar-fogo foi comemorado em todo lado e os índices americanos subiram forte. Todos os setores tiveram um rally de alívio, exceto o de energia. Os primeiros navios começaram a passar no Estreito de Ormuz e o petróleo já despencou, chegando a cair -15% e voltando para baixo dos US$ 100 o barril. O Bitcoin ultrapassou a barreira dos US$ 70.000, impulsionando outras criptomoedas.

Small caps: mais baratas que o Ibovespa

É a primeira vez em 6 anos que os valores ficam abaixo do índice

A história não é nova: o dinheiro gringo entra na bolsa brasileira e as grandes empresas são disputadas a tapa, enquanto as small caps ficam esquecidas. Resultado: agora estão negociando no preço mais “barato” em relação ao Ibovespa pela primeira vez em quase sete anos.

→ Empresas menores costumam carregar um prêmio, já que prometem crescer mais rápido.
← Hoje elas estão sendo negociadas a cerca de 9,31x P/L projetados, contra 9,41x do próprio Ibovespa.

O motivo tem nome e sobrenome: fluxo estrangeiro. Só no primeiro trimestre, mais de R$ 50 bilhões entraram na bolsa brasileira e a maior parte desse dinheiro foi direto para as blue chips. O efeito foi imediato: o Ibovespa disparou 15% no ano, enquanto o índice de small caps ficou com uma alta bem mais tímida (4,2%).

Agora, as ações lá no escanteio começam a chamar a atenção com gente aparecendo na área pra cabecear. Não porque algo mudou substancialmente, mas porque as small caps ficaram baratas demais para ignorar.

É o clássico movimento de rotação: depois de encher o carrinho com o que todo mundo quer, o investidor começa a garimpar o que ficou pra trás. E no combo expectativa de queda de juros + mercado buscando oportunidades, as small caps podem voltar a sorrir.

MACRO/AÇÕES

  • S&P500: tem o pior trimestre desde 2022.

  • M&As: têm o melhor trimestre desde 2021 e atraem estrangeiros.

  • Fundos Multimercado: disparada dos juros expõe perdas nos fundos.

  • FIIs: Patria busca shoppings dominantes para turbinar o PML11.

  • Stone: cai 20% em pouco mais de um mês.

  • Vitru: lança follow-on para levantar até R$ 300 milhões.

  • Berkshire Hathaway: como usou o caixa no passado.

  • Oncoclínicas: adia pagamento a credores e Fitch rebaixa rating a nível pré-default e deve pedir cautelar contra credores

  • JBS: pode ser incluída no índice Russell 1000 e destravar fluxo.

  • Riachuelo: quer recuperar as margens e a estratégia passa por megafábrica em Natal.

  • Sabesp: está estudando privatização da Copasa.

  • BTG Pactual: assina acordo para compra do Digimais, de Edir Macedo.

  • Will Bank: FGC inicia pagamento a credores.

  • Suzano: BofA rebaixa com preço mais baixo para a celulose.

Bancos: inadimplência recorde

Endividamento brasileiro pressiona setor bancário e crédito

Se o mercado fosse uma escola, 2026 começou com prova surpresa, conteúdo acumulado e metade da turma dos bancos com medo de recuperação. Com juros nas alturas e inadimplência recorde, o clima é de boletim vindo e ninguém muito confiante no resultado.

A Selic vai cair, mas ninguém sabe o quão devagar. Conflitos internacionais e alta do petróleo jogaram água no chopp e cortes mais lentos significam dívidas maiores por mais tempo.

Os números ajudam a explicar o frio na barriga:

  • 81,7 milhões de brasileiros estão com dívidas em atraso (praticamente metade da população adulta).

  • As famílias estão comprometendo um recorde de 29,33% da renda com dívidas.

  • O número de CNPJ inadimplentes bateu novo recorde em 2025, com 8,9 milhões de empresas.

Fazer as contas nesse caso é fácil: mais inadimplência significa mais cautela, e, portanto, menos crédito na praça. O próprio BC já projeta uma desaceleração no crescimento do crédito este ano. Enquanto isso, cada instituição tenta se proteger como pode.

  • Nubank: mais exposto a clientes de menor renda, pode sentir mais o tranco.

  • Inter: pode frear a expansão, com uma carteira com mais PME.

  • Bradesco e Santander: já deram uma “limpada” no risco e hoje operam com carteiras mais conservadoras.

  • Itaú: segue com aquele estilo mais prudente que costuma atravessar crises sem grandes sustos.

  • BB: ainda enfrenta a ressaca da crise do agro.

O sistema bancário brasileiro até tem histórico de aguentar pancada (provisões existem justamente para isso). Mas o cenário atual mistura juros altos, economia mais fraca e uma dose extra de incerteza global que ninguém pediu. É como dirigir com neblina: dá pra seguir, mas tirar o pé do acelerador é questão de segurança.

Ackman quer subir no palco

Investidor quer transformar a Universal Music no show principal de WS

Todo festival tem pista, pista premium, área vip, área vip++… Mas o ingresso que dá direito a mexer nas estruturas da maior gravadora do mundo é só para bilionários como Bill Ackman, que acaba de fazer uma proposta digna de headliner para a Universal Music (UMG).

O gestor da Pershing Square quer combinar a UMG com um veículo de aquisição nos EUA e reprecificar a companhia como se o mercado tivesse aumentado o volume. Na conta do Ackman, isso colocaria a empresa em cerca de € 30 por ação (cerca de € 56 bilhões, US$ 64,7 bilhões), um prêmio de 78%.

Para os acionistas, o pacote é no estilo “uma parte à vista, uma parte depois”: € 9,4 bilhões em dinheiro (cerca de € 5,05 por ação) mais 0,77 ação da nova empresa. Mas o ponto central aqui não é só pagar mais… é mudar a narrativa!

O problema? Ackman diz que a empresa está sendo negociada abaixo do que merece não por falhas no negócio (que segue hitando), mas por ruídos como estrutura de capital engessada e incertezas estratégicas.

A solução? Levar a empresa para Nova York, e reorganizar o balanço para liberar até € 15 bilhões nos próximos cinco anos entre investimentos, aquisições e recompra de ações.

O mercado comprou a ideia… por enquanto. As ações chegaram a saltar 24% no intraday, o maior pico desde o IPO em 2021.

PS: tem um personagem que pode barrar o sonho. Vincent Bolloré, o bilionário francês que controla ~18% da UMG, e sem o aval dele essa história dificilmente sai do papel.

Google: perguntar é mais fácil que buscar

O Google quer ser seu assistente financeiro e responder a perguntas direto no buscador

Quem não tem Bloomberg caça com Google, que vai ficando mais poderoso e dando cada vez mais informações relevantes aos investidores. A partir de agora, o Google Finanças tem inteligência artificial integrada e uma proposta de simplificar tudo: você pergunta… e ela responde.

A ideia é que o investidor não quer mais só olhar gráficos e digitar “PETR4 cotação”.. ele quer perguntar coisas do tipo “vale a pena investir em petróleo com guerra no Oriente Médio?” e receber uma resposta contextualizada.

O motor por trás disso é o Gemini (o ChatGPT do Google), que passa a funcionar como uma espécie de copiloto financeiro dentro da plataforma, misturando notícias em tempo real com respostas geradas na hora. Na prática, o Google Finanças virou um híbrido de feed + chat + dashboard.

Como toda IA, as respostas podem ter imprecisões, então a ideia não é substituir analistas, e sim organizar o caos de informação que já existe. As respostas vêm com links para as fontes, geralmente notícias relevantes indexadas no buscador, o que ajuda a entender de onde saiu cada insight.

Resta saber se isso vai deixar o investidor mais informado… ou só mais confiante nas próprias perguntas.

PS: leitor do MoneyDrop faz perguntas melhores (que levam a respostas melhores). Ajude seu amigo a ter essa chance indicando a news pra ele!

STATS DO DIA

US$ 11,4 bilhões

foi o valor que o FBI revelou que os americanos relataram em perdas por esquemas envolvendo criptomoedas no ano passado, crescendo 22% em relação a 2024.

Via Sherwood

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