
Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que trabalhar em uma empresa de tecnologia já foi sobre (a) resolver problemas complexos, (b) construir produtos inovadores e (c) mudar o mundo com código. Mas hoje parece que estamos caminhando para um modelo em que você paga US$ 178 por um suéter com a cara do chefe e veste a camiseta do fundador como se fosse uniforme de torcida organizada.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Tesla: menos vendas, mais lucro
• Terras raras: EUA fincam bandeira em Goiás
• IBM: sem empolgação para o futuro
• Dividendos: Brasil arrecadando menos que o esperado

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, todo mundo voltou do feriado e viu que tinha água no chopp. O Ibovespa caiu 1,65%, totalmente na contramão do otimismo global. O setor bancário foi o que mais pesou no dia, junto com a Vale, que viu seu papel cair -1,70% depois da BHP anunciar um acordo com a China. O estrago só não foi maior porque a Petrobras subiu +1,86%, com a alta do petróleo.
Lá fora, a extensão do cessar-fogo no Irã foi a fonte do otimismo, com tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq 100 registrando novas máximas históricas — impulsionadas pela alta de todas as Mag-7. O petróleo também subiu, passando novamente dos US$ 100 por barril, após o Irã disparar contra três navios no Estreito de Ormuz.
Tesla: - vendas + lucro
Os dois lados do mesmo trimestre no reino de Musk

Os resultados da Tesla deixaram o mercado com sentimentos mistos. Tem quem enxergue o copo meio cheio (receita em alta) e quem já esteja olhando o copo meio vazio (cada vez menos vendas).
Os números do trimestre:
🔴 Receita: US$ 22,39 bilhões x US$ 22,64 bilhões esperados
🟡 Entregas: 358.023 carros vendidos.
🟢 Lucro por ação: US$ 0,41 x US$ 0,37 esperados
O crescimento ainda existe, com a receita total ainda subindo 16% em relação ao ano passado, mas o ritmo já não impressiona. As entregas também vieram abaixo do trimestre anterior, e desde o pico no ano passado (turbinado por incentivos fiscais), os números vêm numa leve descida de ladeira.
Tudo isso enquanto a empresa vai se organizando para construir cada vez mais robôs e investindo em software para os carros elétricos — assinaturas do sistema de direção assistida (o famoso FSD) já passam de 1,28 milhão, crescendo forte.
O destaque: com menos vendas e mais lucro, a margem se destacou, com o setor automotivo vendendo a preços médios mais altos e custos menores por veículo, chegando em 19,2% — o melhor percentual do último ano.
A atenção: a percepção de que a empresa segue patinando frente à concorrência global, especialmente nomes como BYD e Xiaomi, que vêm com carros mais novos, mais tecnológicos e, principalmente, mais baratos.
A aposta: robotáxis e robôs humanoides, que vão drenar boa parte dos US$ 26 bilhões em capex projetado para o ano. Inclusive, a empresa já avisou que o fluxo de caixa positivo pode virar negativo nos próximos trimestres graças a todos esses investimentos.
Para completar, o barulho fora das fábricas também pesa: Musk continua gerando controvérsia, o que tem respingado na percepção da marca. Ele segue tentando mudar a narrativa e vender o “futuro”, com a aposta agora indo para carros autônomos e robôs humanoides.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 18 | Neutro: 18 | Venda: 5 | Venda forte: 2
Preço-alvo médio: US$ 415,81 | Preço atual: US$ 387,51
MACRO/AÇÕES
Tesouro: secretário Daniel Leal vê espaço para mais dívida atrelada ao câmbio.
Agro: ‘camufla’ mais um ano de produtividade baixa no Brasil.
Fed: Trump escolhe Kevin Warsh para a presidência e ele diz que não será ‘fantoche’ do Presidente.
IPO: Revolut quer valer US$ 200 bi em IPO, mas só em 2028.
Taiwan: mercado de ações passa o do Reino Unido pela 1ª vez na história.
Fundos: Tork Capital anuncia encerramento da gestora após oito anos.
Ibovespa: BofA eleva projeção de 180 mil para 210 mil no fim do ano.
BRB: fecha acordo com a gestora Quadra para vender R$ 15 bi em ativos do Banco Master.
Raízen: bancos credores apresentam nova proposta de reestruturação da empresa.
Petrobras: aprova distribuição de R$ 41,23 bi em dividendos para exercício de 2025.
Sabesp: está na mira do J.P. Morgan.
Intel: ação finalmente chega nos níveis de 2000.
EUA fincam bandeira em Goiás
A mineradora de terras raras Serra Verde foi vendida por US$ 2,8 bi

No meio da corrida global por minerais estratégicos, os EUA acabaram de fincar uma bandeira… em Goiás. A USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, em um negócio que entra direto no tabuleiro geopolítico da era da IA e da transição energética.
As terras raras são um conjunto de 17 metais essenciais para fabricar gadgets, mísseis e itens-chave da transição energética, como carros elétricos e turbinas eólicas.
O cenário global: a demanda pelos minerais de terras raras só cresce, junto com a dependência da indústria chinesa.
A Serra Verde: opera a única mina de terras raras em escala comercial fora da Ásia e está sentada sobre um combo valioso de elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.
O futuro: a operação fechou um contrato de 15 anos para vender 100% da produção inicial a uma entidade apoiada pelo governo dos EUA, com preços mínimos garantidos para os elementos mais críticos. Em paralelo, um financiamento de US$ 565 milhões reforça que Washington não está só assistindo.
Terras raras viraram o novo petróleo, e quem controla a cadeia, controla muito mais do que matéria-prima. Para o Brasil, fica o papel de protagonista no recurso. Para os EUA, o comando da cadeia. E para o mercado… a confirmação de que a geopolítica voltou a ser um dos principais drivers de investimento.
IBM: sem empolgação para o futuro
a empresa chegou com resultados fortes, mas guidance abaixo do esperado

A IBM soltou um trimestre com uma nota que passava de ano, mas mesmo assim decepciona os pais. Os resultados foram positivos, com lucro e receita vindo acima do previsto, mas bastou manter o guidance para o ano e a aprovação quase virou recuperação.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$15,92 bilhões x US$ 15,62 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação: US$1,91 x US$ 1,81 esperados
🔴 Guidance: 5% de crescimento
Nos números, não dá pra reclamar muito: faturamento e lucro ajustado foram acima do esperado. A receita cresceu 9% em relação ao ano passado, com destaque para a receita de infra, que avançou 11% turbinada pelos mainframes.
A decepção: o guidance conservador, que manteve suas projeções para 2026, mesmo com o bom começo de ano. O CFO até se defendeu dizendo que eles não costumam aumentar o guidance no primeiro trimestre, mas o mercado não gostou e o papel chegou a cair -7% no after-market.
A atenção: o crescimento do Red Hat, que desacelerou, com impacto de gargalos na cadeia de hardware e menos contratos governamentais. E como esse negócio depende diretamente de onde os servidores estão sendo instalados, qualquer tropeço na infraestrutura pode impactar.
A empresa vem já de uma queda de ~15% no ano, incluindo um tombo forte depois que a Anthropic sugeriu que IA pode ajudar a modernizar sistemas antigos (bem antigos), justamente aqueles que rodam nos mainframes da IBM.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 2 | Compra: 10 | Neutro: 7 | Venda: 1 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 293,33 | Preço atual: US$ 251,86

Short Squeeze no aluguel de carros
A Avis virou a protagonista de um dos ralis mais surreais do mercado recente. Não, as pessoas não estão alugando mais carro pras férias, mas, mesmo assim, em um mês a ação subiu 6x.
O combustível disso é um short squeeze daqueles que fazem até veteranos de Wall Street coçarem a cabeça.
O início: dois grandes investidores basicamente “tomaram conta” do papel. Juntos, eles tinham exposição equivalente ~100% das ações da empresa — graças a uma mistura de ações diretas e derivativos.
Enquanto isso, os vendidos (short sellers) estavam apostando pesado na queda… e acabaram virando combustível da alta, sendo forçados a recomprar ações a qualquer preço.
Agora: as ações caíram 38% ontem, dando sinais de que o short squeeze pode estar dando adeus. Mas GameStop também teve dias assim no meio da subida frenética anos atrás.
O leão passando fome
arrecadação do imposto sobre dividendos fica abaixo do esperado

Enquanto o governo previa arrecadar R$ 30 bilhões no ano com o novo imposto sobre dividendos, o primeiro bimestre mostrou um ritmo bem mais lento do que o esperado. A taxa de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil rendeu só R$ 121 milhões, que se somam a R$ 35 milhões sobre as remessas ao exterior. Isso representa só 0,5% de todo o montante.
Algumas explicações para isso:
Timing: muitas empresas aceleraram a distribuição de lucros ainda em 2025, antecipando pagamentos para escapar da nova tributação.
Calendário: o fluxo de dividendos não segue um calendário certinho e muitas empresas pagam só uma ou duas vezes por ano. Assim, o fluxo de arrecadação tende a ser irregular mesmo.
Curiosidade: cerca de R$ 25 bilhões foram enviados ao exterior em proventos no primeiro bimestre, mas nem tudo entra na base de tributação: uma parte vem de lucros antigos (isentos), e nem todo pagamento é exatamente dividendo (pode ser JCP, por exemplo).
Por enquanto, o governo pede calma: dois meses ainda não fazem verão. Mas o começo morno já levanta aquela pulga atrás da orelha do mercado: será que a conta fecha no fim do ano… ou vai precisar de mais um puxadinho no meio do caminho?
STATS DO DIA
US$4,14 trilhões
É o market cap da bolsa de Taiwan, que passou pela 1ª vez na história o valor da bolsa do Reino Unido. Desde 2020 o valor já triplicou, impulsionado pela demanda de IA e semicondutores — lembrando que só a TSMC tem ~70% do mercado de fabricação de chips.
DROP LIKE IT'S HOT
[para assistir] a nova lógica do mundo: guerra, IA e dinheiro.
[para chorar] a conta de luz vai subir.
[para ler] um restaurante que praticamente não aumentou os preços desde 1973.
[para estudar] por que a maioria das ações fracassa (e o que isso significa para o seu portfólio).
[para entender] por que o mercado em tempos de guerra continua subindo.

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