
Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que na teoria, empresas de capital aberto existem para não virar caixa do fundador. Na prática, a Tesla revelou num 10-K corrigido que suas transações com outras empresas de Elon Musk mais que dobraram para US$ 600 milhões em 2025 - xAI comprando baterias, SpaceX comprando Cybertrucks, Tesla pagando a segurança pessoal do CEO.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Palantir: trimestre histórico
• Berkshire: o fim do “prêmio Buffett”
• Duolingo: trimestre bom não anima WS
• CVC: um rumor e ação sobe 23%

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, abril fechou (tu-dum-tish) praticamente estável (-0,08%) depois de o Ibovespa interromper uma sequência de seis quedas seguidas. Mas aí veio maio, que já começou com queda de 0,92% - tensão no Irã, check. Hoje tem divulgação da ata do Copom, que deve explicar por que o Comitê decidiu cortar 0,25 p.p. da Selic. O comunicado após o corte já mostrou um grupo que não vê o céu totalmente azul para maiores cortes à frente.
Lá fora, colocaram óleo água no chopp do mercado. A notícia de que os Emirados Árabes interceptaram ataques de mísseis do Irã jogou o preço do barril de petróleo Brent para US$ 114. O dia também foi marcado por discursos de membros do Fed, que fizeram, na semana passada, a votação mais dissidente quanto ao corte de juros desde 1992.
Palantir: trimestre histórico
A empresa de software teve o maior crescimento desde o IPO em 2020

Nem todo mundo sabe o que a Palantir faz, mas todo mundo fica de olho nos resultados dela. Nas palavras do CEO, foi mais um “trimestre histórico”, com um combo de crescimento forte e acima das expectativas, com otimismo no guidance para deixar os analistas felizes.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 1,63 bilhão, acima do US$ 1,54 bilhão esperado
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 0,33 x US$ 0,28 esperados
🟢 Guidance: US$ 7,66 bilhões em faturamento no ano, acima do esperado.
A receita anual quase dobrou (+85%), com o maior crescimento desde o IPO de 2020. O lucro foi ainda mais longe, de US$ 214 milhões para US$ 870 milhões. Um baita resultado para quem vive no cruzamento entre software, governo e IA.
Quem assina os grandes cheques: continua sendo o governo americano, que representa 52,5% do faturamento da empresa. A receita com clientes públicos dos EUA subiu 84%, deixando a empresa cada vez mais no centro das operações mais sensíveis (e bem pagas) do planeta.
O futuro é promissor: a Palantir elevou o guidance e agora projeta até US$ 7,66 bilhões de receita em 2026, com fluxo de caixa livre acima do esperado. O setor privado também está acelerando, com crescimento de 133% nos EUA e novos contratos com nomes pesados.
O elefante na sala: continua sendo o valuation. A 230× P/L, o mercado já precifica um crescimento absurdo por muitos anos.
Mas mesmo com “a demanda tão forte que eles nem conseguem atender tudo”, e o crescimento exponencial, a ação ainda cai este ano, acompanhando o mau humor geral com empresas de software. No ano já são -13%, com a empresa valendo US$ 350 bilhões.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 17 | Neutro: 11 | Venda: 1 | Venda Forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 180,68 | Preço atual: US$ 146,03
MACRO/AÇÕES
PIB americano: cresceu na taxa anual de 2% no primeiro trimestre do ano.
Taxa de desemprego: fica em 6,1%, maior do que o esperado.
Liquidação Extrajudicial: Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Frente Corretora de Câmbio.
Banco da Inglaterra: mantém juros em 3,75% e sinaliza alta diante da guerra.
Argentina: argentinos resistem a apelo de Milei e mantêm US$ 170 bi em casa.
Banco do Brasil: acionistas aprovam aumento de capital de até R$ 150 bi em meio à pressão no agro.
Sabesp: contrata Bradesco para preparar oferta por Copasa.
GameStop: está oferecendo US$ 56 bilhões para comprar o eBay
Sicredi: atinge R$ 52,8 bi e amplia carteira agro em 16,5% na atual safra.
GPA: quer deságio de até 90% na dívida e credores reagem.
Jane Street: bate rivais de Wall Street e distribui em média US$ 2,68 mi por funcionário.
Berkshire: o prêmio Buffett evaporou
US$ 397 bi em caixa e nenhuma barganha

Desde que Warren Buffett anunciou a aposentadoria, o papel da Berkshire Hathaway ficou bem para trás do S&P 500: mais de 37 pontos percentuais de diferença em 12 meses, o pior desempenho relativo desde 2000.
Algumas apostas não ajudaram (como Kraft Heinz), e o mercado atual - obcecado por IA e com valuations esticados - não oferece muitas barganhas no estilo “Buffett raiz” para alocar os US$ 397 bilhões em caixa. Além disso, sem o Oráculo no comando, o mercado ficou bem menos paciente com a BH.
Durante décadas, a empresa carregou o famoso “prêmio Buffett”: investidores topavam pagar mais caro pela ação confiando no histórico quase mítico de alocação de capital da dupla Buffett e Charlie Munger.
Agora, com a troca de comando, esse prêmio começou a evaporar. Greg Abel sempre foi visto como um operador de primeira linha (transformou o braço de energia da BH em uma máquina de lucro), mas ainda não tem histórico como gestor de investimentos.
Com a bolsa americana nas máximas e inflada pela febre de IA, o próprio indicador favorito de Buffett (market cap sobre PIB) está nas alturas. E isso naturalmente limita as oportunidades para quem joga o jogo do value investing.
→ Warren Buffett disse à CNBC que este não é o ambiente ideal para investir a reserva de caixa recorde da Berkshire.
→ a primeira conferência da BH com Abel Greg no comando
DECIFRANDO O CONDADO

Buffet Index
É uma métrica que compara o valor total do mercado de ações com o tamanho da economia de um país (geralmente o PIB) para avaliar se a Bolsa está cara ou barata.
A lógica é que, se o mercado cresce muito mais do que a economia real, pode haver exagero nos preços; se está muito abaixo, pode indicar oportunidade.
Duolingo: aprovado no tri, reprovado em WS
A coruja que acertou tudo e caiu 10% com o fantasma da tese à espreita

O Duolingo fez tudo “certo” no trimestre: estudou, viu o menino comer a maçã em 40 idiomas… e ainda assim não passou na prova. Mesmo entregando resultados acima das expectativas (receita, lucro e usuários ativos), no after o mercado resolveu castigar com queda de -10%. Nem o carisma da corujinha verde salvou.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 292 milhões, acima dos US$ 288,5 milhões esperados.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 0,93 x US$ 0,88 esperados
🟢 Usuários diários ativos: 56,5 milhões acima dos 55,7 milhões esperado.
O que deu certo: além da receita, lucro, e usuários ativos, o EBITDA ajustado também foi bem acima do esperado, entregando US$ 83,4 milhões, quase US$ 10 milhões acima do esperado.
O que deu errado: o número de assinantes pagos, que ficou levemente abaixo. A empresa possui 12,5 milhões de assinantes, 200 mil abaixo do que ela esperava ter.
O que desanimou: ela até elevou levemente o guidance de EBITDA, mas manteve a projeção de receita para o ano, sem dar aquela empolgada no que vem pela frente.
O fantasma da tese continua à espreita. Desde que a IA começou a avançar fortemente, a tese de investimento na empresa foi enfraquecida. Tanto pela facilidade em traduzir quanto pela constante sensação de que qualquer pessoa pode criar um novo Duolingo a qualquer momento.
Além disso, o crescimento de usuários vem desacelerando há algum tempo. A empresa até admite que pisou no freio em estratégias de guerrilha no marketing, priorizando uma experiência melhor e um crescimento mais saudável e menos explosivo.
Para reverter o ânimo, a aposta do CEO Luis Von Ahn é ir além dos idiomas e transformar o app em uma espécie de plataforma de aprendizado gamificada - com expansão para áreas como matemática, música e até xadrez.
Apesar do bom trimestre, o mercado queria mais do que “bom” para continuar investindo. Queria entusiasmo, aceleração e uma história clara para o futuro. Sem isso, até a coruja mais famosa da internet acaba sofrendo com o “fim da ofensiva” com os investidores.
Recomendação dos analistas:
Compra: 4 | Neutro: 18 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 104,97 | Preço atual: US$ 110,23
STATS DO DIA
44%
Foi o aumento no faturamento das bets no Brasil no último ano, saindo de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,2 bilhões. Foi a segunda maior alta em 12 meses já registrada pelo setor.
1 em cada 7 adultos fez apostas no ano passado.
CVC: dispara 23% com rumor de oferta
Dona da Decolar pode fazer oferta para comprar a agência

Nem todo boato machuca. Para as ações da CVC, o simples rumor de que a Prosus (dona da Decolar) está de olho na empresa fez a ação disparar 23,32% no pregão.. A ideia em análise é comprar partes específicas do negócio, como a operação na Argentina e a Rextur Advance - numa espécie de “combo selecionado” em vez de um all inclusive.
Não é a 1a vez que esse namoro aparece. Lá em 2023, as conversas até evoluíram para uma possível fusão, mas travaram no preço. Agora, a estratégia seria fatiar a CVC e levar só o que faz sentido dentro do modelo da Prosus, que prefere negócios mais “asset light”.
No fim do dia, isso representa “menos lojas físicas, mais tecnologia e escala digital”. Mas aí surge um impasse: a CVC tem +1.500 lojas espalhadas por aí. Para a Prosus, isso soa mais como custo fixo do que vantagem competitiva, o que pode causar mais resistências internas se a proposta aparecer com um prêmio muito generoso
Falando em prêmio… o mercado começou a fazer as contas. Circula a ideia de uma oferta acima de R$ 3,30 por ação, cerca de 70% acima do fechamento antes da notícia e cerca de 40% acima do fechamento de ontem.
Por enquanto, porém, tudo segue no campo do “talvez”. A CVC diz que não recebeu proposta formal, a Decolar afirma que não comenta rumores e, nos bastidores, a história é que nem houve contato direto ainda.
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