Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que quando uma empresa vence uma disputa judicial de 3 décadas, gasta energia e recursos, uma parte desse valor deveria beneficiar quem investiu. Mas o acionista de Sanepar descobriu que ganhar R$ 4 bilhões de precatórios não garante dinheiro no bolso. Os órgãos reguladores consideram que o valor deve ser usado para subsidiar a conta dos clientes. Ou seja, nesse caso ganhar na justiça não significa ganhar de verdade.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• JBS: a gordura da margem minguando
• OranjeBTC: do hype ao balanço
• Americanas: prejuízo cai -90%
• Ata do Copom: água fria na festa dos cortes

Dropped pelos humanos Igor Chede Collaço e Renan Hamann

Por aqui, a confiança voltou a dar as caras com as expectativas de que a guerra no Irã esteja mais perto do fim, e o Ibovespa subiu pelo terceiro pregão seguido. O cenário político voltou a apitar com uma pesquisa da AtlasIntel mostrando um eventual segundo turno mais apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro. Hoje temos a divulgação do IPCA-15 e também coletiva do Gabriel Galípolo, presidente do BC.

Lá fora, o mercado se animou quando Trump apresentou uma proposta de 15 pontos para resolver os conflitos no Oriente Médio — mesmo com o Irã dizendo “não”. O petróleo caiu junto com o medo de uma guerra maior, mas os preços da gasolina nos EUA chegaram ao maior patamar dos últimos anos, em US$ 3,97 por galão.

JBS: a gordura da margem minguando

O ciclo do boi atrapalhou, mas o frango salvou o trimestre da gigante da proteína animal

Nada de churrasco premium no fim do trimestre da JBS. A gigante da proteína animal segue engordando ao redor do mundo, mas o custo da matéria-prima disparou e jogou fora a gordurinha margem da empresa.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$23 bilhões, subindo 15%

  • 🔴 Lucro Líquido: US$ 415 milhões x US$ 428 milhões esperados.

  • 🟡 Lucro por ação: US$ 0,39, mesmo patamar do 4T’24.

O grande vilão: o ciclo do gado nos Estados Unidos, com os rebanhos no menor nível em décadas — e quando a oferta cai, o preço sobe. Como a JBS não pode repassar todo o custo para a bandeja de picanha, a margem é derrubada.

→ Uma restrição na importação de gado do México para os EUA apertou ainda mais a oferta. Não à toa, a operação de bovinos na América do Norte fechou o ano com Ebitda negativo.

Enquanto o boi dava trabalho, o frango salvava o dia: Operações como a Pilgrim’s, a Seara e a divisão da Austrália vieram com desempenho forte, surfando uma demanda mais resiliente e produtos com maior valor agregado.

No Brasil, o desempenho também ajudou a equilibrar o jogo. A empresa bateu recorde de abates, aumentou preços e aproveitou a demanda externa aquecida, mesmo com o custo do gado também pressionando por aqui.

A atenção: o fluxo de caixa livre caiu bastante no ano, muito por conta de investimentos maiores, recompra de ações e alguns gastos extraordinários. A dívida também subiu, chegando a US$ 16,3 bilhões.

O resultado apresentado foi sólido… mas com uma mensagem subliminar: no mundo das commodities, especialmente no boi, quem manda é o ciclo. E, por enquanto, esse ciclo continua no modo hard.

Recomendação dos analistas:

Compra: 15 | Neutro: 0 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 20,73 | Preço atual: US$ 15,75

MACRO/AÇÕES

  • Anbima: sugere ‘omissão’ de dados de carteiras por seis meses.

  • S&P500: Morgan Stanley vê alta de 20% nos lucros apesar da guerra no Oriente Médio.

  • GPA: bondholders contratam Moelis como assessora financeira.

  • Nintendo: cai quase 5% após reduzir a produção de Switch 2 em meio às vendas fracas nos EUA.

  • Mercado Livre: o ritmo acelerado de investimentos no Brasil.

  • Berkshire Hathaway: Greg Abel começa a mostrar suas cartas com investimento na Tokio Marine.

  • XP: reconhece perda de 60% em debêntures e CRAs da Raízen distribuídas pela plataforma.

  • SAP: caiu 4%, após JPMorgan rebaixar o papel, citando visibilidade limitada sobre uma retomada do crescimento.

  • Copasa: privatização entra na reta final.

  • Movida: aumenta lucro em 2025 com frota estável e dívida sob controle.

Cripto: do hype ao balanço

A vida real chegou para a OranjeBTC

Quando a OranjeBTC estreou na bolsa surfando o hype do Bitcoin, não imaginou que ia tomar um caldo tão grande logo antes de soltar o primeiro report trimestral. Só que os 3.723 BTC comprados na média de R$ 591 mil caíram para R$ 373 mil e levaram o prejuízo para R$ 469,9 milhões.

O grande vilão tem nome técnico: ajuste a valor justo. Na prática, como o Bitcoin caiu forte, o valor contábil das reservas da empresa despencou junto, gerando um impacto de R$ 465 milhões no resultado. Ou seja: não foi prejuízo “de caixa”, mas na remarcação do contábil.

Mesmo assim, a OranjeBTC seguiu fazendo exatamente o que prometeu e comprando mais bitcoin. Hoje, ela é a 1a da América Latina e 25a do mundo em montante de BTC na tesouraria.

E não parou por aí. A companhia também anunciou que pretende ter ADRs negociados nos EUA a partir de abril, um passo clássico de quem quer atrair gringo pra história e dar uma animada na liquidez.

A base cresce: aqui no Brasil, o número de investidores voou de 180 pessoas no IPO para mais de 8 mil.
A ação cai: hoje está sendo negociada por volta de R$ 7, acumulando uma queda de ~62% desde a estreia e -27% apenas esse ano.

No fim, ela é quase um estudo de caso em tempo real: uma empresa listada que basicamente respira bitcoin. Quando sobe, tende a voar. Quando cai… a aposta é que essa volatilidade é parte do caminho. Resta saber se o mercado vai ter estômago para acompanhar.

Americanas: a luz no fim do túnel

Prejuízo cai 90% e resultado promissor faz a empresa pedir saída da RJ

Depois de dois anos no modo “sobrevivência”, a Americanas soltou seus resultados ontem junto com um pedido para sair da Recuperação Judicial. Se o juiz der o ok, isso marca o fim de um dos capítulos mais caóticos do mercado financeiro brasileiro.

Relembrar é sofrer viver: tudo começou com um rombo bilionário causado por fraudes da antiga diretoria, que no começo de 2023 revelou uma dívida de R$ 42,5 bilhões escondida em meio a reports “pouco verdadeiros”.

Os números do trimestre:

  • 🔴 Receita: R$ 3,7 bilhões, caindo 3,8%

  • 🟢 Prejuízo Líquido: R$ 44 milhões, caindo -90% (mas se pegar só a operação, voltou a ter lucro).

  • 🟢 EBITDA ajustado: R$ 276 milhões, subindo 33%.

Mesmo com a receita vindo abaixo do esperado, a Americanas conseguiu manter a disciplina nos custos e despesas operacionais. Somando isso à receita de créditos tributários e renegociações, ela terminou o ano com mais caixa (e recebíveis) do que dívida… começa a parecer que a luz no fim do túnel não era um trem.

Olhando só para a operação, o sinal é ainda mais interessante. A Americanas saiu do prejuízo para o lucro e o EBITDA voltou ao positivo depois de um ano. Claro que ainda tem coisa pesando, como as operações descontinuadas que geraram um prejuízo de R$ 250 milhões e continuam atrapalhando o resultado final.

Agora, olhando pra frente, o desafio é voltar a dar lucro em um cenário onde o consumidor está mais apertado e o crédito não está tão fácil. A Americanas deixou de ser só um caso de sobrevivência, e a possível saída da RJ mostra que ela parece estar indo na direção correta.

PS: desde o rombo, a empresa saiu de 1.855 unidades para cerca de 1.500.

Falta pouco pro seu MacBook chegar

A essa altura do campeonato você já deve estar sabendo que até o dia 31 de março, todos que assinam o MoneyDrop podem ganhar um MacBook lindíssimo para carregar pra lá e pra cá. E ganhar, é mais fácil que tirar ele da mochila. Tá duvidando? Olha só:

  • Mandou para um amigo ou colega de trabalho

  • Ele se inscreveu e confirmou?

  • Pronto, você acabou de ganhar +1 chance no sorteio

Faltam exatos 5 dias para a ação acabar e esse prêmio pode ir parar direto na sua mesa, não perde tempo!

Ata do Copom: um banho de água fria

BC não quis se comprometer com novos cortes, mas mercado ainda precifica mais

Depois de baixar a Selic para 14,75% (-0,25 p.p), tudo indicava que o Brasil seguiria para uma trajetória de cortes de juros tranquila… mas o Banco Central acaba de jogar um balde de água fria no mercado. A ata do Copom veio com tom de serenidade, que para o investidor significa: segura a emoção porque o jogo não acabou.

Nada de compromisso com novos cortes agora, porque…
→ a inflação continua dando trabalho, e com petróleo pressionado não se pode brincar.
→ o cenário global segue muito instável.

Com esse combo de incerteza + inflação teimosa, os investidores começaram a pedir um prêmio maior para emprestar dinheiro ao governo. Ou seja, as taxas do Tesouro Direto voltaram a subir — especialmente nos títulos IPCA+ e prefixados.

Aqui entra aquela regra clássica que ninguém gosta, mas todo investidor aprende na prática: quando a taxa sobe, o preço do título cai. É a famosa marcação a mercado dando as caras.

Por um lado, quem já tinha o título na carteira viu o valor oscilar para baixo… mas só perde de verdade quem vende antes do vencimento.

Por outro, pra quem está olhando agora, as taxas mais altas significam uma nova chance de travar retornos que estavam bem mais baixos semanas atrás.

Agora, o radar está ligado em dois pontos: os próximos dados de inflação e qualquer novo capítulo da novela geopolítica lá fora. Porque, nesse momento, investir em renda fixa está menos no “modo automático”.

21,4x

é o múltiplo P/L projetado da Exxon Mobil, superando inclusive o da Nvidia (21,1x). O setor de energia possui histórico de forte disciplina de capital, distribuindo, em média, mais de 50% de seus lucros de 2026 na forma de dividendos.

Via DataTrek

DROP LIKE IT`S HOT

[para assistir/ouvir] o gestor que bate o mercado há 40 anos.

[para pensar] os maiores fundos de ações de gestão ativa escolheram as ações certas. Mesmo assim, ficaram para trás.

[para inspirar]: da falência para à elite do futebol italiano.

[para ler]: ‘1929’, o crash como thriller,

O que você achou da edição de hoje?

conta pra gente, aqui sua opinião realmente importa

Login or Subscribe to participate

DROPS

Elevando o QI da internet no Brasil, uma newsletter por vez. Nós filtramos tudo de mais importante e relevante que aconteceu no mercado para te entregar uma dieta de informação saudável, rápida e inteligente, diretamente no seu inbox. Dê tchau às assinaturas pagas, banners indesejados, pop-ups intrometidos. É free e forever will be.

0 comments

Avatar

or to participate

Veja as edições anteriores