
Bom dia, Droppers! Pensei no chuveiro: que portfólio chato e monótono também pode dar resultados! A estratégia "feita pra dormir igual um bebê” (clássico 25 ações / 25 renda fixa/ 25 caixa / 25 commodities) está subindo ~26% em 2026, o melhor desempenho desde 1933. Pelo menos por enquanto, diversificação raiz e zero sofisticação estão entregando mais do que qualquer tese genial.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Amazon: surfando a onda das nuvens
• Microsoft: faturando e passando o cartão
• Alphabet: bilhões em receitas e gastos
• META: gastar para suprir

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, as instabilidades globais causaram um pouco de desconforto no Brasil também. A quarta foi de risk-off e o Ibovespa sofreu as consequências, caindo 2,05%. Além das tensões no Oriente Médio, todo mundo estava aguardando a decisão do Copom, que veio com um corte de 0,25% e colocou a Selic em 14,50%. Em Brasília o dia também foi agitado, com o Senado rejeitando, pela 1a vez desde 1894, a indicação do Presidente para o STF.
Lá fora, muita estabilidade e pouco consenso marcaram o dia. Os índices S&P e Nasdaq fecharam praticamente estáveis, com o mercado todo esperando a decisão do Fomc sobre a taxa de juros americana — que ficou no famoso “manteu”, permanecendo no range 3,5-3,75%. O destaque foi o dissenso do comitê, com 4 membros querendo cortar taxas e 8 querendo manter. O fundo de Bill Ackman, que lançou seu IPO ontem, fechou seu 1° dia caindo -18%.
Amazon: surfando a onda das nuvens
Receita da AWS continua subindo e Capex acompanha

Se o ditado “quem quer rir tem que fazer rir” precisasse de uma comprovação, o report trimestral da Amazon serviria muito bem — os resultados seguem fortíssimos, com os gastos acompanhando na mesma proporção. Para agora, o que importa é que empresa bateu as expectativas com folga, fazendo a ação subir +4% no after-market.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: US$ 181,52 bilhões x US$ 177,30 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação: US$ 2,78 x US$ 1,64 esperados
🟢 AWS: US$ 37,59 bilhões x US$ 36,64 bilhões esperados
O destaque, mais uma vez, fica com a nuvem. A AWS cresceu 28% no ano, chegando a US$ 37,6 bilhões - o ritmo mais rápido em mais de três anos. Em meio à corrida por IA, quem tem infraestrutura continua imprimindo dinheiro
A publicidade também deu seu show, com receita subindo 24% e mostrando que vender espaço no próprio site virou um negócio tão lucrativo quanto vender produto. No e-commerce raiz, o crescimento segue mais comportado, mas ainda sólido, com +12% no trimestre.
Mas… tudo isso custa caro, muito caro. Amazon segue executando seu plano de capex agressivo, podendo chegar a US$ 200 bilhões em 2026. Só nesse tri, foram US$ 44,2 bilhões em investimentos.
Para o futuro, as apostas são ousadas:
→ Satélites do Projeto LEO para competir com a Starlink (incluindo a compra da Globalstar por ~US$ 12 bilhões)
→ Chips próprios para treinamento de IA
→ Parcerias e investimentos em startups (OpenAI, Anthropic)
No curto prazo, os números impressionam. No longo prazo, a ideia é colher os altos gastos que estão sendo feitos para posicionar a empresa. O mercado, por enquanto, continua comprando essa história.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 14 | Compra: 48 | Neutro: 5 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 283,98 | Preço atual: US$ 263,04
MACRO/AÇÕES
OPEP: saída dos Emirados Árabes Unidos ameaça futuro da Opep.
Cade: abre processo para investigar Gol e Latam por possível alinhamento de preços.
Fed: decisão foi marcada por ser a 1° vez desde 1992 que tem 4 votos dissonantes
Fluxo: rotação para ‘techs’ esfria fluxo e tira fôlego do Ibovespa.
Saneamento: do hype à nova realidade do setor.
Vale: entrega receita e lucro, mas aumento dos custos decepciona.
Assaí: lucro é impulsionado por créditos tributários e cresce 173,5% no 1T’26.
Sabesp: aprova desdobramento de ações de 1 para 5.
Rumo: vai pagar R$ 201 milhões em dividendos.
Robinhood: lucro trimestral fica abaixo das estimativas do mercado e ação chega a cair 10%.
Compass: da Cosan, planeja captar R$ 3,1 bi em primeiro IPO no Brasil em quase 5 anos.
Axia: vai investir até R$ 14 bilhões em 2026.
Microsoft: faturando e passando o cartão
Azure cresce, mas a empresa ainda precisa se provar no setor de IA

Enquanto os US$ 200 bi do Capex da Amazon passam como investimento, o mercado olha os US$ 190 bi da Microsoft como gasto preocupante. E aí mesmo com resultados positivos, as ações da empresa chegaram a cair 4% no after de ontem.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: US$ 82,89 bilhões x US$ 81,39 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 4,27 x US$ 4,06 esperados
🔴 Guidance Capex: US$ 190 bilhões x US$ 154 bilhões esperados
Destaque positivo não faltou: a Azure segue surfando o hype da IA e cresceu 40%. A mesma onda levou o Copilot para +20 milhões de usuários pagos, mostrando aderência da base aos produtos. Só que…
O mercado projetava US$ 154 bi em Capex, mas a Microsoft já fala em US$ 190 bi. O grande vilão é o preço dos componentes, como memória, que subiu bastante e virou o novo gargalo da indústria. Só no trimestre, os investimentos subiram 49%, batendo US$ 31,9 bilhões.
As fichas da empresa estão pesadas na tese de que a próxima década vai ser definida por IA. E quem tiver data centers, chips e capacidade de processamento vai mandar no jogo. Hoje, o negócio de IA já gera US$ 37 bilhões e crescendo +120%.
Satya Nadella acertou quando posicionou a MSFT de produto para serviço uma década atrás. Será que ele vai conseguir de novo?
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 10 | Compra: 43 | Neutro: 35 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 570,72 | Preço atual: US$ 424,46
Alphabet: bilhões em receitas e gastos
A gigante agora precisa investir para acompanhar a demanda dos clientes

A receita sobe 22% na base anual.
O lucro sobe 18% no mesmo período.
Assim a Alphabet segue batendo as expectativas do mercado e se prepara para também abrir a carteira. Parece disco riscado na edição de hoje, mas é o padrão da nova era: “nuvem protagonista e Capex crescendo”.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: US$ 109,9 bilhões x US$ 107,2 bilhões esperados
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 5,11 x US$ 4,98 esperados
🟡 Guidance Capex: US$ 180-190 bilhões, acima dos US$ 175-185 bilhões estimados anteriormente.
O Google Cloud cresceu impressionantes 63%, puxado principalmente por soluções de IA para empresas. Segundo o CEO Sundar Pichai, pela 1a vez a IA virou o principal driver de crescimento da divisão. Ou seja, a aposta já vai virando parte da realidade.
A demanda é tanta que a empresa admitiu que está “sem capacidade suficiente” no curto prazo. Poderia estar faturando mais, se tivessem mais infraestrutura pronta. Sendo assim, a decisão foi abrir a carteira para acelerar a infra.
O plano agora é investir entre US$ 180-190 bilhões em capex em 2026 - e o ano que vem deve ser ainda mais pesado. Só nesse primeiro trimestre foram US$ 35,7 bilhões indo para data centers, servidores e tudo que sustenta a nova economia da IA.
Mas o pequeno grande resto também continua fazendo bonito:
Buscador: continua forte, com crescimento de 19% e levando US$ 60,4 bilhões pra casa.
Ads: ainda é uma máquina de dinheiro, gerando mais de US$ 77 bilhões no trimestre.
YouTube: chegou a ficar abaixo das expectativas em ads, mas compensou com crescimento mais forte em assinaturas.
A história do trimestre é parecida com outras big techs: resultados fortes hoje, gastos gigantes para amanhã. A diferença é que, no caso da Alphabet, a demanda já está tão alta que o risco não é falta de cliente e sim falta de capacidade. Então gastar bilhões não parece ser tanto uma preocupação, e sim estratégia.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 12 | Compra: 47 | Neutro: 7 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 378,50 | Preço atual: US$ 349,94
STATS DO DIA
US$ 725 bilhões
É o montante de Capex previsto das 4 Mag-7 que soltaram os resultados ontem. O valor é um salto gigantesco do ano passado, quando as 4 somadas ficaram abaixo dos US$ 400 bilhões.
META: gastar para suprir
A CFO admite que a empresa subestimou a demanda computacional

A Meta basicamente deu “share” no post da Microsoft: resultados acima do esperado, mas queda nas ações pela expectativa de gastar mais do que o previsto anteriormente — subindo o teto de US$ 135 bi para US$ 145 bi neste ano. A bolsa reagiu e os papéis caíram ~7%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: US$ 56,31 bilhões x US$ 55,45 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 7,31 x US$ 6,79 esperados.
🔴 Usuários ativos diários: 3,56 bilhões, abaixo do esperado e em queda.
A CFO Susan Li admitiu que a empresa "subestimou suas necessidades de computação" nos últimos anos - e que precisará gastar mais para suprir a demanda. Isso enquanto a aposta em IA segue ativa e as possibilidades de novos layoffs não saem do jogo.
A decepção: não ficou só com o capex aumentado, mas também com a base de usuários reduzida. O número de pessoas ativas diárias ficou em 3,56 bilhões, abaixo do esperado e em queda na comparação trimestral. Crescer uma base de “meio mundo” não é fácil.
A roda: segue rodando, com a receita por usuário vindo acima das estimativas, mostrando que a máquina de publicidade continua afinada, e até mais eficiente com o uso de IA. A Meta cresceu menos em usuários, mas compensou extraindo mais valor de quem já está dentro.
Nos bastidores, Mark Zuckerberg segue dobrando a meta aposta em IA, lançando novos modelos, reforçando equipes estratégicas e investindo, mesmo sem uma monetização clara no curto prazo.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 11 | Compra: 48 | Neutro: 5 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 855,11 | Preço atual: US$ 669,12
DROP LIKE IT'S HOT
[para entender] a tese de compra da Arbor Capital na Booking mesmo com a sombra da IA.
[para se preocupar] as 6 maiores companhias aéreas americanas gastaram US$ 1,2 bilhão a mais com combustível no 1T’26… e a situação está prestes a piorar.
[para se indignar] como mais de R$ 1,8 bilhão circularam entre empresas vazias e sócios da Fictor
[para assistir] Pedro Cerize “sem filtro”.

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