
Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que a Copa do Mundo deveria ser acessível para torcedores apaixonados de todo o mundo, mas a FIFA defendeu ingressos que chegam a US$ 10 mil. O argumento é que os EUA permitem cambistas revendedores com margens elevadas, basicamente um “se o mercado americano permite, então vamos cobrar o que o mercado aguenta".
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Itaú: o relógio suíço da bolsa
• Bradesco: maior lucro da história
• Disney: ainda sabe encantar
• Vulcabras: 23º trimestre consecutivo de crescimento

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o reflexo das negociações para a abertura de Ormuz foi o mercado tomando uma amostra grátis do otimismo global: o Ibov subiu 0,5% - com destaque pra Vale, que subiu 3,62%, acima da performance do minério. Hoje ainda temos o encontro de Lula com Trump, lá na capital americana.
Lá fora, o disco riscado (ou a música no repeat para a geração streaming) tocou de novo a faixa das máximas históricas. O grande motivador foi um memorando da Casa Branca com 14 pontos para negociar a paz com o Irã - com o objetivo de acabar com o conflito e pavimentar o campo para as negociações nucleares. O relatório da ADP mostrou a criação de 109 mil novos empregos em abril, o maior aumento em 15 meses, dando mais um sinal de que o mercado de trabalho americano está estável.
Itaú: o relógio suíço da bolsa
R$ 12,3 bi e nenhuma surpresa (como sempre)

Mais um trimestre e mais um resultado sem surpresas do reloginho mais suíço da nossa bolsa. O Itaú segue trabalhando com as engrenagens sólidas e fazendo o que sabe de melhor: entregar resultado consistente… quase entediante.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: R$ 12,3 bilhões, crescendo 10,4%.
🟢 Lucro por ação: R$ 1,06, crescendo 11,6% no ano.
🟢 ROE: 24,8%, subindo 2,3p.p na base anual.
Até quando cresce, o Itaú faz isso com disciplina. A carteira de crédito chegou a R$ 1,5 trilhão, com expansão sólida no ano. E, mais importante ainda, a inadimplência segue sob controle, com 1,9% acima de 90 dias. Em tempos de juros altos e consumidor pressionado, isso é passar de ano com estrelinha.
O custo de crédito subiu, mas em ritmo controlado - e o Itaú deixou claro que tem espaço para apertar o freio ou acelerar, dependendo do cenário. O tom da gestão para 2026 é cautela, com o CEO Milton Maluhy Filho sendo direto: qualidade da carteira vem antes de corrida por volume.
O banco vai ficando cada vez mais à frente dos concorrentes: endividamento mais baixo, inadimplência controlada e uma carteira mais diversificada estão criando uma distância cada vez mais visível no retrovisor.
Nada novo sob o sol do Itaú. Não é um resultado que empolga… mas é exatamente o tipo de “tédio” que o investidor quer no portfólio.
Recomendação dos analistas:
Compra: 11 | Neutro: 2 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$47,85 | Preço atual: R$ 41,78
MACRO/AÇÕES
Ata do Copom: BC vê inflação pressionada e indica política monetária ainda restritiva.
Fluxo estrangeiro: perde fôlego em abril, mas se mantém positivo.
Inflação americana: PCE vai para 3,5% em 12 meses.
Energia Nuclear: ações do setor subiram fortemente ontem.
Tecnologia: gastos em TI como proporção do PIB americano ultrapassam o pico da “bolha ponto com”.
Coreia do Sul: continua sendo uma das melhores performances, com a Samsung batendo US$ 1 trilhão em valor de mercado.
PayPal: ação caiu por causa de um guidance mais fraco que o esperado.
GPA: aprova recuperação extrajudicial e reduz dívida de R$ 4,5 bilhões pela metade.
AMD: ações sobem 16% depois de as vendas de data centers subirem 57%.
Bradsaúde: estreia na B3 com lucro de R$ 1,3 bilhão, ROE de 24,8% e queda na sinistralidade.
Ambev: resultado "desce redondo" e ação dispara na bolsa.
AXIA: vende ativos a sócio colombiano em mais um M&A “dentro de casa”.
Prio: registra lucro líquido de US$ 459,9 milhões no 1º trimestre, alta de 33%
Bradesco: maior lucro da história
de turnaround para recorde em 2 anos

Depois de passar 2023 e parte de 2024 se reestruturando (com lucro abaixo dos rivais, provisões acima, inadimplência e um novo CEO), o Bradesco finalmente está colhendo os frutos. No último trimestre o resultado foi de lucro recorde histórico para o banco que emprestou mais, cobrou melhor, e viu a Selic alta trabalhar a seu favor.
Os números do trimestre:
🟢 Margem com clientes: R$ 19,5 bilhões, crescendo 16,2% no ano.
🟢 Lucro Líquido: R$ 6,8 bilhões, crescendo 16,1%.
🔴 PDD: R$ 9,66 bilhões, subindo 26,5% no ano.
Um coadjuvante chamou a atenção: a margem com o mercado, que é a parte mais volátil ligada à gestão de ativos e trading. Ela saltou de R$ 126 milhões no 4T25 para R$ 553 milhões no 1T26.
O segmento seguro dos seguros: fez R$ 6,4 bilhões (+20,4% no base anual), com ROAE de 21,6% na divisão. A Bradesco Seguros continua sendo a galinha dos ovos de ouro do grupo.
A atenção: ficou com o custo do crédito subindo para R$ 9,66 bilhões, alta de 26,5%. O banco culpou "casos específicos no atacado e no agro", tendo que provisionar mais dinheiro para cobrir possíveis calotes. A inadimplência total ficou em 4,19%, levemente acima dos 4,13% do trimestre anterior.
O que o mercado deve olhar:
PDD: o custo do crédito precisa parar de subir. Se os casos específicos do atacado forem realmente pontuais, o 2T’26 deve trazer alívio. Se não forem, o mercado deve pressionar.
Receita de serviços: caiu 6,4% no trimestre, mas ainda sobe +6,2% na base anual. Sazonalidade explica uma parte, mas rendas de cartão (-7,7% t/t) e conta corrente (-3,8% t/t) pedem atenção.
Bradsaúde: a consolidação dos ativos de saúde gerou um benefício de 2,5 p.p no índice de Basileia, que saltou para 14,5% (Nível I).
O Bradesco entregou um dos melhores resultados de sua história, puxado por receita e não por corte de custos. Isso é a diferença entre um resultado de qualidade e um resultado de maquiagem. Depois de alguns trimestres difíceis, o banco mostrou que voltou e não pode ser ignorado.
Recomendação dos analistas:
Compra: 9 | Neutro: 4 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$22,46 | Preço atual: R$ 19,27
Disney ainda sabe encantar
O novo CEO Josh D'Amaro estreia com números mágicos

A Disney mostrou que ainda sabe encantar… pelo menos no balanço. No primeiro resultado sob o comando de Josh D’Amaro, a empresa bateu as expectativas de receita e lucro, com bons resultados na parte de streaming e parques. A ação subiu 7,5%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 25,17 bilhões, acima dos US$ 24,78 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação: ajustado de US$ 1,57 x US$ 1,49 esperados
Do lado do streaming: o roteiro ainda está longe da reviravolta, mas vai se desenvolvendo sem muito drama. O mercado está cada vez mais competitivo, mas a Disney conseguiu aumentar o engajamento e ainda extrair mais receita com reajustes de preço. Enquanto isso, o ESPN digital começa a mostrar serviço, ajudando a equilibrar a perda estrutural da TV linear.
Do lado dos parques: o desempenho também surpreende pela resiliência. Mesmo com guerra no Oriente Médio, petróleo mais caro e as incertezas macro, a divisão de experiências (parques e cruzeiros) gerou quase US$ 9,5 bilhões, com alta de 7%. O número de visitação até caiu um pouco, mas os visitantes que apareceram compensaram gastando mais.
Para se atentar: o lucro líquido caiu na comparação anual, com os custos com direitos esportivos continuando a subir - afinal, transmitir a NFL não sai barato.
Para frente: o discurso do board é de otimismo, com a projeção de crescimento de dois dígitos nos lucros nos próximos anos e promessa de aumentar a recompra de ações. A ideia é investir pesado em propriedade intelectual e tecnologia para turbinar streaming e parques. Mais conteúdo, mais experiências… e mais formas de manter o consumidor dentro do ecossistema.
O recado do trimestre foi simples: mesmo com vento contra lá fora, a Disney continua encontrando maneiras de fazer dinheiro - seja na tela ou na montanha-russa. E, por enquanto, o mercado está comprando essa história.
Recomendação dos analistas:
Compra Forte: 7 | Compra: 20 | Neutro: 3 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 128,25 | Preço atual: US$ 108,06
STATS DO DIA
US$ 55,5 bilhões
Foi o quanto a GameStop (que vale US$ 12 bilhões na bolsa) ofereceu pelo eBay. 4x mais. Isso inclusive fez com que o lendário investidor Michael Burry saísse do papel: “Nunca confunda dívida com criatividade”.
Vulcabras: 23º trimestre consecutivo de crescimento
Mas cenário para o futuro mostra uma ladeira mais difícil de subir

Fabricar os queridinhos dos corredores nacionais ajudou a Vulcabras a chegar ao 23º tri seguido de crescimento. A dona da Olympikus (e responsável pelas operações da Mizuno e Under Armour no Brasil) segue correndo forte, mas agora começa a sentir que o percurso ficou mais inclinado.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$ 776 milhões, crescendo 10,7%.
🔴 Lucro Líquido: R$80 milhões, caindo -24% na base anual.
🔴 Resultado Financeiro: -R$27,8 milhões, crescendo +86%.
A explicação foi mais financeira do que esportiva. No ano passado, a empresa antecipou R$ 1,5 bilhão em dividendos e topou carregar mais dívida temporariamente. Assim os juros bateram na última linha do balanço como um tênis molhado pesa no fim da maratona e as despesas financeiras chegaram a subir +86%.
O centro do problema está em dois lugares:
Resultado financeiro: que virou negativo. A empresa foi se endividando para crescer, e a conta chegou na forma de juros salgados numa época em que o dinheiro está caro no Brasil.
Custos operacionais: matérias-primas mais caras e despesas com marketing aumentando - subindo 27,6%, representando agora 5,8% da receita líquida.
Com EBITDA recorrente de R$ 156,9 mi, crescimento de +11,8% e margem de 20,2%, o negócio está saudável. O problema é que os juros pesam e a resposta passa a ser segurar investimentos longos e priorizar eficiência e rentabilidade.
PS: a empresa já prepara reajustes de 10-15% em boa parte da coleção. Ao mesmo tempo, tenta equilibrar o jogo lançando produtos mais acessíveis da linha Corre, abaixo de R$ 500.
Recomendação dos analistas:
Compra: 6 | Neutro: 0 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 23 | Preço atual: R$ 15,96
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