
Bom dia, Dropper!
Pensei no chuveiro: que o mercado de capitais é eficiente porque: 1) o preço deve refletir informação; 2) o capital flui para as melhores empresas; 3) o investidor racional tem retorno. Mas na teoria a prática é outra… o WallStreetBets percebeu que o ticker do IPO trilionário da SpaceX vai ser SPCX e que qualquer desavisado que buscasse por SPC acabaria comprando a Virgin Galactic (SPCE, que já está disponível há anos). Resultado: as opções da SPCE chegaram a subir 200% por causa da oportunidade. Corrigiu depois? Não… continuam escalando, porque agora a própria Virgin anunciou que vai retomar os voos sub-orbitais aproveitando o momento do mercado.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Correios: o prejuízo que parece pior do que é
• Regime Fácil: a bolsa finalmente abriu a porta
• Ibov: um mês para esquecer
• Dell: um trimestre para celebrar

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, maio acabou mal e junho começou do mesmo jeito. O Ibovespa caiu 0,91% e já perdeu + 27 mil pontos desde o pico de abril. E, de novo, quem deu um banho de água fria no investidor brasileiro foi a crise no Irã - com as negociações de paz voltando à estaca zero. O Focus também não ajudou: a projeção do IPCA para 2026 subiu pela 12ª semana seguida, chegando a 5,09%… bem acima do teto da meta.
Lá fora, O S&P 500 acabou de encerrar um de seus melhores meses de maio desde a década de 1950. O mercado americano parece ter desenvolvido imunidade às idas e vindas do Oriente Médio: enquanto o petróleo sobe 7% e os emergentes derretem, o S&P segue firme perto das máximas. Essa semana ainda teremos o payroll de maio no radar, e os dados vão dar o tom se o Fed tem alguma margem para mexer nos juros antes do fim do ano.
Correios: o prejuízo que parece pior do que é
e o problema que é pior do que parece

Imagine que você limpa a casa, organiza tudo, joga fora o que estava escondido embaixo do tapete, e no final, a casa parece mais bagunçada do que antes. Foi basicamente isso que os Correios fizeram no 1T’26.
Os números do trimestre:
🔴 Prejuízo Líquido: R$ 3,15 bilhões, alta de 82,3% em relação a R$ 1,72 bi do 1T’25.
🔴 Postagens Internacionais: R$ 156 milhões, queda de 60,3% frente ao 1T’25.
🔴 Despesas financeiras: subiram +248% por conta dos empréstimos tomados.
Sem amenizar: foi o pior rombo trimestral da história. Com isso, vale separar o que é "bagunça nova" do que é "bagunça antiga", e tiveram praticamente 4 fatores para explicar esse prejuízo histórico:
Estrutural: a receita continua caindo. Cartas e telegramas já praticamente sumiram e as encomendas perdem espaço para transportadoras privadas. O negócio tradicional está encolhendo, e encolhendo rápido.
Custos de existir (em todo lugar): a empresa estima que cumprir a obrigação de universalização, ou seja, manter presença em municípios remotos onde nenhuma empresa privada toparia operar, custa ~R$ 4 bilhões por ano.
Contábil: a nova gestão reconheceu mais R$ 1,06 bilhão em provisões para ações trabalhistas que a administração anterior havia retirado do balanço. O valor reservado para cobrir possíveis perdas em ações judiciais chega a R$ 4,65 bilhões
Custo da dívida: a empresa tomou R$ 12 bilhões emprestados com garantia da União no fim de 2025 para não quebrar. O que contribuiu para os R$ 586 milhões em encargos financeiros no trimestre. As despesas financeiras totais chegaram a R$ 985 mi, alta de 248% sobre o 1T’25.
O núcleo operacional, de fato, melhorou. O PDV (Programa de Demissão Voluntária) funcionou. Mais de 4.600 funcionários saíram, e o custo com pessoal caiu 4% mesmo com reajuste salarial de 5,1% no dissídio. Isso é exatamente o que estava prometido no Plano 2025–2027: cortar gordura operacional antes de tentar crescer.
Mas tem duas moscas nessa sopa:
→ postagens internacionais caíram 60% - um baita efeito da “taxa das blusinhas”
→ indenizações por atraso multiplicaram 15x (chegando a R$ 30 milhões).
O Plano de Reestruturação existe e está andando. Mas o tempo corre rápido demais para a empresa reverter todo o prejuízo e virar lucrativa até 2027. O trimestre não foi tão ruim quanto parece… mas o desafio é maior do que o plano admite.
MACRO/AÇÕES
PIB Brasil: cresce 1,1% no 1T’26.
FIDCs: ligados à Shopee crescem 222% e acirram disputa com Mercado Livre no crédito.
Inadimplência: e endividamento das famílias subiram em abril.
Japão: gasta em maio valor recorde em intervenções cambiais.
Anthropic: protocola, confidencialmente, pedido de IPO.
Google: vai emitir US$ 80 bilhões em ações para expansão em IA.
BRB: governo do DF tomará empréstimo de R$ 6,5 bi do FGC para socorrer empresa.
Raízen: propõe a credores trocar R$ 29,4 bilhões de dívida por ações e reformulação do conselho.
Cosan: abre negociações para vender controle da Rumo.
TC Club: recebe aval do BC para adquirir a totalidade da Economática.
Copasa: relança privatização após propostas abaixo do mínimo.
Universal: grupo rejeita a proposta de US$ 65 bilhões de Bill Ackman.
Berkshire Hathaway: faz seu primeiro movimento de peso pós-Buffett.
Regime Fácil: a bolsa finalmente abriu a porta
as primeiras PMEs que chegaram à bolsa sem manual de IPO

O playbook era claro: empresa pequena atrás de grana vai bater na porta do banco. Mas agora com o Regime Fácil, PMEs também podem bater na porta do mercado de capitais e as primeiras a desbravarem esse novo cenário são Mais Mu e Plamev Pet.
Caneta dropadora: o Regime Fácil é um novo “atalho regulatório” criado pela CVM para levar empresas menores à bolsa sem exigir um manual de sobrevivência de IPO tradicional.
Empresas com faturamento de até R$ 500 milhões podem captar até R$ 300 milhões por ano, com um custo que caiu de algo perto de R$ 10 milhões para a casa de algumas centenas de milhares.
As duas conseguiram registro na Categoria A dentro da BEE4, plataforma de mercado de capitais para empresas emergentes, que funcionou como sandbox regulatório. Esse é o nível mais completo: autoriza emissão tanto de ações quanto de dívida.
E as escolhidas fazem sentido dentro das tendências de consumo:
Mais Mu: surfa a onda de alimentação saudável e produtos funcionais. Faturou R$ 111 milhões ano passado e já tem quase mil PFs como acionistas minoritários.
Plamev Pet: vende planos de saúde para pets, pegando carona em um mercado que não para de crescer e já transformou o Brasil em potência global no setor.
A história das duas também passa por um “pré-jogo” interessante: elas já estavam na BEE4 desde o sandbox regulatório da CVM. Ou seja, não caíram ali de paraquedas e foram quase como cobaias para o caminho que agora estão trilhando.
O mercado de capitais brasileiro começa, finalmente, a abrir espaço para empresas que não são gigantes… mas também não são pequenas demais para ficar dependentes de banco.
→ A BEE4 recebeu investimento da IFC, braço privado do Banco Mundial.
DECIFRANDO O CONDADO

Sandbox Regulatório
É um ambiente controlado criado por reguladores para permitir que empresas testem produtos e serviços financeiros inovadores com regras mais flexíveis antes de enfrentar a regulação completa.
Em vez de exigir que uma fintech ou startup atenda a todos os requisitos regulatórios desde o primeiro dia, o regulador cria uma "zona de testes" com supervisão próxima e limites definidos.
Se o modelo funciona e os riscos se mostram controlados, a empresa segue para a regulação plena; se não, o estrago fica contido. É uma forma de equilibrar inovação com segurança, e o regulador aprende junto com o mercado.
Ibovespa: um maio para esquecer
mas XP diz que é hora de lembrar

Sua carteira está muito posicionada em Brasil? Se sim, maio foi um mês para esquecer. O Ibov despencou 7,2% enquanto lá fora as bolsas batiam recordes. O problema é que quem puxou o carro foi a IA com chips, data centers, lucros de big techs e o Brasil não vende nada disso.
O fluxo estrangeiro contou essa história com números frios: saídas em 24 dos últimos 26 pregões, R$ 26 bilhões deixando a bolsa brasileira desde meados de abril.
Apesar disso… a XP vai na contramão e diz que é hora de comprar, com argumento técnico. O indicador proprietário de sentimento da casa voltou para território de pessimismo extremo, o mesmo patamar registrado em janeiro de 2025.
O diagnóstico de curto prazo é de sobrevenda. E sobrevenda, para quem pensa em horizontes mais longos, é outra palavra para oportunidade. Três ventos contrários explicam a fraqueza recente dos fundamentos:
IA: o Brasil não tem um chip para vender nessa corrida. O trade global de inteligência artificial passa longe do Ibovespa, e o fluxo vai para onde a narrativa está mais quente.
Juros: a inflação teimosa está forçando o mercado a precificar uma Selic mais alta do que o esperado, o que pressiona os múltiplos das ações.
Eleições: a volatilidade eleitoral começa a dar suas caras.
Mesmo com as ameaças soprando, a XP acredita no valor justo do Ibov a 205 mil pontos até o fim do ano - ~17% acima do valor atual.
A tese de fundo segue intacta: quando a fumaça do conflito no Oriente Médio baixar, o Brasil ainda tem a narrativa de "vencedor relativo" para recuperar. Real apreciado, commodities no portfólio, juros ainda altos mas caindo.. enfim, o cenário ainda parece existir. O que falta é o catalisador!
De que lado você está?
STATS DO DIA
US$ 11 bilhões
é o quanto de receita a FIFA espera arrecadar nessa Copa do Mundo.
Dell: virando o jogo em WS
O consenso de analistas ficou US$ 9 bilhões para trás.

A Dell decidiu que não ia deixar os analistas acertarem no primeiro trimestre. Enquanto eles previam US$ 35,4 bilhões de receita, a empresa foi lá e entregou US$ 43,8 bilhões - no maior crescimento desde que a Dell voltou pra Bolsa em 2018.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 43,8 bilhões x US$ 35,43 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 4,86 x US$ 2,94 esperados.
🟡 Margem Bruta: 17,8%, queda de 3,3 p.p. a/a - servidores de IA crescem rápido, mas carregam margens menores.
Como qualquer empresa de tecnologia que cresce em 2026, o motor turbo da Dell se chama IA. A divisão de infra cresceu 181% e chegou a US$ 29 bi - com US$ 16 bi só dos servidores otimizados para inteligência artificial (estrondosos 757% de crescimento em um ano).
A Dell também reservou US$ 24,4 bilhões em pedidos de IA durante o trimestre, e saiu do período com US$ 51,3 bilhões em backlog. Praticamente receita futura contratada, com a fila crescendo mais rápido do que a empresa consegue entregar.
Do outro lado do negócio, os PCs também foram bem. A divisão bateu recorde com US$ 13 bilhões, alta de 18%. A troca de ciclo de PCs impulsionada por IA está acontecendo, só que em ritmo mais silencioso do que os servidores.
A margem bruta caindo 3,3 pontos percentuais parece ruim, mas é o preço de crescer em um segmento onde o produto principal (servidor de IA) custa muito para ser montado. A Dell está trocando margem por volume.. e por enquanto, o volume está vencendo.
A cereja pra finalizar foi o guidance. Para o ano inteiro, a empresa agora projeta receita entre US$ 165-169 bilhões, US$ 27 bilhões acima do que WS esperava. O mercado reagiu lançando o papel para as alturas: as ações subiram quase 39% no after-hours, o maior salto em um único dia desde 2018.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 13 | Neutro: 8 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 482,86 | Preço atual: US$ 465,96
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