
Bom dia, Droppers!
Pensei no chuveiro: que o Dow Jones existe desde 1896 pra ser um termômetro da economia industrial americana - siderúrgica, ferrovia, manufatura, o chão de fábrica que move o país. Mas a Alphabet entrou ontem e empurrou o índice acima de 52 mil pontos sozinha, com alta de mais de 4%. Uma empresa que não fabrica parafuso, não tem fábrica, não emprega operário de chão… mostrando que o "industrial" do nome já virou decoração faz tempo.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• BlackBerry: nove anos esperando por isso
• T4F: o último show na B3
• Bitcoin: pior mês desde a quebra da FTX
• JPMorgan: a sucessão mais comentada de WS


Por aqui, foi dia de bola, não de tela. Com o jogo do Brasil rolando, a Faria Lima entrou em modo recreio e o pregão virou figurante: o volume despencou para R$ 13,9 bilhões, menos da metade de um dia normal. Sem gente para movimentar, o Ibovespa ficou praticamente estável e o dólar quase não saiu do lugar. A confiança dos serviços medida pela FGV subiu ao maior nível desde janeiro, mas ninguém estava prestando atenção. Junho vai se despedindo praticamente no zero a zero.
Lá fora, o mercado resolveu fazer as pazes com o risco. Depois da pior semana da tecnologia desde meados de março, a volta de EUA e Irã à mesa de negociação (com nova rodada marcada para hoje) destravou um rali de alívio: S&P 500 +1,18%, Nasdaq +2,07% e Dow +0,59%. O grande nome do dia foi a Tesla, que disparou 8,46%, embalada pela expectativa de entregas trimestrais acima do esperado. O detalhe curioso ficou com os chips de memória, que nadaram contra a maré: Micron e SanDisk caíram mais de 6%, assustadas com o megaplano de investimento em semicondutores anunciado pela Coreia do Sul.
BlackBerry: nove anos esperando por isso
Fluxo de caixa positivo no tri - algo que a empresa não via desde 2017

Muita gente em Wall Street dizia que a BlackBerry tinha mais passado do que futuro. Mas o Q1 FY2027 - os três meses encerrados em maio de 2026 - entregou algo que ninguém via há nove anos: um primeiro trimestre com caixa operacional positivo. Sem vender patente, só com o negócio funcionando.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: US$ 152,9 milhões x US$ 140 milhões do guidance.
🟢 EBITDA Ajustado: US$ 36,3 milhões, crescimento de 144% a/a.
🟢 Lucro por ação: US$ 0,04 x US$ 0,03 esperados.
A inventora do smartphone corporativo já não tem nada a ver com celular. A empresa opera dois negócios: o QNX, sistema operacional embarcado que roda em mais de 275 milhões de veículos no mundo, e o Secure Communications, que vende ferramentas de mensageria criptografada e gestão de dispositivos.
No trimestre, os dois cresceram mais de 20% e bateram a métrica chamada "Rule of 40" - a soma de crescimento de receita com margem EBITDA precisa superar 40 pontos. QNX chegou a 53. Secure Communications chegou a 51.
Com os resultados, a empresa elevou o guidance para o ano inteiro: receita entre US$ 594-621 milhões - o midpoint de US$ 607,5 milhões fica acima do que o mercado projetava. Projeção de fluxo operacional para o ano: US$ 100 milhões, sendo o dobro do ano passado.
Para os Bulls: QNX é um “Windows” para carro… uma vez que um fabricante homologa o sistema operacional ele fica preso por ciclos de 5–7 anos. Isso significa que o cliente que entrou não sai fácil e a BlackBerry captura royalties por cada unidade produzida. O backlog de ~US$ 950 milhões é basicamente receita futura já contratada.
Para os Bears: tem muita coisa no preço, já com o P/L em 130x, assim não tem margem para erro. Qualquer trimestre que decepcione (uma montadora adiando plataforma, um contrato de royalties renegociado), o mercado que comprou a história de turnaround em um único pregão vai querer sair pela mesma porta.
O resultado foi bom, não só pelos números em si, mas pelo que eles representam: uma empresa que o mercado tratava como relíquia tecnológica mostrando que consegue crescer com lucro nos dois negócios que sobraram depois do fim da era dos celulares. A pergunta que fica é se isso é virada de chave ou trimestre de exceção…
MACRO/AÇÕES
Rotação: é importante em mercados saudáveis.
IPCA-15: 0,41% em junho, abaixo do esperado.
FIIs: Riza Asset vai em busca de R$ 428 milhões para investir em ativos de varejo alimentar.
Venezuela: uma dívida de US$ 240 bilhões e a maior reestruturação da história.
PIB americano: 1T foi revisado para cima, mas o consumo das famílias praticamente estagnou.
Setor Logístico: Mercado Livre, Shopee e Amazon disputam galpões no Brasil.
Azzas 2154: empresa diz que Hering não está à venda.
Petrobras: volta ao setor de fertilizantes com obra de R$ 5 bi no MS.
Aurora: maior exportador de carne suína do Brasil aumenta produção para atender a Ásia.
SpaceX: vai entrar no Nasdaq 100 no dia 7 de julho.
Chevrolet: dona do grupo vai investir R$ 3,5 bilhões no Brasil para renovar fábricas e lançar carros híbridos.
GPA: Família Coelho Diniz aumenta fatia para 25,1%.
Grupo Ultra: segundo Lauro Jardim, desiste de comprar a Rumo.
Alphabet: ação subiu 4,96% em seu 1° dia de negociação no Dow Jones.
T4F: o último show na B3
o encerramento de 15 anos de uma história que não foi um espetáculo

A Time For Fun (T4F) é a empresa que organiza alguns dos maiores shows do Brasil (como o Lollapalooza) e em 2011 decidiu ela mesma subir ao palco principal com o seu IPO. 15 anos depois, o fundador Fernando Alterio quer transformar o negócio em show VIP comprando de volta tudo o que vendeu.
A OPA (Oferta Pública de Aquisição) tem leilão marcado para 20 de julho. Alterio vai adquirir os 49,75% das ações que ainda estão em circulação, desembolsando ~R$ 20 milhões para fechar o capital de vez.
Detalhe: Alterio quer R$ 5,97 por papel, sendo que vendeu por R$ 16 lá no IPO.
A oferta parece generosa para quem comprou recentemente… mas é bem amarga para quem entrou lá atrás. Desde o IPO, as ações acumulam queda de -63%, e de -96% das suas máximas. O contraste com 2011 parece um outro mundo:
← Antes: o Brasil vivia o auge do otimismo com o mercado de capitais, e a bolsa era vista como porta de entrada para crescimento, visibilidade e acesso a capital barato.
→ Hoje: de 2023 até novembro do ano passado, 32 empresas deixaram a B3. Algumas foram adquiridas e outras simplesmente desistiram da bolsa.
A T4F se enquadra nessa segunda categoria: a liquidez nunca veio, o mercado de capitais nunca foi uma fonte real de financiamento, e carregar o custo regulatório de ser pública virou um show deficitário.
Depois de oscilações no balanço, o 1T’26 mostrou uma receita líquida subindo 44%, e o Ebitda voltando ao positivo, mas o prejuízo ainda está acontecendo: foram R$ 4,1 milhões no tri.
DECIFRANDO O CONDADO

OPA
A “Oferta Pública de Aquisição" é basicamente o contrário do IPO (Initial Public Offering).
Enquanto o nome mais conhecido significa que uma empresa está abrindo capital e levando tudo para o mercado de ações…
O segundo é o momento em que uma empresa fecha o capital de volta para ser controlada por um grupo fechado e longe do escrutínio de acionistas - e sem os custos regulatórios de manter um ticker ativo.
Bitcoin: pior mês desde a quebra da FTX
a saída de US$ 4,1 bilhões dos ETFs cripto

Todo mercado em baixa profunda levanta a mesma pergunta incômoda: isso já é o fundo ou ainda vai piorar? Com o Bitcoin tendo rompido os US$ 60 mil, e perdido US$ 1,3 trilhão em valor de mercado desde outubro, a pergunta incômoda chegou.
O contexto que torna esse momento mais delicado é que a pressão não vem só do preço. Houve uma saída recorde dos ETFs de Bitcoin à vista, com o varejo migrando parte do interesse para ações de IA, e o modelo de financiamento da Strategy, de Michael Saylor, entrando sob escrutínio.
Os 13 ETFs de Bitcoin negociados nos EUA registraram saída líquida de mais de US$ 4,1 bilhões neste mês, no pior resultado desde que os produtos começaram a operar, em janeiro de 2024. Só o IBIT, fundo da BlackRock e o maior do setor, respondeu por US$ 3 bilhões dessa fuga.
→ Quando os resgates dos ETFs são grandes, os gestores precisam vender bitcoins de verdade para honrar os saques, o que amplia a pressão sobre o preço. É a profecia se autorrealizando. E assim o Bitcoin caminha para fechar junho com queda de mais de 18%, seu pior mês desde junho de 2022, época da quebra da FTX.
O comportamento do mercado também mudou de padrão. Em correções anteriores, quedas do Bitcoin costumavam atrair compradores via ETF, que viam o tombo como oportunidade de entrada. Desta vez, os investidores estão fazendo o oposto: reduzindo exposição.
→ Os 13 ETFs ainda administram juntos cerca de US$ 72,8 bilhões em Bitcoin, equivalente a 6,08% de todo o valor de mercado da criptomoeda.
STATS DO DIA
58 anos
É o tempo que temos antes que o mundo fique sem petróleo.
JPMorgan: a sucessão mais comentada de WS
a disputa pelo banco mais poderoso dos EUA

Depois de 20 anos como CEO do JPMorgan, era inevitável que Jamie Dimon estivesse de olho em alguém para o lugar dele. Também parecia inevitável que a CFO Marianne Lake subisse ao posto mais alto do banco, mas na semana passada ela anunciou a própria aposentadoria depois de perder a disputa pela sucessão.
Quando ficou claro que o conselho do JPMorgan havia escolhido outros dois nomes para a disputa final, Lake decidiu que não fazia sentido continuar. No lugar dela, dois veteranos foram promovidos e agora disputam a posição mais cobiçada de Wall Street:
Troy Rohrbaugh: começou a carreira como segurança de condomínio à beira-mar em Baltimore. Depois migrou para finanças negociando opções, passando pelo Goldman Sachs, e chegou ao JPMorgan em 2005. Subiu pelo lado mais discreto do banco: trading de juros, câmbio, mercados emergentes, commodities.
Doug Petno: chegou a Nova York em 1989 com um terno, sapatos pequenos para seus pés e um apartamento no Queens. Formado em biologia, fez MBA em Rochester e entrou no JPMorgan como analista de petróleo e gás. Passou mais de uma década comandando o banco comercial.
→ Para garantir que nenhum dos dois saia antes da hora, o JPMorgan ofereceu US$ 30 milhões em bônus de retenção para cada um, com vesting até 2028.
Dentro do banco, Rohrbaugh é visto como o favorito no momento e a transferência para o varejo serve exatamente para cobrir o gap que tinha: toda a carreira no trading, nenhuma experiência com agências bancárias e cartão de crédito.
Jamie Dimon, além de não querer largar o osso, na prática, está dando ao mercado tempo para conhecer os candidatos antes de tomar a decisão. O plano agora é deixar os dois se assentarem nos novos cargos por dois ou três anos, e então Dimon e o Conselho decidem quem leva.
Com Dimon, a única certeza é que a incerteza dura mais do que todo mundo espera… e que a sucessão mais comentada de Wall Street ainda tem alguns capítulos pela frente!
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[para ler] o que eu aprendi com as pessoas ricas trabalhando como Private Banker.
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