Bom dia, Dropper!

Pensei no chuveiro: que historicamente o mercado pet movimentou bilhões com o trio comida/brinquedos/veterinário - as necessidades básicas de quem tem um animal em casa. Só que com ~40% dos 66 milhões de cachorros brasileiros acima do peso, agora o ex-CEO da Alpargatas esta investindo no “mounjaro” canino: snacks emagrecedores. Será que os dias daquele caramelo gordinho estão contados?

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• CBF: o balanço que o VAR não reverte
• Strategy: o loop infinito de papel por btc
• Oracle: entre recordes e decepções
• Frigos BR: passaporte vetado na Europa

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o Ibovespa não achou onde se segurar e caiu outros -0,70%, aos 168.619 pontos. O recado mais pesado veio de fora: o Bank of America rebaixou o Brasil de "overweight" para "marketweight", justificando com o tema que vem assombrando o mercado - menos espaço pra cortar juros. O banco agora vê a Selic em 14,25% no fim de 2026 (era 13,25%), ou seja, mais um corte em junho e depois um longo "manteu".

Lá fora, foi a combinação que ninguém pede no cardápio: inflação quente com escalada militar. O CPI de maio veio em linha, mas marcou 4,2% no ano, no maior nível em três anos e a terceira aceleração seguida, com a guerra com o Irã puxando a conta. Isso fez o mercado virar a chave: em vez de corte, agora especula até alta de juros pelo Fed em dezembro. De brinde, EUA e Irã voltaram a trocar farpas mísseis e Trump prometeu mais ataques.

CBF: o balanço que o VAR não reverte

R$ 182 mi de prejuízo, R$ 2 bi de caixa

Hoje começa a Copa, sábado tem Brasil em campo. Se você faz parte do time otimista que acredita no Hexa, saiba que o balanço da CBF com certeza não vai ser o responsável pelo gol do título.

Os números do ano passado:

  • 🔴 Receita Bruta: R$ 1,19 bilhão, queda de 8,4% comparado ao ano anterior.

  • 🔴 Prejuízo Líquido: R$ 182,5 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,7 mi de 2024.

  • 🟢 Caixa e Aplicações: R$ 2,0 bilhões (rendendo 102,1% do CDI).

Como o último ano fez as contas abrirem um sonoro 3×0 na CBF?

Gol 1: Um pênalti de 2013. O maior rombo individual foi uma saída de R$ 80 milhões pagos ao Icasa - numa disputa judicial que começou em 2013. Além disso, a nova diretoria vasculhou a prateleira de recebíveis e encontrou créditos que não valiam o papel onde estavam escritos: R$ 40,4 milhões provisionados para perdas. Faxina de vestiário… necessária, mas que aparece no placar.

Gol 2: A Série B saiu de campo. Os Direitos de Transmissão caíram R$ 86 milhões na comparação anual, pois a Série B passou a ser comercializada diretamente pelos clubes, retirando essa fatia do caixa da CBF.

Gol 3: As despesas. As despesas operacionais mais que dobraram: de R$ 208 mi para R$ 438 mi. Gerais e Administrativas subiram 207%. A gestão explica com reestruturação e saneamento.

“Galvão, vai mexer!”: enquanto a DRE sangrava, o patrimônio segurou o placar. A CBF encerrou o ano com R$ 2 bilhões em caixa e aplicações. E tem um reforço esperando na reserva: R$ 849 milhões da Nike estão diferidos no passivo, prontos para entrar no resultado a partir de 2027, ao longo de 12 anos, com contrato válido até 2038.

2025 foi ano de déficit, 2026 é ano de arrumar a casa. O caixa aguenta a temporada, mas a dúvida é se as despesas operacionais vão encontrar um esquema tático em ano de Copa, ou se a "reestruturação" continua jogando sem posição fixa.

MACRO/AÇÕES

  • Fluxo estrangeiro: quebram sequência de sete pregões de retiradas e aportam R$ 19 milhões na B3 em 8 de junho.

  • CVM: iniciará discussão de pilares de regulação de tokenização.

  • Mercado Financeiro: invade os campos de futebol e alcança 36% do clubes das principais ligas europeias.

  • Crédito Privado: spreads de CRI e CRA já superam pico da crise de Americanas.

  • Fundo Verde: zera posição em Real e reforça aposta em ativos dos EUA.

  • EMS: os argumentos para pedir que o Cade aprove a compra da Medley.

  • QI Tech: Tech entra em renda fixa e mira, já na largada, R$ 32 bilhões em emissões.

  • Copasa: informa avanço em oferta de ações com cumprimento de exigências pela Equatorial.

  • Braskem: anuncia nova diretoria, indicada por IG4 e Petrobras, após entrada de nova sócia.

  • Aegea: Fitch corta as notas de crédito de ‘BB-’ para ‘B+’ e as retira de observação negativa.

  • Vale: estuda entrada em terras raras, mas ainda vê obstáculos para competir com gigantes.

Strategy: o loop infinito de papel por btc

o homem que compra o pânico que ele mesmo criou

Depois de causar um mini ataque cardíaco no mercado ao vender 32 bitcoins (algo que não fazia desde 2022)  a Strategy voltou ao seu estado natural: comprar mais. A venda foi uma fração minúscula do portfólio da empresa, mas o mercado cripto não viu graça nenhuma nisso, e fez o preço despencar para os menores níveis do ano. 

Mas agora, praticamente uma semana após fazer as vendas, o founder Saylor postou no X que era "um bom momento para adicionar mais"... e comprou 1.550 BTC por US$ 101,3 milhões!

A repercussão: enquanto alguns acusavam Saylor de “assassinar o Bitcoin”, outros lembraram que, sem a Strategy comprando como se não houvesse amanhã, talvez o preço estivesse muito mais baixo.

O detalhe: a Strategy pagou uma média de US$ 65.332 por bitcoin nessa compra. O custo médio do portfólio inteiro é de US$ 75.680. Em outras palavras, a empresa aproveitou o pânico que ela mesma criou para acumular mais barato do que a média histórica.

A tese segue: o financiamento veio da venda de ações ordinárias Classe A. É o modelo que Saylor defende há anos: emitir papel para comprar BTC.

A empresa tem 845.256 bitcoins, adquiridos por cerca de US$ 64 bilhões ao longo do tempo. Com o bitcoin rodando perto de US$ 63.600 no momento da divulgação, o portfólio valia aproximadamente US$ 53,8 bilhões. O prejuízo parece não abalar Saylor.

Oracle: entre recordes e decepções

US$ 638 bi no backlog e -7% no after

A IA fez a Oracle aparecer entre as maiores empresas do mundo e até colocou o founder Larry Ellison no topo do ranking dos mais ricos por um tempo. A empresa segue crescendo, mas o mercado começou a se assustar por causa do temido “aumento de Capex”. E as ações caíram 7% nesse embalo.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita total: US$ 19,2 bilhões x US$ 19,09 bi esperados.

  • 🟢 Lucro por ação: US$ 2,11 x US$ 1,97 estimados.

  • 🔴 Receita cloud: US$ 9,91 bilhões, abaixo dos US$ 9,99 bi esperados

O coração do resultado foi o crescimento de infraestrutura em nuvem (IaaS). A Oracle registrou +93% na linha de Cloud Infrastructure, quase dobrando a receita ano contra ano. E o RPO ("o quanto já vendeu mas ainda não entregou") chegou a impressionantes US$ 638 bilhões. Isso é quase 10x a receita anual da empresa.

Tudo parecia estar sob controle… mas aí vieram as letras miúdas:

→ US$ 70 bilhões em capex para o próximo ano fiscal.
→ Levantamento de mais US$ 40 bilhões em dívida e emissão de ações.
→ Fluxo de caixa livre negativo em US$ 23,7 bi no ano.
→ Dívida total já passa de US$ 129 bi - e crescendo mais rápido que a receita.

O que o mercado vai olhar:

  1. Conversão do RPO em receita: US$ 638 bi em backlog é extraordinário, mas só vale quando vira faturamento. O ritmo de conversão no próximo tri vai dizer se a Oracle está conseguindo ligar os datacenters que construiu.

  2. Margem em IaaS: o próprio CFO sinalizou compressão de margem no curto prazo, enquanto os datacenters ainda "rampam".

  3. Capex: o investimento que sobe trimestre a trimestre uma hora tem que se pagar e fazer fluxo de caixa positivo.

O CEO Clay Magouyrk disse que esse próximo trimestre vai trazer online quase 1 gigawatt de capacidade computacional, algo equivalente ao total construído em todo o ano anterior. A Oracle quer ser o landlord do AI… o problema é que o terreno está custando cada vez mais caro, e o inquilino ainda não pagou tudo que prometeu.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 6 | Compra: 30 | Neutro: 6 | Venda: 1

Preço-alvo médio: US$ 255,18 | Preço atual: US$ 201,26

STATS DO DIA

4400

É número de funcionários da SpaceX que podem se tornar milionários após o IPO da empresa.

Via: NewYork Times

Frigos BR: passaporte vetado na Europa

O impacto real não está no volume exportado

Se tem uma coisa que o mercado não gosta é de surpresas… principalmente as negativas, como a decisão da União Europeia de barrar parte das importações de proteína animal do Brasil. Isso caiu como um balde de água fria no setor, pois o impacto mexe com um mercado que movimenta quase US$ 2 bilhões por ano.

Mas nem todo o setor sente o impacto da mesma forma:

  • Minerva (BEEF3): possui operações mais espalhadas geograficamente pela América do Sul, então ela consegue redirecionar boa parte da produção para países que ainda têm acesso ao mercado europeu. Exposição entre 2-4% da receita.

  • JBS (JBSS3): também joga no modo global, com presença nos EUA, Austrália e Europa dilui bastante o problema. Exposição entre 0,5-1,5% da receita.

  • Marfrig (MBRF3): é quem fica mais exposta, principalmente por causa da operação de frango, que é mais concentrada no Brasil e tem menos flexibilidade para redirecionar exportações. Exposição entre 2,5% da receita.

→ É o frango da BRF que torna a MBRF a mais vulnerável do trio - e a que vai sentir mais pressão nas margens no segundo semestre.

A Europa não é só mais um cliente … é aquele cliente premium, que paga mais caro pelos melhores cortes - e com margens mais gordas. Perder esse acesso não significa, necessariamente, vender menos: significa vender o mesmo volume por menos, realocado para Ásia, Oriente Médio ou EUA.

Agora o jogo vira diplomacia… o Brasil já começou a negociar para reverter o veto antes de setembro, quando ele começa. Enquanto isso, as empresas fazem o que o mercado espera: se adaptam, redirecionam e seguem o fluxo.

DROP LIKE IT'S HOT

[para entender] no Brasil, sobra e falta energia ao mesmo tempo.

[para ler] como as ações da Ambipar turbinaram o Master e irrigaram fundos de Tércio, Tanure e Quadrado

[para conhecer] uma conversa com o Andrew Ross, autor do livro 1929 e Too Big to Fail.

[para assistir] o guia do Claude para Investidores.

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