
Bom dia, Dropper! Pensei no chuveiro: que o Copom cortou juros em 0,25 p.p e deixou a porta aberta pra mais, mas com muitas condições. É basicamente um SE infinito, que depende da inflação, da guerra, do petróleo, da economia global, do alinhamento dos planetas e do bom humor do comitê.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Vivara: o trimestre que brilhou nas vendas, não no lucro
• Disney: quando a sequência decepciona
• Minerva: ano recorde, trimestre decepcionante
• Agro: do IPO à seca no caixa

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o mercado brasileiro não conseguiu passar imune pelo pessimismo global depois do Fed decidir não cortar os juros nos EUA. Aí todo mundo sofreu um pouco, com destaque negativo para a Vale (-2,32%), que caiu bem mais que o minério (-0,12%). Depois do mercado fechar, o Copom fez o que todo mundo achava que ele ia fazer e anunciou um corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, que agora é de 14,75% — com espaço pra mais corte, mas tudo depende da inflação.
Lá fora, o dia foi de mal a pior. O pregão começou já em queda forte após dados econômicos do PPI (a inflação do produtor americano) terem chegado acima do esperado. E depois, Jerome Powell colocou mais água no chopp dos investidores ao anunciar (o que todo mundo já sabe) que o aumento dos custos de energia deve impulsionar a inflação. O Dow Jones fez a nova mínima de 2026, caminhando para seu pior mês desde 2022.
Vivara: o trimestre que brilhou nas vendas, não no lucro
Mesmo subindo +16% a receita, o lucro caiu -40%

A Vivara terminou o trimestre passado com um aumento de receita considerável, mas o resultado geral não foi tão joia.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$ 1,06 bilhão (+16,5% na base anual)
🔴 Lucro Líquido: R$ 177,5 milhões (-40,7%)
🔴 EBITDA ajustado: R$ 286,1 milhões (-4,83%)
O vilão: custos e despesas que subiram no modo turbo e pressionaram as margens. O custo total saltou 45,4%, enquanto as despesas operacionais cresceram quase 29%. Como se não bastasse, o resultado financeiro afundou 86%, com um prejuízo de R$ 56,7 milhões.
O super-herói: as vendas, principalmente no digital, que cresceram +31,5%, batendo R$ 238,8 milhões. As lojas físicas também venderam mais, faturando R$ 1,12 bilhão (+14,5%), com destaque para a marca principal e a Life. O indicador de vendas das mesmas lojas também seguiu saudável, com alta de 11,5%.
Outro ajuste chave veio do estoque — e ele fez diferença de verdade. A empresa fechou o ano com R$ 1,48 bi e cortou 35 dias de cobertura, sinal de operação mais eficiente. Resultado: caixa mais forte (R$ 203,7 mi vs. R$ 85,9 mi) e alavancagem quase zerada, em 0,2x.
A Vivara fechou 2025 com 498 lojas e o planejamento para esse ano é seguir acelerando, abrindo entre 55-65 novos pontos. O motivo desse apetite é que as lojas abertas nos últimos anos têm performado acima das expectativas. Some a isso um cenário favorável nos shopping centers e o espaço ainda disponível para ganhar mercado no Brasil e a conta parece fechar.
PS: a empresa distribuiu R$ 164 milhões em dividendos (cerca de R$ 0,70 por ação). Para viabilizar o pagamento, antecipou recebíveis de cartão… um pequeno “malabarismo financeiro”, mas dentro do script.
Recomendação dos analistas:
Compra: 12 | Neutro: 2 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 38,46 | Preço atual: R$ 24,69
MACRO/AÇÕES
Argentina: desemprego sobe para 7,5%, maior patamar para o 4T desde a pandemia.
Crédito imobiliário: XP entra no financiamento de luxo.
Fed: mantém projeções anuais de juros até 2028.
Alumínio: preços sobem para a máxima dos últimos anos, por problemas na oferta.
Commodities: tungstênio, metal usado em armamentos, dispara 557% com maior demanda militar.
Eneva: leva tudo que pediu em leilão histórico para o setor elétrico.
Multiplan: inicia nova fase de expansões com Morumbi Shopping.
Vibra: forma novo conselho, com saída de Nildemar e entrada da Inpasa.
Itaúsa: tem lucro líquido recorrente de R$ 4,4 bi no 4T’25, alta de 21% no ano.
Light: Nelson Tanure sai do conselho e encerra investimento na empresa.
BTG: ‘Special sits’ já responde por 36% do lucro do BTG, estima o JP Morgan.
Grupo Ferrero: compra a brasileira Bold Snacks.
Aegea: pode ser avaliada em mais de R$ 40,5 bilhões em eventual IPO.
MBRF: tem lucro líquido 92% menor no 4T’25 com despesas maiores e processo de fusão.
Brava Energia: Petrobras exerce seu direito de preferência de compra em dois campos e impactam na expansão da empresa.
Disney: quando a sequência decepciona
Bob Iger sai (de novo)

Nem sempre a sequência supera o original e a Disney provou isso com o desempenho financeiro da segunda passagem de Bob Iger como CEO. No seu primeiro mandato (2005-2020) a empresa superou DE LONGE o S&P 500, crescendo 438%, Mas desde que Iger voltou ao comando (2022), o índice disparou 70% e a Disney só 9,2%.
Não dá pra jogar toda a culpa nele. Iger assumiu no meio do caos pós-pandemia, com parques vazios, cinemas capengando e a TV tradicional perdendo audiência a cada clique no controle remoto. A aposta no streaming com o Disney+ virou prioridade… mas crescer nesse mercado custa caro e demora pra dar lucro.
Ainda assim, Iger sai deixando a casa arrumada. A divisão de “experiências” (parques, cruzeiros e resorts) voltou a “funcionar” e virou a estrela do grupo, gerando US$ 10 bilhões dos US$ 17,6 bilhões de lucro operacional no último ano. E a expectativa é de ainda mais crescimento pela frente.
Quem assume a Disney agora é Josh D’Amaro, o cara que justamente comandava essa máquina de experiências, com o desafio de replicar em todas as divisões o que fez no “lugar mais mágico do mundo”. E, quem sabe, recuperar um pouco da magia que o mercado anda sentindo falta.
A ação já cai -16,10% no ano e -50,57% nos últimos 5 anos.
PS: a empresa está praticamente no mesmo preço de 10 anos atrás, no dia 18 de março de 2016 as ações abriram a US$ 99,98. Ontem elas abriram a US$ 99,84.
Minerva: ano recorde, trimestre decepcionante
Boi caro aperta margem da gigante

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, soltou ontem seus resultados e mostrou que 2025 foi um ano de recordes: receita, lucro e EBITDA. Uma bela reviravolta depois do prejuízo bilionário no ano anterior.
Boa parte desse recorde tem nome e sobrenome: as aquisições feitas junto à Marfrig, que turbinam a operação e fizeram a Minerva sair de 26 para 38 unidades.
Mas, dentro do que era esperado, o resultado do trimestre decepcionou. Margens mais apertadas e uma queima de caixa acima do “combinado” devem fazer o mercado revisar as estimativas de lucro.
Os números do trimestre:
🔴 Receita Líquida: R$ 14,20 bilhões, -5% das expectativas.
🔴 Lucro Líquido: R$ 84,9 milhões, mas por causa dos IR Corrente/Diferido.
🔴 EBITDA: R$ 1,17 bilhão, -9% abaixo das expectativas
De um lado: a Minerva já fez a conclusão antecipada da integração dos novos ativos comprados da Marfrig, trazendo evolução operacional e mais ganho de escala, diluindo custos e aproveitando as sinergias.
De outro: a empresa já avisou que as margens devem apertar. O boi mais caro e um cenário macro nada amigável devem elevar os custos. A guerra no Irã também pode aumentar o preço da cadeia logística.
Apesar das crises geopolíticas, a exposição direta da Minerva ao Oriente Médio é relativamente pequena (cerca de 6% da receita). A empresa segue mais exposta em outros dois gigantes: China (27% das exportações) e Estados Unidos (com 19%).
Mesmo com esse cenário mais desafiador, há outro ponto positivo no radar: a oferta global de carne bovina deve cair em 2026. Menos boi no mundo, com demanda estável, pode significar preços mais altos, o que ajuda a equilibrar a equação.
A empresa tem uma alavancagem líquida de 2,6x, fazendo uma geração de caixa livre em 2025 em R$ 1,5 bilhão.
PS: a empresa pretende distribuir R$30,8 milhões em dividendos.
Recomendação dos analistas:
Compra: 5 | Neutro: 8 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 7,88 | Preço atual: R$ 4,30
Do IPO à seca no caixa
Quando o mercado subestima o poder do relacionamento

As histórias de Lavoro e Agrogalaxy são basicamente um estudo de caso de como o hype pode virar uma grande dor de cabeça. Alguns anos atrás, o agro é pop era o queridinho do mercado e aí fundos cheios de caixa decidiram consolidar um setor superfragmentado, comprando revendas gigantes e criando gigantes nacionais:
A Lavoro, criada pela Patria Investimentos, saiu comprando lojas pelo Brasil e até fez IPO na Nasdaq.
A Agrogalaxy, bancada pela Aqua Capital, fez IPO na B3 em 2021 com a mesma ideia: ganhar escala, negociar melhor e surfar o boom do agro.
No PPT, parecia um daqueles trades que não tinham como dar errado. Mas deu… o agro é cíclico e o ciclo virou. Hoje o cenário é outro: a Lavoro renegociou cerca de R$2,5 bilhões em dívidas, saiu da bolsa americana e vendeu sua operação brasileira. A AgroGalaxy entrou em RJ, com quase R$ 4,7 bilhões em passivo.
Essa mudança do sino do IPO para a mesa de renegociações não foi só azar. O modelo começou a rachar quando 3 forças bateram ao mesmo tempo:
As margens evaporaram: defensivos agrícolas deixaram de ser um produto premium e viraram commodities, com genéricos asiáticos inundando o mercado.
Crédito virou problema: as revendas eram quase como um banco informal, que financiava o produtor. Mas quando a inadimplência passa dos 10% (e a margem é baixa), a matemática não fecha.
Produtor entrou no modo defensivo: depois de anos de bonança, a combinação de preços mais baixos com juros mais altos apertou o investimento e o caixa do produtor.
Pra completar, teve um movimento que o excel não capta: relacionamento. O modelo de consolidação, que aposta em escala, subestimou o valor da confiança entre os players do campo. O produtor geralmente comprava de alguém que ele conhecia pelo nome, resolvia tudo no aperto de mão e no cafezinho.
O setor continua gigante e essencial, mas o modelo está sendo reescrito. A nova lógica passa mais por servir e se aproximar do que comprar e consolidar. Algo que as cooperativas entenderam melhor do que o mundo sofisticado. No agro, a escala com certeza ajuda… mas não é tudo.
E quando o ciclo vira, quem manda não é o PPT.

Todo mundo já ficou algumas horas navegando no site da Apple (não adianta mentir, a gente sabe que sim). E para você sair da ‘navegação’ e ir pra prática, temos uma surpresa Dropper:
Um MacBook Neo novinho, direto na sua mesa
“Mas como eu faço pra garantir o meu?”
Você só precisar pegar o seu link de indicação, enviar para o máximo de pessoas até o dia 31 de março! A partir de uma indicação feita e confirmada, você já participa do sorteio. Mas é claro, quanto mais indicações você fizer, maior a sua chance também!
US$ 157,66
Foi o novo recorde para o preço do barril (negociado na bolsa de Dubai). Isso representa uma diferença de US$60 entre o preço atual e o derivativo — em fevereiro essa diferença era de US$ 0,90.

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