Bom dia, {{name | droppers}}! Pensei no chuveiro: que na teoria os juros altos deveriam desestimular o endividamento, frear o consumo e reduzir o percentual de famílias no vermelho. Já na prática, o endividamento das famílias brasileiras vem crescendo e já está em 80,2% (o maior da série histórica da Peic). Com os juros altos, até o país tropical tem bola de neve: as pessoas precisam pegar crédito ainda mais caro para rolar as dívidas que não conseguem pagar.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Magalu: do bazar digital à vitrine premium
• Super-quarta incerta: qual o tamanho do corte?
• Natura: melhorando onde importa
• Fertilizantes: a inflação que ninguém viu chegando

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann

Por aqui, o Quico Tesouro voltou a recomprar títulos e deu um alívio pra todo mundo, num dia em que os mercados já mostravam otimismo e assumiam mais riscos. O resultado disso? Ibovespa chegando perto dos 180 mil pontos de novo e o dólar caiu 1,60%. As blue chips subiram em bloco e nada menos do que 71 das 83 ações do índice fecharam em alta — com destaque para o setor financeiro.

Lá fora, o petróleo segue deixando todo mundo apreensivo, mas agora novas notícias de que os navios-tanque podem encontrar uma nova forma de atravessar o Estreito de Ormuz deram uma rodada de alívio. Aí o preço do petróleo recuou, impulsionando as bolsas a terem um dia forte de alta. As empresas de tech também tiveram uma segunda de primeira.

Magalu: do bazar digital à vitrine premium

Zap da Lu converte 3x mais que busca

Depois de cinco anos no modo “startup com aporte pronta pra comprar” — adicionando peças como Netshoes, KaBuM! e até serviços de computação em nuvem —, a Magalu agora quer extrair valor de tudo isso e focar na receita de produtos “premium”. E com uma ajudinha da inteligência artificial.

Os números do trimestre:

  • 🟡 Receita Líquida: R$ 11,15 bilhões, subindo apenas 3,4% no ano.

  • 🔴 Lucro Líquido: R$ 124 milhões, com queda de 55,4% na base anual.

  • 🟢 EBITDA: R$ 947,8 milhões, alta de +12,5%.

A receita líquida do ano ficou em R$ 38,7 bilhões. Curiosamente, as lojas físicas foram as estrelas da festa, crescendo 8,7%. O e-commerce, por outro lado, recuou 5,3% com a concorrência acirrada e o Meli abocanhando parte do mercado.

Vanessa Rossini (Diretora de RI) conta o motivo: o online virou um campo de batalha meio irracional, dominado por produtos baratos e margens microscópicas. A Magalu preferiu priorizar categorias com maior margem, mesmo que isso signifique crescer menos no curto prazo.

Motivos para levantar a sobrancelha: o resultado líquido caiu 55,4% no trimestre e 54,4% no ano. Os motivos principais foram os juros altos pressionando despesas financeiras — com provisões adicionais para limpar estoques encalhados e ajustes contábeis ligados à Luizacred, a joint venture com o Itaú.

Relaxando um pouco a sobrancelha: sem esses itens, a margem bruta fica perto de 30% e a queda do lucro seria de ~10%. Ruim, mas não o estrago da queda de 50%.

Motivos para comemorar: o caixa total, que tem cerca de R$ 8 bilhões e gerou R$ 2,2 bilhões de caixa operacional apenas no quarto trimestre. Para efeito de comparação: em 2015, o caixa total da companhia era de cerca de R$ 1 bilhão.

Olhando pra frente: mais vendas cruzadas entre suas plataformas e transformar o e-commerce em um destino mais premium, menos como bazar digital e mais vitrine de produtos com qualidade e margem. E ampliar parcerias externas (AliExpress, etc) que ajudam a trazer tráfego adicional com boa rentabilidade.

Mas a estrela que a empresa aposta para o próximo ciclo tem duas letras: IA. A Magalu quer escalar o chamado AI Commerce, usando a tecnologia como novo canal de relacionamento com o cliente e integrando no “Zap da Lu”. Faz sentido: o canal já tem ~3 milhões de usuários e uma taxa de conversão 3x maior do que a busca tradicional no app.

As ações sobem apenas 15% nos últimos 12 meses e se encontram a -99% das suas máximas. O valor de mercado da empresa é de ~R$ 7,3 bilhões.

Recomendação dos analistas:

Compra: 1 | Neutro: 8 | Venda: 4

Preço-alvo médio: R$ 9,02 | Preço atual: R$ 9,84

Macro/Ações

  • PIB americano: do 4T’25 foi revisado para baixo, em 0,7%.

  • Receita Federal: libera programa do IRPF 2026 na sexta-feira.

  • IBC-Br: a 'prévia do PIB', sobe menos que o esperado em janeiro.

  • Tesouro: realiza duas intervenções no dia, recomprando R$ 15,4 bilhões em NTN-Bs.

  • Setor Financeiro: por que é o pior setor no ano no S&P500?

  • Venezuela: inflação de 600% e queda da produção de petróleo marcam o país pós-ataque de Trump.

  • BNDES: divulga cinco ETFs que ganharão investimento de até R$ 1 bilhão.

  • GOLD11: Aumento em taxa do fundo da XP gera polêmica.

  • CSN: dívida sobe a R$ 41 bi enquanto siderúrgica se prepara para vender ativos.

  • Copasa: pagará R$ 177,6 milhões em proventos, com data-ex dia 23/03.

  • Porto: estuda aporte de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas.

  • Banco do Nordeste: rescinde acordo com EntrePay após atrasos nos repasses a lojistas.

  • Neogrid: diz que Dalpe decidiu seguir com OPA por novo preço, em R$30,89.

Super-quarta incerta: qual o tamanho do corte?

tinha uma guerra no meio do caminho

A próxima super-quarta (que é super-amanhã) prometia ser relativamente previsível: o mercado e o BC já tinham quase carimbado um corte de 0,50% na taxa Selic, iniciando o primeiro ciclo de queda em quase 2 anos. Mas no meio do caminho tinha uma guerra, tinha uma guerra no meio do caminho.

Com a guerra no Irã, entrou em cena um velho conhecido das crises globais: o petróleo. Desde o início do conflito, o barril do Brent disparou quase 40%, encostando nos US$ 100. E quando o petróleo sobe assim, o mercado imediatamente lembra que a inflação também pode acordar.

O consenso de cortes para amanhã evaporou. Agora o mercado se encontra dividido entre um corte mais ousado de 0,50% e um passo mais cauteloso de 0,25%.

  • Quem defende um corte de 0,25p.p: diz que a alta da commodity pode pressionar as expectativas de inflação, que já estão acima da meta. Nomes como Itaú, Goldman Sachs, Kinea, Banco Inter, Citi, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG estão nessa linha.

  • Quem defende um corte de 0,50p.p: diz que a taxa atual (15%) continua extremamente contracionista. E que há bastante espaço para cortar sem comprometer o combate à inflação.

Além do tamanho do primeiro corte, o mercado também começou a rever o tamanho do ciclo inteiro. A expectativa agora é que a Selic termine o ciclo perto de 12,75% em 2027, um pouco acima dos 12% que eram esperados antes da guerra.

Seja qual for a decisão, se o corte acontecer amanhã, será a primeira queda da Selic desde 8 de maio de 2024. Depois de quase dois anos de juros nas alturas, o mercado finalmente está esperando o início do alívio. A dúvida é se o Copom vai tirar o pé do freio devagar… ou um pouco menos devagar.

PS: o diretor de política monetária Nilton David disse recentemente que a calibragem da próxima reunião “segue válida”, mas que os próximos passos serão “cuidadosamente analisados”.

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Natura: -R$ 321 mi no total, +R$ 186 mi no que importa

menos receita, menos prejuízo

A Natura entregou aquele clássico resultado que parece ruim… mas quando você olha de perto, dá pra ver que a história é um pouco mais interessante. No 4T’25, o prejuízo foi de R$ 321 milhões… ainda negativo, mas 27% menor que no ano anterior. A luz no fim do túnel surge quando você separa o que é negócio recorrente do que é “faxina de casa”.

Os números do trimestre:

  • 🔴 Receita Líquida: R$ 6,19 bilhões, caindo -12,1%

  • 🟡 Prejuízo Líquido: R$ 321 milhões, reduzindo 27%, mas com lucro de R$ 186 milhões nas operações continuadas.

  • 🟢 EBITDA: R$ 444 milhões, saindo do negativo para o positivo.

As chamadas operações continuadas (basicamente Natura + Avon na América Latina) entregaram lucro de R$ 186 milhões, revertendo o prejuízo de um ano atrás. E tirando efeitos não recorrentes (tipo a baixa de recebíveis da venda da The Body Shop), esse lucro iria para algo perto de R$ 620 milhões.

O copo meio vazio: o faturamento caiu 12,1%, para R$ 6,19 bilhões. No Brasil, que é o coração da operação, a queda foi mais leve (4,8%), mas relevante.

O copo meio cheio: o EBITDA, que saiu de negativo para positivo, fechando em R$ 444 milhões, com margem de 7,2%. Na versão ajustada, o número sobe para R$ 978 milhões, com margem de 15,8%.

O resultado da Natura foi um típico resultado de turnaround em andamento: menos receita, menos prejuízo, mais eficiência, e uma empresa tentando voltar a ser… ela mesma. Não é uma história de crescimento, mas também não é uma história só de problemas.

Taxa Selic

É o “controle remoto” dos juros no Brasil, definida pelo BC para orientar o custo do dinheiro na economia.

Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o consumo tende a esfriar e a inflação entra na linha; quando cai, o objetivo é estimular empréstimos, investimentos e dar mais fôlego para a atividade.

Ela também serve como referência para diversas aplicações financeiras, especialmente as de renda fixa. E influencia desde o financiamento do carro até o rendimento do seu dinheiro parado.

Fertilizantes: a inflação que ninguém viu chegando

mas todo mundo vai sentir quando chegar

Se o óleo vai queimando as expectativas de quedas mais bruscas na Selic, os fertilizantes vão acelerando o crescimento de uma planta nada agradável, a inflação mundial — e esse aqui não tem estoque estratégico nem solução rápida no forno.

O gargalo vem do fechamento do Estreito de Ormuz. Por ali passa algo entre 25% e 35% do comércio mundial de amônia e ureia. Ou seja: oferta travada e preços subindo na pior hora possível, bem na largada da temporada de plantio. Só entre o fim de fevereiro e início de março, o preço da ureia nos EUA saltou cerca de 30%.

Enquanto isso, as empresas americanas do setor estão surfando a onda. Com concorrentes do Oriente Médio temporariamente fora do jogo e acesso a gás natural barato (ingrediente-chave na produção), elas ganharam vantagem competitiva.

O problema é que, fora da bolsa, a conta chega. Fertilizante mais caro significa custo maior para o agricultor, que pode plantar menos ou repassar o preço… ou ambos. Menos oferta de alimentos e preços mais altos, uma combinação clássica de pressão inflacionária.

No fim, a história volta sempre para o mesmo lugar: risco de estagflação. Crescimento mais fraco de um lado, preços subindo do outro. E, como toda boa novela geopolítica, ninguém sabe ao certo o próximo capítulo… só sabe que ele dificilmente vem barato.

18,75%

Foi a alta no Diesel no Brasil desde o início da guerra no Irã. O Brasil importa 25% do diesel que consome e, nesse intervalo, o preço internacional subiu +50%.

Via Valor Econômico

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