Bom dia, Dropper!
Pensei no chuveiro: que na teoria uma política tributária existe para equilibrar competição, proteger a indústria nacional e garantir arrecadação. Já na prática, o governo criou o imposto das blusinhas em 2024 para corrigir uma distorção no mercado, mas acabou com ele em 2026 num anúncio que pegou a Fazenda de surpresa, moveu a arrecadação para os Correios (que precisavam de receita) e deixou a indústria nacional sem a proteção que motivou a medida original.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Banco do Brasil: lucro cai pela metade
• Azzas 2154: fusão dos sonhos virou briga
• Alibaba: - 84% no lucro, +7% na ação
• Depois do TACO: chegou o NACHO

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, ontem rolou uma sequência de golpes diretos no Ibovespa. Primeiro foi a divulgação do IPCA, que apurou a maior inflação pra abril desde 2022. Depois veio a reportagem do Intercept Brasil ligando Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, que o mercado leu como risco político imediato - Flávio é o candidato da direita com mais chances em 2026. Assim, o Ibovespa despencou 1,8%, aos 177.093 pontos, e o dólar voltou a passar de R$ 5.
Lá fora, o CPI de abril nos EUA também foi quente: alta de 3,8% no acumulado anual, acima da expectativa de 3,7%, e o maior patamar desde maio de 2023. Energia e gasolina, como esperado, subiram. Mas o problema foi um pouco além, com moradia, passagens aéreas e vestuário subindo, mostrando que a inflação americana não é só culpa da guerra. Assim, o mercado já descartou qualquer corte de juros pelo Fed em 2026, com a probabilidade de manutenção na reunião de junho chegando a 98%.
Banco do Brasil: lucro cai pela metade
Piso do guidance vira teto para o futuro

O BB começou 2026 com o pior trimestre em anos, e avisou que os próximos também não serão fáceis. Com R$ 418 bilhões emprestados para o agronegócio (mais do que o PIB de países inteiros), boa parte desse dinheiro virou dor de cabeça.
Os números do trimestre:
🔴 Lucro Líquido Ajustado: R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% a/a.
🔴 Custo do Crédito: R$ 18,9 bilhões, alta de 85,8% a/a
🔴 ROE: 7,3%, caindo -9,4 p.p a/a
🔴 Guidance: caiu de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões.
Os problemas não são poucos e nem pequenos, começando pelo custo de crédito, que bateu R$ 18,9 bilhões - quase o dobro dos R$ 10,2 bilhões no mesmo tri do ano passado. E 45% desse estoque de risco vem de um lugar só: o agronegócio.
O que aconteceu nesse trimestre foi uma triste combinação:
produtores rurais inadimplentes de safras antigas ainda no sistema;
recuperações judiciais em volume elevado (R$ 1,34 bilhão só no trimestre);
descontos concedidos que saltaram de R$ 0,4 bilhão no 1T’25 para R$ 3,5 bilhões agora.
A ironia cruel é que o agronegócio é exatamente o que faz o BB ser o BB. Nenhum banco privado tem esse alcance no campo. Essa posição dominante gera receita em anos bons… mas concentra o risco nos anos ruins.
O que o mercado vai olhar:
Futuro próximo: o pico dos vencimentos agro, de R$ 19,9 bilhões vencem no mês de julho, com 60% ainda de safras anteriores (as mais problemáticas). Se esse volume passar sem gerar nova onda de inadimplência, o mercado começa a acreditar na recuperação. Se não passar, o guidance revisado já nasce ameaçado.
New NPL do agro nos próximos trimestres: caiu de R$ 10,3 bi para R$ 7,2 bi mas precisa vir abaixo de R$ 5 bilhões para começar a precificar uma virada.
Carteira de Pessoa Jurídica encolhendo: R$ 449 bilhões, queda de 2,4% em 12 meses. O BB está perdendo espaço para bancos privados em empresas e MPMEs.
O BB negocia hoje a 0,70x o valor patrimonial, um desconto que não se via há anos. Para quem acredita que o agro vai se recuperar e que o pior ficou para trás, esse resultado pode ser uma segunda chance. Para quem não acredita, o desconto pode se aprofundar.
Recomendação dos analistas:
Compra: 3 | Neutro: 8 | Venda: 2
Preço-alvo médio: R$ 26,71 | Preço atual: R$ 20,76
O MEI brasileiro já trabalha por 3 e ainda precisa virar especialista fiscal
Dropped by Company Hero
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MACRO/AÇÕES
IPCA: sobe 0,67% em abril, maior alta para o mês desde 2022.
Agro: safra da soja 2026/2027 deve ser a mais cara em dez anos.
Desenrola: 2.0 já renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas.
FIIs: B3 passa a aceitar fundos imobiliários como garantia em operações.
Inflação americana: PPI sobe muito acima do esperado e reacende temor sobre juros.
Frigoríficos: Brasil é excluído de lista da UE para exportação de carne e produtos de origem animal.
Hapvida: resultado surpreende e deve pressionar shorts que representam 15% do free float.
Shell: como ela tem lucrado com a volatilidade do petróleo.
SBF: antes da bola rolar, Copa já turbina resultado do grupo dono da Centauro.
Compass: reabriu os IPOs na B3.
JBS: registra queda de 55% no lucro líquido do 1º trimestre.
BNDES: tem lucro de R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre, alta anual de 17%.
Azzas 2154: fusão dos sonhos virou briga
divórcio corporativo nunca esteve tão perto.

A promessa era de criar uma das maiores holdings de moda do Brasil. Foi assim que Arezzo e Grupo Soma anunciaram a fusão em 2024, mas agora os dois principais sócios estão se processando e a ação da Azzas 2154 já derreteu pela metade com a simples possibilidade de um divórcio.
O estopim: após 10 meses de trabalho, 100+ pessoas envolvidas e R$ 116 mi em sinergias mapeadas, o CEO Alexandre Birman desfez a integração da Reserva com as marcas femininas do Grupo Soma - sem avisar o conselho, sem consultar Jatahy, com o fato relevante publicado na véspera da reunião que discutiria o tema.
A resposta: Roberto Jatahy, responsável pela unidade de moda feminina e um dos fundadores do Soma, não aceitou. Entrou na Justiça com uma cautelar pedindo para barrar a desintegração.
O que está em jogo é o controle de uma empresa que nunca resolveu quem manda. O acordo da fusão garante a Birman o cargo de CEO por pelo menos dez anos, e a Jatahy o comando da unidade feminina pelo mesmo período. Na prática, criou dois feudos com uma holding no meio.
Nos bastidores, a situação é descrita como insustentável:
→ Ruy Kameyama, levado justamente para distensionar a relação entre os sócios, deixou o grupo em abril após desentendimento direto com Birman.
→ Rony Meisler e os fundadores da Reserva já haviam saído.
→ Thiago Hering também deixou a liderança da marca da família.
Quando dois sócios chegam à Justiça para resolver o que deveria ser uma decisão de conselho, o sinal já foi dado. Fusões são fáceis de anunciar… difícil é construir uma governança que sobreviva à primeira grande discordância. A Azzas ainda não resolveu esse problema e vem pagando essa conta através do seu valuation.
Alibaba: - 84% no lucro, +7% na ação
Quando o mercado decide que o futuro vale mais do que o presente

Imagine receber o boletim com nota vermelha e seus pais comemorarem. É mais ou menos isso que aconteceu com a Alibaba nesta quarta-feira: o lucro operacional caiu 84%, e as ações subiram 7,5%.
Os números do trimestre:
🔴 EBITDA Ajustado: 5,1 bilhões de yuans (~R$ 4,3 bilhões), queda de 84% a/a.
🟢 Receita de Cloud Computing: 41,6 bilhões de yuans, alta de 38% a/a.
🟢 Receita de IA: 9 bilhões de yuans, com crescimento de três dígitos pelo 11º trimestre consecutivo.
O Alibaba está gastando hoje para colher amanhã. E "amanhã", para o CEO Eddie Wu, é um horizonte de 3 a 5 anos. O núcleo do argumento é a nuvem: a divisão de Cloud Intelligence foi a estrela do trimestre, crescendo 38% na receita.
Com escassez de semicondutores e restrições americanas à exportação de chips para a China, o Alibaba se posicionou como o único provedor de cloud capaz de escalar chips próprios em larga escala no país. Controlar a cadeia de suprimentos de computação virou vantagem competitiva real - e o mercado claramente gostou.
O que o mercado vai olhar:
ARR de IA: guidance da empresa projeta receita recorrente anualizada de até 30 bilhões de yuans até o fim de 2026. Se o número de junho vier abaixo, a tese de crescimento acelerado começa a ser questionada.
Retorno do e-commerce: a receita cresceu só 6% no ano, com margens comprimidas pelos subsídios de entrega rápida. O mercado está aceitando esse custo hoje, mas vai querer ver quando a rentabilidade volta.
Taobao: o Alibaba anunciou que vai lançar um assistente de compras com IA generativa integrado ao Taobao. É a maior aposta de monetização de IA no e-commerce da empresa até agora.
O resultado do trimestre, em resumo, é exatamente o que a Alibaba prometeu que seria: feio no presente, apostando no futuro. O mercado acreditou. O próximo teste é se os números de cloud e IA dos próximos dois trimestres confirmam a tese.
Recomendação dos analistas:
Compra: 38 | Neutro: 2 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 188,80 | Preço atual: US$ 145,81
STATS DO DIA
R$ 1,11 bilhão
É a dívida do Grupo Toky, que é a junção da Mobly com a Tok&Stok. A ação TOKY3 caiu -41,38% ontem no pregão, com o grupo protocolando pedido de RJ sob segredo de Justiça.
Depois do TACO, chegou o NACHO
o novo acrônimo de Wall Street que você precisa conhecer

Depois do TACO ("Trump Always Chickens Out"), a aposta de que Trump sempre recuava… agora o cardápio de Wall Street ganhou o NACHO, ("Not A Chance Hormuz Opens”). A tese: o Estreito de Hormuz, por onde passa boa parte do petróleo global, vai continuar fechado até a dor econômica ficar grande demais para ignorar.
O termo cresceu depois que as negociações entre EUA e Irã não avançaram e o mercado quase ignorou o fato, com S&P500 e Nasdaq renovando as máximas. Paul Krugman, Nobel de Economia, resumiu bem: "Nunca acreditei no meme TACO. Mas o NACHO parece certo. Hormuz não vai abrir até o dano econômico ficar muito mais severo.".
A lógica dos bulls: o mercado de trabalho está resiliente e os resultados corporativos estão bons demais para estragar o humor. Com a temporada de balanços do trimestre se encerrando, as empresas do S&P 500 estão superando as estimativas de lucro em 18,2%. Bem acima da média histórica de 5 anos, que é de 7,3%.
A lógica dos bears: o aumento da gasolina vai trazer a inflação de volta pra mesa. A gasolina nos EUA chegou a US$ 4,52 o galão (era menos de US$ 3 antes do conflito). O Estreito de Hormuz não é um risco abstrato… é uma das rotas de energia mais críticas do planeta.
O mercado está apostando que tudo isso vai se resolver antes de machucar de verdade. Mas nem todo mundo está convicto, e a duração da guerra vai deixando suas marcas na economia - o CPI americano bateu 3,8%, o maior número desde março de 2023. Façam suas apostas sobre o que vai ser o BURRITO.
DROP LIKE IT'S HOT
[para sonhar] JPMorgan afirma que as verdadeiras oportunidades no setor de IA estão nos mercados emergentes.
[para acordar] sabe aquele corte de juros? então…
[para estudar] O bom e o mau Beta.

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