
Bom dia, {{name | droppers}}! Pensei no chuveiro: que dias de neve podem ser muito divertidos para as crianças… mas nem tanto para as companhias aéreas. Uma tempestade de inverno que atingiu a costa leste dos EUA provocou o cancelamento de cerca de 5.000 voos ontem, quase 20% de todas as partidas programadas nos EUA. As ações das aéreas despencaram: a United caiu 5,28%, a American perdeu 4,86%, a Delta recuou 3,79% e a Southwest afundou 2,45%. O vencedor inesperado? O gás natural, com preços subindo devido à alta demanda.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Havan: o véio vai bem, obrigado
• AIpocalipse: US$ 800 bi evaporados por um cenário hipotético
• Walmart: a economia em K
• Lavoro: de unicórnio a penny stock

GIRO PELO MERCADO

Por aqui, a primeira semana do ano pós-carnaval começou sem ressaca e bem-humorada com o relatório Focus mostrando queda na expectativa da inflação pela sétima semana seguida. O Ibovespa até acompanhou e chegou a bater a máxima histórica no intradiário, com 190 mil pontos, mas depois levou uma rasteira do medo que todo mundo tem do risco global e acabou fechando em queda de quase 1%. Quem também caiu foi o dólar, que já está no valor mais baixo dos últimos 21 meses.
Lá fora, outra semana começa e mais um medo da IA impacta os índices, que fecharam com quedas acima de 1%. A novela do Tarifaço ganhou mais capítulos e ainda mais lenha na fogueira depois de a Suprema Corte dos EUA derrubar a decisão de Trump — que já soltou uma nova taxa global e avisou: quem tentar contornar os acordos atuais vai ser taxado de novo. No meio disso tudo, o bitcoin continua na sua espiral negativa e já cai -30% no mês.
VISUAL
Havan: o véio vai bem, obrigado

O “véio da Havan” tem motivos de sobra pra sorrir: a varejista catarinense fechou o ano com R$ 18,5 bilhões em faturamento, alta de 16,1%, viu seu lucro bater recorde histórico, em R$ 3,4 bilhões, avançando 28% e ganhou market share num setor que, como um todo, cresceu menos de 3%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: R$ 5,71 bilhões, subindo 16,3%
🟢 Lucro Líquido: R$ 671 milhões, subindo +31,5%
🟢 EBITDA: R$ 1 bilhão, com margem de 23,4%.
Se você viu mais Estátuas da Liberdade por aí, não foi miragem. Parte da receita veio da abertura de sete megalojas em 2025. Já são 184 unidades, somando 923 mil metros quadrados de área de vendas e para 2026 a meta é ainda mais ambiciosa: 200 megalojas e R$ 22 bilhões em faturamento.
Um dos destaques é o caixa da empresa, em R$ 4,9 bilhões. Com uma dívida bruta de R$ 678 milhões, estamos falando que a empresa possui um senhor caixa líquido de R$ 4,3 bilhões. Em um setor que costuma viver no crediário e no capital de giro apertado, isso muda o jogo. Principalmente porque…
→ A empresa expande sem depender tanto de bancos
→ Atravessa períodos de consumo fraco com muito mais tranquilidade.
Em pleno ambiente de juros altos e endividamento das famílias, a Havan expandiu, bateu recorde de lucro e terminou o ano com mais dinheiro no caixa do que dívida no balanço. No varejo brasileiro, isso é uma baita vantagem competitiva.
PS: Em 2025, 190 milhões de pessoas (+7%) passaram pelas lojas da Havan.
PS2: Hang é o único acionista e recebeu R$ 2,3 bilhões em dividendos em 2025.
PS3: cada Estátua da Liberdade custa, em média, R$ 1,5 milhão.
MACRO/AÇÕES
Tarifas: Trump aumenta incertezas no comércio global e diz que novo tarifaço vai ser de 15%.
Bitcoin: pesquisas por “Bitcoin a zero” explodem nos EUA.
Fed: ata mostra um banco central americano dividido.
Desemprego: cai para 5,1% no 4T’25.
PIB americano: taxa anualizada do último trimestre ficou em 1,4%, bem abaixo das estimativas.
BRB: Caixa avalia riscos da federalização do banco, após o caso do Master.
Americanas: como “inquilina indesejada”, deixa o Shopping Iguatemi onde está desde 1981.
OpenAI: vai queimar US$ 111 bi acima do previsto.
SmartFit: Pátria zera posição em block trade de R$ 890 milhões.
Klabin: BNDES libera R$ 122,5 milhões para pesquisa florestal.
Panvel: Kinea zera posição em block trade de R$ 128 milhões.
DocuSign: caiu 6,14%, atingindo a mínima em 52 semanas, com revisão baixista da Jefferies.
Ultra: BTG é contratado pelo grupo para fazer a venda do ativo Ipiranga.
Tecnisa: BTG faz proposta de R$ 260 milhões para comprar 26% da Windsor.
Gerdau: tem receita de R$ 16,9 bi no 4° trimestre, alta de 0,9%.
Cosan: avalia possível IPO da Compass Gás e Energia.
IA
AIpocalipse: US$ 800 bi evaporados por um cenário hipotético

Nada é mais sensível do que um homem gripado o mercado de ações. Foi só um relatório “hipotético” circular no fim de semana para o AIpocalipse voltar com força total e evaporar ~US$800 bi com uma nova rodada de medo em relação ao impacto da IA.
1) Tudo começou com um estudo da pouco conhecida Citrini Research, publicado no domingo nas redes sociais. O texto descreve um cenário ambientado em 2028 em que a IA teria causado desemprego em massa entre trabalhadores de colarinho branco, queda no consumo, inadimplência, e uma bela contração econômica.
→ Apps de delivery (como DoorDash e Uber Eats) perderiam espaço para alternativas “vibe-coded”.
→ Cartões como Visa e Mastercard iriam ver os agentes de IA cortando suas taxas.
→ O próprio relatório avisava: “é um cenário, não uma previsão”, mas Wall Street decidiu ler como spoiler do fim do mundo.
2) Depois, a Anthropic disse que seu Claude Code agora consegue modernizar COBOL, aquela linguagem jurássica que ainda roda em muitos sistemas da IBM… e fez a ação da big tech ter a maior queda nos últimos 25 anos! E com o Claude Code Security, US$ 52 bilhões sumiram das empresas de cybersecurity.
3) E então veio Nassim Taleb, autor de The Black Swan, lembrando que o mercado pode estar subestimando riscos estruturais enquanto superestima a durabilidade dos atuais campeões de IA.
Nem todo mundo comprou o pânico. Alguns estrategistas apontaram que a reação foi exagerada lembrando que o mercado vinha mostrando resiliência diante de notícias realmente negativas — e agora entrou em parafuso por causa de uma narrativa fictícia ambientada em 2028.
Mas o episódio deixa claro o clima atual: a IA virou também gatilho de paranoia, com um relatório evaporando praticamente todo o valor de mercado do Ibovespa em poucas horas.
De que lado você está?
EARNINGS
Walmart e a economia em K

A fila do caixa continua grande e as sacolas cheias no Walmart. A então maior varejista do mercado americano (que foi ultrapassada pela Amazon em receitas pela primeira vez) fechou o trimestre das festas subindo ~6% em vendas. E tanto o lucro quanto a receita vieram acima das expectativas de Wall Street.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 190,66 bilhões x US$ 190,43 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$0,74 x US$0,73 da expectativa.
🔴 Guidance: lucro ajustado por ação entre US$ 2,75 e US$ 2,85, abaixo dos US$ 2,96 esperados pelo mercado.
O impulso das vendas não foi só do carrinho físico, mas também do virtual, com o e-commerce crescendo 27% — são 15 trimestres seguidos de crescimento de dois dígitos.
O CFO John David Rainey diz que a combinação de escala com entrega rápida está atraindo até consumidores de renda mais alta, mas admite pressão nas faixas de renda mais baixas. O consumo está mais forte no topo do que na base… um retrato da chamada “economia em K”, onde cada grupo social vive um momento diferente.
No guidance para o ano, o Walmart projetou um crescimento de vendas e lucro abaixo dos esperados pelo mercado, fazendo com que isso ofuscasse os resultados robustos e derrubasse as ações em ~4%. Ainda com a queda assim, no acumulado de 12 meses, sobem cerca de 35% e superam o S&P 500.
No fim, o Walmart continua sendo aquele velho conhecido que nunca sai de moda — só que agora faz entrega em duas horas e compete com big tech.
PS: a ação migrou para a Nasdaq em dezembro e ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado.
PS2: a empresa anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 30 bilhões.
Recomendação dos analistas:
Compra Forte: 9 | Compra: 30 | Neutro: 3 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 134.44 | Preço atual: R$ 125.81
DECIFRANDO O CONDADO

Penny stocks
São ações negociadas por valores muito baixos (geralmente abaixo de US$ 5 nos Estados Unidos ou R$ 1 aqui no Brasil).
Costumam representar empresas pequenas, pouco conhecidas e com baixa liquidez.
Justamente por custarem “centavos”, elas atraem investidores em busca de multiplicações rápidas, mas o risco é proporcional ao sonho: volatilidade alta, pouca transparência e maior chance de manipulação de preços.
BOLSAS
De unicórnio a penny stock: o adeus da Lavoro

A Lavoro, que um dia celebrou ser a primeira rede latino-americana de distribuição de insumos agrícolas listada na Nasdaq, anunciou que vai deixar a bolsa americana. Três anos depois da festa da SPAC, o sonho global acabou… com gosto de ressaca.
O motivo oficial: os custos de manter uma empresa listada nos EUA já não compensam os benefícios. Ou seja, pagar para estar na vitrine ficou caro demais para o momento de ambiente complicado para o ciclo do agro no Brasil.
A listagem veio via SPAC patrocinada pelo fundo The Production Board. Na época, a transação avaliou a Lavoro em US$ 1,2 bilhão e colocou mais de US$ 200 milhões no caixa da empresa.
→ A tese irresistível: consolidar revendas agrícolas num mercado fragmentado e capturar escala.
→ A realidade cruel: a crise das revendas apertou margens, secou crédito e desmontou a narrativa de consolidação.
→ O resultado no pregão: desde a listagem, as ações caíram 97%. Hoje, a empresa vale cerca de US$ 35 milhões (aproximadamente R$ 180 milhões).
Ainda assim, a captação via SPAC deu um fôlego extra, pelo menos mais do que concorrentes, como a AgroGalaxy, que tombou antes. Agora o ajuste está sendo feito, com a empresa encolhendo operação, fechando lojas e até deixando estados estratégicos como o Mato Grosso, o coração da produção de grãos do Brasil.
STATS DO DIA
7%
de toda a demanda energética dos EUA agora é consumida por data centers. Não é à toa que as big techs estão investindo em usinas próprias pra dar conta de tudo nos próximos anos.

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