Bom dia, {{name | droppers}}! Pensei no chuveiro: que dizem que a diversificação é o único almoço grátis do mercado financeiro, mas pra OranjeBTC isso deve ser um mito. A empresa tomou um empréstimo de US$ 10 milhões usando parte de sua reserva de Bitcoin como garantia para investir majoritariamente em ações da Strategy (a maior detentora corporativa de BTC do mundo, com 738.731 BTC). O objetivo é "capturar o diferencial entre o rendimento atual do ativo e o custo da dívida"… mas, na prática, é apostar duas vezes no mesmo cavalo.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Oracle: +20% em receita e lucro pela 1ª vez em 15 anos
• Ackman: do ativismo ao IPO
• Cogna: reportada vs. ajustada
• GPA e Raízen: quando gigantes pedem tempo

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann

Por aqui, o Ibovespa teve mais um dia de caos montanha-russa e depois de uma sequência de “cai-levanta” fechou o dia com uma leve alta de 0,28% — com um impulso nada discreto da Petrobras, que subiu 4% junto com a alta do petróleo no mundo. No campo político, novas pesquisas da Genial/Quaest mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro e toda pesquisa gera movimentações na Bolsa (não importa o que ela mostre).

Lá fora, o petróleo voltou a queimar nas conversas da geopolítica mundial e nem a liberação de reservas estratégicas pelo G7 conseguiu segurar a subida do preço da commodity. Investidor de óleo de olho, de fertilizante também: os preços de produtos químicos essenciais (como ureia e amônia) dispararam bem na época do plantio da primavera. Nos EUA, a inflação do consumidor de fevereiro ficou em 2,4% na base anual, o mesmo patamar de janeiro.

Oracle: +20% em receita e lucro pela 1ª vez em 15 anos

crescimento é bom, mas dependência de um cliente preocupa

A Oracle resolveu lembrar o mercado que ainda sabe crescer… e acelerado. A empresa não só superou as expectativas do trimestre, como também subiu a régua das projeções para os próximos anos pro founder pagar a Warner.

Esse foi o primeiro quarter em +15 anos em que a receita orgânica e o lucro por ação (non-GAAP) cresceram 20% ou mais ao mesmo tempo. Nada mal para a empresa que já foi rotulada como um dinossauro pré-cloud.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 17,2 bilhões x US$ 16,91 bilhões esperados (+22% ano/ano).

  • 🟢 Lucro Líquido: US$ 3,72 bilhões x US$ 2,94 bilhões do mesmo período do ano passado.

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 1,79 x US$ 1,70 esperados.

O crescimento: foi bastante influenciado pela nuvem, que já representa +50% das vendas da empresa. Só a área de cloud cresceu 44%, aproveitando a forte demanda pelo Oracle Cloud Infrastructure, o negócio de aluguel de servidores (+84%).

O destaque: foi o backlog, com carteira de contratos futuros subindo US$ 29 bilhões no trimestre e chegando a US$ 553 bilhões.

O ponto de atenção: cerca de US$ 300 bilhões desse total de futuros vêm de um único contrato de longo prazo com a OpenAI.

O preço da relevância: o hormônio do crescimento na infra de cloud custa caro. Embora o fluxo de caixa tenha chegado a US$ 7 bilhões no trimestre, o valor evaporou diante dos US$ 19 bi investidos em data centers.

Os negócios mais tradicionais da empresa (software legado, hardware e serviços) continuam crescendo, mas num ritmo bem mais devagar. Juntos, avançaram 4%, para US$ 8,3 bilhões.

Pro futuro, otimismo. A previsão de receita para 2027 subiu para US$ 90 bilhões — US$ 1 bi a mais que o guidance anterior e bem acima dos US$ 86,6 bi esperados. Quem também cresce é o Capex, que pode chegar a US$ 50 bi e obrigou a Oracle a emitir US$ 27 bi em dívida.

A Oracle ainda está longe das altas históricas de setembro e já caiu +50% desde lá. Após o resultado a empresa subiu +9,18%, mas ainda cai 16,65% no ano.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 7 | Compra: 26 | Neutro: 9 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 248,44 | Preço atual: US$ 163,12

Macro/Ações

  • Petróleo: de Contango a Backwardation, as duas crises da commodity.

  • OPEP: não cita guerra no Oriente Médio em relatório mensal e mantém previsões de demanda de petróleo.

  • Forbes: divulga atualização no ranking de bilionários.

  • BC: decretou a liquidação extrajudicial da Dank Sociedade de Crédito.

  • BTC: alcança a marca de 20 milhões, 95% de toda a oferta, minerado.

  • Soja: exportadores brasileiros suspendem oferta em meio a safra recorde.

  • Comércio: Brasil responde pela maior parte do comércio de LatAm com o Irã.

  • Cosan: CEO diz que empresa não está mais envolvida nas negociações com a Shell sobre a Raízen.

  • Puma: ação dispara após o bilionário do varejo Mike Ashley adquirir participação.

  • Salesforce: planeja levantar até US$ 25 bilhões para financiar recompras de ações.

  • SpaceX: quer fazer a listagem na Nasdaq e ter um “early access” no índice Nasdaq-100.

  • Aegea: ainda tem possui interesse na Copasa, mesmo com valuation “inflacionado”.

  • OranjeBTC: faz empréstimo de R$ 56 milhões para comprar ações da Strategy.

Ackman: do ativismo ao IPO

abrindo capital duplo e com promoção no caminho

O investidor ativista Bill Ackman resolveu tentar um truque incomum em Wall Street: um IPO duplo de uma só vez. O plano é listar na NYSE tanto a sua gestora (Pershing Square Capital Management) quanto um novo fundo fechado (Pershing Square USA).

O portfólio atual da gestora é de US$ 30,7 bilhões — concentrado em 11 posições de gigantes como Amazon, Uber, Alphabet.

No maior estilo supermercado de “a estreia é nossa, mas quem ganha é você”, quem comprar 100 ações do fundo fechado ($PSUS) a US$ 50 cada no IPO também leva 20 ações da gestora ($PS) de brinde. O documento do IPO não revela qual valuation esperado, mas o rumor é de que Ackman quer algo acima dos US$ 10,5 bilhões.

O pitch: Ackman citou a turbulência recente nos mercados e diz que é no caos que investidores pacientes fazem as melhores compras.

O histórico de sucesso da gestora: crises macro costumam colocar grandes empresas em liquidação — mesmo quando o valor delas continua intacto.

O resultado: a Pershing já garantiu cerca de US$ 2,8 bilhões com os parças de family offices, fundos de pensão, seguradoras e investidores ultra ricos.

Com essa tese, não existe a pressão de vender ativos para honrar resgates em momentos ruins do mercado. E isso dá liberdade para fazer exatamente o que todo investidor deveria fazer: comprar quando o resto do mundo está desesperado para vender.

PS: Nem sempre a fórmula funciona. Recentemente, um fundo fechado lançado pela Robinhood Markets para investir em empresas privadas levantou US$ 658 milhões, bem abaixo da meta inicial de US$ 1 bilhão… e já estreou negociando abaixo do preço do IPO.

PS2: O fundo caiu cerca de 10% neste ano, enquanto o S&P 500 cai cerca de 1%.

Cogna reportada vs Cogna ajustada

torcedores investidores, calma

124%. Foi quanto subiram as ações da Cogna em 2025, a maior alta da Ibovespa no ano. Mas ontem os números do último trimestre mostram que nem todo report é flyer de festa open-bar pra estudante. Basicamente, o ritmo deu uma leve desacelerada por causa de sazonalidades e ajustes contábeis pelo caminho.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: R$ 2,64 bilhões, subindo 6,9% no ano.

  • 🔴 Lucro Líquido: R$ 220 milhões, caindo 76,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

  • 🔴 EBITDA: R$ 742 milhões, caindo -26% na comparação anual.

A pressão veio de um fator bem específico: o calendário do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Parte da venda de materiais para o Governo Federal no fim do ano passado foi empurrada pra 2026, tirando R$ 166,6 milhões da receita e ~R$ 52 milhões do Ebitda.

Excluindo efeitos pontuais:

→ Lucro ajustado: R$ 279,4 milhões (+40,9%).
→ Margem líquida: 10% (contra 11,9% um ano antes) — mas consolidou 8,9% no ano, bem acima do 1,1% de 2024.
→ Ebitda: caiu 26% na comparação anual, batendo R$ 742,2 milhões. Mas a versão ajustada é menos dramática: R$ 769,1 milhões no trimestre e R$ 2,3 bilhões no ano (+5,7%).

A Cogna também apertou o passo nos investimentos. O Capex somou R$ 143,7 milhões no tri e R$ 490,5 milhões no ano, principalmente para infraestrutura, tecnologia e expansão de cursos na área de saúde — além da aquisição da Faculdade de Medicina de Dourados.

Mesmo investindo mais, a geração de caixa continuou melhorando. No ano inteiro de 2025, o fluxo de caixa livre bateu R$ 716,2 milhões, crescendo 81%.

Em 2025, a companhia pagou R$ 120,8 milhões em dividendos e também executou um programa de recompra de ações de R$ 59,8 milhões. Nesse ano, a empresa já pagou outros R$ 120 milhões em dividendos em fevereiro de 2026.

Recomendação dos analistas:

Compra: 9 | Neutro: 4 | Venda: 0

Preço-alvo médio: R$ 4,67 | Preço atual: R$ 3,18

GPA e Raízen: quando gigantes pedem tempo

não é calote, é pedido de prazo

Essa semana não foi das mais tranquilas para duas gigantes do mercado brasileiro. Grupo Pão de Açúcar e Raízen acabaram oficializando pedidos de recuperação extrajudicial.

Caneta Droppadora: ao contrário da recuperação judicial tradicional, a extrajudicial já chega no tribunal com o acordo meio cozido. Antes de bater à porta da Justiça, a empresa senta com os credores (bancos e investidores) e fala “olha, não consigo pagar tudo agora, mas se vocês me derem mais prazo, uma ajudinha nos juros…”.

Raízen: para a joint venture entre Cosan e Shell, o pedido é para renegociar um passivo que chega a R$ 65 bilhões. Segundo pessoas próximas da negociação, a empresa fez o plano de RE já com o apoio de cerca de 40% dos credores.

Grupo Pão de Açúcar: para o dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, o pedido envolve a renegociação de cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. E como segue queimando caixa, em 2025 o fluxo livre operacional foi de R$ 669 milhões — que ficou curto diante de R$ 920 milhões em custos da dívida.

Isso impacta também alguns fundos imobiliários que possuem relação com o GPA, seja por terem títulos de dívida na carteira ou por terem a empresa como inquilina. Os fundos mais expostos mapeados foram o GARE11, TRXF11, RBVA11.

Se os planos forem aprovados, tanto o GPA quanto a Raízen ganham algo precioso em momentos como esse: tempo. Tempo para reorganizar dívidas, respirar um pouco e seguir operando sem o risco imediato de credores puxando o freio de emergência na Justiça.

PS: Raízen já cai -93% desde o IPO e o GPA -96% de sua máxima histórica.

PS2: entre os maiores credores da Raízen estão o BNP Paribas, Bradesco e Rabobank.

US$ 26 bilhões

É quanto a Nvidia planeja investir no treinamento de seus próprios modelos de IA nos próximos cinco anos. Tudo de código aberto, o que deve resgatar uma quantidade significativa de cientistas e pesquisadores que partiram para os modelos chineses nos últimos meses.

Via Sherwood.

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