Bom dia, {{name | droppers}}!

Pensei no chuveiro: que o Bitcoin sempre teve uma reputação de ser a versão digital do ouro, funcionando como proteção contra instabilidades geopolíticas e incertezas econômicas. Porém, a diferença entre o ouro físico (metal) e o digital (bitcoin) está cada vez maior: considerando um mesmo período desde outubro, o Bitcoin (ouro digital) caiu -45%, enquanto o Metal (ouro físico) subiu +30%.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Ultrapar: receita bate, lucro (contábil) apanha.
• Tanure: o grande saldão do portfólio
• Vulcabras: 22 trimestres correndo sem parar
• EUA x Irã: inflação ganha combustível

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Pedro Clivati
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, se a terça-feira foi marcada por investidores vendendo ativos considerados de risco (risk-off) puxando a bolsa para -3,28%, a quarta-feira foi marcada por Engov e Gatorade com o índice subindo +1,24%. Os investidores continuam assistindo a guerra EUA x Irã com cautela, mas ficaram mais tranquilos depois que o Presidente Trump garantiu a segurança do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo do mundo. Um dos destaques positivos do pregão foi o GPA, que depois de cair -18%, decidiu contratar consultores para reestruturar a dívida e recuperou +14,67%.

Lá fora, apesar dos pesares, foi um dia de otimismo e recuperação. A Nasdaq foi a protagonista, com as empresas tech puxando o barco. Já no macro, o setor privado americano abriu 63k vagas de trabalho (acima das 48k esperadas). Agora o mercado fica com um olho no peixe (conflitos geopolíticos) e outro no gato (divulgação do payroll, dados de mercado americano), que podem indicar mais corte de juros por aí.

VISUAL

Ultrapar: receita bate, lucro (contábil) apanha.

A Ultrapar tem tantos negócios diferentes no seu guarda-chuva que é difícil acompanhar: dona da Ipiranga (postos de combustíveis, lojas AmPm, app Abastece Aí), da Ultragaz (líder em gás liquefeito, energia elétrica e biometano), Ultracargo (maior operadora independente de armazenagem de granéis líquidos) e Hidrovias do Brasil (infra logística para o agro). Na montanha-russa contábil do último trimestre, a Ultrapar celebrou a receita bem acima do esperado mas lamentou o lucro bem abaixo:

  • 🟢 Receita: R$38 bilhões x R$35,3 bilhões esperados.

  • 🔴 Lucro Líquido: R$256 milhões x R$470 milhões esperados. 

  • 🟢 EBITDA: R$1,7 bilhões, alta de 36%.

A celebração: o melhor EBITDA ajustado recorrente da sua história como empresa de capital aberto, que teve início em 1999. A empresa gerou R$1.7 bilhão no quarto trimestre de 2025, uma alta de 36% ano contra ano - no acumulado de 12 meses, o EBITDA recorrente ficou em R$6,2 bilhões (+15%).

A lamentação: ficou com o lucro líquido, que sofreu uma queda de -71% e trouxe “meros” R$256 milhões, bem abaixo dos R$470 milhões esperados pelo consenso. Para o time, a queda tem seus porquês contábeis:

  • Comparação injusta: no mesmo período do ano passado, a empresa contou com um crédito fiscal extraordinário de R$711 milhões, o que ajudou e muito.

  • Impairment: da venda da operação de navegação costeira que teve um efeito de R$226 milhões no balanço. Sem isso, o lucro teria ficado muito perto do consenso.

O CEO, Rodrigo Pizzinatto, aproveitou para eleger a Ipiranga como “empresa-funcionária do trimestre”: cresceu 6% depois que o cerco a postos ilegais tirou a concorrência desleal da frente e abriu espaço para quem joga dentro da regra - mas se negou a comentar sobre os rumores de uma possível venda dessa operação.

Com a alavancagem em 1.7x (menor que os 2.5x da Petrobras, os 4.5x da Raízen, e os 4x da Vibra) e um plano de investir R$2.6 bilhões (com ~40% indo para expansão e ~60% indo para manutenção), a Ultrapar encantou a Faria Lima e vê suas ações subirem 61% nos últimos 12 meses, alcançando um valor de mercado de R$ 28,86 bilhões ao ser negociada a 9x P/L.

Recomendação dos analistas:

Compra: 9 | Neutro: 6 | Venda: 1

Preço-alvo médio: R$ 27,40 | Preço atual: R$ 25,86

MACRO/AÇÕES
  • Banco de Brasília: aporte de R$ 6,6bi enfrenta resistência de parlamentares

  • Oncoclínicas: enfrenta desafio de rolar R$ 1 bi em meio a troca de CEO.

  • Caixa: tem lucro de R$15,5 bilhões em 2025, com alta de 10,4%.

  • Petz-Cobasi: empresta R$ 122 mi para acionistas discutirem IR da fusão.

  • Locaweb: entra no jogo da nuvem com cloud 100% brasileira.

  • Pague Menos: aposta em fluxo estrangeiro para follow-on de quase R$ 1 bi.

  • PagBank: lucra R$ 678 milhões no 4T’25, em alta anual de 7,4%.

  • Pinterest: subiu 9% após a gestora ativista Elliott investir +US$ 1 bilhão.

  • WEG: vertical de baterias pode ser maior que a vertical solar.

  • Raia Drogasil: vende 4Bio Medicamentos ao grupo Profarma por R$ 600 mi.

  • Raízen: Shell investirá R$ 3,5 bi e espera aporte igual da Cosan.

  • Stone: desaba 20% com guidance fraco.

  • KNCR11: faz captação recorde para a gestora Kinea, em R$ 3,2 bilhões.

EMPRESAS

Tanure: o grande saldão do portfólio

O Rappa disse: É dia de feira… não importa a feira. Quem quiser pode chegar 🎵.
Nelson Tanure disse: estou chegando! Um dos grandes nomes do mercado de investimento brasileiro pendurou a placa de vende-se em boa parte do seu portfólio - e com tantos ativos para jogo, o mercado já apelidou d’O Grande Saldão de Tanure.

Na barraquinha de Tanure conta com um vasto cardápio de participações que inclui: petróleo, telecom, energia, saúde, construção civil.

O seu playbook já é conhecido: investir em empresas em distress financeiro. Em outras palavras, comprar ativos baratos na bacia das almas para reestruturá-las agressivamente e vendê-las com lucro elevado

O modelo funcionou com empresas como Sequip, estaleiros e HRT/PetroRio… até não funcionar mais. Depois da novela do Banco Master (que ele nega qualquer relação societária) e da RJ da Ambipar, a torneira começou a fechar. Com menos liquidez e mais pressão, os credores começaram a tocar a campainha e forçaram o mega investidor a se movimentar:

  • Alliança (ex-Alliar) entrou para o portfólio de Tanure em 2022 e virou peça central dessa engrenagem. A participação foi dada como garantia para financiar a compra da Ligga Telecom (ex-Copel Telecom). Com a deterioração financeira, credores executaram garantias e as ações acabaram nas mãos da Geribá, que agora controla 59,8% da companhia.

  • PRIO (ex-PetroRio) entrou para o portfólio em 2013 quando enfrentava dificuldades. Tanure ajudou a reerguê-la e hoje tem um valor de mercado de R$50 bilhões, considerada como a joia da coroa. Porém, quando a conta vence, até joia vira moeda de troca - e Tanure precisou reduzir sua fatia de 20% quase que em sua totalidade.

  • EMAE, o complexo do sistema hidráulico para energia elétrica, bem que tentou resistir. Tanure chegou a ir para Justiça contra a execução de garantias feita pela XP, após a venda de ações ligadas à companhia e o caso terminou em acordo.

A pergunta que não quer quitar calar é: o saldão foi suficiente para cobrir as dívidas ou vem mais cobranças por aí? Ninguém sabe, mas todos querem saber.
O copo meio cheio: saída de um controlador pressionado abre espaço para capital institucional, governança previsível e foco em retorno financeiro.
O copo meio vazio: as demais empresas do portfólio, como a Gafisa, acabam sendo impactadas, já que o risco de governança aumenta o prêmio exigido pelos investidores.

Às vezes, trocar o maestro muda o som da orquestra.

EARNINGS

Vulcabras: 22 trimestres correndo sem parar

A Vulcabras calçou um dos tênis que ela mesma produziu, decidiu correr uma maratona e não parou nem para amarrar o cadarço. A maior gestora de marcas esportivas do país acumula 22 trimestres consecutivos de crescimento com direito a uma sprint recorde na reta final de 2025:

  • 🟢 Receita: R$1 bilhão com alta de 11,4% no ano.

  • 🔴 Lucro Líquido: R$158 milhões caindo -6,1%.

  • 🟢 EBITDA: R$220,7 milhões, alta de 14,8%.

A Olympikus continua sendo a menina dos olhos e continuou pelo 3° ano seguido como uma das palavras mais buscadas no Google BR, seguida pela Mizuno e Under Armour, que tentam entrar no mercado de lifestyle para jogar contra a Nike/Adidas/Puma.

Verticalização é o grande diferencial: enquanto boa parte da indústria depende do Sudeste Asiático, a Vulcabras colhe os frutos de ter investido R$600 milhões em tech, inovação e expansão do seu parque fabril ao longo dos últimos 5 anos, além de um WD-40 Capex de R$150mi por ano para manter a máquina funcionando.

Ciclo do desenho ao lançamento: apenas quatro meses.
Pedido à produção: em semanas, não semestres.
Resultado: menos estoque, mais agilidade, zero liquidações destruidoras de margem

A empresa aproveitou para antecipar a taxação de dividendos e acelerou as distribuições pagando mais de R$ 1,54 bilhão aos acionistas. O plano agora é trocar a marcha e operar no modo conservador: reduzir a dívida e zerar a alavancagem..

No zoom-in (últimos 3 meses), a $VULC3 acumula queda de -10%. Para quem olha somente a foto, pode parecer que a corrida desacelerou.
No zoom-out (últimos 15 meses) a $VULC3 acumula alta de +60. Para quem assiste todo o filme, fica claro que a Vulcabrás está no primeiro pelotão sem cair o pace.

PS: nesse ano ela lançou o Pace, um supertênis de 140 gramas por R$ 2 mil, que se tornou o mais caro da história da empresa.

Recomendação dos analistas:

Compra: 6 | Neutro: 0 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 23,33 | Preço atual: R$ 18,19

INFLAÇÃO

EUA x Irã: inflação ganha combustível

O roteiro da inflação ganhou uma nova temporada. Quando tudo dava sinais de que ela, de fato, começava a se aproximar da meta de 2% do Fed, agora ganha um novo personagem explosivo: a guerra no Irã. E, como sempre acontece quando mísseis voam no Oriente Médio, o preço do petróleo levanta voo junto.

Quando petróleo e gás sobem, não é só aquele Opala bebedor que sofre, todos sofrem. Fica mais caro transportar comida, produzir bens, ligar a fábrica, esquentar a casa… energia é insumo universal e qualquer aumento repentino no seu valor afeta toda a cadeia e termina, inevitavelmente, na etiqueta da prateleira.

O barril do petróleo estava sendo negociado a ~US$68 antes do começo da guerra. No início da semana o barril já havia subido cerca de 10% e estava sendo negociado a US$79, além de alguns picos de tensão que elevaram para US$85.

A turma da Bloomberg rabiscou e modelou três possíveis cenários a partir daqui:

  • No melhor cenário: com cessar-fogo rápido ou até colapso imediato do regime iraniano, o barril poderia voltar para a casa dos US$ 65.

  • No meio do caminho, (o mais provável), a guerra continua sem grandes ataques à infraestrutura energética e o petróleo se acomoda em US$ 80.

  • No pior cenário: com conflito prolongado e fechamento do Estreito de Ormuz, o barril poderia bater US$ 108 - uma alta de 80% do nível pré-guerra.

Entre presidentes americanos e aiatolás iranianos, está o Fed que precisa decidir o que fazer com a taxa de juros:

De um lado: pressão política para cortar juros e dar um gás na economia, que já mostra sinais de cansaço no mercado de trabalho e na confiança do consumidor.
Do outro lado: o risco do preço da energia puxar a inflação para cima. Nesse cenário, cortar juros com petróleo subindo é como colocar lenha na fogueira.

O mercado acredita que o Fed manterá os juros inalterados (+97% de chance na próxima reunião) - com isso, os rendimentos dos Treasuries dispararam, pois os investidores recalibram suas expectativas, que antes das bombas, era de corte.

O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, resumiu a situação com uma metáfora digna de churrasco: “inflação é como um gambá numa festa. Está ali, fede um pouco, estraga o clima, mas não necessariamente acaba com o evento… a menos que resolva ficar a noite inteira” - agora fica a dúvida: o gambá vai embora rápido ou vai morar na sala.

STATS DO DIA

15 anos

é o tempo médio que uma empresa fica no S&P 500. O número vem caindo ao longo dos anos e já chegou a ser 61 anos de média na década de 50. A tendência continua de queda, 20% das empresas substituídas a cada 5 anos

via Apollo

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