
Bom dia, Dropper. Pensei no chuveiro: que 2026 está sendo o ano das contradições. Enquanto todo mundo espera que os preços das ações ande junto com as projeções de lucro, os analistas estão ficando otimistas (+8%) mesmo com o S&P 500 indo pro exato oposto (-8%).
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Braskem: “we have a problem”
• Banco Digimais: na lupa do FGC
• Meta: a meta nada modesta de US$ 9 tri
• B3: novo índice do tesouro

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o Ibovespa foi “do contra” e não seguiu os primos americanos, subindo enquanto todo mundo caía. Com o petróleo no olho do furacão global, a Petrobras colocou gasolina aditivada no índice e ajudou no fechamento com alta de 0,54% — depois de ter subido +1,5% no meio do dia.
Lá fora, as bolsas até amanheceram de bom humor, mas aí Jerome Powell (Fed) falou o que todo mundo pensa e ninguém diz: o ciclo de corte de juros ficou mais difícil e a inflação não vai conseguir remar contra o petróleo — o Brent já sobe 55% no mês. O Nasdaq entrou em território de correção, caindo -10,5% da sua máxima.
Braskem: "we have a problem”
Encurralada pela própria dívida, a gigante entra em modo sobrevivência

A Braskem fechou o trimestre com um “Houston, we have a problem!”. E não é um probleminha qualquer… é um daqueles que fazem a empresa questionar se deve continuar operando ou não. No 4T’25, a petroquímica entregou quase o dobro de prejuízo, batendo R$ 11 bilhões.
→ No próprio relatório, a empresa elenca como prioridade 01 reorganizar a estrutura de capital, possibilitando, assim, a continuidade do negócio.
Os números do trimestre:
🔴 Receita Bruta: R$ 18,29 bilhões, caindo -18%.
🔴 Prejuízo: R$ 11,02 bilhões, +82% em relação ao ano anterior.
🟢 EBITDA: R$ 109 milhões, subindo +7% no ano.
Com esses resultados, se uma reestruturação de dívida não sair do papel, o risco de a empresa entrar para a estatística das falências só aumenta.
A empresa ainda carrega o peso do passado do seu controlador, a Novonor (ex-Odebrecht), que tenta vender sua participação desde os tempos da Operação Lava Jato. Agora, surge uma possível saída: a IG4 Capital pode assumir essa fatia, mas o negócio ainda depende de aprovações internacionais.
Enquanto isso, o balanço vai ficando mais pesado. A dívida líquida ajustada já está na casa dos US$ 7,5 bilhões (alavancagem perto de 15 vezes). E resolver isso não vai ser nada simples: ~75% da dívida está nas mãos de investidores internacionais, os bondholders, o que transforma a negociação em um processo mais longo e menos amigável.
Agora a empresa tenta se equilibrar entre dívida alta, mercado fraco e as contas do passado — que deixam qualquer gigante encurralada. O caminho agora é a reestruturação, porque antes de crescer ou retomar margem, ela precisa mesmo é garantir que continue existindo.
PS: quando não dá mais pra empurrar o problema com a barriga… a única saída é parar tudo e reorganizar a casa. Segundo o InvestNews, a empresa deve pedir proteção contra credores nas próximas semanas
Recomendação dos analistas:
Compra: 1 | Neutro: 9 | Venda: 2
Preço-alvo médio: R$ 11,24 | Preço atual: R$ 9,00
MACRO/AÇÕES
Inflação: chance de furar a meta neste ano é de 30%, diz Banco Central.
CDX: o mercado de bonds está gritando.
Banco Central: decreta liquidação extrajudicial de instituições do Conglomerado Entrepay (e não há cobertura do FGC).
Taxa de desemprego: no Brasil sobe para 5,8% no início do ano.
Cartão de crédito: taxa de juros do cartão de crédito sobe a 435,9% ao ano em fevereiro para o cliente rotativo.
CVM: afasta chefes de superintendências em meio a ruídos sobre atuação no caso Master.
COE: estoque bate recorde e chega a R$ 100 bilhões.
Energia: governo busca ‘jeitinho’ pra segurar a conta de luz.
BTG: lança plataforma de previsões e acirra disputa entre bancos, bolsa e bets.
Gol: deixou a B3 na última sexta.
Anthropic: considera abrir IPO em outubro.
Eneva: vende usina a carvão por R$ 872 milhões após vencer leilão.
Carrefour: e Casa dos Ventos fecham acordo de longo prazo de R$ 1 bilhão.
Banco Digimais: na lupa do FGC
Banco controlado por Edir Macedo é mais um na lista dos que passam por escrutínio

Depois de Master, Fictor, Will… o FGC até deu sinais de que ia descansar um pouco. Mas aí “apareceu” mais um caso no radar do BC: o Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo. Essa nova dor de cabeça tem um tamanho estimado em R$ 8,5 bilhões e pode impactar ainda mais os cofres do FGC.
Desde o crash do Master, todo mundo passou a olhar desconfiado pra quem promete muito. O Digimais entrou nessa lista com captação agressiva com CDBs turbinados, uso da garantia do FGC como chamariz e uma engenharia financeira que, segundo o mercado, pode ter inflado alguns ativos.
A coisa fica mais cabeluda: um fundo chegou a comprar R$ 650 milhões em carteiras do Digimais, mas analisando no detalhe viu que parte delas não existia. O próprio banco admitiu o problema e tentou trocar os ativos, mas o caso foi parar na Justiça e acendeu ainda mais o alerta.
Para completar o pacote, há uma série de coincidências curiosas com o próprio Banco Master: gestores com histórico em comum, estruturas parecidas e até o uso de intermediários que já levantaram sobrancelhas no passado. Tudo isso ajuda a explicar por que o FGC já está fazendo as contas de quanto pode sobrar dessa conta.
A solução desse dilema pode passar por uma venda, uma intervenção ou até um leilão envolvendo bancos maiores. Enquanto isso, pegue seu CDB a 140% CDI e entre na fila.

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A Meta subiu a meta
A régua foi parar na estratosfera e o roadmap agora mira em US$ 9 trilhões

A Meta resolveu fazer jus ao seu nome e subiu, e muito, a sua régua para a meta. Para segurar seu time de elite enquanto gasta bilhões em IA, a empresa criou um programa com o alto escalão para um bônus bilionário se a empresa bater o pequeno valor de mercado de US$ 9 trilhões.
Executivos do alto escalão entraram no programa e nomes como Andrew Bosworth e Susan Li e podem sair dessa brincadeira com cheques que beiram (ou passam) US$ 900 milhões. O detalhe: tudo em ações e só se essa meta quase interplanetária for alcançada até 2031. Tio Marquinhos, curiosamente, ficou de fora dessa festa.
Hoje, a companhia do Mark Zuckerberg vale cerca de US$ 1,36 tri, então estamos falando de multiplicar isso por mais de seis vezes.
Pra ativar o primeiro gatilho de bônus, a ação já precisa dar um salto de mais de 100%. E, pra chegar no prêmio máximo, estamos falando de um retorno anualizado na casa dos 45% até o fim da década.
O plano foi anunciado justo num momento em que a empresa vive o seu 3° pior drawdown da história, caindo -36% da sua última máxima. Um dos gatilhos dessa queda foi um processo na Califórnia que terminou com a empresa (e o Google) condenadas por danos ligados ao uso de redes sociais.
→ A indenização é pequena, de US$ 6 milhões
→ O problema é o efeito dominó que pode dar: tem analista comparando o caso com o início das batalhas judiciais contra as empresas de cigarro lá nos anos 90, que começou pequeno e virou uma avalanche.
A Meta ainda segue como uma das gigantes globais e hoje é a sétima empresa mais valiosa do mundo, num ranking dominado por Big Techs. Mas, pra transformar esse plano de bônus em realidade, vai precisar não só convencer o mercado, mas basicamente reescrever o que a gente entende por crescimento.
PS: ontem o Morgan Stanley colocou a Meta como “top pick”.
DECIFRANDO O CONDADO

Drawdown
É a queda que o investimento atravessa depois da sua máxima mais recente, ou seja, a queda acumulada desde o ponto mais alto até o mais baixo.
Em outras palavras, ele mostra o tamanho do tombo que a carteira sofreu ao longo do caminho, não apenas o resultado final.
É um indicador importante porque revela o nível de risco e a volatilidade de uma estratégia. Afinal, ganhar dinheiro é ótimo, mas sobreviver às quedas no meio do percurso é o que realmente separa bons investimentos de boas histórias.
B3: novo índice do tesouro
Menos giro e mais eficiência na renda fixa.

A B3 resolveu fazer um upgrade no mundo da renda fixa e lançou um novo índice: o Tesouro Selic Low Turnover B3 (ou, ISELIC Low T B3 para os íntimos). A ideia é criar um termômetro mais eficiente pra quem investe em Tesouro Selic, o queridinho de quem gosta de dormir tranquilo à noite.
Por que inventar mais um índice? Porque esse vem com um “tempero” diferente: menos troca de ativos ao longo do tempo. O tal do “low turnover” no nome significa uma carteira mais estável, que gira menos, e, portanto, gera menos custo.
O índice foi pensado principalmente como referência para gestores, mas o impacto acaba chegando também na pessoa física. Afinal, se o fundo paga menos para ficar trocando título toda hora, sobra mais eficiência no longo prazo.
Na prática, só inclui títulos que passam por um filtro mínimo de prazo e liquidez. Além disso, ele considera tanto a valorização dos papéis quanto os rendimentos ao longo do tempo, ou seja, é retorno “completo”. A carteira é rebalanceada a cada trimestre, mas sem aquela dança das cadeiras frenética que outros índices podem ter.
Pode parecer só mais um índice, mas esse tipo de ajuste fino é o que vai moldando os produtos que chegam até o investidor. E, aos poucos, até o “arroz com feijão” da renda fixa vai ficando mais sofisticado sem perder a essência de ser o porto seguro da carteira.
STATS DO DIA
R$ 2,9 bilhões
Foi o arremate do aeroporto do Galeão pela Aena, com um ágio de 210,8% do preço mínimo definido pelo governo.

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