Bom dia Droppers.

Pensei no chuveiro: que fusões e aquisições deveriam criar sinergias operacionais, reduzir custos e aumentar eficiência para gerar valor aos acionistas… Mas quando se é dono de duas das maiores empresas privadas do mundo (SpaceX e xAI), basta apresentar a maior fusão da história pra agitar o mercado — e deixa pra explicar o resto depois. A conta de padeiro ficou em órbita, mas a lógica estratégica de criar "o motor de inovação mais ambicioso da Terra (e fora dela)" é coisa que só poderia vir de Elon Musk.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Disney: os resultados do trimestre
• Fictor: a caçadora virou caça
• Palantir: no hype da IA
• Pátria: castelo de cartas ou concreto?

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o janeiro que pareceu ter 60 dias finalmente acabou com o Ibovespa subindo +12,56% e marcando a maior alta mensal nos últimos 5 anos — justamente quando começa a temporada de resultados corporativos no Brasil. Ontem o dia também foi positivo, com o índice ainda pressionado pelo alto fluxo estrangeiro. Só no mês passado, os investidores internacionais compraram R$ 25,3 bilhões em ações brasileiras.

Lá fora, o mercado se animou bastante com as notícias de que o setor manufatureiro americano expandiu pela primeira vez em um ano — e aí o Dow Jones disparou, enquanto o S&P encerrou muito próximo de uma nova máxima histórica. O fim de janeiro também deixa marcas no mercado cripto, que caiu -11% e fechou 4 meses seguidos sem demonstrar reações. Nos próximos dias, cerca de 25% do S&P divulga seus resultados trimestrais e o pregão deve ser bem agitado.

VISUAL

Disney: os resultados do trimestre

O mercado financeiro colocou o chapéu de Mickey pra ver os resultados da Disney, mas ele caiu rapidinho junto com as ações da empresa (-7,4%). Montanha-russa ou resultados ruins? Não, tudo acima do esperado. Mas os desafios que vêm pela frente assustaram.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 26 bilhões x US$ 25,74 bilhões esperados

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 1,63 x US$ 1,57 esperados

E o que dava certo segue dando certo: Disney+ e Hulu tiveram lucro operacional de US$ 500 milhões no trimestre (200 milhões acima do ano passado) e a divisão de Experiências bateu US$ 10 bilhões em receita (recorde histórico). O que ficou mais modesto foram os parques e cruzeiros, com custos mais altos de expansão.

Olhando pra frente, a Disney prometeu: US$ 7 bilhões em recompra de ações; crescimento de dois dígitos no lucro por ação; e US$ 19 bilhões em geração de caixa operacional.

E como tanto report positivo gerou queda nas ações? Pela incerteza do futuro no comando. Nos bastidores, o tema quente é a sucessão do CEO Bob Iger e dois nomes despontam:

Josh D’Amaro, chefe da divisão de parques (a verdadeira máquina de dinheiro, mas que vem perdendo visitantes internacionais).
Dana Walden, da área de entretenimento (que cresce forte com streaming).

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 4 | Compra: 21 | Neutro: 5 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 132,23 | Preço atual: US$ 104,45

MACRO/AÇÕES
  • Big Techs: dois caminhos, dois destinos.

  • Crédito Privado: bate recorde de emissões em 2025.

  • FED: Trump diz que vai nomear Kevin Warsh para presidência do BC americano.

  • Taxa de desemprego: em 2025 fica em 5,6%, menor patamar da série histórica.

  • Stablecoins: novas regras entraram em vigor ontem no Brasil.

  • FGC: já pagou R$ 35,1 bilhões a credores do Banco Master.

  • Sandisk: ações disparam após resultado mostrar alta demanda por IA.

  • Agibank: lança IPO com faixa entre 9,5x-11,5x lucro.

  • Votorantim: vende controle da CBA por R$ 4,7 bilhões.

  • Nubank: recebe aprovação para abrir banco nos Estados Unidos em até 18 meses.

  • LG: anuncia seu primeiro prejuízo anual.

  • Gol: tem fechamento de capital aprovado pela CVM.

  • Brava: novo CEO quer cortar custos e costurar M&As.

BRASIL

Fictor: a caçadora virou caça

O grupo Fictor, que até outro dia aparecia como candidato a salvador do Banco Master (com uma proposta de R$ 3 bilhões junto com investidores árabes), entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

O pedido envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest. A empresa culpa a “contaminação reputacional externa”, ou seja: o caso Master afastou investidores, travou parcerias e secou o caixa. Ela nega problemas de alavancagem, diz ter reforçado controles e promete uma normalização gradual.

→ Hoje são ~R$ 4 bilhões em compromissos
→ A Fictor promete pagar tudo sem desconto, mas precisa de prazo
→ O pedido de tutela de urgência suspenderia execuções e bloqueios por 180 dias.
→ Com isso ela poderia recuperar o rumo e manter ~10 mil empregos (diretos e indiretos)

Nesse período, a empresa poderá negociar um plano de recuperação, ajustando prazos e condições sem parar as operações — e, de quebra, preservar mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.

Na semana passada, a Justiça de São Paulo bloqueou R$ 150 milhões em ativos do grupo, em um processo movido pela Orbitall, que é quem processa os cartões do FictorPay, por não manter a garantia financeira exigida em operações de cartões de crédito empresariais.

Agora a Fictor quer ganhar tempo, organizar a casa e sair do modo “gestão de crise”. No mercado financeiro, às vezes sobreviver já é metade da vitória — a outra metade é convencer todo mundo de que o pouso vai ser suave.

PS: os produtos da Fictor, como não são bancários, não são cobertos pelo FGC

EARNINGS

Palantir: no hype da IA

A Palantir resolveu lembrar o mercado por que já foi a queridinha dos traders de varejo. A gigante de software para defesa, inteligência e IA divulgou números do quarto trimestre e simplesmente atropelou as expectativas de Wall Street, fazendo a ação disparar +11,50% no after-market.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$ 1,41 bilhão x US$ 1,34 bilhão esperados.

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 0,25 x US$ 0,23 da expectativa.

  • 🟢 Guidance: US$ 1,54 bilhão, acima dos US$ 1,32 bilhão esperados.

Todo mundo imaginava que a Palantir cresceria a receita, mas os 70% reportados ficaram acima do consenso. No call com analistas, o CEO Alex Karp não foi nada modesto e classificou o trimestre como “uma das performances mais icônicas da história corporativa”.

A Palantir já vinha melhorando o resultado há meses, mas o varejo não estava se empolgando e o papel ainda acumula 25% de queda desde o pico histórico de novembro.

Quem investiu lá atrás segue sorrindo. Em 3 anos as ações subiram ~1.500% — o problema é que uma alta dessas faz com que muitos trimestres excelentes já estejam no preço.

Depois do pior mês em dois anos, em meio ao medo de bolha de IA, Karp aproveitou a carta aos acionistas para reforçar o discurso: o lucro da Palantir é “puro e sem artifícios”. Para ele, empresas que não focarem no valor real criado pela IA, tendem a desaparecer e a Palantir estaria imune a isso.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 1 | Compra: 6 | Neutro: 16 | Venda: 2 | Venda forte: 2

Preço-alvo médio: US$ 189,84 | Preço atual: US$ 147,76

DECIFRANDO O CONDADO

Período de Silêncio

É aquele intervalo em que empresas e executivos baixam o volume, de propósito.

Geralmente acontece antes da divulgação de resultados, durante ofertas de ações ou em momentos regulados, para evitar que comentários públicos influenciem investidores ou distorçam o mercado.

Nada de entrevistas, projeções otimistas ou frases soltas que virem manchete: a ideia é garantir que todo mundo receba a informação ao mesmo tempo, pelos canais oficiais.

FUNDOS

Pátria: castelo de cartas ou concreto?

Um relatório da Snowcap Advisors jogou uma bomba no mercado ao apontar supostas distorções bilionárias e aperto de liquidez na Pátria Investimentos ($PAX). Vale o disclaimer: essa é a tese que embasa uma posição vendida da Snowcap, ou seja, eles apostam na queda da ação e precisam convencer o mercado de que estão certos.

Segundo a análise, a Pátria — gestora de US$ 50 bilhões — estaria inflando valuations de ativos para manter a aparência de rentabilidade e seguir cobrando taxas. O relatório fala em castelo de cartas, criado para atrair novos aportes enquanto tenta esconder prejuízos que já não cabem mais debaixo do tapete.

O caso mais ruidoso é o da Elfa, avaliada pela Pátria em 15,6x EV/EBITDA — bem acima dos pares, que negociam entre 4x e 6x. Enquanto isso, seus bonds circulam a 50 centavos por dólar, sinal de stress. Segundo o relatório, a gestora teria injetado R$ 1,1 bi fora do balanço para evitar reconhecer perdas.

→ O relatório ainda fala em transações circulares (entre os fundos da casa)
→ Destaca a saída total da Blackstone (que tinha 40% da Pátria)
→ Relembra as trocas de auditor e CFO
→ E que ~40% do capital sob gestão vence nos próximos três anos.

A tese ainda se espalha por outros nomes do portfólio:

  • A Athena Saúde aparece avaliada a 33,9x EV/EBITDA, contra cerca de 7,7x do setor, mesmo enfrentando dificuldades operacionais.

  • A Superfrio, na logística, negocia nos livros a 14,2x, acima do mercado e com caixa negativo.

  • A Essentia Energia, precisou de uma recapitalização de R$ 655 milhões, mas segue marcada a 18,5x, bem acima dos pares que estão em 7,7x

  • A Eixo SP: marcada em 16,9x, enquanto o mercado tem múltiplos de 5,6x.

A Pátria diz que o relatório traz “caracterizações equivocadas”, reforça que é uma empresa listada na Nasdaq com informações públicas e auditadas, e que comentará os resultados completos no dia 10 de fevereiro (quando ela sai do Período de Silêncio). Até lá, o mercado fica assistindo a mais um daqueles embates clássicos entre short sellers e gestores.

STATS DO DIA

US$ 1,25 trilhão

é o valuation estimado da nova empresa de Elon Musk, resultado da fusão entre SpaceX e xAI.

Basicamente, quando duas das maiores empresas privadas se juntam, o maior M&A da história acontece… e se prepara para um MEGA IPO.

Via Bloomberg

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